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Práticas de recuperação para

saúde mental e bem-estar

Slides do curso

Treinamento especializado QualityRights da OMS

QualityRights

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© CeDiHuS 2025

Esta publicação é uma tradução, de acordo com a licença Creative Commons CC BY-NC-SA 3.0 IGO, do texto original da OMS escrito em inglês.

 

Esta tradução não foi realizada pela OMS e, portanto, a organização não se responsabiliza pelo conteúdo ou pela precisão da tradução. A edição original em inglês, “Recovery practices for mental health and well being. WHO QualityRights Specialized training. Course slides. Geneva: World Health Organization; 2019", é o texto autêntico e vinculante.

 

Projeto Financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Tradução, Adaptação Cultural e Edição:

Emanuele Seicenti de Brito

Ana Beatriz Zanardo Mion

Carla Aparecida Arena Ventura (Coordenadora do Projeto)

Revisão e Diagramação:

Márcia Palhares @cervus.doc Consultoria e Assessoria

Primeira Edição:

Agosto de 2025

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QualityRights da OMS: metas e objetivos

OBJETIVO: Melhorar o acesso a serviços sociais e de saúde mental de boa qualidade e promover os direitos humanos das pessoas com problemas de saúde mental, deficiências psicossociais, intelectuais ou cognitivas

  • Construir capacidade para combater o estigma e a discriminação e promover os direitos humanos e a recuperação
  • Melhorar a qualidade e as condições dos direitos humanos nos serviços sociais e de saúde mental
  • Criar serviços comunitários e orientados para a recuperação que respeitem e promovam os direitos humanos
  • Apoiar o desenvolvimento de um movimento da sociedade civil para realizar ações de advocacy e influenciar a formulação de políticas
  • Reformar as políticas e a legislação nacionais de acordo com a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e outras normas internacionais de direitos humanos.

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Algumas palavras sobre a terminologia nesta formação – 1

  • A linguagem e a terminologia são usadas de forma diferente por pessoas diferentes em contextos diferentes.
  • “Deficiência psicossocial” inclui pessoas que receberam um diagnóstico relacionado com a saúde mental ou que se identificam com este termo.
  • “Deficiência cognitiva” e “deficiência intelectual” referem-se a pessoas que receberam um diagnóstico relacionado com a sua função cognitiva ou intelectual, incluindo demência e autismo.
  • O termo “deficiência” destaca as barreiras que impedem a plena participação na sociedade de pessoas com deficiências reais ou percebidas e o fato de que elas são protegidas pela CDPD.
    • O uso de “deficiência” neste contexto não implica que as pessoas tenham uma deficiência ou um distúrbio.

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Algumas palavras sobre a terminologia nesta formação – 2

  • “Pessoas estão usando” ou “que usaram anteriormente” serviços sociais e de saúde mental para nos referirmos a pessoas que não necessariamente se identificam como portadoras de eficiência, mas que têm uma variedade de experiências aplicáveis a esse treinamento.
  • O termo “serviços sociais e de saúde mental” refere-se a uma ampla gama de serviços prestados por países nos setores público, privado e não governamental.
  • A terminologia foi adotada para fins de inclusão. 
    • É uma escolha individual se identificar com certas expressões ou conceitos, mas os direitos humanos são aplicáveis a todos, em todos os lugares. 
    • Um diagnóstico ou deficiência nunca deve definir uma pessoa. 
    • Somos todos indivíduos, com um contexto social, personalidade, objetivos, aspirações e relacionamentos com os outros únicos.

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O que pretendemos alcançar durante este módulo

Ao final deste treinamento, os participantes irão:

  • adquirir um conhecimento profundo da abordagem de recuperação da saúde mental e de seus princípios e componentes-chave; 
  • compreender e discutir o papel das pessoas com deficiências psicossociais, profissionais de saúde mental e outros profissionais, familiares, parceiros de cuidados e outros apoiadores na promoção da recuperação; 
  • desenvolver habilidades de comunicação de recuperação; 
  • aprender a aplicar os princípios de cuidados orientados para a recuperação; 
  • aprender como criar um plano de recuperação. 

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Temas abordados neste módulo

  • Tema 1: O que é recuperação?
  • Tema 2: Serviços e práticas à recuperação.
  • Tema 3: Recuperação focada em vantagens e pontos fortes.
  • Tema 4: Promover a Esperança.
  • Tema 5: Valores na recuperação.
  • Tema 6: Trabalhar junto às pessoas.
  • Tema 7: Limites dentro do contexto das práticas de recuperação.
  • Tema 8: Riscos positivos na recuperação.
  • Tema 9: Apoiar às pessoas para se reconectarem com suas comunidades.
  • Tema 10: Habilidades de comunicação.
  • Tema 11: Planos de recuperação.
  • Tema 12: Roda de recuperação.

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Tema 1: O que é recuperação?�

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Exercício 1.1: O que significa recuperação para você?

Com base na sua experiência pessoal ou profissional, o que significa recuperação para pessoas com deficiências psicossociais ou para pessoas que utilizam serviços?

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Apresentação: O que é recuperação? – 1

Abordagem de recuperação

  • Quando as pessoas sentem que têm o controle de sua vida de volta e podem desempenhar um papel na sociedade.
  • Quando os usuários de serviços têm uma
  • melhor compreensão de sua angústia emocional.
  • As pessoas se sentem mais independentes.
  • As pessoas ainda podem ter sintomas, mas convivem com eles e levam uma vida plena.
  • Quando as pessoas têm angústia emocional como parte de suas da vida, mas este não é o centro de suas vidas.

Compreensão tradicional/clínica

  • Quando uma pessoa não se comporta mais de forma estranha..
  • A pessoa não é mais um perigo para si mesma ou para os outros.
  • Os sintomas diminuíram. Por exemplo, a pessoa não ouve mais vozes.
  • A pessoa está em conformidade com os medicamentos e as doses estão estáveis.
  • Os médicos decidiram dar alta à pessoa de um serviço de internação.
  • Os familiares da pessoa sentem que seu parente está melhor.

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Apresentação: O que é recuperação? – 2

O que significa recuperação?

  • O significado de recuperação pode ser diferente para cada pessoa.
  • Para muitas pessoas, a recuperação implica recuperar o controle de sua identidade e vida, ter esperança em sua vida e vivê-la com sentido para elas.
  • Recuperação não significa “estar curado” ou “ser normal novamente”.
  • Recuperação trata-se de ganhar ou reconquistar sentido e propósito na vida, e ser empoderado para viver uma vida autodirigida/determinada e autônoma.
  • Dentro de uma estrutura de direitos humanos, a recuperação é o direito de ser incluído e poder participar em todas as facetas da vida – política, econômica e social – em igualdade de condições com todas as outras pessoas.
  • Todos os direitos não estão condicionados a “melhorar”, não apresentar sintomas ou “enquadrar-se”, mas sim ao reconhecimento da diversidade e da dignidade inerente de todos.

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Apresentação: O que é recuperação? – 3

  • A ênfase em recuperar o controle da vida e da identidade é extremamente importante para pessoas que tiveram o poder de decisão tirado de suas mãos em suas vidas.

“O que importa na recuperação não é se estamos usando ou não serviços, usando ou não medicamentos. O que importa em termos de orientação para a recuperação é: estamos vivendo a vida que queremos viver? Estamos alcançando nossos objetivos pessoais? Temos amigos? Temos conexões com a comunidade? Estamos contribuindo ou retribuindo de alguma forma?”

- Pat Deegan, As 10 capacidades essenciais compartilhadas para a prática da saúde mental: materiais de aprendizagem

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Apresentação: O que é recuperação? – 4

  • INTERVOICE: O Movimento Ouvir Vozes, sobre indivíduos no Brasil e como eles lidam com o fato de ouvir vozes no dia a dia. https://youtu.be/RYbjSeEy42c

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Apresentação: O que é recuperação? – 5

O que NÃO é recuperação

Para compreender melhor o que significa recuperação, é importante olhar para o outro lado – ou seja, o que não é recuperação.

Recuperação não é:

  • Uma cura ou a ausência de uma “condição, diagnóstico ou sintomas”;
  • Algo que os profissionais ou outros “fazem” para as pessoas;
  • Um modelo teórico;
  • Algo que sempre foi feito;
  • Uma razão para o fechamento dos serviços de saúde mental;
  • ‘’Culpar” os indivíduos por sua situação.

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Apresentação: O que é recuperação? – 6

  1. A recuperação NÃO é necessariamente uma cura ou a ausência de uma condição, diagnóstico ou sintomas porque as pessoas com deficiências psicossociais ainda podem levar uma vida satisfató ria na presença de qualquer uma delas.
  2. A recuperação ajuda a pessoa a explorar o que está acontecendo com ela no momento, o que ela precisa lidar e que dor está sentindo.
  3. Também envolve lidar com muitas dificuldades potenciais que uma pessoa pode estar vivenciando, tais como isolamento, exclusão, pobreza, desemprego e discriminação.

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Apresentação: O que é recuperação? – 7

2. A recuperação NÃO é algo que os profissionais, familiares ou parceiros de cuidados “façam” às pessoas.

    • A recuperação é conduzida pelo indivíduo em questão. Aqueles envolvidos na vida de pessoas com deficiências psicossociais podem ser técnicos ou apoiadores que podem ajudar uma pessoa em sua jornada de recuperação.

3. A recuperação NÃO é algo que tem sido amplamente praticado, apesar do uso comum do termo.

    • A recuperação envolve repensar a forma como a saúde mental e os serviços e apoios sociais são projetados e fornecidos.

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Apresentação: O que é recuperação? – 8

4. A abordagem de recuperação NÃO é uma razão para o fechamento de serviços.

    • Algumas pessoas temem que a abordagem de recuperação seja usada como justificativa para fechar os serviços sociais e de saúde mental formais e para não fornecer nenhum apoio às pessoas.
    • Elas também temem que a abordagem de recuperação seja uma justificativa para a diminuição dos gastos com saúde mental.
    • A abordagem de recuperação nunca deve ser usada para justificar a redução de gastos com saúde mental; uma série de serviços deve estar disponível para apoiar as necessidades das pessoas.

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Apresentação: O que é recuperação? – 9

5. A abordagem de recuperação NÃO consiste em “culpar’’ o indivíduo pela sua situação.

    • Reconhe ce as desigualdades sociais, a discriminação e as violações de direitos em nível comunitário, social e estrutural que levam as pessoas a situações de angústia emocional e atuam como importantes barreiras para a recuperação.
    • Reconhece que a política, a reforma legislativa e a justiça social em uma escala muito maior são necessárias para promover verdadeiramente a recuperação.

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Apresentação: Componentes-chave da recuperação – 1

  • A recuperação é um processo que é único para cada pessoa.
  • Pode haver ocasiões em que a pessoa se sinta pior ou vivencie uma crise
    • uma abordagem de recuperação permite que a pessoa aprenda e ganhe experiência com esses reveses e use as habilidades desenvolvidas para ajudá-la a alcançar seus objetivos na vida.
    • A estrutura CEISE enfatiza a conectividade, a esperança, a identidade, o significado na vida e o empoderamento como chaves para a recuperação

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Apresentação: Componentes-chave da recuperação – 2

1. Conectividade: a recuperação reconecta as pessoas

  • A inclusão é importante para a recuperação.
      • As pessoas precisam ter acesso às mesmas oportunidades, serviços e recursos na comunidade como qualquer outra pessoa.
      • Os serviços que promovem a recuperação devem devem ser influenciados e baseados no contexto e nas neces sidades locais.
      • A inclusão vai além do indivíduo para envolver a comunidade e a sociedade como um todo.
  • Os relacionamentos são fundamentais para a vida de todas as pessoas.
      • Amigos, parceiros, familiares, profissionais de saúde, equipe de apoio, colegas de apoio e grupos de apoio têm um papel importante no apoio às pessoas em sua recuperação.

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Apresentação: Componentes-chave da recuperação – 3

2. Esperança: A recuperação é uma esperança e um otimismo para o futuro 

  • A esperança é a chave para a recuperação.
      • A esperança é muitas vezes tirada das pessoas quando lhes é dito que elas têm uma doença permanente e duradoura e que precisam desistir de muitas de suas atividades e expectativas.
      • Pesquisas demonstraram que a autoeficácia, a autoestima, o empoderamento, a espiritualidade, a qualidade de vida e os apoios sociais são importantes colaboradores para a esperança.
  • A crença de que é possível uma mudança na vida ou nas circunstâncias é central para a abordagem de recuperação. Esta crença pode ser fomentada por relacionamentos inspiradores de esperança.
      • Amigos, familiares, parceiros de cuidados, profissionais e outros apoiadores precisam reconhecer e valorizar os sucessos e incentivar sonhos e aspirações.

