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As parábolas de Jesus�contêm uma EXIGÊNCIA ÉTICA�

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Entre outras possibilidades, �apresentam-se aqui 3 parábolas:

O bom samaritano

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O rico e o pobre Lázaro

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O juízo final

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Todas estas parábolas apresentam um convite à responsabilidade para com a sorte do ‘outro’, evidenciam uma atenção e compreensão para com o necessitado, o pobre, o sofredor.

Fazem o mesmo apelo inscrito na pergunta de Deus a Caim após o assassínio de Abel:

«ONDE ESTÁ O TEU IRMÃO?» (Gen 4,9s)

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Parábola do bom samaritano (Luc. 10, 25-37)

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Levantou-se, então, um doutor da Lei e perguntou-lhe, para o experimentar: «Mestre, que hei-de fazer para possuir a vida eterna?». Disse-lhe Jesus: «Que está escrito na Lei? Como lês?». O outro respondeu: «Amarás ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e com todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.» Disse-lhe Jesus: «Respondeste bem; faz isso e viverás.». Mas ele, querendo justificar a pergunta feita, disse a Jesus: «E quem é o meu próximo?». Tomando a palavra, Jesus respondeu: «Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos dos salteadores que, depois de o despojarem e encherem de pancadas, o abandonaram, deixando-o meio morto. Por coincidência, descia por aquele caminho um sacerdote que, ao vê-lo, passou ao largo. Do mesmo modo, também um levita passou por aquele lugar e, ao vê-lo, passou adiante. Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou ao pé dele e, vendo-o, encheu-se de compaixão. Aproximou-se, ligou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho, colocou-o sobre a sua própria montada, levou-o para uma estalagem e cuidou dele. No dia seguinte, tirando dois denários, deu-os ao estalajadeiro, dizendo: 'Trata bem dele e, o que gastares a mais, pagar-to-ei quando voltar.' Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores?». Respondeu: «O que usou de misericórdia para com ele.» Jesus retorquiu: «Vai e faz tu também o mesmo.»

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Parábola do rico e do pobre Lázaro (Luc. 16, 19-31)

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«Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino e fazia todos os dias esplêndidos banquetes. Um pobre, chamado Lázaro, jazia ao seu portão, coberto de chagas. Bem desejava ele saciar-se com o que caía da mesa do rico; mas eram os cães que vinham lamber-lhe as chagas. Ora, o pobre morreu e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. Na morada dos mortos, achando-se em tormentos, ergueu os olhos e viu, de longe, Abraão e também Lázaro no seu seio. Então, ergueu a voz e disse: 'Pai Abraão, tem misericórdia de mim e envia Lázaro para molhar em água a ponta de um dedo e refrescar-me a língua, porque estou atormentado nestas chamas.' Abraão respondeu-lhe: 'Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em vida, enquanto Lázaro recebeu somente males. Agora, ele é consolado, enquanto tu és atormentado. Além disso, entre nós e vós há um grande abismo, de modo que, se alguém pretendesse passar daqui para junto de vós, não poderia fazê-lo, nem tão-pouco vir daí para junto de nós.'O rico insistiu: 'Peço-te, pai Abraão, que envies Lázaro à casa do meu pai, pois tenho cinco irmãos; que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de tormento.' Disse-lhe Abraão: 'Têm Moisés e os Profetas; que os oiçam!' Replicou-lhe ele: 'Não, pai Abraão; se algum dos mortos for ter com eles, hão-de arrepender-se.' Abraão respondeu-lhe: 'Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, tão-pouco se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dentre os mortos.'»

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Parábola do Juízo Final (Mt. 25, 31-46)

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«Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os seus anjos, há-de sentar-se no seu trono de glória. Perante Ele, vão reunir-se todos os povos e Ele separará as pessoas umas das outras, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. À sua direita porá as ovelhas e à sua esquerda, os cabritos.O Rei dirá, então, aos da sua direita: 'Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo.'Então, os justos vão responder-lhe: 'Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos peregrino e te recolhemos, ou nu e te vestimos? E quando te vimos doente ou na prisão, e fomos visitar-te?' E o Rei vai dizer-lhes, em resposta: 'Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes.’ Em seguida dirá aos da esquerda: 'Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que está preparado para o diabo e para os seus anjos! Porque tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber, era peregrino e não me recolhestes, estava nu e não me vestistes, doente e na prisão e não fostes visitar-me.' Por sua vez, eles perguntarão: 'Quando foi que te vimos com fome, ou com sede, ou peregrino, ou nu, ou doente, ou na prisão, e não te socorremos?' Ele responderá, então: 'Em verdade vos digo: Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer.' Estes irão para o suplício eterno, e os justos, para a vida eterna.»�

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Desde já, uma primeira conclusão:

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O outro, o próximo, o necessitado, há-de ser visto como um irmão e uma figuração do próprio Deus.

