1 of 1

Realização:

UFBA

UEFS

UFPB

UMINHO

EFEITO DA ADIÇÃO DE LAMA VERMELHA NO COMPORTAMENTO DE ARGAMASSAS DE CIMENTO

* e-mail: verasribeiro@hotmail.com

Daniel V. RIBEIRO1,*, João A. LABRINCHA2, Márcio R. MORELLI31UFBA – Universidade Federal da Bahia / Departamento de Ciência e Tecnologia de Materiais� 2UA – Universidade de Aveiro, Portugal / Departmento de Engenharia�3UFSCar - Universidade Federal de São Carlos / Departmento de Engenharia de Materiais

INTRODUÇÃO

a lama vermelha é o principal resíduo gerado na produção de alumínio e alumina pelo processo Bayer a partir do minério de bauxita. A produção mundial de bauxita em 2009 foi de 205 milhões de toneladas, e os principais países produtores foram Austrália, China, Brasil, Guiné, Índia e Jamaica. Em terceiro lugar na produção mundial em 2009, o Brasil produziu 26,6 milhões de toneladas de bauxita. Possui também a terceira maior reserva de minério de bauxita do mundo (cerca de 3,5 bilhões de toneladas), concentrada principalmente na região norte do país (estado do Pará) [1]. Cerca de 0,3 a 1,0 toneladas de resíduos de lama vermelha são gerados por tonelada de alumínio produzida. O Brasil descartou cerca de 10,6 milhões de toneladas/ano de lama vermelha cáustica nos últimos anos e a geração mundial de lama vermelha ultrapassa 117 milhões de toneladas/ano [2].

Materiais com características pozolânicas podem substituir parcialmente o cimento em argamassas ou concretos, com conhecidos benefícios na durabilidade dos produtos [3-4]. No entanto, a trabalhabilidade é frequentemente afetada e o processo de hidratação não é completamente compreendido. Neste trabalho, foi avaliado o processo de hidratação do cimento Portland contendo lama vermelha (sem tratamento e após calcinação a 450, 650 e 1000 °C).

MATERIAIS E MÉTODOS

As argamassas foram produzidas com cimento Portland CP II-32 Z, equivalente a ASTM C 596 (cimento Portland modificado com pozolana). O agregado miúdo foi areia siliciosa natural. A lama vermelha (RM) foi fornecida pela ALCOA Brasil, de Poços de Caldas-MG. É uma mistura contendo cerca de 60% em peso de sólidos, coletada imediatamente após a recuperação da alumina do processo de digestão (Processo Bayer). A lama vermelha foi calcinada em forno Termolab BL 260/03, com taxa de aquecimento de 10°C/min. A formulação da argamassa utilizada como referência para as medidas calorimétricas foi preparada na proporção em peso de 1,0:3,0:0,60 (cimento:areia:água). A evolução da temperatura das argamassas após a hidratação foi monitorada imediatamente após a mistura em um calorímetro quase adiabático (Langavant). O cimento foi parcialmente substituído por lama vermelha (até 30% em peso) foram analisados.

RESULTS

Caracterização da lama vermelha

A lama vermelho foi recebido na forma de uma pasta contendo cerca de 40% de água livre. No presente estudo, o material foi seco e triturado, sendo então utilizado como aditivo em pó. As curvas TG/DTA da lama vermelha são apresentadas na Figura 1 e foram conduzidas para definir temperaturas de calcinação adequadas.

Teor (%)

Temperatura de calcinação

---

450 ºC

650 ºC

1000 ºC

Al2O3

27.3

30.1

30.4

30.8

Fe2O3

27.3

22.7

22.0

21.5

Na2O

10.1

11.5

11.6

12.1

CaO

6.33

5.54

5.6

5.4

SiO2

19.7

21.2

21.8

21.2

K2O

2.57

2.44

2.56

2.6

MnO

0.29

0.51

0.48

0.48

TiO2

3.65

3.33

3.28

3.17

MgO

0.47

0.53

0.21

0.54

Others

2.29

2.16

2.08

2.21

CONCLUSÕES

A lama vermelha parece ser mais ativa se pré-calcinada em temperaturas entre 450 e 650°C. Este tratamento altera a composição de fases do material, principalmente por promover a eliminação de fases hidratadas. A temperatura de hidratação aumenta com a adição de RM, principalmente se calcinado no mesmo intervalo (450-650ºC). Nesta condição, o processo de hidratação é acelerado.

