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Conflitos recentes no continente africano

A situação em alguns países africanos

Prof. Alcides Manzoni Neto – outubro de 2008

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Um continente retalhado e em chamas...

  • Segundo um relatório divulgado por Organizações Não-Governamentais este ano, os conflitos armados custaram à África US$ 300 bilhões (R$ 539, 5 bilhões) nos últimos 15 anos – o equivalente a toda a ajuda recebida pelo continente no mesmo período. Este estudo, realizado pelas ONGs Oxfam, Iansa e Saferworld, é o primeiro a calcular o impacto geral da violência armada sobre o desenvolvimento da África.
  • Entre 1990 e 2005, 23 países africanos estavam envolvidos em conflitos e, em média, isto custou às economias desses países US$ 18 bilhões (R$ 32,3 bilhões) por ano, disse o estudo. Como regra geral, um conflito armado reduz em 15% a economia de um país africano.
  • "Este é um dinheiro que a África não se pode dar ao luxo de perder", disse na introdução do estudo, a presidente da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf.
  • "As quantias são chocantes: o preço que a África está pagando poderia cobrir os custos de resolver problemas como a crise de disseminação do vírus HIV e da Aids, prover educação, água tratada e prevenção e tratamento de tuberculose e malária", afirmou Johnson-Sirleaf.
  • Cerca de 95% dos rifles usados em conflitos na África são Kalashnikov --como o AK-47-- fabricados fora do continente, segundo estimativas do relatório.

Fonte: Folha de São Paulo, 11 de outubro de 2007

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O caso do conflito em Ruanda, suas relações com os países vizinhos e os desdobramentos

atuais

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Rwanda – Localização Geográfica

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“Para se entender o legado de um crime é preciso ter dele uma memória detalhada...”

  • Pela primeira vez na sua história, as Nações Unidas decidiram que era necessário utilizar a palavra “genocídio” para descrever o que estava acontecendo em um pequeno país africano...

  • Ruanda era, antes de maio de 1994, o país mais densamente povoado da África...

  • “Na média nacional, os tutsis chegavam a pouco menos de 15% da população de Ruanda, mas na província de Kibuye a relação entre hutus e tutsis era mais ou menos meio a meio. Em 6 de abril de 1994, cerca de 250 mil tutsis viviam em Kibuye, e um mês depois mais de 200 mil deles haviam sido assassinados”;

  • “Pegue a estimativa mais acurada: 800 mil mortos em cem dias. Isso dá 333, 3 pessoas assassinadas por hora, ou 5,5 vidas exterminadas por minuto. Considere também que a maior parte dessa matança ocorreu de fato nas primeiras três ou quatro semanas, e acrescente à taxa de mortos as legiões não computadas de mutilados que não morreram em decorrência de seus ferimentos, bem como a contínua e sistemática violação de mulheres tutsis (...)”

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As ações da comunidade internacional e a situação dos campos de refugiados

  • Nações Unidas: pouco reagiam durante o massacre. Diziam que não podiam agir, apenas em caso de legítima defesa...
  • Estados Unidos: redigiram um documento apontando as razões para evita participar de missões humanitárias da ONU. A embaixadora dos EUA era contra, inclusive, deixar em Ruanda 270 tropas de soldados da ONU... Após reivindicar o controle da missão, os americanos se dispuseram a cobrar “apenas” 15 milhões de dólares para emprestar 50 carros blindados à União Africana, que forneceria soldados à Ruanda;
  • França; não aceitava o argumento de que se tratava de um massacre de tutsis por hutus. Afirmava que se tratava de uma questão tribal... Mas enviou uma expedição militar a Ruanda como missão “humanitária”, criando a Opération Turquoise; No Zaire (hoje RDC), desembarcaram com uma frota de vinte aviões militares e uma impressionante força de artilharia e blindados. “Detalhe” importante: até o genocídio de 1994, a França enviou grande carregamentos de armas a Ruanda e no começo dos anos 1990 auxiliaram o exército ruandês...

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  • 28 de abril de 1994: 250 mil hutus fugiram do avanço da Frente Patriótica Ruandesa (o exército rebelde tutsi) em direção a Tanzânia. Foi a maior e mais rápida fuga em massa através de uma fronteira internacional na história moderna... A FPR lutou contra um exército duas vezes maior...

  • Como a FPR avançava rapidamente pelo país, mais de 1 milhão de hutus fugiram em direção ao oeste do país, próximo a fronteira com a RDC e Burundi;

  • Atualmente há uma guerrilha hutu no sul da República Democrática do Congo com o objetivo de criar a “Hutulândia”. Essa milícia controla uma expressiva área na RDC e frequentemente tem havido inserções no território ruandês.