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Apresentação: Componentes-chave da recuperação – 4

3. Identidade: Recuperação significa explorar sua identidade

  • A identidade pode ser definida amplamente como o modo como se vê a si mesmo como indivíduo e em relação às outras pessoas e à comunidade onde se vive.
  • A identidade é uma sensação de si mesmo que as pessoas podem sentir que nunca tiveram ou que perderam uma vez que receberam um diagnóstico.
    • A abordagem de recuperação apoia as pessoas a (re)conectar, (re)construir ou (re)definir sua identidade, bem como a superar a “opressão interna lizada” ou “auto-estigmatização”.
    • Trata-se de oferecer às pessoas a oportunidade de pensar sobre suas experiências de maneiras que façam sentido para elas.

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Apresentação: Componentes-chave da recuperação – 5

4. Significado na vida: a recuperação ajuda as pessoas a (re)construir e encontrar sentido em suas vidas

  • O significado e o propósito da vida variam para cada pessoa.
      • As pessoas encontram significado de formas muito diferentes
      • Algumas pessoas podem achar a espiritualidade importante, enquanto outras podem encontrar significado e propósito através do desenvolvimento de laços mais fortes com amigos, família ou comunidade.
  • Sonhos e aspirações são fundamentais para a recuperação, pois podem empoderar e apoiar as pes soas a encontrar sentido e realização em suas vidas.

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Apresentação: Componentes-chave da recuperação – 6

5. Empoderamento: A recuperação é uma mensagem positiva que empodera as pessoas e lhes dá controle

  • Controle e escolha são fundamentais para a recuperação.
      • Muitas vezes é negado às pessoas o di reito de decidir sobre aspectos-chave de sua vida, incluindo seus próprios cuidados e tratamento.
      • Uma abordagem de recuperação respeita o direito da pessoa de exercer sua capacidade legal, incluindo o direito de fazer suas próprias escolhas, com ou sem o apoio de outras pessoas
  • O fortalecimento das habilidades para ajudar a si mesmo também pode ser empoderador.
    • Essas habilidades de recuperação permitem às pessoas gerenciar os momentos negativos da vida e assumir o controle de sua própria vida e bem estar.

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Apresentação: Componentes-chave da recuperação – 7

6. Correr riscos: A recuperação envolve correr riscos

  • Correr riscos pode ser necessário para que as pessoas embarquem em uma jornada de recuperação.
    • As pessoas devem ser livres para correr riscos e cometer erros como todos os outros para ter acesso a oportunidades de aprender e crescer a partir de suas experiências.
    • A prática orientada para a recu peração requer que os profissionais, familiares, parceiros de cuidados e outros apoiadores aceitem o direito das pessoas de correr riscos.
  • Criatividade e coragem são necessárias a fim de apoiar a correr risco positivo para ajudar as pessoas a avançar e alcançar seus objetivos.

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Apresentação: Componentes-chave da recuperação – 8

  • O significado da recuperação e o que ajuda ou dificulta a recuperação de uma pessoa pode variar muito de pessoa para pessoa através de muitos fatores diferentes, incluindo cultura, identidade étnica, gênero, geografia, orientação sexual, status de migrante, indigeneidade, espiritualidade/religião e idade.
  • É sempre importante explorá-los individualmente e não fazer suposições ou generalizações sobre quais fatores são úteis para a jornada de recuperação de alguém. 
  • A jornada de recuperação deve ser impulsionada pelas necessidades específicas de cada um e pela compreensão da própria saúde mental.
      • ENTRETANTO, às vezes modelos de recuperação padronizados são impostos aos indivíduos, minando este princípio-chave da recuperação.
      • As violações dos direitos humanos, incluindo a coerção no cuidado, são contraditórias a qualquer tentativa de introduzir uma abordagem de recuperação.
      • A recuperação também envolve olhar além das características individuais para os determinantes so ciais e estruturais da saúde mental de uma pessoa.

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Exercício 1.2: Apoio à recuperação – 1

Miguel

Miguel visita seu médico de família para discutir sobre os sentimentos sufocantes de estar preocupado

e temeroso o tempo todo. Ele vivencia esses sentimentos há três anos, e está cada vez mais difícil conviver com isso. Ele diz ao seu médico que realmente gosta do trabalho que faz, mas o medo e a ansiedade que ele sente são especialmente intensos quando ele está sob muita pressão. Após uma longa conversa, o médico de Miguel demonstra muita empatia e lhe diz que este provavelmente será um problema com o qual terá que conviver pelo resto da vida. Ele sugere que Miguel considere importantes mudanças de vida, incluindo deixar seu trabalho atual para encontrar algo “mais adequado”, com menos estresse e responsabilidade. Miguel sai da consulta se sentindo pra baixo e sem esperança.

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Exercício 1.2: Apoio à recuperação – 2

De que forma o médico de família de Miguel ajudou ou atrapalhou a recuperação dele?

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Exercício 1.2: Apoio à recuperação – 3

Como você se sentiria se você fosse o Miguel?

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Exercício 1.2: Apoio à recuperação – 4

O que você poderia ter feito de diferente para que Miguel não se sentisse tão desesperado?

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Exercício 1.3: O que facilita ou dificulta a recuperação? – 1

  • Pense em um momento de sua vida em que você se recuperou de algo (não necessariamente re lacionado à saúde mental), como grandes questões de saúde, uma perda ou luto.
        • Que desafios emocionais você teve?
        • Como você lidou com isso (seja positiva ou negativamente)?
        • O que contribuiu para a sua recuperação?
        • O que não ajudou em sua recuperação?

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Exercício 1.3: O que facilita ou dificulta a recuperação? – 2

Existem temas e questões comuns?

Você acha que as coisas úteis que você identificou também são relevantes para você ou para as pes soas com quem você trabalha ou apoia

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Apresentação: Facilitadores e obstáculos de recuperação – 1

  • Pesquisas em vários países identificaram alguns temas comuns em relação ao que promove ou impede a recuperação.
  • As tabelas a seguir listam em detalhes os principais fatores que as pessoas identificaram como facilitadores ou obstáculos à recuperação.

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Apresentação: Facilitadores e obstáculos de recuperação – 2

Facilitadores da recuperação

Recuperação da identidade

Relacionamentos

  • Confiança
  • Esperança e otimismo
  • Autoaceitação, responsabilidade, crença e estima
  • Autoeficácia
  • Autoconscientização
  • Crescer além do rótulo/estereótipo
  • Recuperar o poder e a autodeterminação
  • Pertencer – identidade cultural, social e comunitária
  • Ativismo
  • Espiritualidade
  • Enfrentar situações
  • Tomar o controle
  • Amizades
  • Relacionamentos familiares de apoio
  • Relacionamentos íntimos (ou seja,
  • parceiros)
  • Paternidade
  • Pares
  • Animais de estimação
  • Serviço profissional
  • Confiança e reconhecimento mútuos
  • Relacionamentos de esperança

Envolvimento e busca de significado e propósito

Serviços e apoios

  • Ser valorizado
  • Envolver-se em papéis significativos
  • Voluntariado, emprego, carreira e
  • educação
  • Aprender sobre si mesmo e sua condição
  • Engajamento social e comunitário
  • Exercício e criatividade
  • Experiências de outras pessoas
  • Sentir-se informado e no controle
  • Continuidade e flexibilidade
  • Tratamentos e terapias
  • Segurança
  • Apoio entre pares
  • Relacionamentos, atitudes e poder
  • Moradia e apoios comunitários
  • Segurança financeira

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Apresentação: Facilitadores e obstáculos de recuperação – 3

Obstáculos à recuperação

Obstáculos que dificultam a recuperação

  • Violência e abuso
  • Estereótipos – Falsas suposições sobre as pessoas (por exemplo, que elas são violentas) que podem abalar sua confiança e impedir a recuperação.
  • Estigma e discriminação – Quando as pessoas são excluídas de comunidades ou oportunidades na vida, ou se pensa que não são merecedoras de apoio, isso pode dificultar sua recuperação. As múltiplas formas de estigma e discriminação podem se cruzar para moldar a desigualdade e impedir a recuperação.
  • Pobreza – Não ser capaz de atender às necessidades pessoais e familiares. Isso pode levar a angústia emocional e dificultar a recuperação.
  • Falta de serviços de saúde de qualidade – As pessoas necessitam de serviços de saúde adequados, com acesso e escolha em relação ao tratamento e suporte, para manter o bem-estar e promover sua recuperação.
  • Falta de independência e controle – Serviços e indivíduos podem, às vezes, destituir poder ou criar barreiras para as pessoas, o que pode dificultar sua recuperação.
  • Falta de serviços e apoios na comunidade – As pessoas podem necessitar de uma série de serviços e apoios e devem poder acessá-los para viver uma vida plena na comunidade (por exemplo, apoio social, moradia, serviços de emprego, oportunidades educacionais, treinamento para uma vida independente, apoio entre pares, assistência pessoal, etc.). Sem eles, podem continuar sofrendo a exclusão, o que também tem um impacto negativo em seu bem-estar e recuperação.

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Apresentação: Facilitadores e obstáculos de recuperação – 4

  • Embora seja importante promover apoios positivos que permitam a recuperação, é igualmente importante fazer esforços para identificar e eliminar quaisquer obstáculos à recuperação.
  • Estes temas e fatores comuns não devem diminuir a importância das experiências muito ricas e pessoais que as pessoas viveram ou da compreensão do significado e propósito que cada indivíduo pode dar à sua jornada.
  • Ao explorar estas experiências, as pessoas podem inesperadamente identificar elementos positivos que emergiram de situações negativas e que foram considerados úteis em sua jornada de recuperação.

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Tema 2: Serviços e práticas orientados à recuperação

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Apresentação: Características-chave definidoras – 1

Autodeterminação

  • Os serviços orientados para a recuperação visam apoiar as pessoas em sua jornada única de recuperação, construir sobre seus pontos fortes e empoderá-las para:
      • assumir o controle de suas vidas;
      • identificar e trabalhar para alcançar seus objetivos e aspirações a fim de levar vidas gratificantes e significativas;
      • tomar decisões sobre todas as áreas de suas vidas, incluindo tratamento, cuidados e apoio;
      • escolher a sua própria maneira de compreender sua angústia.

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Apresentação: Características-chave definidoras – 2

Promoção dos direitos humanos

  • A abordagem de recuperação está muito alinhada com as normas internacionais de direitos huma nos, incluindo os direitos da CDPD.
  • Estar no controle da própria recuperação e fazer escolhas e decisões por si mesmo, com o apoio de outros se desejado, seja sobre tratamento ou outros aspectos da vida, está no centro da abordagem da recuperação.
  • A internação e o tratamento involuntários dentro dos serviços sociais e de saúde mental é diretamente contra a abordagem de recuperação e não está em conformidade com a CDPD.
  • Ao contrário da crença comum entre os profissionais de saúde mental e outros profissionais, a inter nação involuntária não reduz as taxas de reinternação.
    • Pelo contrário, as pessoas temem outras internações ou contato com serviços sociais e de saúde mental.

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Apresentação: Características-chave definidoras – 3

Abordagem de traumas

  • Os serviços orientados à recuperação reconhecem que muitas pessoas passaram por experiências negativas e traumáticas durante suas vidas e as apoiam para curar esses traumas.
  • O trauma pode ser causado por violência, abuso ou coerção dentro dos serviços sociais e de saúde mental.
  • Pode também resultar de outras formas de violência e abuso que as pessoas possam ter vivenciado com impactos negativos claros sobre a saúde física e mental.
  • Uma abordagem de recuperação envolve, por exemplo, perguntar à pessoa “O que aconteceu com você?”, em vez de “O que há de errado com você?”.

