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Diretrizes Diagnósticas do Mesotelioma Maligno de Pleura�

Eduardo Algranti

Diretoria de Pesquisa Aplicada

FUNDACENTRO

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Mesotelioma maligno

  • É o principal câncer primário da pleura
  • Tumor com alta fração atribuível à exposição ao asbesto
  • Outros minerais de forma alongada também são associados à doença (ex: erionita, fluoroedenita, wincherita)
  • Longo período de latência em relação ao início da exposição
  • A localização pleural é maior que 80%
  • Sobrevida de 12 meses baixa
  • Taxas de incidência e letalidade são muito próximas
  • Prevenção de ocorrências é possível

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Consumption in tons

Year

Consumption in kg/per capita

Produção de asbesto em toneladas e consumo em kg/habitante, Brasil, 1961-2012.

Fontes: Virta (USGS) e DNPM

Relação entre mortalidade cumulativa (1994-2008) e consumo de asbesto cumulativo (1920-1970) em 56 países. R2=0,827 p<0,0001

Park et al 2011, EHP:119:514-518

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Número de óbitos cumulativo com registros de Mesotelioma (C45) e Câncer de Pleura (C38.4) na causa básica, na Argentina, Brasil, Colombia e México, 2005-2009

Algranti E. et al. AOGH, 2019:85(1):49, 1-15

after Pasetto R. et al AOGH 2014

Até o inicio do século XXI, o consumo de asbesto no Brasil foi da ordem de 20 xs o da Argentina e de 5 a 10 xs maior do que no México

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Tendências anuais do número de óbitos por C45 (A) e C38.4 (C) e coeficientes padronizados de óbitos/milhão para o C45 (B) e C38.4 (D). Linha sólida Brasil, pontilhada São Paulo, 2000-2012

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Diretrizes Diagnósticas de Mesotelioma Maligno de Pleura

  • Objetivo: Sistematizar e padronizar os procedimentos diagnósticos desse tipo raro de tumor e desenvolver recomendações para o diagnóstico de MMP.
  • População-alvo: pacientes com suspeita de MMP.
  • Cenário: unidades e centros de assistência habilitados no tratamento do câncer no SUS.
  • Público-alvo: profissionais de saúde atuando no atendimento especializado do SUS.

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Equipe de trabalho

Coordenadores: Ubirani Barros Otero – INCA/MS

 

Rodrigo Ramos de Sena (CPCDT/DGITIS/SCTIE/MS)

Eduardo Algranti (Fundacentro/CTN/ME)

 

Edison Vieira de Melo Junior (CMATS/DGITIS/SCTIE/MS

Hermano Albuquerque de Castro (Fiocruz/MS)

 

Jorgiany Souza Emerick Ebeidalla (CPCDT/DGITIS/SCTIE/MS)

Grupo gestor:

 

Especialistas:

Ubirani Barros Otero (CONPREV/INCA/MS)

 

Grupo clínico

Eduardo Algranti (Fundacentro/CTN/ME

 

Eduardo Mello de Capitani (Unicamp/SP)

Hermano Albuquerque de Castro (Fiocruz/MS)

 

Marcos Ribeiro (UEL/PR)

Márcia Sarpa de Campos Mello (CONPREV/INCA/MS)

 

Jefferson Benedito Pires de Freitas (FCMSCSP/SP)

Trícia Anita Arruda da Mota (CGVAM/SVS/MS)

 

Ubiratan de Paula Santos (USP/SP)

Eduardo Barros Franco (CONPREV/INCA/MS)

 

Mauro Musa Zamboni (INCA/MS)

Metodologistas:

 

Grupo de exames por imagem

Renata Leborato Guerra (NATS/CPQ/INCA/MS)

 

Dante Escuissato (UFPR)

Aline do Nascimento (NATS/CPQ/INCA/MS)

 

Fabiano Franco Monteiro Prado (Santa Casa/MG)

