ANÁLISE DE CONJUNTURA À LUZ DO MATERIALISMO HISTÓRICO DIALÉTICO
João Carvalho
Do “triunfo da Razão” ao Socialismo Utópico
Do “triunfo da Razão” ao Socialismo Utópico
Do “triunfo da Razão” ao Socialismo Utópico
Do “triunfo da Razão” ao Socialismo Utópico
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O Materialismo Dialético e Histórico: O Socialismo como “Ciência”
O materialismo dialético é a concepção filosófica do Partido marxista-leninista. Chama-se materialismo dialético, porque o seu modo de abordar os fenômenos da natureza, seu método de estudar esses fenômenos e de concebê-los, é dialético, e sua interpretação dos fenômenos da natureza, seu modo de focalizá-los, sua teoria, é materialista.
O materialismo histórico é a aplicação dos princípios do materialismo dialético ao estudo da vida social, aos fenômenos da vida da sociedade, ao estudo desta e de sua história.
Caracterizando seu método dialético, Marx e Engels se referem com frequência a Hegel como o filósofo que formulou os princípios fundamentais da dialética. Mas isso não quer dizer que a dialética de Marx e Engels seja idêntica à dialética hegeliana. Na realidade, Marx e Engels só tomaram da dialética de Hegel sua "medula racional", abandonando o invólucro idealista hegeliano e desenvolvendo a dialética, para dar-lhe uma forma científica atual.
"Meu método dialético — diz Marx — não só é fundamentalmente diverso do método de Hegel, mas é, em tudo e por tudo, o seu reverso. Para Hegel o processo do pensamento que ele converte inclusive em sujeito com vida própria, sob o nome de idéia, é o demiurgo (criador) do real e este, a simples forma externa em que toma corpo. Para mim, o ideal, ao contrário, não é mais do que o material, traduzido e transposto para a cabeça do homem". (Karl Marx, palavras finais da 2.ª edição do t. I do "O Capital").
O Materialismo Dialético e Histórico: O Socialismo como “Ciência”
Na caracterização de seu materialismo, Marx e Engels se referem com frequência a Feuerbach, como o filósofa que restaurou os direitos do materialismo. Mas isso não quer dizer que o materialismo de Marx e Engels seja idêntico ao materialismo de Feuerbach. Na realidade, Marx e Engels só tomaram do materialismo de Feuerbach sua "medula", desenvolvendo-a até convertê-la na teoria científico-filosófica do materialismo, e desprezando sua escória idealista e ético-religiosa. É sabido que Feuerbach, que era no fundamental um materialista, se rebelava contra a nome de materialismo. Engels declarou mais de uma vez que
"apesar da base materialista, Feuerbach não chegou a desprender-se dos vínculos idealistas tradicionais", e que "onde o verdadeiro idealismo de Feuerbach se põe em evidência, é em sua filosofia da religião e em sua ética". (F. Engels, "Ludwig Feuerbach", em Karl Marx, Obras Escolhidas, ed. Europa-América, t. I, págs. 414-417).
O Materialismo Dialético e Histórico: O Socialismo como “Ciência”
A palavra dialética vem do grego dialegos, que quer dizer diálogo ou polêmica. Os antigos entendiam por dialética a arte de descobrir a verdade evidenciando as contradições implícitas na argumentação do adversário e superando essas contradições. Alguns filósofos da antiguidade entendiam que o descobrimento das contradições no processo discursivo e o choque das opiniões contrapostas era o melhor meio para encontrar a verdade. Esse método dialético de pensamento, que mais tarde se fez extensivo aos fenômenos naturais, converteu-se no método dialético de conhecimento da natureza, consistente em considerar os fenômenos naturais como sujeitos a perpétuo movimento e transformação e o desenvolvimento da natureza como o resultado do desenvolvimento das contradições existentes nesta última, como o resultado da ação mútua das forças contraditórias no seio da natureza.
A dialética é, fundamentalmente, o contrário da metafísica.
Características Principais do Método Dialético Marxista
Características Principais do Método Dialético Marxista
c) Em oposição à metafísica, a dialética não estuda o processo de desenvolvimento dos fenômenos como um simples processo de crescimento, em que as mudanças quantitativas não se traduzem em mudanças qualitativas, mas como um processo em que se passa das mudanças quantitativas insignificantes e ocultas às mudanças manifestas, às mudanças radicais, às mudanças qualitativas; em que estas se produzem, não de modo gradual, mas repentina e subitamente, em forma de saltos de um estado de coisas para outro, e não de um modo casual, mas de acordo com leis, como resultado da acumulação de uma série de mudanças quantitativas inadvertidas e graduais.