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Apresentação: Características-chave definidoras – 4

Superando desequilíbrios de poder

  • Outro aspecto importante dos serviços orientados para a recuperação é criar um ambiente para su perar, na medida do possível, os desequilíbrios de poder.
  • Nos serviços, os profissionais de saúde mental e outros profissionais têm mais poder do que as pes soas que utilizam o serviço.
  • A mera ameaça ou possibilidade de ser internado e tratado involuntariamente pode muitas vezes exacerbar o desequilíbrio de poder.
  • As pessoas sentem que precisam aderir ao que os profissionais prescrevem a fim de evitar serem privados de sua liberdade.

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Apresentação: Características-chave definidoras – 5

Como são os serviços orientados para a recuperação na prática?

  • Muitos serviços em todo o mundo são baseados em um entendimento clínico da recuperação e acreditam que a recuperação não é possível para um grande número de pessoas que utilizam os serviços.
  • o tratamento, o cuidado e o apoio foram em grande parte limitados ao uso de medicamentos e, ocasionalmente, à psicoterapia, com foco na remoção ou redução dos sintomas.

NO ENTANTO:

  • A recuperação não se trata apenas de sintomas, mas também da vida e da identidade de uma pessoa.
  • Isso requer uma compreensão do que “melhorar” significa para cada pessoa e trabalhar com ela para conseguir isso.

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Apresentação: Características-chave definidoras – 6

Como são os serviços orientados para a recuperação na prática?

  • Os serviços orientados à recuperação não são apenas serviços em que os funcionários foram treinados em uma abordagem de recuperação.
      • A abordagem implica garantir que toda a organização do serviço vise promover e facilitar uma abordagem de recuperação.
  • A recuperação não é apenas uma questão das atitudes pessoais dos funcionários do serviço. .
      • Ao contrário, ela precisa ser abraçada por políticas, programas e pela organização dos serviços.
          • Por exemplo, uma intervenção eficaz pode ser a de recrutar apoiadores entre pares no serviço como um passo para promover uma abordagem de recuperação e contribuir para a mudança da cultura do serviço.
  • As pessoas devem ter a escolha entre diferentes tipos de serviços ou outras formas formais ou informais de apoio, a fim de explorar e descobrir que tipo de serviço ou apoio melhor atende suas necessidades.

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Apresentação: Características-chave definidoras – 7

  • Rory Doody é líder da área para Engajamento em Saúde Mental, do Cork Kerry Community Healthcare, que também viveu a experiência dos serviços tradicionais de saúde mental. Neste vídeo, ele descreve sua jornada em direção à recuperação.https://youtu.be/63vK2F1ok7k

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Apresentação: Características-chave definidoras – 8

  • Por que você acha que o modelo médico tradicional decepcionou Rory Doody?
  • Qual foi a abordagem de recuperação que funcionou para ele?
  • Você se identifica com algum aspecto desta história (como uma pessoa que usa serviços, como um profissional ou como um apoiador entre pares)?
    • Se sim, por quê?
    • Que tipo de serviços você frequenta (seja em termos de utilização de serviços ou de prestação de serviços)?
    • Que tipo de abordagem os serviços estavam promovendo – uma abordagem médica, uma abordagem de recuperação, ou uma mistura delas?

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Apresentação: Características-chave definidoras – 9

Os serviços orientados para a recuperação começam com a pergunta:

“Em que podemos trabalhar juntos para tornar sua vida melhor?”

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Apresentação: Características-chave definidoras – 10

  • a abordagem de recuperação trata de todos os aspectos da vida da pessoa e pergunta se as pessoas estão vivendo a vida que querem viver.
    • Esta é uma experiência altamente pessoal e, portanto, requer um suporte altamente personalizado.
  • As pessoas que utilizam serviços podem não saber imediatamente a resposta a esta pergunta
        • Pode requerer tempo e engajamento de outros para determinar o que elas gostam.
        • Frequentemente são necessárias maneiras criativas de apoiar as pessoas

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Apresentação: Características-chave definidoras – 11

  • Há muitas maneiras diferentes de os profissionais, apoiadores entre pares, parceiros de cuidados ou outros poderem ajudar as pessoas durante sua jornada de recuperação a identificar o que a recuperação significa para elas e trabalhar para alcançar esses objetivos.
  • Isso pode incluir, por exemplo:
        • Identificar o que na vida ou no ambiente da pessoa pode tornar suas circunstâncias difíceis.
        • Reconectar-se com a família e amigos ou desenvolver novos relacionamentos significativos.
        • Encontrar um emprego/reconectar-se com o mercado de trabalho.
        • Links para oportunidades educacionais.
        • Participar mais na vida comunitária.

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Apresentação: Características-chave definidoras – 12

O que é crucial em tudo isso é que as pessoas em uma função de apoio:

  • Acreditem nas pessoas com quem trabalham.
  • Aprendam o máximo possível com pessoas.
  • Profissionais e outros apoiadores precisam reconhecer que as pessoas com experiência vivida são “especialistas” em relação a si mesmas e à sua recuperação.
  • Também requer que eles reflitam sobre os conhecimentos, habilidades e valores que eles mesmos trazem para cumprir o papel de apoio e sobre o que eles podem precisar fazer de forma diferente
  • Tal reflexão permite que uma pessoa “cheque” o modo como sua posição social e experiência mol daram suas crenças e suposições (por exemplo, como trabalham, ou suas ideias sobre aqueles com quem trabalham).
    • Isso é essencial para revelar e abordar possíveis desequilíbrios de poder.
  • O apoio por fora dos serviços de saúde mental, de amigos, familiares e/ou parceiros que fornecem cuidados, amor e suporte também é a chave para a recuperação das pessoas.

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Apresentação: Características-chave definidoras – 13

A tabela a seguir resume as principais diferenças entre os serviços tradicionais e os serviços baseados em recuperação:

 

Serviços tradicionais

Serviços baseados em recuperação

Continuum ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Crenças

Visões sobre ques tões e doenças de saúde mental

Patologia

Nenhum significado em ques tões ou doenças de saúde mental

Crises do ser

Experiência humana plena

Filosofia

Manutenção

Paternalismo

Recuperação

Autodeterminação

Linguagem

O foco está na linguagem, isto é:

  • Médica
  • Objetiva
  • “Eles”

Mais foco na linguagem, isto é:

  • Pessoal
  • Subjetivo
  • “Nós”

Pessoas

Usuários do serviço

Recebedores passivos

Agentes ativos e participantes

Famílias

Sem apoio e em luto

Aceitação e inclusão

Força de trabalho

  • Principalmente médicos
  • Autoridades especializadas
  • Força de trabalho diversificada, incluindo pares
  • Colaboradores

Comunidades

Temerosa e discriminatórias

Aceitante e inclusivo

Serviços

Principais tipos de serviços

Medicamentos e hospitais

Uma série de terapias, apoio entre pares, educação de recu peração, moradia, educação e emprego, apoio e defesa

Cultura de serviço

Autoritária

Segregação da sociedade

Participativa

Inclusão na sociedade

Ambientes de serviço

Hospitais e clínicas

Serviços comunitários, domiciliares e on-line

Resultados

Redes sociais

Comunidade de serviços

Comunidade natural

Habitação

Hospitais, lares coletivos e outros serviços residenciais

Casa própria

Trabalho

Serviços pré-profissionais

Oficinas protegidas

Desemprego

Trabalho real por dinheiro real

Uma contribuição valiosa para a sociedade

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Exercício 2.1: Abordagem orientada para a recuperação – 1

Tig Davies. Doenças mentais para a recuperação – Temos nossos próprios planos de viagem!

“Eu estava na casa dos trinta anos e na universidade, tendo de alguma forma passado pelo que foram provavelmente três anos de consumo de altas doses de drogas quando o próprio Grim Reaper (a morte) apareceu para acabar com a minha vida! Em um momento, estava no prédio da associação dos estudantes, no outro, na Sala 1, ala H, unidade psiquiátrica aguda! Eu tinha passado por uma internação anterior e muito mal sucedida de três meses em uma unidade psiquiátrica no final dos meus vinte anos, mas quero lhes contar esta experiência por causa do seu eventual impacto positivo sobre minha recuperação.

“É desnecessário dizer que os primeiros oito meses desta internação não tiveram nenhum impacto positivo! Três meses em casa terminaram comigo no hospital ouvindo que meu fígado nunca mais suportaria outra overdose, um psiquiatra me dizendo que eu nunca mais trabalharia, me oferecendo uma vida em uma comunidade terapêutica e me dizendo para continuar tomando a medicação – oh, e que por favor ficasse no hospital!

“É desnecessário dizer que os primeiros oito meses desta internação não tiveram nenhum impacto positivo! Três meses em casa terminaram comigo no hospital ouvindo que meu fígado nunca mais suportaria outra overdose, um psiquiatra me dizendo que eu nunca mais trabalharia, me oferecendo uma vida em uma comunidade terapêutica e me dizendo para continuar tomando a medicação – oh, e que por favor ficasse no hospital!

“Eu estava fortemente medicada, horrivelmente abaixo do peso, incapaz de pensar, desejar, motivar ou interagir socialmente. Minha mente estava cheia de pavor, medo, vozes exigindo que eu me machucasse, dizendo eu estava totalmente morta, a não ser por esse corpo repugnante, e que este estado permaneceria até a morte.

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Exercício 2.1: Abordagem orientada para a recuperação – 1

Tig Davies. Doenças mentais para a recuperação – Temos nossos próprios planos de viagem!

“Na parte de cima do hospital havia um pequeno café para pacientes/visitantes dirigido pela Dee. Ela é provavelmente uma das trabalhadoras de apoio à saúde mental mais genuínas, empáticas e divertidas que já conheci. Eles a chamavam de ‘assistente do café’. Ela transformou o ‘atendimento às pessoas’ naquele café com novos parâmetros. Dee não apenas servia café, ela servia pessoas. Ela falou, compartilhou, perguntou, ouviu, chorou, riu, disse a verdade como ela a viu, abraçou quando apropriado e manteve distância no momento adequado. Ela se juntou às pessoas para se comunicar, ela não se deixou enganar pelas pessoas, procurou e encontrou a compreensão da diferença – oh, e ela preparava um excelente café! E tudo isso apesar de seu medo de estar em apuros por falar no trabalho! O café e o tempo com Dee se tornaram um lugar de refúgio, luz e esperança para mim.

“Eu estava no café uma manhã quando o novo ‘assistente de direitos sociais’ chegou – Dave. Acontece que

já nos conhecíamos de anos atrás. Conversamos. Ele tinha me conhecido durante um período ‘eufórico’ da minha vida e, mesmo assim, estar diante de um cadáver ambulante, ao mesmo tempo em que o perturbava muito, despertou nele a abordagem mais “centrada na pessoa” que você pode imaginar.

“Ele, Dee e eu nos sentamos e tomamos café. Então ele simplesmente me olhou e fez a pergunta mais simples

e ao mesmo tempo mais profunda que já tinham feito para mim: ‘O que VOCÊ acha que te ajudaria a ficar bem novamente?’. Fiquei impressionada – ninguém havia me perguntado antes e sempre fui levada a acreditar que os comprimidos, os enfermeiros e os psiquiatras tinham os planos e as respostas. Afinal, eles haviam escrito pra mim um plano de cuidado!

“Eu me aferrei à questão em meu estado desesperado e, sentindo que não tinha nada a perder, contei a Dave e Dee sobre um sonho que eu já tinha antes. Eu queria estar bem, queria ter de volta um relacionamento com minha família e amigos, queria ir para casa, para o meu apartamento, e queria trabalhar. No final desta conversa eu comi e, igualmente importante, ‘desfrutei’ as torradas com geleias e um copo cheio de milkshake de chocolate. Até aquele momento, eu vinha comendo apenas um biscoito e meio copo de leite por dia há mais de três meses! Eu também sorri. E isso foi ótimo. A ‘esperança’ havia finalmente retornado. Falei. Sonhei. Planifiquei”.

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Exercício 2.1: Abordagem orientada para a recuperação – 2

  •  Olhando para trás no relato de Tig, que elementos da abordagem de Dee e Dave você identificaria como orientados para a recuperação?
  • Há outras questões levantadas no depoimento de Tig que sugerem que o apoio e o tratamento que ela recebeu durante sua internação não foi centrado na pessoa.
      • Que coisas são estas?
      • Como as coisas poderiam ter sido abordadas de maneira diferente?

