As parábolas revelam�o Deus da ALEGRIA�
Acompanhando as 3 parábolas
do capítulo 15 de S. Lucas
Por vicissitudes históricas, por alguma traição da Igreja face aos valores do Evangelho de Jesus, pela enorme influência de grandes pensadores e filósofos, tornou-se um lugar comum e espalhou-se muito a ideia de que o cristianismo é uma religião do sofrimento e da apologia do sacrifício, numa palavra: uma religião da tristeza.
Ora, há aqui um mal-estar, resultante de um infeliz mal-entendido: ‘EVANGELHO’ é palavra grega que significa ‘Boa Notícia’, portanto ALEGRIA.
Lembrando apenas 2 pensadores:��Nietzsche (filósofo alemão do sec. XIX)�e�Osho (pensador indiano do sec. XX)
Nietzsche
Nietzsche denunciou a "moralidade escrava" que distingue entre o bem e o mal: o bem está associado ao outro mundo, à caridade, à piedade, à contenção, à mansidão, à submissão, ao sofrimento e à tristeza; enquanto o mal é mundano, cruel, egoísta, rico, agressivo, hedonista. Nietzsche via a moral escrava como pessimista e temerosa e associou-a às tradições judaica e cristã.
Para ele, o cristianismo é apelidado de religião da piedade. A piedade opõe-se às emoções que aumentam a nossa vitalidade: tem um efeito deprimente. Somos privados de força quando sentimos pena. Essa perda de força em que o sofrimento como tal inflige à vida é ainda mais aumentada e multiplicada pela piedade. A piedade torna o sofrimento contagioso.
Osho
«O cristianismo é uma religião triste – mais doente e triste do que qualquer outra religião.»
«As religiões envenenaram a nossa capacidade de nos alegrarmos, de dançarmos, de cantarmos.»
«No cristianismo, não se pode sequer rir. Já se viu alguma estátua de Jesus sorrindo, rindo, gargalhando, dançando? Não, tudo o que se conhece é o Jesus crucificado.»
«As igrejas cristãs, como as outras, não querem que sejamos felizes.»
Realmente, um infeliz mal entendido… porque:
«Jesus veio para que tenhamos a vida e a vida em abundância» (Jo 10,10), Jesus veio «para que a nossa alegria seja completa» (Jo 15,11).
Até porque…
«a alegria de Deus é a nossa fortaleza» (Ne 8,10)
e
«a glória de Deus é o Homem vivo» (Sto Ireneu)
Visitemos, pois, estas 3 parábolas da ALEGRIA em Luc.15
A ovelha perdida (vv 4-7):
«Qual é o homem dentre vós que, possuindo cem ovelhas e tendo perdido uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai à procura da que se tinha perdido, até a encontrar? Ao encontrá-la, põe-na alegremente aos ombros e, ao chegar a casa, convoca os amigos e vizinhos e diz-lhes: 'Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida.’»
A dracma perdida (vv. 8-10)
«Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perde uma, não acende a candeia, não varre a casa e não procura cuidadosamente até a encontrar? E, ao encontrá-la, convoca as amigas e vizinhas e diz: 'Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma perdida.’»
O filho pródigo (vv 4-7):
«Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: 'Pai, dá-me a parte dos bens que me corresponde.' E o pai repartiu os bens entre os dois. Poucos dias depois, o filho mais novo, juntando tudo, partiu para uma terra longínqua e por lá esbanjou tudo quanto possuía, numa vida desregrada. Depois de gastar tudo, houve grande fome nesse país e ele começou a passar privações. Então, foi colocar-se ao serviço de um dos habitantes daquela terra, o qual o mandou para os seus campos guardar porcos. Bem desejava ele encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava. E, caindo em si, disse: 'Quantos jornaleiros de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui a morrer de fome! Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e vou dizer-lhe: Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus jornaleiros.' E, levantando-se, foi ter com o pai.Quando ainda estava longe, o pai viu-o e, enchendo-se de compaixão, correu a lançar-se-lhe ao pescoço e cobriu-o de beijos. O filho disse-lhe: 'Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não mereço ser chamado teu filho.'Mas o pai disse aos seus servos: 'Trazei depressa a melhor túnica e vesti-lha; dai-lhe um anel para o dedo e sandálias para os pés. Trazei o vitelo gordo e matai-o; vamos fazer um banquete e alegrar-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado.' E a festa principiou.
3 textos, 3 parábolas…
com a proposta da
ALEGRIA PARTILHADA
Alegria que requer pressupostos:
Amor-Amizade: «Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. Disse-vos estas coisas para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa» (Jo 15, 9-12)
Busca-Conversão: Nas 3 parábolas de Luc 15 há um caminho percorrido, há uma procura, um processo que conduz e possibilita a ALEGRIA !
O Deus cristão: o Deus da Alegria
Se a alegria é a possibilidade da paz, da felicidade, do sentido profundo para a vida, como não entender o Deus de Jesus como Aquele que combate toda a espécie de tristeza? É que, como disse S.Tomás de Aquino:
«A tristeza é, entre todas as paixões, a que mais dano causa ao corpo. Justamente porque a tristeza se opõe à vida humana quanto ao seu movimento (isto é, quanto ao movimento que a alma lhe imprime)»
S.Tomás, Suma Teológica, I-II,37
A ALEGRIA SUPERA A TRISTEZA��a tristeza é uma paixão que destrói a vida, a essência da vida, a força vital que há em nós, o Espírito Santo de Deus que habita em nós.��E daí, essa relação profunda entre os três primeiros frutos do Espírito Santo:�AMOR – ALEGRIA - PAZ