De facto, todo o ser humano é «imagem e semelhança de Deus» (Gen. 1,27) e, quanto à prática do bem, «sempre que o fizeste a um dos pequeninos, foi a Mim que o fizeste» (Mt. 25,40).

Aliás, como diz S.João, «quem diz que ama a Deus e não ama o seu irmão é mentiroso» (I Jo.4,20)

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De facto, como «a fé sem obras está morta» (Tg.2,17), há que compreender o anúncio salvífico da Boa Nova como o de uma ‘salvação integral do homem’.

Hoje em dia, a Igreja usa muito a palavra ‘libertação’ para evocar este tema, já que parece mais dinâmica, abrangente e profunda que algumas outras, mas a preocupação com esta dimensão da missão sempre foi vivida pela Igreja e foi apelidada de caridade, promoção humana, assistência, desenvolvimento, justiça e paz, solidariedade, etc.

E tudo isto se encontra condensado na

DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA

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Poderíamos dizer que a DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA começa com a encíclica RERUM NOVARUM, do Papa LEÃO XIII (1891), mas as PREOCUPAÇÕES HUMANISTAS E HUMANITÁRIAS VÊM JÁ DA BÍBLIA E DOS PRIMEIROS TEMPOS DO CRISTIANISMO.

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Vejamos, a título de exemplo, alguma da perspectiva bíblica, as afirmações de alguns Padres da Igreja (pensadores cristãos dos primeiros séculos) e, depois, de alguns documentos recentes do Magistério da Igreja.

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Alguma da perspectiva bíblica

  • O desejo do paraíso para a humanidade e o justo descanso nos relatos da Criação (Gen.1-2)
  • A responsabilidade pela sorte do irmão (Caim e Abel – Gen.4)
  • A defesa do pluralismo e liberdade contra o totalitarismo uniformista (Torre de Babel – Gen.11)
  • A defesa da vida com Abraão e Isaac (Gen.22)
  • Os profetas: crítica social e defesa da justiça
  • Jesus Cristo e o colocar da pessoa humana acima de tudo

… etc, etc

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Lembrando alguns Padres da Igreja�sobre a esmola ou o socorro ao necessitado

S. Clemente Romano, Papa, no final do primeiro século, já lembrava que muitos cristãos se vendiam como escravos e com o preço da sua liberdade alimentaram a outros (casos de S. Pedro Colector ou São Serapião). Para alguns Padres da Igreja, a comunicação de bens cristã tem uma medida clara: qualquer supérfluo que tenhamos pertence aos necessitados! São Basílio, assim como S. João Crisóstomo e outros, pensavam e afirmavam que o pão que há na dispensa do rico, na realidade, pertence ao que tem fome, e a roupa que está guardada no seu armário pertence a quem dela necessita… S. Ambrósio iria mais longe, lembrando que quando se dá uma esmola a um necessitado apenas se está devolvendo uma parte do que lhe pertence! S.Agostinho, bem perspicaz, apercebeu-se que mais do que dar de comer a quem tem fome, o importante seria não haver o esfomeado e a necessidade da dádiva. Todo este afã de preocupação com o outro, o necessitado, toda esta atitude de partilha caridosa está bem patente naquilo que o insuspeito apóstata Imperador Juliano dizia dos cristãos, em meados do secúlo IV: que cuidavam respeitosamente dos mortos e não se contentavam em alimentar os seus pobres mas também davam de comer a todos os outros pobres (que estavam privados de qualquer ajuda).

De toda esta tradição se faz eco J.Paulo II, na SRS 31 (onde se citam outros nomes importantes da patrística): «Assim, faz parte do ensinamento e da prática mais antiga da Igreja a convicção de estar obrigada, por vocação – ela própria, os seus ministros e cada um dos seus membros – a aliviar a miséria dos que sofrem, próximos e distantes, não só com o ‘supérfluo’, mas também com o ‘necessário’. Nos casos de necessidade, não se podem preferir os ornamentos supérfluos das igrejas e os objectos de culto divino preciosos; ao contrário, poderia ser obrigatório alienar estes bens para dar de comer, de beber, de vestir e casa a quem disso está carecido».