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Apresentação: Prática-chave orientadas à recuperação – 1

  • Os serviços geralmente se concentram nas deficiências para manter os usuários em uma situação “estável” e na prevenção da deterioração dos sintomas ou do funcionamento.
  • Esta abordagem coloca muito pouca ênfase na pessoa como um todo e no que ela está vivenciando, e não aproveita suas forças, esperanças e aspirações.
  • Isso não significa que os serviços não devam ajudar as pessoas a resolver problemas...
  • Significa que o foco nos pontos fortes das pessoas, e não nos déficits, é uma maneira mais eficaz de ajudar as pessoas a lidar com as emoções e os desafios que possam estar enfrentando em suas vidas.

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Apresentação: Prática-chave orientadas à recuperação – 2

  • Profissionais de saúde mental e outros profissionais, familiares e cuidadores, colegas de trabalho e outros apoiadores, todos desempenham um papel na recuperação de uma pessoa:
        • Focar nos pontos fortes e nos recursos;
        • Inspirar Esperança;
        • Compreender os valores e preferências da pessoa;
        • Trabalhar ao lado da pessoa;
        • Manter limites;
        • Estar ciente das barreiras potenciais que podem impedir a recuperação da pessoa;
        • Apoiar a pessoa na assunção de riscos positivos;
        • Conectar a pessoa à comunidade.
  • Essas práticas também promovem a mudança social necessária para acabar com a discriminação contra pessoas com deficiências psicossociais.

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Tema 3: Recuperação focada em vantagens e pontos fortes

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Apresentação: O foco nas vantagens e pontos fortes da pessoa é central para o cuidado orientado à recuperação – 1

  • Muito frequentemente os serviços focam nos problemas e déficits das pessoas.
  • Uma parte essencial da recuperação pode ser facilitada por:
        • Focar nos pontos fortes e nas vantagens (e não nos déficits) da pessoa que utiliza os serviços, assim como os da família, amigos e parceiros de cuidado que apoiam a pessoa.
        • Trabalhar de forma a reconhecer os valores pessoais, sociais, culturais e espirituais, os pontos fortes e os desejos da pessoa.
        • Estabelecer uma parceria com a pessoa e sua rede de apoio (com o consentimento da pessoa), a fim de melhor compreendê-la e apoiá-la a identificar e construir com base em suas vantagens e pontos fortes.

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Apresentação: O foco nas vantagens e pontos fortes da pessoa é central para o cuidado orientado à recuperação – 2

  • A abordagem do déficit limita as oportunidades das pessoas, enquanto a abordagem baseada em vantagens/forças as amplia.
  • Focar em vantagens e pontos fortes não significa negar a dor e a angústia que uma pessoa pode vivenciar.
  • Esses sentimentos devem ser reconhecidos, e a pessoa deve ser apoiada para explorá-los e encontrar maneiras de superá-los, usando seus pontos fortes e vantagens.

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Apresentação: O foco nas vantagens e pontos fortes da pessoa é central para o cuidado orientado à recuperação – 3

Abordagem baseada em déficit

  • Começa com deficiências e responde a problemas.
  • Fornece apoio limitado pelo mandato ou política específica do serviço, em vez de focar nas necessidades do indivíduo.
  • Trata as pessoas como receptoras passivas de cuidados.
  • Vê os problemas ou déficits como algo existente na própria pessoa e tenta “corrigir” ou “estabilizar” a pessoa.

Abordagem baseada em vantagens/pontos fortes:

  • Começa com vantagens e identifica oportunidades e pontos fortes.
  • Vê as pessoas como especialistas da sua própria recuperação e reconhece que as pessoas são capazes de tomar decisões, e as tomam.
  • Requer que os profissionais ou outros apoiadores passem de “correção de pessoas” para apoiar a recuperação.
  • Enfatiza a colaboração e a coprodução entre a pessoa em questão e os profissionais e outros apoiadores no processo e jornada de recuperação.
  • Vê e trata a comunidade em geral como uma vantagem.
  • Empodera as pessoas a assumir melhor o controle de suas vidas e as apoia no desenvolvimento de seu potencial, com a compreensão de que elas mesmas detêm as respostas e soluções.

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Apresentação: O foco nas vantagens e pontos fortes da pessoa é central para o cuidado orientado à recuperação – 4

  • No cenário seguinte (Tom), veremos o que significa na prática a abordagem baseada em déficit e como é possível avançar para uma abordagem baseada nos pontos fortes.

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Apresentação: O foco nas vantagens e pontos fortes da pessoa é central para o cuidado orientado à recuperação – 5

Cenário – Tom

Tom é um homem de 30 anos e trabalha como professor. Ele está casado com sua esposa há três anos, mas seu relacionamento se deteriorou recentemente e eles estão constantemente discutindo. Ele está achando cada vez mais difícil encontrar prazer em seu trabalho e ser paciente e atento às necessidades de seus alunos. Cada dia se torna insuportável. Ele frequentemente tem dificuldade para dormir à noite, pois pensa no dia que virá e fica ansioso por não conseguir lidar com isso. Quando ele se sente assim, recorre ao álcool até se sentir mais calmo. Ele consultou seu clínico geral, que lhe deu um diagnóstico de cansaço crônico e desânimo e falou sobre uma possível depressão. Apesar disso, ele continua muito envolvido com o time local de rúgbi e se sente muito confortável jogando e passando tempo com seus amigos da equipe.

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Apresentação: O foco nas vantagens e pontos fortes da pessoa é central para o cuidado orientado à recuperação– 6

Abordagem baseada em déficit

Abordagem baseada nos recursos/pontos fortes

Começa com as deficiências e responde aos problemas:

  • Cansaço crônico e desânimo,
  • possivelmente depressão
  • Uso indevido do álcool
  • Problemas de relacionamento com a esposa 

Começa com vantagens e identifica oportuni

dades e pontos fortes:

 

  • Amor aos esportes
  • Comprometimento no relacionamento com a esposa que superou os desafios anteriores
  • Envolvido na equipe de rúgbi e bom relacionamento com os membros da equipe
  • Disposto a buscar novas oportunidades

Fornece apoio que é limitado pelo mandato específico do serviço em vez de focar nas necessidades do indivíduo: 

  • Avaliação mais aprofundada cansaço crônico
  • Encaminhamento para a equipe de saúde
  • mental da comunidade e equipe de
  • tratamento de dependência química

Enfatiza o papel da comunidade mais ampla e das vantagens organizacionais mais amplas; vê as pessoas como cidadãos e coprodutores: 

  • A equipe local de rúgbi é muito benéfica para Tom em vários aspectos diferentes
  • Possibilidade de ter aulas gratuitas de carpintaria nas terças à noite

Trata as pessoas como receptoras passivas de cuidados. Vê os problemas ou déficits como algo existente na própria pessoa e tenta corrigir isso: 

  • Encaminhamento para clínica de cansaço crônico
  • Referência psicológica para a terapia cog nitiva comportamental
  • Prescrição de antidepressivos

Ajuda as pessoas a assumir o controle de suas vidas e as apoia no desenvolvimento de seu potencial, vendo a pessoa como a resposta: 

  • Tom avalia as opções de tratamento e apoio oferecidas pelo seu clínico geral e também considera outras ideias e opções que ele mesmo pensou
  • Ele decide experimentar uma terapia cognitiva comportamental para aprender como lidar com a ansiedade e reduzir seu consumo de álcool
  • Ele decide fazer aulas de carpintaria e procurar novas oportunidades de trabalho

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Exercício 3.1: Focar nos pontos fortes e vantagens– 1

Considere o seguinte exemplo:

Sara:

  • Sara é uma mulher obesa com esquizofrenia que não faz nada para se ajudar.
  • Sara requer um apoio significativo para suas escolhas de estilo de vida para alcançar o melhor gerenciamento de seu diagnóstico de esquizofrenia e peso.
  • Sara é a mãe orgulhosa de uma filha de dois anos e tem uma família que a apoia. Ela sonha em ir para a faculdade para estudar o cuidado de crianças. Ela lida com alucinações visuais e auditivas desde os 20 anos.

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Exercício 3.1: Focando nos pontos fortes e nos recursos – 2

Se você fosse Sarah, qual das descrições você preferiria que fosse usada para descrevê-la?

Por quê?

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Exercício 3.1: Focando nos pontos fortes e nos recursos – 3

Que impactos essas diferentes descrições poderiam ter sobre Sarah?

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Tema 4: Promovendo a esperança�

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Exercício 4.1: Promovendo a esperança? – 1

O que você entende pela frase “inspirar esperança”?

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Exercício 4.1: Promovendo a esperança? – 2

Como profissionais, pares, familiares e outros podem inspirar esperança nas pessoas que eles estão apoiando em sua recuperação?

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Exercício 4.1: Promovendo a esperança? – 3

Como podemos inspirar esperança nas pessoas com quem trabalhamos e apoiamos?

  • Valorizar a pessoa por quem ela é e valorizar seus sonhos e aspirações.
  • Acreditar no valor da pessoa.
  • Ter confiança nas habilidades e no potencial da pessoa.
  • Acreditar na autenticidade da experiência da pessoa.
  • Aceitar e explorar ativamente as experiências da pessoa. Tolerar a incerteza sobre o futuro.
  • Ver os problemas e contratempos como parte do processo de recuperação e ajudar a pessoa a aprender com eles e a construir sobre eles.
  • Conectar indivíduos com outras pessoas que passaram por experiências semelhantes.

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Exercício 4.1: Promovendo a esperança? – 4

Por que as pessoas podem perder a esperança?

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Exercício 4.1: Promovendo a esperança? – 5

Por que a família e apoiadores podem perder a esperança?

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Exercício 4.2: Como a esperança facilita a recuperação – 1

Que papel a esperança desempenhou em sua própria recuperação?

Quando você se sentiu desesperado, o que o ajudou a continuar? 

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Exercício 4.2: Como a esperança facilita a recuperação – 2

  • É importante não minimizar as dificuldades reais das pessoas.
  • Devemos reconhecer como as pessoas se sentem em momentos desafiadores.

“Para alguns de nós, isso não precisa ser dito; para algumas pessoas é apenas um mero insulto.

Se sua vida foi devastada e destruída por doenças, seu trabalho desapareceu rapidamente, você é visto como incapaz de cuidar de seus filhos, não tem amigos, nada para fazer, quase não tem dinheiro e os profissionais parecem nem mesmo entender sua angústia, bem, às vezes pode parecer que nossas vidas foram arruinadas sem qualquer esperança de reparo – a jornada é indesejada e seu fim é a única saída.

““Então, nesta situação, podemos não receber bem uma pessoa iluminada que venha nos empoderar em nossa jornada de recuperação; podemos ficar irritados quando o final do dia for o máximo horizonte que conseguimos ver, e ainda assim estamos sendo encorajados a desenvolver esperança e otimismo. Pode ser que ocorra instintivamente: ‘Como ousa subestimar meu desespero?’, ‘Como ousa me pedir que encontre o menor grau de esperança na pobreza da minha vida?’.”

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Tema 5: Valores na recuperação�

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Apresentação: Respeitar a pessoa significa compreender os seus valores e preferências – 1

Definição de valores:

  • Os valores são crenças, princípios ou normas que uma pessoa considera importantes na sua vida e que regem a sua maneira de pensar e agir.
  • Os valores são moldados pelas experiências sociais e pelos contextos.
  • Desenvolvemos os nossos valores através das experiências e da reflexão.
  • Os valores estão frequentemente na base das preferências e das escolhas que fazemos, incluindo nas áreas do tratamento, dos cuidados e do apoio.
  • Os valores podem muitas vezes ser expressos através de desejos, preferências, perceções, escolhas, expectativas, esperanças, desilusões ou medos, em vez de serem discutidos explicitamente.
  • Os valores são um dos fatores determinantes mais fortes do comportamento.
  • Qualquer coisa que vá diretamente contra os valores de uma pessoa pode ser sentida como uma invasão da liberdade e pode levar à resistência.

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Apresentação: Respeitar a pessoa significa compreender os seus valores e preferências – 2

Prática baseada em valores:

  • A prática baseada em valores consiste em trabalhar de forma construtiva com as diferenças das pessoas e aceitar a diversidade de valores.
  • Isso significa:
        • Colocar os valores das pessoas que utilizam os serviços no centro de tudo o que é feito.
        • Ter um entendimento sobre os valores de cada um e os seus efeitos sobre si mesmo e sobre os outros.
        • Honrar as escolhas e a criatividade da pessoa como fonte de sua recuperação ou cura e como manifestação de seus valores.
  • As pessoas não devem supor que os outros partilham os mesmos valores que elas.