Características Principais do Materialismo Filosófico Marxista
Características Principais do Materialismo Filosófico Marxista
Características Principais do Materialismo Filosófico Marxista
Características Principais do Materialismo Histórico Marxista
Esse fator é, segundo o materialismo histórico, o modo de obtenção dos meios de vida necessários à existência do homem, o modo de produção dos bens materiais, do alimento, do vestuário, do calçado, da habitação, do combustível, dos instrumentos de produção, etc., necessários para que a sociedade possa viver e desenvolver-se.
Características Principais do Materialismo Histórico Marxista
Segundo seja o modo de produção existente numa sociedade, assim é também, fundamentalmente, esta mesma sociedade e assim são suas idéias, suas teorias, suas concepções e instituições políticas.
Ou, em termos mais vulgares, segundo vive o homem, assim pensa.
Características Principais do Materialismo Histórico Marxista
c) — A segunda característica da produção consiste em que suas mudanças e seu desenvolvimento começam sempre, tendo como ponto de partida, as mudanças e o desenvolvimento das forças produtivas, e, antes de tudo, das que afetam os instrumentos de produção. As forças produtivas constituem, portanto, o elemento mais dinâmico e mais revolucionário da produção. A princípio, mudam e se desenvolvem as forças produtivas da sociedade, e logo depois, sujeitas a essas mudanças e de acordo com elas, mudam as relações de produção entre os homens, suas relações econômicas. Entretanto, isto não quer dizer que as relações de produção não influam sobre o desenvolvimento das forças produtivas e que estas não dependam daquelas. As relações de produção, ainda que seu desenvolvimento dependa do das forças produtivas, atuam por sua vez sobre o desenvolvimento destas acelerando-o ou. amortecendo-o. A esse respeito, convém advertir que as relações de produção não podem ficar, por um tempo demasiado longo, atrasadas em relação às forças produtivas quando estas crescem, nem se achar em contradição com elas, uma vez que as forças produtivas só podem desenvolver-se plenamente quando as relações de produção estão em harmonia com elas por seu caráter e seu estado de progresso e deixam margem para o seu desenvolvimento. Por isso, por mais atrasadas que fiquem as relações de produção em relação ao desenvolvimento das forças produtivas, têm necessariamente que se pôr e se põem realmente — mais tarde ou mais cedo — em harmonia com o nível do desenvolvimento das forças produtivas, e com o caráter destas. Noutro caso, nos encontraríamos ante uma ruptura radical da unidade entre as forças produtivas e as relações de produção dentro do sistema dessas últimas, com um desconjuntamento da produção em bloco, com uma crise de produção, com a derrocada das forças produtivas.
Características Principais do Materialismo Histórico Marxista
Em primeiro lugar, porque os homens não são livres para escolher tal ou qual modo de produção, pois cada nova geração, ao entrar na vida, encontra já um sistema estabelecido de forças produtivas e relações de produção, como fruto do trabalho das gerações anteriores, de maneira que se quer ter a possibilidade de produzir bens materiais, não tem, nos primeiros tempos, outro remédio senão aceitar o estado de coisas vigente no campo da produção e adaptar-se a ele.
Em segundo lugar, porque, quando aperfeiçoa este ou aquele instrumento de produção, este ou aquele elemento das forças produtivas, o homem não sabe, não compreende, nem lhe ocorre sequer pensar nisso, que consequências sociais sua inovação pode acarretar, mas pensa única e exclusivamente em seu interesse pessoal, em facilitar o seu trabalho e em obter algum proveito imediato e tangível para si.
ANÁLISE DE CONJUNTURA DIALÉTICA
A análise marxista da conjuntura tem alguns pressupostos, que são, fundamentalmente, quatro:
Esses quatro elementos são inseparáveis e por isso estão presentes em toda e qualquer análise de conjuntura que se pretenda marxista.
ANÁLISE DE CONJUNTURA DIALÉTICA
O método dialético é um elemento indispensável para qualquer análise marxista da conjuntura. Obviamente que um indivíduo concreto pode utilizá-lo de forma refletida ou irrefletida. Para quem tem domínio do método e faz parte do seu modo de pensar, então é algo realizado espontaneamente, mas para quem não tem, é preciso estar atento para conseguir realizar uma análise dialética. Aqui não será possível realizar uma discussão sobre o método dialético, mas tão somente destacar sua importância e apontar quais elementos do referido método são importantes para uma análise da conjuntura.