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A Somália não tem governo central desde 1991, quando milícias ligadas a clãs derrubaram o ditador Siad Barre. Exceto por seis meses em 2006 – quando uma milícia islâmica ocupou a capital Mogadíscio e conseguiu se manter no poder, antes da invasão etíope apoiada pelos EUA –, o país vive mergulhado na anarquia. Além das milhares de mortes, dos refugiados e da destruição da infra-estrutura do país, veio a alta global no preço dos alimentos, que ajudou a levar o país para o topo da lista dos mais falidos economicamente.

Hoje, mais de 2,6 milhões dos 8 milhões de somalis dependem de doações de alimentos para sobreviver. Segundo a ONU, até o fim do ano, esse número pode subir para 3,5 milhões de pessoas.

Fonte: O Estado de São Paulo, 27 de julho de 2008

Confrontos atuais na Somália

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Localização da Somália

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Em Junho de 2006, a União dos Tribunais Islâmicos, financiada pelos comerciantes de Mogadíscio fartos dos abusos dos senhores da guerra, rechaçou estes últimos e tomou a capital, tendo os islamitas conseguido impor ordem num país onde havia quase quinze anos imperava o caos.

  Os Estados Unidos, depois de terem dado mostras de estreiteza na sua “luta contra o terrorismo” apostando nos chefes de guerra, não aceitaram esta nova ordem, tanto mais que os referidos Tribunais eram acusados de receber ajuda iraniana. O Pentágono, por conseguinte, impeliu a Etiópia cristã, beneficiária desde 2002 de um programa norte-americano de assistência militar, a lançar uma ofensiva, pondo à sua disposição meios de reconhecimento aéreo e de escuta facultados por satélites.

A campanha dos etíopes foi fulminante. Em oito dias, as regiões controladas pelos Tribunais Islâmicos foram ocupadas, Mogadíscio foi ocupada em 28 de Setembro de 2006, e cerca de vinte mil soldados etíopes ocuparam a Somália.

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  • Muitos analistas, sobretudo “porta-vozes” dos Estados Unidos, dizem que islâmicos do grupo Al Shabab estão por trás dos ataques, que parecem ser uma demonstração de força buscando atacar as tropas somalis e etíopes com o objetivo de conquistar território. Em 2007, Washington colocou o Al Shabab na lista dos grupos TERRORISTAS.

  • Estima-se que cerca de 6.500 pessoas foram mortas no ano passado por causa dos confrontos somente na capital, enquanto 1,5 milhão tiveram de deixar suas casas.

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O Conflito em Darfur - Sudão

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  • Os confrontos em Darfur, no Sudão, começaram em 2003, quando rebeldes negros atacaram alvos do governo nacional exigindo mais autonomia para a região e o fim da discriminação em favor dos árabes. O governo e as milícias árabes janjaweed reagiram com ataques em série, deixando mais de 300 mil mortos e 2,5 milhões de refugiados nos últimos cinco anos, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas).
  • Grupos de defesa dos direitos humanos e o Congresso dos Estados Unidos já classificaram a situação de Darfur de GENOCÍDIO.
  • Em maio de 2006, alguns rebeldes assinaram um acordo de paz com o governo. O acordo, porém, acabou rejeitado pela maioria dos insurgentes – que integram mais de dez grupos.
  • Naquela ocasião, o principal grupo a assinar o documento foi o Movimento de Libertação do Sudão (SLM, na sigla em inglês), então chefiado por Minni Minnawi, que, recentemente, seqüestrou um avião com 95 pessoas.
  • De acordo com a agência de notícias Reuters, o SLM passou a participar do governo nacional alguns meses atrás, mas Minnawi tem se distanciado de Cartum.

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  • Se não bastasse o acirramento dos conflitos dentro do próprio Sudão, o governo desse país vive há cinco anos fortes desavenças com o seu vizinho, o Chade. Recentemente, os dois países estabeleceram um acordo em que os líderes concordam em "inibir todas as atividades de grupos armados e prevenir o uso de nossos respectivos territórios para a desestabilização do outro".

Como tem sido realizada a ajuda internacional a região de Darfur?

Desde 2004, a União Africana mantém 7 mil soldados na Região (número insignificante)

A ONU prometeu, no começo desse ano, o envio

de até 26 mil soldados... (Lembrando que na

Guerra da Iugoslávia, em 1992, a OTAN mobilizou

cerca de 600 mil soldados...)

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QUANDO O PETRÓLEO FALA MAIS ALTO...

A China, que detém a presidência de turno do Conselho de Segurança na ONU, é o

país que mais pressionou pelo envio da missão de paz. Mais de 60% do petróleo sudanês

é comprado pela China, a grande responsável pela aprovação da Unamid, uma missão

híbrida (militar e civil).

O governo chinês tem ajudado o Sudão com o treinamento de pilotos para os caças

chineses A5 Fantan e com a venda de armamentos. Ressalta-se, entretanto, que a ONU

impôs um embargo de armas ao Sudão, segundo o qual os governos estrangeiros não

devem ajudar militarmente nenhum dos

grupos envolvidos no conflito.