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Apresentação: Respeitar a pessoa significa compreender seus valores e preferências – 3

  • Os apoiadores e profissionais devem ter uma conversa aberta com a pessoa se não puderem oferecer o apoio que ela quer porque isso vai contra os seus próprios valores.
  • Devem envidar esforços adicionais para compreender os valores das pessoas que podem não se expressar de forma convencional.
  • A chave para a construção de relações orientadas à recuperação é ter tempo para conhecer as preferências das pessoas.

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Apresentação: Respeitar a pessoa significa compreender seus valores e preferências – 4

  • Algumas pessoas podem escolher:
  • Ter certos visitantes enquanto estiverem usando um serviço, mas não outros.
  • Discutir experiências com colegas que passaram por experiências semelhantes e se recuperaram.
  • Mudar ou parar de tomar medicamentos.
        • Isso pode refletir um conhecimento crescente sobre os danos causados por um medicamento ou uma mudança de valores, passando da busca pelo alívio imediato para uma vida livre de medicamentos.
  • Falar com certos profissionais e não com outros, ou não recorrer a serviços de saúde mental.

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Apresentação: Respeitar a pessoa significa compreender os seus valores e preferências – 5

  • É crucial não fazer suposições sobre as crenças e valores subjacentes de uma pessoa a partir das suas preferências expressas.
  • A vontade e as preferências da pessoa são uma declaração do que ela deseja em uma ou mais situações — ela não precisa explicar a base de uma preferência.
  • Entretanto, em alguns contextos, pode valer a pena explorar, ao longo do tempo, se a pessoa tem valores e crenças subjacentes que se aplicam de forma mais geral.
  • Valores, escolhas e preferências na vida da pessoa e em relação ao tratamento e/ou apoio devem ser explorados ao longo do relacionamento.
  • Requer habilidades de escuta e comunicação eficazes para compreender a pessoa.

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Apresentação: Respeitar a pessoa significa compreender os seus valores e preferências – 6

  • Compreensão e perspectivas: Como as pessoas compreendem o que está acontecendo em suas vidas neste momento?
      • O que as pessoas querem/não querem dos outros, inclusive dos serviços sociais e de saúde mental?
      • Como as pessoas veem os serviços de saúde mental?
      • Qual é a opinião delas sobre medicamentos? 
  • Identidade: Como elas se veem em relação aos outros? 
  • Limites: O que as pessoas veem como fora dos limites no contexto dos relacionamentos de apoio ou serviço? 
  • Crenças: As pessoas têm alguma crença religiosa, espiritual ou outra que seja importante para elas? 
  • Objetivos: Que objetivos as pessoas têm em suas vidas? 
  • Experiências do passado: Quais são as experiências das pessoas (incluindo tanto as negativas quanto as positivas) com serviços de saúde mental e os tratamentos que elas vivenciaram, assim como outros serviços e apoios? 
  • O que funcionou para a pessoa? O que não? 
  • O que as pessoas esperam alcançar em sua recuperação? 
  • O que as pessoas esperam em seus relacionamentos com apoiadores e/ou relacionamentos terapêuticos? Existem certos estilos e abordagens que não funcionam? Por que? Que tipo de apoio as pessoas precisam e querem? 

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Apresentação: Respeitar a pessoa significa compreender seus valores e preferências – 7

  • Mesmo que não seja possível satisfazer todas as preferências de uma pessoa, compreender os valores dessa pessoa pode fornecer informações sobre outras opções potencialmente aceitáveis.
  • Além disso, certas escolhas podem ser expressas como não negociáveis.

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Tema 6: Trabalhar junto às pessoas�

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Apresentação: O que significa trabalhar junto com alguém? – 1

Fazer COM em vez de fazer PARA:

  • Profissionais, parceiros de cuidados, familiares e outros são frequentemente vistos como “fazendo para” as pessoas que utilizam os serviços.
  • Numa abordagem de recuperação, a ênfase é colocada em “fazer com” as pessoas e “estar ao lado delas”, à medida que elas assumem a liderança nas suas jornadas de recuperação.
  • Nesse contexto, os usuários dos serviços tomam decisões sobre suas vidas e jornadas de recuperação.
  • Os profissionais e outros oferecem apoio se o usuário quiser envolvê-los.
  • Apoiar é diferente de dirigir!
        • É importante encontrar um equilíbrio entre quando apoiar e quando tentar fazer com que as pessoas considerem diferentes possibilidades.
  • Os profissionais são pessoas de recurso que fornecem informações e apoio para permitir que as pessoas identifiquem os seus próprios objetivos de recuperação e os alcancem.
  • Ser demasiado exigente pode ser contraproducente e enfraquecer a relação e a confiança.
  • Os apoiadores devem estar cientes de que também podem precisar de apoio para si mesmos.

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Apresentação: O que significa trabalhar junto com alguém?– 2

Resistindo à tentação de resolver problemas:

  • A noção de estar ao lado de alguém pode ir contra os instintos humanos e profissionais de “ajudar” ou “resolver/consertar problemas” para a pessoa.
  • Dar um passo atrás nesse papel requer habilidade, confiança e respeito pela pessoa que está sendo apoiada.
  • É importante ser paciente, deixar as pessoas seguirem seu próprio ritmo e ajustar continuamente a quantidade de ajuda oferecida com base nas necessidades e desejos da pessoa.
  • Demonstrar confiança em alguém permitirá que essa pessoa desenvolva confiança nas suas próprias capacidades para gerir a sua vida, situação e desafios.

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Exercício 6.1: Trabalhar junto na prática– 1

  • Às vezes, quando uma pessoa está passando por uma crise, se sente oprimida ou expressa atitudes negativas em relação à família, aos cuidadores, aos profissionais ou aos serviços, pode ser difícil interagir com ela de maneira pessoal e útil.
  • Vamos agora discutir um cenário – a experiência de Soraia – para explorar os cuidados e o apoio que ela recebeu no contexto de uma abordagem de recuperação.

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Exercício 6.1: Trabalhar junto na prática– 2

A experiência de Soraia

Soraia é uma mulher de 22 anos que concordou em ser internada em uma ala de cuidados psiquiátricos intensivos após uma tentativa de suicídio. Ela tem um histórico de automutilação grave e internações repetidas devido ao sofrimento intenso que vem enfrentando.

Como um dos defensores profissionais de Soraia, você está se reunindo com ela para discutir a situação. Ela relata que se sente desesperada e infeliz, e acredita que o psiquiatra não gosta dela. Ela se senta em silêncio e parece muito retraída durante toda a reunião. 

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Exercício 6.1: Trabalhar junto na prática– 3

O que você poderia querer se estivesse no lugar do Soraia?

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Exercício 6.1: Trabalhar junto na prática– 4

  • Com base no que você aprendeu sobre a abordagem de recuperação, como você poderia apoiar Soraia?
        • Como você iniciaria uma conversa com Soraia?
        • Que perguntas você faria a Soraia?

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Exercício 6.1: Trabalhar junto na prática– 5

Um advogado profissional, Jamil, conversa com Soraia:

Em uma reunião com Soraia, Jamil percebe que ela parece retraída, irritada e triste. Ele pergunta como ela está se sentindo no momento. Jamil também pergunta se há algo que possa fazê-la se sentir melhor. Soraia diz que gostaria de conversar com uma amiga. Jamil diz que tentará organizar isso o mais rápido possível. Ele também pergunta o que mais poderia ajudar nesse meio tempo.

Soraia explica que precisa muito de um tempo sozinha em um lugar tranquilo para refletir. Ela disse que, no passado, ouvir música a ajudou a se distanciar da situação. O serviço de saúde mental criou algumas salas confortáveis e tranquilas ao longo do último ano, e Jamil propõe que Soraia passe o tempo que quiser lá, ouvindo música e ligando para seus amigos a qualquer momento. Ele também diz a Soraia que estará lá para apoiá-la quando ela precisar.

Jamil também lembra que Suraya achava que o psiquiatra não gostava dela. Ele a convida a discutir quaisquer preocupações que ainda não tenham sido tratadas, para que possam ser abordadas com as pessoas envolvidas e, se for o caso, possam ser fornecidos recursos e informações sobre como e onde fazer reclamações.

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Exercício 6.1: Trabalhar junto na prática– 6

Em que aspectos o apoio da Jamil está de acordo com as práticas orientadas para a recuperação? 

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Tema 7: Limites dentro do contexto das práticas de recuperação���

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Apresentação: Compreender os limites – 1

O que você entende pela expressão “Manter limites profissionais no contexto da saúde mental e dos serviços sociais”?

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Apresentação: Compreender os limites – 2

Manter limites

  • Manter limites profissionais no contexto da abordagem de recuperação significa:
        • Reconhecer e responder adequadamente aos limites das pessoas que utilizam o serviço.
        • Ser claro, justo e aberto sobre o que você pode e não pode fazer
        • Não estar muito envolvido ou pouco envolvido

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Apresentação: Compreender os limites – 3

  • As ideias de “distância profissional” servem para manter uma falsa barreira entre “nós e eles” entre os funcionários e as pessoas que utilizam os serviços.
  • No entanto, a perspectiva que têm os profissionais para ficar emocionalmente imparciais e pessoalmente distantes no intuito de serem competentes não é sustentada pelo que muitos usuários de serviços sociais e de saúde mental dizem.
        • Por exemplo, pode ser útil para um profissional revelar desafios pessoais ou um histórico de trauma quando isso pode proporcionar insights e um caminho a seguir.
  • Por outro lado, as pessoas que utilizam os serviços podem perceber algumas intervenções dos profissionais como uma violação dos seus limites pessoais.

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Apresentação: Compreender os limites – 4

  • Na recuperação, o foco não é a manutenção de fronteiras, mas o desenvolvimento de um relacionamento sustentável no qual ambas as partes se sintam confortáveis e que funcione em benefício da pessoa.
  • É necessário encontrar um equilíbrio em que os profissionais e outros apoiadores não se envolvam excessivamente nem se envolvam de forma insuficiente.
  • É importante levar em consideração as diferenças culturais ou contextuais no desenvolvimento dos relacionamentos.
        • Por exemplo, envolvimento excessivo pode ser quando um apoiador tenta explorar experiências que a pessoa considera desconfortáveis.
        • Por exemplo, envolvimento insuficiente pode ser quando um apoiador se desliga completamente da pessoa.

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Apresentação: Compreender os limites – 5

Muito envolvido

Pouco envolvido

  • Limites pouco claros ou estendidos
  • • Perseguir pessoas para contato
  • • Violações do espaço pessoal e dos limites
  • • Revelações pessoais inúteis ou negativas
  • • As necessidades das pessoas sendo
  • atendidas às custas do bem-estar do
  • profissional/ outros apoiadores.
  • Restringir o tempo ou atenção que a pessoa
  • possa precisar ou desejar
  • • Evitar o contato com pessoas que utilizam
  • serviços
  • • Limites usados para punir as pessoas
  • • Estar fechado à pessoa e não compartilhar
  • nenhuma experiência pessoal
  • • Promover apenas desafios sem apoio
  • • Ser desapegado, desinteressado, frio
  • • Permanecer sem envolvimento e
  • desinteressado
  • • Não parecer engajado ou parecer distraído ao
  • falar com a pessoa..

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Tema 8: Riscos positivos na recuperação�

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Apresentação: Apoiar a pessoa a correr risco positivo – 1

  • A recuperação envolve correr riscos, seja ao se envolver em novas atividades, conhecer novas pessoas ou explorar novas ideias e sentimentos.
  • Nem todos os riscos são equivalentes
          • Correr riscos positivos não é o mesmo que ter um comportamento “arriscado”, como praticar sexo sem proteção ou dirigir em alta velocidade.
    • Esses são riscos que a maioria de nós consideraria imprudentes.
  • As pessoas podem traçar a linha entre correr riscos positivos e riscos imprudentes de maneiras diferentes.
  • Correr riscos positivos significa que as pessoas podem explorar seu potencial, novas possibilidades/oportunidades, perseguir sonhos e ambições, aprender com experiências positivas ou negativas.
  • Profissionais, famílias, parceiros de cuidados e serviços de saúde geralmente tendem a ser avessos ao risco.

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Apresentação: Apoiando a assunção positiva de riscos – 2

Por que as pessoas evitam correr riscos na saúde mental?