Laura Augusta Barufaldi (NATS/CPQ/INCA/MS)

 

Henrique Pereira Faria (UFOP/MG)

Flávia de Miranda Corrêa (CONPREV/INCA/MS)

 

Grupo da Anatomia Patológica

Ricardo Ribeiro Alves Fernandes (NATS/CPQ/INCA/MS)

 

Fabíola Del Carlo Bernardi (FCMSCSP/SP)

Camila Belo Tavares Ferreira (CONPREV/INCA/MS)

 

Ivanir Martins de Oliveira (INCA/MS)

Raphael Duarte Chança (CONPREV/INCA/MS)

 

Marisa Dolhnikoff (USP/SP)

Maicon Falavigna (HMV)

 

Thais Mauad (USP/SP)

Verônica Colpani (HMV)

 

Antônio Ambrósio de Oliveira (INCA/MS)

Conitec:

 

 

Eduardo Carneiro Resende (CPCDT/DGITIS/SCTIE/MS)

 

 

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História ocupacional

Sintomas: dispnéia, tosse, dor torácica, perda de peso

RX tórax

Método de imagem

Fragmento pleural histopatologia

Líquido pleural citopatologia

Método biópsia

IHC

Perguntas da diretriz

Diagnóstico diferencial com outras neoplasias

  • Biomarcador (P2)
  • Corpos e fibras (P4)
  • Microscopia eletrônica (P8)
  • Diagnóstico presuntivo (P9)

Fluxo investigativo de outras doenças pleurais

P1

P3

P5

P6

P7

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  • Busca bibliográfica: seleção inicial de resumos e seleção final de texto completo
  • Avaliação de viés para as perguntas 2, 5 e 7: pelas ferramentas ROBIS-2 (revisão sistemática) ou QUADAS-2 (estudo de teste diagnóstico) - biomarcadores, biópsia, imunohistoquímica.
  • Para a pergunta 7 (imuno-histoquímica): 8 meta-análises referentes aos resultados de acurácia dos marcadores selecionados
  • Foi utilizado o sistema GRADE para avaliação da qualidade do corpo das evidências.

Metodologia

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Sintomas e História Ocupacional

  • Sintomas de MMP: inespecíficos e comuns às doenças pleurais. Dispneia, dor torácica, tosse, perda de peso, astenia, fadiga e, eventualmente, abaulamento no tórax são os sintomas mais comuns.
  • É frequente que indivíduos com diagnóstico firmado de mesotelioma não refiram, não se lembrem ou mesmo neguem exposição ao asbesto.
  • Os dados de história de exposição, embora tenha baixo nível de evidência como preditores da doença, são importantes na avaliação diagnóstica e na atribuição da doença ao asbesto (aspectos legais).

Pergunta 1

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Exames de Imagem

    • RX de Tórax: investigação inicial por imagem
    • TC de tórax: método complementar e nos casos suspeitos de neoplasia pleural maligna.
    • O MMP e a neoplasia pleural metastática são indistinguíveis pelos exames de imagem.
    • Características observadas na imagem: Espessamento pleural circunferencial, cisural e pericárdico - são mais indicativos do MMP.
    • As placas pleurais são indicadores de exposição prévia ao asbesto, mas não são definidores de neoplasia pleural maligna

Pergunta 3

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Citologia do líquido pleural��

  • A análise citológica do líquido: passo inicial nos procedimentos diagnósticos de MMP
  • O exame de líquido pleural baseado exclusivamente em esfregaços citológicos, não é suficiente para o diagnóstico conclusivo e definitivo de MM
  • Útil nos casos em que o status funcional do paciente impossibilite a realização de exames invasivos para obtenção de fragmentos de tecidos maiores.

