AVALIAÇÃO DA RIQUEZA DE ANUROS EM ÁREAS DE VÁRZEA NO PARQUE NACIONAL MONTANHAS DO TUMUCUMAQUE
Huann Carllo Gentil Vasconcelos1, Carlos Eduardo Costa-Campos2
1,2 Universidade Federal do Amapá (UNIFAP)
1. INTRODUÇÃO
A Amazônia brasileira abriga uma das maiores diversidades de anfíbios do planeta, sendo os ambientes de várzea particularmente relevantes pela sua dinâmica hidrológica e heterogeneidade de micro-habitats (DUELLMAN, 1999). Apesar disso, ainda há lacunas significativas no conhecimento sobre a composição e distribuição de anuros em áreas sazonalmente alagáveis. O presente estudo teve como objetivo avaliar a riqueza e a composição de espécies de anuros em ambientes de várzea no Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, o maior parque de floresta tropical do mundo. O monitoramento da fauna de anfíbios nestes ambientes é fundamental não apenas para a compreensão dos padrões de biodiversidade, mas também para subsidiar ações de conservação frente às crescentes ameaças antrópicas e às mudanças climáticas (HADDAD; PRADO, 2005). A realização deste estudo justifica-se pela escassez de inventários sistemáticos na região, contribuindo para a ampliação do conhecimento taxonômico e ecológico da herpetofauna amazônica.
Tabela 1. Riqueza de anuros por campanha no Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque (2024).
2. METODOLOGIA
O estudo foi conduzido em duas áreas de várzea dentro do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, estado do Amapá, durante os períodos de cheia (maio) e seca (setembro) de 2024. Foram utilizadas armadilhas de interceptação e queda (pitfall traps) com cercas de condução e busca ativa noturna em trilhas padronizadas. A identificação das espécies foi realizada in loco por morfologia externa, com auxílio de chaves taxonômicas atualizadas (FROST, 2023). Os dados foram analisados por meio de estimativas de riqueza (Jackknife 1) e composição de espécies por período, com uso do índice de similaridade de Jaccard.
3. RESULTADO E DISCUSSÃO
O estudo foi conduzido em duas áreas de várzea dentro do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, estado do Amapá, durante os períodos de cheia (maio) e seca (setembro) de 2024. Foram utilizadas armadilhas de interceptação e queda (pitfall traps) com cercas de condução e busca ativa noturna em trilhas padronizadas. A identificação das espécies foi realizada in loco por morfologia externa, com auxílio de chaves taxonômicas atualizadas (FROST, 2023). Os dados foram analisados por meio de estimativas de riqueza (Jackknife 1) e composição de espécies por período, com uso do índice de similaridade de Jaccard.
Família | Seca (setembro) | Cheia (maio) | Total |
Hylidae | 8 | 9 | 10 |
Leptodactylidae | 3 | 4 | 4 |
Bufonidae | 2 | 2 | 2 |
Microhylidae | 1 | 1 | 1 |
Centrolenidae | 1 | 0 | 1 |
Dendrobatidae | 1 | 2 | 2 |
Houve variação sazonal na composição de espécies, com 6 espécies registradas exclusivamente na cheia e 4 na seca. Esse padrão está associado às diferenças nos micro-habitats e na disponibilidade de locais de reprodução, comuns em ambientes alagáveis. Estudos anteriores (TOFT, 1980) também apontam a influência dos regimes hidrológicos sobre a estrutura das comunidades de anuros. A presença de espécies sensíveis como Osteocephalus oophagus sugere boa qualidade ambiental nas áreas amostradas.
Fonte: Dados da pesquisa (2024).
4. CONCLUSÕES
A área de várzea do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque apresentou elevada riqueza de anuros e variação significativa na composição de espécies entre os períodos hidrológicos. Os resultados reforçam a importância da sazonalidade para a dinâmica dessas comunidades e destacam a relevância de monitoramentos contínuos. Limitações incluem o número reduzido de campanhas e dificuldades de acesso em áreas alagadas. Sugere-se a ampliação do esforço amostral e a inclusão de métodos acústicos nos próximos levantamentos.
5. REFERÊNCIAS
DUELLMAN, W. E. Patterns of Distribution of Amphibians: A Global Perspective. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 1999.
FROST, D. R. Amphibian Species of the World: an Online Reference. Version 6.2, 2023. Disponível em: https://amphibiansoftheworld.amnh.org
HADDAD, C. F. B.; PRADO, C. P. A. Reproductive modes in frogs and their unexpected diversity in the Atlantic Forest of Brazil. BioScience, v. 55, n. 3, p. 207–217, 2005.
TOFT, C. A. Seasonal variation in populations of Panamanian litter frogs and their reproductive modes. Revista de Biología Tropical, v. 28, p. 229–241, 1980.