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Reflexões do Poeta

Os Lusíadas, de Luís de Camões

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Reflexões do Poeta - Visão geral

Estâncias onde se expressam os conselhos e as críticas do poeta dirigidos aos Portugueses seus contemporâneos.

  • realça o valor das honras e da glória alcançadas por mérito próprio;
  • lamenta que muitos se arrastem pelo poder corrupto do dinheiro, pela cobiça, ambição e tirania.

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Reflexões do poeta - Síntese

  • faz a apologia das letras e da cultura;
  • exorta D. Sebastião a dar continuidade à obra grandiosa do povo português;
  • confessa-se cansado por não se sentir reconhecido artisticamente;
  • tece considerações sobre a fragilidade da condição humana;
  • alerta para os perigos que a todo o momento espreitam e que o homem tem de enfrentar.

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Reflexões do Poeta (Cantos e estrofes)

  • fragilidade da vida humana, face aos grandes perigos enfrentados no mar e na terra (I, 105-106)
  • desprezo a que as Artes e as Letras são frequentemente votadas pelos portugueses (V, 92-100)
  • valor das glórias e das honras, quando obtidas por mérito próprio; os modos de atingir a imortalidade, através dos valores elevados e genuínos (VI, 95-99; IX, 92-95)

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Reflexões do poeta (Cantos e estrofes)

  • mágoa causada pela ingratidão da sociedade (VII, 78-93)
  • crítica ao materialismo, que corrompe (VIII, 96-99)
  • decadência da pátria; a “austera, apagada e vil tristeza” (X, 145)
  • pedidos de inspiração, não só às Tágides, mas também a Calíope
  • dedicatórias e exortações ao Rei D. Sebastião.

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Canto I - Valentia dos Portugueses (est. -105-106)

Os Portugueses mesmo pequenos, vencem os maiores desafios Reflexão sobre a fragilidade humana ou os limites da condição humana.

Os perigos que espreitam o ser humano (o herói), tão pequeno diante das forças poderosas da natureza (tempestades, o mar, o vento...), do poder da guerra e dos traiçoeiros enganos dos inimigos.

Camões interroga-se sobre a possibilidade de um “bicho tão pequeno” encontrar um porto de abrigo sem atentar contra a ira divina. Grandes dificuldades que o homem enfrenta: – A dissimulação – Ser / Parecer – Adversidades no mar e em terra – A fragilidade e a efemeridade humanas Terrível insegurança e fragilidade Exaltação

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Canto V - Crítica ao desprezo das artes (est.92-100)

O poeta sente vergonha pelo facto da nação portuguesa não ter capitães letrados, pois quem não sabe arte também não a pode apreciar. Aqueles, apesar de serem de terra de heróis, não reconhecem o valor da arte.

Crítica aos heróis portugueses : (1) O cultivo das Letras pelos heróis da Antiguidade. (2) A rudeza dos heróis portugueses. (3) A ingratidão da pátria a quem a celebra. Por isso, só o patriotismo e o «puro gosto» motivam o poeta.

ADVERTÊNCIAS: Se a nação portuguesa prosseguir no costume da ignorância não teremos homens ilustres nem corajosos. O embrutecimento dos espíritos desmotivará futuros cantores dos feitos portugueses.

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Canto VI - Reflexão sobre a Fama e a Glória (est.95-99)

O homem será capaz de triunfar se desprezar as “honras e dinheiro” e vencer os “apetites” pelas quais a fortuna o domina, subtraindo-lhe a vontade.

Obstáculos à fama e glória (imortalidade): Viver a sombra da glória dos antepassados (vv.5-6, est.95). Os luxos e requintes supérfluos (vv.7-8, est.95). Os manjares, os passeios, os apetites (est. 96). Meios/Atos para atingi-la: A busca esforçada (vv.1-2, est.97). A disponibilidade para a guerra (v.3, est.97). As navegações árduas por regiões inóspitas, a custa de sofrimento (vv.3-8, est. 97). A vitória sobre as limitações pessoais (vv.1-4, est.98)

ADVERTÊNCIAS: Só a honra e a glória alcançadas por mérito próprio poderão ser valorizadas. A virtude e a honra como os únicos meios de aquisição da experiência e do conhecimento – Ideal Renascentista

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Canto VII - Mágoa causada pela ingratidão (est. 78-87)

O poeta queixa-se da ingratidão da sociedade. Ele, que sonhava com a coroa de louros dos poetas, vê-se votado ao esquecimento e à sorte mais mesquinha, não lhe reconhecendo, os que detêm o poder, o serviço que presta à Pátria.

Esta reflexão pretende ser uma intervenção pedagógica: o poeta canta e louva os Portugueses , embora os censure e acuse de ignorância e de desprezo pela cultura , alertando-os para os perigos resultantes do menosprezo da cultura.

Mais do que a injustiça sentida, o poeta lamenta sobretudo a indiferença e a insensibilidade daqueles que não dão valor ao reconhecimento que lhes é feito n’Os Lusíadas.

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Canto VII - Crítica ao exercício

do poder (est. 84-96)

Acesso desonesto ao poder:

– a ambição

– interesse pessoal

– a simulação

ADVERTÊNCIAS. O homem deve exercer corretamente o poder em defesa do bem comum e das leis divinas e humanas.

Mau exercício do poder: (1) roubo do povo; (2) pagamento injusto do trabalho.

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Canto VIII - Crítica ao materialismo (est.96-99)

Crítica ao materialismo e ao poder do ouro

Camões faz uma severa crítica ao poder corruptor do dinheiro e do «ouro». Vícios provocados pela ambição do ouro:

ADVERTÊNCIAS /CRÍTICAS

  • Condenação do efeito corruptor da riqueza fácil, que tanto sujeita os ricos, como os pobres - traição - corrupção - censura - tirania

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Canto IX - Aspiração à imortalidade (est.90-95)

Num tom de magistério, o poeta incita os Homens a alcançarem a verdadeira glória e a fama, que não se conseguem pela cobiça, ambição ou tirania; mas pela justiça, coragem e heroísmo desinteressado. Estas estrofes dão continuidade à reflexão do Canto VI, 95-99.

Vícios a evitar: Ócio, Cobiça, Ambição, Tirania.

Ideais a perseguir: aplicação da justiça na paz guerra justa renúncia ao poder do dinheiro desafio dos próprios limites

ADVERTÊNCIAS: O caminho da virtude como meio para alcançar a imortalidade / RECOMPENSAS MORAIS: o “verdadeiro valor”

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Canto X - Lamentações do Poeta (est.145.146)

O poeta recusa continuar a cantar por considerar que canta para “gente surda e endurecida”, ou seja, gente que não tem capacidade para apreciar a excelência do seu canto épico: “ Nô mais, Musa, nô mais, que a Lira tenho / Destemperada e a voz enrouquecida,” (vv.1-2, est.145)

“ No gosto da cobiça e na rudeza / Dua austera, apagada e vil tristeza,” (vv.7-8, est.145)

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Camões - espírito humanista

O espírito humanista de Camões não podia subestimar uma meditação sobre os valores, baseada nas suas experiências de vida e nas suas preocupações.

É assim, que, num texto de natureza épica, somos regularmente confrontados com momentos de reflexão e intervenção.

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Adelina Moura, 2017