REFERÊNCIAS

[1] Information on http://www.ibram.org.br/sites/1300/1382/00000033.pdf

[2] Information on http://www.roskill.co.uk/index.html.

[3] J. Pera, R. Boumaza and J. Ambroise. Cem. Concr. Res., 1997, 27(10), 1513-1522.

[4] P.K. Mehta and P.J.M. Monteiro: Concreto: estrutura, propriedades e materiais (PINI, São Paulo, Brasil, 1994).

[5] A.V. Usherov-marshak, P.V. Krivenko, and L.A. Pershina. Cem. Concr. Res., 1998, 28(9), 1289–1296.

[6] L. Moyd. Petrology of the nepheline and corundum rocks of southeastern Ontario. 741-742, 1959. Available in: <www.minsocam.org/ammin/AM34/AM34_736.pdf>. Access in December, 8th, 2010.

[7] G. J. Verbeck and C.W. Foster. Long-Time Study of Cement Performance in Concrete: Chapter 6 - The Heats of Hydration of the Cements. Proceedings - American Society for Testing and Materials, 1950, 50, 1235-1262.

Tabela 1. Composição química.

Figure 2. Difração de Raio-X

Temperatura de Hidratação

Em geral, a evolução da temperatura na hidratação apresenta um valor máximo que é atingido em diferentes momentos e tem intensidade (altura) variável, de acordo com a reatividade da mistura. A presença deste pico pode estar relacionada com a formação das fases etringita, Ca(OH)2 e C-S-H, e representam o processo de pega [4, 7]. A Figura 3 mostra os resultados calorimétricos e o efeito da lama vermelha adicionada. O calor liberado imediatamente após a mistura aumenta mais rapidamente quando maior quantidade de lama vermelha é adicionada. O aumento mais rápido da temperatura é devido à redução da solubilidade dos aluminatos em soluções contendo sulfato [6]. Como esse efeito é mais forte quando se utiliza lama vermelha calcinada a 450 e 650ºC, isso provavelmente significa que os aluminatos estão mais disponíveis na lama tratada nessas condições.

Figura 3. Evolução da temperatura

Figura 1. Curvas TG/DTA da lama vermelha

A calcinação a 450ºC decompõe alguns compostos hidratados, com a destruição dos grupos OH- presentes no Al(OH)3 e FeO(OH). Portanto, esses compostos não são mais detectados. A evolução de 450 a 650°C é pequena, conforme indicado pelas curvas DTA/TG. A calcinação a 1000°C tende a limpar o espectro de DRX do material. Poucas fases permanecem estáveis ​​(óxido de ferro e Na5Al3CSi3O15) enquanto novas são formadas (nefelina) a partir da combinação de reativas existentes. A nefelina tem a fórmula K0.48Na3.48(AlSiO4)4 e pode resultar da combinação de quartzo, muscovita e alumina. A formação de nefelina é relatada por outros autores [5, 6]. A crescente cristalinidade do material, denotada pela nitidez dos picos, pode reduzir sua reatividade química (Figura 2). As mudanças na composição química são fornecidas se a Tabela 1. A calcinação a 450ºC decompõe alguns compostos hidratados, com a destruição dos grupos OH- presentes no Al(OH)3 e FeO(OH). Portanto, esses compostos não são mais detectados. A evolução de 450 a 650°C é pequena, conforme indicado pelas curvas DTA/TG. A calcinação a 1000°C tende a limpar o espectro de DRX do material.

Apoio:

UFPB

UMINHO

BRASÃO DA INSTITUIÇÃO DO APRESENTADOR