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Apresentação: Apoiar a pessoa a correr risco positivo– 3

Pessoas com deficiências psicossociais podem:

  • Relutar em correr riscos por medo de agravar seus problemas.
  • Evitar correr riscos por medo do fracasso.
  • Ter medo de discriminação se realizarem determinadas atividades.
  • Não querer sair da sua zona de conforto.
  • Já ter passado por muitos riscos e resultados ruins na vida e podem ser avessas a correr mais riscos.
  • Não ter um sistema de apoio que os incentive a correr riscos.

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Apresentação: Apoiar a pessoa a correr risco positivo– 4

Familiares e parceiros de cuidado:

  • Eles podem temer que seu parente possa sofrer angústia se empreenderem atividades ou tarefas novas e desafiadoras.
  • Eles podem temer que o que consideram como um fracasso por parte de seus parentes traga vergonha para a família e danos a seus parentes..

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Apresentação: Apoiar a pessoa a correr risco positivo– 5

Profissionais de saúde mental e outros profissionais:

  • Baixas expectativas podem ser um obstáculo para que eles apoiem uma pessoa a correr riscos e explorar novas oportunidades.
  • Podem ficar preocupados em ser culpados, responsabilizados e repreendidos se algo der errado.

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Apresentação: Apoiar a assunção positiva de riscos – 6

Por que correr riscos é importante na recuperação?

  • A vida envolve correr riscos, e cada pessoa precisa aprender sobre os tipos de abordagens positivas e negativas para correr riscos.
  • As pessoas não podem explorar seu potencial, novas possibilidades e oportunidades, nem aprender com suas experiências sem correr riscos.
  • Evitar riscos pode fazer com que uma pessoa não tenha um propósito na vida, pois a restringe ao papel de alguém com uma “doença” ou diagnóstico.
  • Profissionais ou apoiadores que se concentram apenas em proteger uma pessoa dos riscos podem atrapalhar ativamente a recuperação dessa pessoa.
  • A recuperação consiste em permitir que as pessoas façam escolhas por si mesmas e alcancem seus objetivos. Às vezes, esses objetivos podem exigir a assunção de riscos.

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Apresentação: Apoiar a pessoa a correr risco positivo– 7

Correr riscos positivos faz parte da vida cotidiana:

  • Não é possível evitar riscos na vida.
  • Evitar riscos agindo com cautela, fazendo o que os outros dizem que é melhor ou fazendo o que já fizemos antes traz seus próprios riscos.
  • Aproveitar plenamente o direito de exercer a capacidade jurídica também significa aceitar os riscos inerentes à tomada de decisões e à afirmação de si mesmo.
  • Mesmo que isso signifique ter sucesso algumas vezes e fracassar outras, correr riscos é uma parte essencial da vida se as pessoas querem lutar para alcançar seus sonhos e objetivos e aprender com seus erros.
  • correr riscos é parte integrante da recuperação e do crescimento pessoal.

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Apresentação: Apoiar a assunção positiva de riscos – 8

Correr riscos positivos como parte integrante do crescimento:

  • As pessoas não teriam amigos ou parceiros se não tivessem arriscado a possibilidade de serem rejeitadas.
  • As pessoas não teriam qualificações se não tivessem arriscado a possibilidade de reprovar nos exames.
  • As pessoas não teriam empregos se não tivessem arriscado a possibilidade de serem rejeitadas em uma entrevista de emprego.

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Apresentação: Apoiando a assunção de riscos positivos – 9

  • Algumas pessoas têm uma tendência natural a evitar riscos, enquanto outras aceitam riscos com mais facilidade.
  • Não há vergonha em nenhuma das duas opções, e ambas têm suas vantagens.
  • Ser cauteloso pode permitir que uma pessoa preserve o que tem e construa lentamente, enquanto correr riscos pode resultar mais facilmente em um maior número de empreendimentos bem-sucedidos e malsucedidos.
  • É importante que as pessoas descubram o que é certo para elas.

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Apresentação: Apoiar a pessoa a correr risco positivo– 10

  • O apoio às pessoas durante períodos nos quais correm riscos positivos é essencial para que os profissionais e outros apoiadores possam promover ativamente a recuperação.
  • Os profissionais e outros podem ajudar as pessoas a ponderar os resultados positivos e negativos potenciais de assumir um risco ou aceitar uma nova oportunidade e a encontrar formas de minimizar os resultados potencialmente negativos.

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Exercício 8.1: Correr riscos positivos na prática – 1

Cenário 1: Hugo

  • Hugo tem usado o serviço comunitário de saúde mental perto de sua casa nos últimos cinco anos. Ele tem um bom relacionamento com a equipe e considera o apoio do serviço muito útil. A equipe do serviço conhece bem Hugo e tem trabalhado arduamente com ele para apoiá-lo em experiências difíceis e ajudá-lo a viver de forma independente.
  • Hugo está planejando se mudar para o outro lado do país para se casar e morar com sua noiva. Ele anuncia sua decisão ao seu assistente social, Lethabo.
  • Lethabo e o restante da equipe estão preocupados que, depois que Hugo se mudar, ele não consiga receber o apoio do serviço de saúde mental. Se Hugo se encontrar em situação de angústia, outro serviço não o conhecerá bem o suficiente para apoiá-lo adequadamente e, se algo der errado, não haverá nada que eles possam fazer.
      • Os benefícios da mudança para Hugo: viver com a mulher que ama, conhecer novas pessoas em uma nova cidade, o que pode ter um impacto positivo em seu bem-estar e recuperação.
      • O risco da mudança para Hugo: risco de rompimento do relacionamento, risco de não conseguir se integrar em uma nova cidade, risco de não conseguir receber apoio se necessário.
  • Apesar da preocupação com Hugo , Lethabo e o resto da equipe decidem apoiar a decisão dele.

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Exercício 8.1: correr riscos positivos na prática – 2

  • Em grupo, discutam quais medidas os profissionais do serviço de saúde mental podem oferecer para apoiar Hugo em seu plano de se mudar para o outro lado do país.

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Exercício 8.1: Assunção positiva de riscos na prática – 3

Depois de discutir com o resto dos funcionários do serviço que conheciam Hugo, Levi apresentou diferentes sugestões para apoiar Hugo e as discutiu com ele. Eles concordaram em que os funcionários realizariam as seguintes ações:

  • Obter informações sobre os serviços de suporte disponíveis no local onde Hugo planeja se mudar. 
  • Se identificassem um bom serviço, colocariam Hugo em contato com o serviço. 
  • Com o consentimento de Hugo, eles compartilhariam informações sobre as necessidades de Hugo e a melhor forma de apoiá-lo com os membros do outro serviço. 
  • Eles manteriam contato com Hugo e assegurariam a ele que o apoiariam novamente se, por qualquer razão, ele decidisse voltar. 

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Exercício 8.1: correr riscos positivos na prática – 4

Cenário 2: A experiência de Maria

  • Maria tem 30 anos e atualmente frequenta um centro comunitário de saúde mental. Ela é apaixonada pelo bem-estar dos animais e sempre esteve envolvida em cuidar do bem-estar deles (tanto através de trabalho remunerado quanto não remunerado). 
  • O objetivo de Maria no momento inclui voltar a trabalhar em um campo semelhante. Ela quer um emprego com o qual se sinta motivada e deseja começar a ganhar dinheiro para poder ter seu próprio espaço e se mudar da casa de seus pais. Ela acredita que qualquer desafio anterior que tenha experimentado em sua recuperação está agora sob controle e sente que está pronta para seguir em frente. Maria pede aos funcionários do centro de saúde mental da comunidade que a ajudem a tentar encontrar trabalho. 
  • No entanto, seus pais estão preocupados com a ideia de Maria assumir novas responsabilidades. Ela vivenciou sua primeira crise de saúde mental quando deixou de estudar para trabalhar em tempo integral como comissária de bordo. Eles temem que as pressões de outro trabalho em tempo integral a levem a recair e desfazer todo o progresso que ela fez até hoje. 
  • Eles apelam para Raquel, a trabalhadora de saúde mental que apoia Maria, para tentar convencê-la a esperar mais dois anos antes de procurar um emprego em tempo integral. Raquel explica a eles que, antes de tudo, respeitará a decisão de Maria, mas que ela levantará a questão em sua próxima consulta. 
  • Em sua próxima consulta, Maria e Raquel discutem os benefícios e riscos de voltar ao trabalho 
        • Os benefícios de voltar ao trabalho: ganhar um sentido de propósito, estar envolvida em um trabalho significativo, ganhar uma renda que levaria a outros benefícios, como mudar para sua própria casa.
        • Os riscos de voltar ao trabalho: comprometer o progresso que ela alcançou devido ao estresse e a possibilidade de que o emprego não atenda às suas expectativas.

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Exercício 8.1: correr riscos positivos na prática – 5

  • Com base na conversa, Maria decidiu voltar ao trabalho.
  • Imagine que você é Rachel. Maria marcou uma consulta de acompanhamento para discutir seu plano de encontrar trabalho.
  • Em grupo, tentem identificar algumas medidas que podem ser implementadas para ajudar e apoiar Maria no seu plano de encontrar um emprego e voltar ao trabalho.

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Exercício 8.1: correr riscos positivos na prática – 6

A ação que Maria decidiu tomar:

  • Maria estava realmente motivada a voltar ao trabalho, particularmente no campo do cuidado animal, então Maria e Raquel exploraram formas de diminuir o estresse potencial envolvido em encontrar e assumir um novo emprego. 
  • Isso envolveu Maria e Raquel analisando o apoio que ela havia recebido quando trabalhava anteriormente em tempo integral e discutindo como um apoio semelhante poderia ser posto em prática agora, a fim de reduzir quaisquer riscos potenciais e aumentar as chances de Maria garantir e manter o emprego. 
  • Juntas, elas decidiram: 
  • Procurar oportunidades de trabalho na área de cuidados com animais, mas optar inicialmente por um trabalho em tempo parcial, em vez de um trabalho em tempo integral, com o objetivo final de passar para um emprego em tempo integral.
  • Criar um plano específico para lidar com crises que possam ocorrer quando Maria estiver trabalhando sob pressão.
  • Criar uma rotina que lhe permita chegar ao trabalho a tempo e gerir quaisquer potenciais fatores de stress.
  • Dar o número de celular de Rachel para Maria e sua família, para que possam ligar se estiverem preocupados e quiserem discutir qualquer problema.
  • Marque algumas reuniões regulares entre Maria e Rachel ao longo deste processo para discutir como Maria se sente durante o processo de entrevista e contratação.

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Exercício 8.1: Assunção de riscos positivos na prática – 7

Resultados para Maria

  • Imagine que existem dois resultados para Maria. Analise e compare cada um deles abaixo:

DESFECHO 1

Um resultado possível é que Maria conseguiu um emprego de meio período em uma área significativa para ela e começou a ganhar uma renda, o que lhe permitiu mudar para sua própria casa.

DESFECHO 2

Maria leva um tempo significativo para conseguir um emprego, o que a faz sentir-se desanimada. Raquel e a família de Maria dão seu apoio contínuo para ajudá-la durante este período estressante. Finalmente, Maria é capaz de conseguir um emprego, mas descobre que ela se esforça para se concentrar por longas horas e se cansa muito rapidamente. 

Em vez de demitir-se de seu emprego, Maria procura Raquel para discutir estes desafios e elas marcam uma reunião. Após discussão, Maria decide conversar com seu chefe sobre a possibilidade de fazer intervalos ao longo do dia em vez de trabalhar sem pausas durante um turno completo de 8 horas. Seu chefe concorda com isso e Maria pode continuar trabalhando em um trabalho que ela ama.

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Exercício 8.1: correr riscos positivos na prática – 8

  • Como você pode ver pela evolução desse cenário, não há uma escolha certa ou errada.
  • Sempre há possibilidades de resolver problemas, mesmo que uma escolha específica pareça mais desafiadora do que outra.
  • O desfecho 2 apresentou novos desafios que foram superados ao longo do caminho.

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Tema 9: Apoiando as pessoas a se reconectarem com suas comunidades

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Apresentação: Apoiando as pessoas a se reconectarem com suas comunidades – 1

Por que as pessoas perdem contato com suas comunidades?