Pergunta 5

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Imunohistoquímica

  • Técnica auxiliar da patologia. Importante no diagnóstico diferencial entre MMP e outros tipos de câncer na pleura, como o adenocarcinoma metastático
  • Para aumentar a acurácia diagnóstica: combinação de diferentes marcadores de imunohistoquímica, para tecido mesotelial e para adenocarcinoma
  • Considerando os resultados das metanálises, da avaliação pelo GRADE e painel de especialistas, as seguintes recomendações foram elaboradas:

Pergunta 7

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MARCADORES POSITIVOS

WT-1

CAM5-2

Calretinin

Vimentin

CK5/6

HBME-1

D2-40

GLUT-1

N-cadherin

Thrombomodulin

EMA

p53

CD90

Desmin

MARCADORES NEGATIVOS

CEA

B72.3

BerEp4

BG8

TTF-1

CD15

MOC31

Leu-M1

E-cadherin

  • Identificação de 3 revisões sistemáticas: BTS 2018, He et al 2017, King et al 2006
  • Seleção dos marcadores: acurácia diagnóstica e recomendação do BTS 2018, disponibilidade no SUS e consenso dos patologistas

Combinação dos marcadores de IHQ

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Fluxograma com as recomendações para realização de imunohistoquímica em fragmento de pleura de acordo com a suspeita�

Suspeita Baixa

Intermediária

Alta

* Caso haja suspeita clínico/radiológica/histopatológica, ou excluídas outras hipóteses diagnósticas, pode ser considerada a realização de imunohistoquímica para diagnóstico diferencial de MMP.

Baixa

Alta

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  • Pacientes com clínica + imagem de tórax sugestivos e história compatível: evidências importantes, ainda que não suficientes, para se concluir pelo diagnóstico de MMP (segundo o Registro Nazionale dei Mesoteliomi - ReNaM)

- Suspeita clínica sem acesso à citologia e/ou biópsia de pleura: diagnóstico provável de MMP pode ser realizado integrando-se dados de marcadores de exposição* ao asbesto com alterações tomográficas sugestivas

- Quadro de imagem sugestivo/característico + evolução clínica sugestiva, na ausência de marcadores de exposição evidentes - diagnóstico possível.

- Nos diagnósticos considerados provável e possível deve-se procurar excluir cânceres primários de mama, ovário, adenocarcinoma de cólon, e carcinomas de rim.

São considerados marcadores de exposição*:

  • Presença de placas pleurais e/ou asbestose e/ou;
  • História ocupacional de exposição ao asbesto há pelo menos 10 anos e/ou;
  • Presença de um ou mais corpos de asbesto por mililitro de lavado broncoalveolar.

Pergunta 9

Diagnóstico presuntivo

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MMP Definido

MMP Provável

MMP Possível

Histologia

QMC

QMC

QMC

NR

NR

Citologia

QMC

QMC

NR

NR

NR

IHQ

Característica (associado aos critérios precedentes*)

NR

NR

NR

NR

Imagem

(TC de tórax)

Característica

Característica

Característica

Característica

Característica

Marcadores de Exposição

Ausentes

Ausentes

Presentes (na falta dos critérios precedentes*)

Presentes

Ausentes

Clínica

Característica

Característica

Característica

Característica

Característica

Autópsia

QMC* (na falta dos critérios precedentes*)

NR

NR

NR

NR

MMP: mesotelioma maligno de pleura; IHQ: imuno-histoquímica; TC: tomografia computadorizada; QMC: quadro morfológico característico; NR= não realizado

* Critérios precedentes: observados a partir do conjunto das informações levantadas na investigação: exame de prontuários, exames de imagem e laboratoriais.

Quadro 1. Possibilidades diagnósticas de mesotelioma maligno de pleura utilizando combinações de critérios (AdaptadoReNaM)

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http://conitec.gov.br/images/Consultas/Relatorios/2020/DIRETRIZ_MesoteliomaMalignoPleura_MMP_CP_15_2020.pdf

http://conitec.gov.br/images/Protocolos/Resumidos/20210716_Diretrizes-Brasileiras-para-Diagnstico-do-Mesotelioma-Maligno-de-Pleura_resumido.pdf

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