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Algumas referências recentes de textos do Magistério

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Gaudium et Spes (Concílio Vaticano II)

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  • «Deus destinou a terra e tudo o que ela contém para o uso de todos os homens e povos»(GS 69)
  • «Para satisfazer as exigências da justiça e da equidade (…) que se eliminem as grandes e crescentes desigualdades económicas (GS 66)
  • Esta tarefa não se pode deixar «ao livre arbítrio de alguns poucos indivíduos ou grupos economicamente mais fortes (…) ou de algumas nações mais poderosas» (GS 65)

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-«A Igreja tem de escutar as vozes de milhões de filhos... empenhados com todas as suas forças na luta para superar tudo aquilo que os condena a ficar à margem da vida: fomes, doenças crónicas, analfabetismo, pobreza, injustiça nas relações internacionais, e especialmente nos intercâmbios comerciais, situações de neocolonialismo económico e cultural, por vezes tão cruel com o político... Tudo isso não é estranho à evangelização» (EN 30).

-Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial da Paz (1 Jan 2015): «Já não escravos, mas irmãos». Ali se denunciam as escravaturas actuais: trabalho escravo, migração ilegal e clandestina, abusos sexuais (mesmo a menores), tráfico e comercialização de órgãos humanos, raptados para a vida militar ou grupos terroristas, venda de seres humanos. «Nesta perspectiva, desejo convidar cada um, segundo a respectiva missão e responsabilidades particulares, a realizar gestos de fraternidade a bem de quantos são mantidos em estado de servidão».

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Papa Francisco, Evangelii Gaudium nº53

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«Assim como o mandamento ‘não matar’ põe um limite claro para assegurar o valor da vida humana, assim também hoje devemos dizer ‘não a uma economia da exclusão e da desigualdade social’. Esta economia mata. Não é possível que a morte por enregelamento dum idoso sem abrigo não seja notícia, enquanto o é a descida de dois pontos na Bolsa. Isto é exclusão. Não se pode tolerar mais o facto de se lançar comida no lixo, quando há pessoas que passam fome. Isto é desigualdade social».

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Afirmações importantes do Papa Francisco na Laudato Si

UM OLHAR PREOCUPADO SOBRE A CRIAÇÃO E UMA DENÚNCIA

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  • Poluição, resíduos perigosos, cultura do descartável (LS 20-26)
  • Água: os recursos são limitados e os pobres são os que mais sofrem (morte, doenças) com a falta de água ou a sua pouca qualidade (LS 27-31)
  • Perda da biodiversidade: florestas que desaparecem, espécies animais que se extinguem (LS 32-42)
  • Deterioração da qualidade de vida humana e degradação social: crescimento desmedido e descontrolado de muitas cidades, exclusão social, desigualdade no fornecimento e consumo de energia, aumento de violência, agressividade social, narcotráfico, perda de identidade (LS 44-46)
  • Desigualdade planetária: « Tanto a experiência comum da vida quotidiana como a investigação científica demonstram que os efeitos mais graves de todas as agressões ambientais recaem sobre as pessoas mais pobres» (LS 48)

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  • «Estas situações provocam os gemidos da irmã Terra, que se unem aos gemidos dos abandonados do mundo, com um lamento que reclama de nós outro rumo. Nunca maltratámos e ferimos a nossa casa comum como nos últimos dois séculos. Mas somos chamados a tornar-nos os instrumentos de Deus Pai para que o nosso planeta seja o que Ele sonhou ao criá-lo e corresponda ao seu projecto de paz, beleza e plenitude» (LS 53)
  • «Preocupa a fraqueza da reacção política internacional. A submissão da política à tecnologia e à finança demonstra-se na falência das cimeiras mundiais sobre o meio ambiente. Há demasiados interesses particulares e, com muita facilidade, o interesse económico chega a prevalecer sobre o bem comum e manipular a informação para não ver afectados os seus projectos» (LS 54)

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O SER HUMANO NO CENTRO DA CRIAÇÃO�E O DESTINO COMUM DOS BENS

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«Hoje, crentes e não-crentes estão de acordo que a terra é, essencialmente, uma herança comum, cujos frutos devem beneficiar a todos. Para os crentes, isto torna-se uma questão de fidelidade ao Criador, porque Deus criou o mundo para todos. Por conseguinte, toda a abordagem ecológica deve integrar uma perspectiva social que tenha em conta os direitos fundamentais dos mais desfavorecidos. O princípio da subordinação da propriedade privada ao destino universal dos bens e, consequentemente, o direito universal ao seu uso é uma ‘regra de ouro’ do comportamento social e o ‘primeiro princípio de toda a ordem ético-social’(…) J.Paulo II lembrou esta doutrina, com grande ênfase, dizendo que Deus deu a terra a todo o género humano, para que ela sustente todos os seus membros, sem excluir nem privilegiar ninguém» (LS 93)