Algumas categorias da dialética são fundamentais, pois permitem ultrapassar o imaginário (representações cotidianas ilusórias) e a ideologia. As categorias de totalidade, determinação fundamental e múltiplas determinações são fundamentais em uma análise de conjuntura, pois consegue estabelecer uma percepção de conjunto que, ao mesmo tempo, expressa o que é fundamental e os demais aspectos da realidade, sem tomar estes como o principal. A percepção da essência (determinação fundamental) é condição para a compreensão da existência (múltiplas determinações) e para evitar a mera reprodução mental da aparência (tal como faz o imaginário e as ideologias).
ANÁLISE DE CONJUNTURA DIALÉTICA
O método dialético é inseparável do materialismo histórico, da perspectiva do proletariado e da teoria do capitalismo. O materialismo histórico é uma teoria da história e da sociedade que traz a percepção de diversos aspectos da realidade, tais como os conceitos de sociedade, modo de produção capitalista, relações de produção, Estado, classes sociais, luta de classes, cultura, consciência, etc. No entanto, não se trata de conceitos separados ou separáveis. Esses conceitos, em si, apontam para uma determinada percepção da realidade, mas remetem para outros conceitos e apresentam uma explicação da realidade social. O materialismo histórico estabelece uma reflexão sobre a relação entre modo de produção e formas sociais, a compreensão das formas de consciência e seu significado na luta de classes, etc.
O materialismo histórico apresenta a primazia do modo de produção e das relações de classes que emergem a partir dele, como elemento fundamental para a compreensão da dinâmica social. Essas relações de classes são relações de exploração, luta de classes. O conceito de luta de classes é o que revela a determinação fundamental de uma sociedade e não pode estar ausente de nenhuma análise. A conjuntura fica incompreensível sem o conceito de luta de classes e de sociedade. Em termos de método dialético, a luta de classes é equivalente à determinação fundamental e a sociedade à categoria de totalidade, que reúne as múltiplas determinações num caso concreto.
A teoria do capitalismo é expressão do materialismo histórico no caso concreto da sociedade atual. O conceito de sociedade é importante e pressuposto, mas é preciso chegar a um nível maior de concreticidade e isso nos leva a uma análise da sociedade capitalista e do modo de produção capitalista que é sua determinação fundamental, constituindo as classes fundamentais, burguesia e proletariado, o que pressupõe compreender a forma específica de exploração capitalista (produção de mais-valor) e suas consequências (acumulação de capital, etc.).
ANÁLISE DE CONJUNTURA DIALÉTICA
Assim, é importante a compreensão do modo de produção capitalista, da acumulação de capital, essência e dinâmica do estado capitalista, classes sociais do capitalismo (burguesia, proletariado, burocracia, etc.), regimes de acumulação, blocos sociais, etc. O conceito de classes sociais acaba se tornando fundamental, pois é através da análise da dinâmica da luta de classes no capitalismo é que se pode superar a aparência e os equívocos analíticos. As classes sociais e os interesses vinculados a elas são elementos fundamentais para entender a dinâmica social e os processos sociais mais concretos, incluindo as subdivisões (frações de classes) e elementos derivados (blocos sociais, hegemonia, etc.), tais como as ações estatais, partidárias, movimentos sociais, etc. Assim, o conceito de classes sociais (elemento do materialismo histórico) no caso histórico e concreto do capitalismo, o que pressupõe compreender quais são as classes existentes na sociedade capitalista (em determinado momento de sua história), permite avançar na análise ao entender seus interesses, conflitos, etc. e assim ter uma percepção mais ampla do processo ao invés de se perder no mundo das aparências (que pode se limitar, por exemplo, a luta de partidos, como se isso fosse o fundamental).
Por fim, o conjunto destas categorias (da dialética) e conceitos (do materialismo histórico e da teoria do capitalismo) constituiria um amontoado de termos vazios se estiver fora da perspectiva do proletariado. A perspectiva do proletariado constitui um campo axiomático que é pressuposto de uma real compreensão da dialética, do materialismo histórico e do capitalismo. A perspectiva do proletariado constitui um conjunto de valores, sentimentos e interesses que apontam para a necessidade da transformação radical e total do conjunto das relações sociais e uma determinada relação com a verdade. A perspectiva do proletariado requer o compromisso com a verdade, pois este é um interesse do proletariado, se tornando um valor e compromisso daqueles que a adotam.
ANÁLISE DE CONJUNTURA DIALÉTICA
Melhor exemplo de análise de conjuntura com esses conceitos:
O 18 Brumário de Luís Bonaparte