  • Infelizmente, em muitos países, os serviços separam as pessoas das suas comunidades.
  • Existe legislação para remover à força pessoas de suas casas e da comunidade para serem colocadas em serviços sociais e de saúde mental internadas, incluindo hospitais psiquiátricos, para receberem atendimento.
  • Os serviços de internação de longa duração e os hospitais psiquiátricos estão frequentemente localizados longe da comunidade.
  • Os familiares veem a internação de seu parente em um serviço ou hospital como uma oportunidade de se desconectar dessa pessoa
  • familiares ou parceiros de cuidados talvez não possam, ou talvez não queiram, levar uma pessoa de volta para casa uma vez que ela tenha ficado fora por algum tempo.
  • Como resultado, as pessoas perdem contato com sua família e rede de apoio e ficam isoladas e marginalizadas de sua própria comunidade.

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Apresentação: Apoiando as pessoas a se reconectarem com suas comunidades – 2

Apoiar as pessoas a se reconectarem com sua comunidade é uma parte fundamental da jornada de recuperação

  •  Estar engajado na comunidade é frequentemente um objetivo-chave para as pessoas em recuperação. 
  • As pessoas podem se beneficiar do uso dos serviços e recursos comunitários disponíveis, seja para a saúde, lazer ou serviços sociais, e da interação e construção de relacionamentos com outros membros da comunidade.
  • Um papel-chave da família, dos profissionais e outros apoiadores, portanto, é aprender sobre os recursos e serviços disponíveis em sua comunidade local.
  • Um papel-chave para os profissionais em alguns casos também pode ser o de ajudar uma pessoa que utiliza serviços a restabelecer o contato perdido.
  • Pode ser útil conectar as pessoas a apoiadores entre pares ou grupos que possam existir.
  • As pessoas beneficiam muito quando recebem apoio de outras pessoas que tiveram experiências semelhantes.
  • Apoiar as pessoas a se reconectarem com sua comunidade pode levar a interações positivas para todos.

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Exercício 9.1: Usando recursos comunitários – 1

Sheila e Eva

Sheila (50) mora em uma casa com sua mãe, Eva (75), e tem uma deficiência de aprendizagem. Ela trabalha em um café administrado por uma organização que apoia pessoas com dificuldades de aprendizagem. Ela gosta de nadar e dançar, frequenta clubes locais para ambas as atividades e tem uma série de amigos por meio de atividades de trabalho e lazer. Ela precisa do apoio de sua mãe para a maioria das tarefas diárias, como limpeza, preparação de refeições, transporte e serviços bancários. 

Eva é bastante ativa dentro de sua comunidade local e está interessada em apoiar Sheila na manutenção desses vínculos. A irmã de Eva, Clara, mora longe, mas permanece em contato telefônico regular com sua irmã e as visita o máximo de vezes possível. 

Eva teve um derrame leve e foi internada no hospital. Agora ela se recuperou o suficiente para planejar sua alta do hospital, onde está há 10 dias. 

Durante sua estadia no hospital, Eva perdeu parte de sua capacidade de se mover e cuidar de si mesma. Ela está realmente preocupada com a forma como irá lidar com a situação para apoiar sua filha Sheila, que tem suas próprias necessidades de saúde. Ela deseja desesperadamente que continuem morando juntas. 

Quando Eva foi internada no hospital, Sheila foi colocada em uma casa de assistência social de uma autoridade local. Durante a internação de Eva, ficou claro que todo o apoio que ela tinha dado para permitir que Sheila ficasse em casa não tinha sido anteriormente apreciado. 

Tendo em vista a saúde deteriorada de Eva e o apoio requerido por Sheila, a avaliação dos funcionários foi de que a Sheila iria requerer algum tipo de assistência residencial ou de apoio no futuro, em vez de voltar para casa. 

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Exercício 9.1: Usando recursos comunitários – 2

Que apoio pode ser necessário para permitir que Eva e Sheila continuem morando juntas em sua comunidade?

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Exercício 9.2: Reconectando o desconectado �

De que forma os serviços sociais ou de saúde mental podem apoiar as pessoas a se conectarem com sua comunidade?

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Tema 10: Habilidades de comunicação�

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Exercício 10.1: A comunicação é crucial nos cuidados orientados à recuperação

Com base em sua experiência (pessoal ou profissional), que habilidades são importantes para uma boa comunicação com as pessoas que estão empreendendo uma jornada de recuperação?

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Apresentação: Habilidades-chave de comunicação na recuperação – 1

  • Boas habilidades de comunicação são fundamentais para criar uma relação terapêutica entre os profissionais e as pessoas que utilizam os serviços.
  • A abordagem de recuperação reenfatiza a importância dessas habilidades e exige uma mudança na dinâmica de poder em direção a relações mais equilibradas e igualitárias.

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Apresentação: Habilidades-chave de comunicação na recuperação – 2

Escuta ativa

  • A escuta ativa envolve se envolver com o que a pessoa está dizendo, a fim de compreender melhor e explorar seus pensamentos e pontos de vista.
  • É diferente de ouvir passivamente o que uma pessoa está dizendo.
  • Escuta ativa implica ouvir o conteúdo verbal e não verbal do que está sendo dito.
        • Inclui a linguagem corporal e as expressões faciais, bem como estar atento ao que pode estar por trás das palavras que estão sendo ditas.

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Apresentação: Habilidades-chave de comunicação na recuperação – 3

Um exemplo de escuta ativa:

  • Pessoa que utiliza o serviço: “Estou muito frustrado porque a minha família não veio visitar-me hoje. Tenho tanta coisa para lhes contar e preciso muito do apoio deles.”
  • Pessoa assumindo um papel de apoio: “Parece que hoje foi um dia muito difícil para você e que o envolvimento da sua família é muito importante para você. Eu entendo perfeitamente.”

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Apresentação: Habilidades-chave de comunicação na recuperação – 4

Conversas que fluem nos dois sentidos: passando do monólogo para o diálogo

  • As pessoas têm identidades e experiências únicas.
        • Suas visões, ideias e opiniões podem ser muito diferentes das dos outros
  • Um diálogo aberto deve ser estabelecido com a pessoa para compreendê-la e apoiá-la, em vez de comunicar as opiniões ou exigências de outras pessoas.
  • Mudar do monólogo para o diálogo significa que os profissionais, os parceiros de cuidados e as famílias precisam usar uma linguagem diferente ao dar conselhos.

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Apresentação: Habilidades essenciais de comunicação na recuperação – 5

  • As parcerias precisam ser formadas para encontrar um caminho a seguir, apesar das diferenças de opinião.

Em vez de dizer:

“Você precisa fazer psicoterapia”

Pode-se dizer:

“Acho que fazer psicoterapia poderia ser benéfico para você. O que você acha?”

  • Dessa forma, é possível compartilhar um ponto de vista informado, em vez de ditar “verdades absolutas”.

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Apresentação: Habilidades essenciais de comunicação na recuperação – 6

Em situações difíceis, os profissionais de saúde mental e outros profissionais, familiares e outros apoiadores podem ter fortes reações e respostas emocionais.

  • Quando ocorrem respostas emocionais fortes, é importante:
        • Reconhecer e compreender por que tais reações ocorrem, a fim de evitar reações negativas automáticas e imediatas e comunicar-se melhor.
        • Tire um momento para imaginar como a pessoa está se sentindo ou a razão por trás de suas ações ou comportamentos atuais.
        • Mesmo quando uma pessoa parece estar dizendo coisas, agindo ou se comportando de uma maneira que parece perturbadora para os outros, é importante estar ciente de que ela pode estar comunicando informações importantes.

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Exercício 10.2: Colocando em prática as habilidades de escuta ativa – 1

Considere o seguinte cenário:

Jorge estava recebendo atendimento em uma unidade de saúde mental de um hospital geral há algumas semanas. Ele estava ambivalente quanto a permanecer na unidade, mas queria apoio extra e não tinha para onde ir. Em várias ocasiões, ele reagiu de forma agressiva e ameaçou sair com raiva sempre que era desafiado ou quando se sentia insatisfeito com o que era dito. No último incidente, ele empurrou um membro da equipe até o chão. Ele critica constantemente a equipe e diz que ninguém se esforça o suficiente.

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Exercício 10.2: Colocando em prática as habilidades de escuta ativa – 2

1. Imagine que você está sentado com o Jorge. Agora escreva suas:

      • pensamentos iniciais...
      • sentimentos...
      • crenças/ideias...
      • reações corporais...
      • possíveis ações e condutas...

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Exercício 10.2: Colocando em prática as habilidades de escuta ativa – 3

2. Como seus pensamentos e sentimentos podem refletir os de Jorge?

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Exercício 10.2: Colocando em prática as habilidades de escuta ativa – 4

3. Escreva três coisas possíveis que você poderia dizer a Jorge que demonstrariam seu desejo de

trabalhar com ele de forma construtiva e focada na recuperação.

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Tema 11: Planos de recuperação�

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Apresentação: Elaborar um plano de recuperação– 1

  • As pessoas podem se beneficiar de ter um plano escrito para orientar sua jornada de recuperação pessoal, que pode ser chamado de plano de recuperação.

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Apresentação: Elaborar um plano de recuperação – 2

  • Um plano de recuperação é um documento dirigido ao usuário que é escrito e implementado pela própria pessoa. 
  • O plano de recuperação pode mudar ao longo do tempo para refletir a jornada de recuperação da pessoa e suas preferências em evolução.
        • As pessoas podem consultar outras pessoas para ajudar a formular seu plano, mas cabe a elas mesmas decidir o que querem incluir.
        • É importante ter escolha e opções para o processo de recuperação.
        • Ao elaborar um plano de recuperação, a pessoa deve ser apoiada por pessoas que conheçam as várias opções de cuidados e apoio disponíveis.
        • Um plano de recuperação pode ser implementado de forma mais eficaz se todas as pessoas relevantes tiverem conhecimento da sua existência e do seu conteúdo.

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Apresentação: Elaborar um plano de recuperação – 3

Um plano de recuperação deve identificar as necessidades, pontos fortes e recursos da pessoa.

  • A pessoa interessada deve identificar suas necessidades, pontos fortes e recursos.
  • Também pode ser útil conversar com outras pessoas que desejam envolver.
  • Os serviços sociais e de saúde mental devem oferecer uma avaliação abrangente que leve em consideração o contexto social da pessoa, para ajudá-la a identificar suas necessidades, pontos fortes e recursos.
  • A possibilidade de criar um plano de recuperação deve ser oferecida a todas as pessoas que utilizam o serviço.

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Apresentação: Elaborar um plano de recuperação – 4

Dependendo dos desejos da pessoa que prepara um plano de recuperação, os profissionais de saúde mental e outros profissionais, os apoiadores entre pares e outros que são treinados na abordagem de recuperação podem ajudar:

  • Introduzir a pessoa ao propósito e à estrutura de um plano de recuperação.
  • Auxiliar a pessoa na avaliação dos pontos fortes, recursos, histórico, sonhos, objetivos e progresso em direção à recuperação antes de elaborar seu plano de recuperação.
  • Apoiar a pessoa na elaboração e implementação do seu plano de recuperação.
  • Ajudar a avaliar o progresso em direção à recuperação ao longo da jornada de recuperação.

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Apresentação: Elaborando um plano de recuperação – 5

Um plano de recuperação pode incluir vários componentes:

  • um plano para correr atrás de sonhos e objetivos;
  • um plano de bem-estar;
  • um plano para gerenciar tempos difíceis;
  • um plano de resposta em caso de crise;
  • um plano para depois de uma crise.

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Apresentação: Elaborar um plano de recuperação– 6

Uma alternativa é a Roda da Recuperação:

    • Pode ser uma ferramenta útil para facilitar discussões com a pessoa em questão, familiares, profissionais e outros.
    • Oferece uma maneira menos estruturada de abordar o planejamento da jornada de recuperação.
    • Mais detalhes posteriormente...

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Apresentação: 1. Plano para correr atrás de sonhos e objetivos– 1

  • Algumas pessoas podem achar útil trabalhar em direção a objetivos que as ajudem a levar uma vida plena.
  • Um componente importante de um plano de recuperação é criar um plano (ou subplano) para perseguir sonhos e objetivos.
  • Como primeiro passo, a pessoa identifica seus sonhos e objetivos.
        • Os sonhos podem ser grandes ou pequenos.
        • Pode ser útil considerar os sonhos que teve no passado.
        • Os sonhos e objetivos também podem ser sobre coisas específicas que as pessoas desejam alcançar (por exemplo, emprego, voluntariado, amizades, hobbies, etc.).

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Apresentação: 1. Plano para correr atrás de sonhos e objetivos– 2

  • A pessoa pode identificar os passos a seguir para alcançar cada objetivo ou sonho.
  • São pequenas metas que podem ser alcançadas uma de cada vez.
  • É muito fácil pensar apenas nos problemas e perder de vista as habilidades, pontos fortes, interesses e capacidades da pessoa, bem como das pessoas ao seu redor.
  • Uma parte importante do plano de recuperação é identificar como eles podem ser aproveitados para promover mudanças positivas.

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Apresentação: 1. Plano para correr atrás de sonhos e objetivos– 3

Sonhos e objetivos

Sonhos/objetivos 1

Passo

Passo 2

Passo

Sonhos/objetivos 2

Passo 1

Passo 2

Sonhos/objetivos 3

Passo

Passo 2

Passo 3

Passo

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Apresentação: 1. Plano para correr atrás de sonhos e objetivos– 4

Exercício opcional

  • Complete a seção sobre como identificar e planejar como alcançar sonhos e objetivos em sua cópia do QualityRights Planejamento de recuperação centrado na pessoa – orientação passo a passo.

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Apresentação: 2. Plano de bem-estar – 1

Um plano de bem-estar ajuda a identificar as rotinas que permitem às pessoas manter-se saudáveis e aquelas que podem ter um efeito negativo na saúde mental e no bem-estar.

Rotinas positivas

  • Levantar-se em um horário adequado; 
  • Preparar e comer refeições saudáveis em horários regulares; 
  • Dar uma caminhada ou fazer algum exercício; 
  • Ir ao trabalho ou à escola. 

Rotinas negativas

  • Sair com amigos todas as noites e ficar bêbado; 
  • Ficar exausto; 
  • Ficar sentado sem fazer nada; 
  • Beber muito álcool ou fazer uso de drogas ilícitas. 

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Apresentação: 2. Plano de bem-estar – 2

Exercício opcional

  • Preencha a seção sobre o meu plano de bem-estar (mas sem incluir a programação semanal) na sua cópia do documento QualityRights Planejamento de recuperação centrado na pessoa – orientação passo a passo.

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Apresentação: 3. Plano para gerenciar tempos difíceis – 1

  • Outro componente do plano de recuperação é o planejamento para lidar com momentos difíceis da vida.
  • Pode ser útil que a pessoa indique como se descreveria de maneira geral.
  • Isso pode ajudar os apoiadores a identificar quando a pessoa está passando por um momento de angústia e pode precisar de apoio.
  • Também pode ajudar a pessoa a lembrar-se de que é muito mais do que as limitações percebidas, um diagnóstico ou um conjunto de problemas.

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Apresentação: 3. Plano para gerenciar tempos difíceis – 2

O que geralmente me define?

Sociável Descontraído Impulsivo Confiante

Solitário Falante Quieto Entusiástico

Cauteloso Introvertido Energético Convicto

Atlético Extrovertido Aprendiz Otimista

rápido

Feliz Pensativo Pessimista Dedicado

Encorajador Responsável Apoiador Curioso

Aventureiro Sério Flexível Franco

Trabalhador Amigável Apaixonado Independente

________ __________ ________ ________

________ __________ ________ ________

________ __________ ________ ________

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Apresentação: 3. Plano para gerenciar tempos difíceis – 3

  • Quando as pessoas que utilizam os serviços estão a tentar superar momentos difíceis, pode ser útil utilizar um sistema simples de semáforos para acompanhar facilmente o estado de espírito.
  • O sistema de semáforo descrito abaixo pode ser útil.
  • VERDE: Você está se sentindo bem.
        • Você pode sentir estresse de vez em quando, que pode ser controlado com habilidades de enfrentamento e resolução de problemas.
  • ÂMBAR: Você está percebendo sinais de sofrimento emocional.
        • Seria útil cuidar melhor da sua saúde mental e física e obter apoio de amigos, familiares ou profissionais de saúde mental ou outros profissionais.

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Apresentação: 3. Plano para gerenciar tempos difíceis – 4

O sistema de semáforo verde-âmbar

�Quando as pessoas que utilizam os serviços estão tentando resolver situações difíceis, pode ser útil usar um sistema simples de semáforo para facilitar o acompanhamento.

  • VERDE = Você está se sentindo bem
  • ÂMBAR = Você está percebendo sinais de sofrimento emocional

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Apresentação: 3. Plano para gerenciar tempos difíceis – 5

  • Para ajudar a gerenciar a angústia emocional, as pessoas podem aprender a identificar:
        • sensibilidades
        • sinais de angústia.
  • Se as pessoas conseguirem identificar sensibilidades e sinais de angústia e agir rapidamente, podem reduzir significativamente a probabilidade de se encontrarem em situação de crise.
  • Também é importante que outras pessoas estejam cientes das sensibilidades e sinais de angústia para que possam discutir isso com a pessoa em questão.
  • Ao mesmo tempo, é importante que os outros não ultrapassem os limites, forçando ou assumindo o controle.

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Apresentação: 3. Plano para gerenciar tempos difíceis – 6

  • Sensibilidades são coisas que acontecem e podem fazer com que uma pessoa se sinta ansiosa, assustada, infeliz ou desanimada.
  • Podem incluir:
        • Ouvir berros ou gritos, ou berrarem/gritarem com você;
        • Não ser ouvida;
        • Pessoas chegando muito perto dela;
        • Alta carga de trabalho;
        • Não conseguir dormir;
        • Ser provocada.

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Apresentação: 3. Plano para gerenciar tempos difíceis – 7

  • Sinais de angústia são mudanças nos sentimentos, pensamentos ou comportamentos que sugerem que uma crise pode se desenvolver.
  • Eles são diferentes para cada pessoa, mas alguns exemplos comuns incluem:

A. Sinais que a pessoa consegue identificar:

      • Sentir-se ansioso ou com medo
      • Sentir-se deprimido
      • Não dormir o suficiente ou acordar cedo
      • Ter pensamentos angustiantes
      • Dificuldade em realizar tarefas que normalmente são fáceis
      • Sentir-se incapaz de confiar nas pessoas mais próximas
      • Sentir-se incapaz de continuar com suas atividades diárias
      • Reagir exageradamente ou responder de forma irracional a eventos comuns ou coisas que as pessoas fazem
      • Ter experiências incomuns que outras pessoas parecem não compartilhar
      • Pensamentos acelerados
      • Sentir muito medo ou desesperança
      • Sentir que não está no controle.

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Apresentação: 3. Plano para gerenciar tempos difíceis – 8

B. Sinais que outras pessoas também podem identificar:

        • Discutir com outras pessoas
        • Nervosismo
        • Inquietação
        • Dormir demais.

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Apresentação: 3. Plano para gerenciar tempos difíceis – 9

Exercício opcional

  • Preencha as tabelas principais na seção sobre como lidar com momentos difíceis em sua cópia do documento QualityRights Planejamento de recuperação centrado na pessoa – orientação passo a passo.

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Apresentação: 4. Plano de resposta em caso de crise – 1

  • Embora os planos de recuperação incentivem as pessoas a tomar medidas para evitar crises, pode haver momentos em que, apesar dos melhores esforços, as coisas continuem a piorar.
  • Um plano de resposta a uma crise pode dar aos profissionais e outras pessoas uma melhor oportunidade de compreender a pessoa e o que ela deseja.
        • As pessoas podem fornecer orientações e informações sobre quando, como, onde e de quem gostariam de receber apoio.
        • Permite também que as pessoas especifiquem que não desejam tratamento ou opções de apoio.
        • Além disso, pode haver coisas que precisam ser resolvidas, como solicitar licença do trabalho, alimentar animais de estimação, pagar contas, etc.

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Apresentação: 4. Plano de resposta em caso de crise – 2

  • O planejamento para estas coisas pode ser particularmente importante para pessoas que têm mais dificuldade em comunicar sua vontade e preferências quando estão em crise.
  • Os indivíduos também são suscetíveis de encontrar profissionais que não são seus prestadores de cuidados de saúde habituais.
  • Em alguns países, em determinadas situações, as pessoas podem tornar sua vontade e preferências vinculativas para outras pessoas.

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Apresentação: 4. Plano de resposta em caso de crise - 3

Exemplos de componentes do planejamento antecipado:

  • Preferências de tratamento e cuidados
        • Especificar que medicamento funciona ou não funciona e que medicamento(s) não aceitará tomar. 
        • Especificar quais opções de cuidados (como aconselhamento individual, terapia de grupo) acha útil ou inútil, aceitável ou inaceitável.
  • Em alguns países, pode não haver opções aceitáveis para as pessoas escolherem.
        • Os países devem desenvolver uma ampla gama de serviços para responder às necessidades das pessoas que possam estar passando por uma crise.

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Apresentação: 4. Plano de resposta em caso de crise – 4

  • Local de cuidado
        • Especificar o local onde se deseja receber cuidados, tratamento ou apoio.
        • Especificar o(s) local(is) onde não se deseja receber tratamento, cuidados ou apoio.
  • Pessoas que eu quero envolvidasm
        • Amigos e familiares em quem a pessoa confia e que podem oferecer apoio.
  • Pessoas que eu NÃO quero envolvidas
        • A pessoa pode querer especificar pessoas que não deseja envolver.

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Apresentação: 4. Plano de resposta em caso de crise – 5

  • Declarações e ações úteis
        • Declarações que as pessoas dizem ou ações que podem realizar para ajudar a pessoa em momentos de crise.
  • Declarações e ações que NÃO são úteis
        • Declarações que as pessoas NÃO devem fazer ou ações que as pessoas NÃO devem realizar em momentos de crise.

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Apresentação: 4. Plano de resposta em caso de crise – 6

Exercício opcional

  • Preencha a seção “Plano de resposta a uma crise” em sua cópia do documento QualityRights: planejamento de recuperação centrado na pessoa – orientação passo a passo.

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Apresentação: 5. Plano pós-crise– 1

  • O componente final do plano de recuperação é criar um plano para depois da crise:
  • É útil ter um plano para voltar à vida cotidiana e manter o bem-estar após uma crise.
  • Esta parte do plano de recuperação trata do planejamento para os primeiros dias e semanas após uma crise, incluindo:
        • Voltar à rotina
        • Fazer um cronograma para as próximas semanas
        • Planos para retomar responsabilidades e atividades
        • O que aprendi com esta crise.

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Apresentação: 5. Plano pós-crise – 2

Exercício opcional

  • Preencha a seção “Plano para depois da crise” em sua cópia do documento QualityRights: planejamento de recuperação centrado na pessoa – orientação passo a passo.

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Tema 12: Roda da Recuperação�

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Apresentação: A Roda da Recuperação – 1

  • A Roda da Recuperação usa a imagem do leme de um navio para mostrar que as pessoas decidem por si mesmas o que é importante e para onde sua jornada as levará.
  • Pode ser uma ferramenta alternativa para pessoas que preferem uma abordagem menos estruturada à recuperação.
  • Destaca diferentes áreas como fundamentais para uma vida plena.
  • Pode ser usada como um meio de abrir discussões entre a pessoa em questão e sua família, profissionais de saúde mental e outros profissionais, colegas de apoio e outros apoiadores.

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Apresentação: A Roda da Recuperação – 2

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Apresentação: A Roda da Recuperação – 3

Usando a Roda da Recuperação

  • A pessoa envolvida deve primeiro perguntar a si mesma, ou ser questionada, se se identifica com alguma das áreas da Roda da Recuperação.
  • As pessoas podem indicar as áreas que são prioritárias para elas escrevendo “AP”.
  • Podem usar a escala de classificação (1-3) para indicar o seu grau de satisfação com cada uma dessas áreas prioritárias.
  • Depois de identificar suas principais prioridades, a pessoa pode explorar ações específicas dentro de cada área.
  • A Roda da Recuperação também pode ser usada em diferentes momentos para permitir que as pessoas monitorem seu progresso ao longo de sua jornada de recuperação.

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Exercício opcional: A roda da recuperação

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Agradecimentos (1)

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Agradecimentos (2)

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Agradecimentos (3)

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Agradecimentos (4)

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Agradecimentos (6)

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Agradecimentos (7)

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