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A regra de ouro�

Ben Dupré

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A regra de ouro

Questões introdutórias

  • Princípio ético conhecido conhecido como regra de ouro: FAÇA AOS OUTROS O QUE GOSTARIA QUE ELES FIZESSEM A VOCÊ.
  • Não usado antes do século XVIII.
  • Mas a ideia é antiga.
  • Comparece em quase todos os códigos de ética.
  • Suposta recorrência a uma de nossas intuições morais ou instintos morais fundamentais.

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A regra de ouro

  • Frequentemente associada ao Cristianismo.
  • Síntese da ética cristã no Sermão da montanha.
  • Amar os inimigos. Amor ao próximo como a si mesmo.
  • Proeminente em escritos judaicos e islâmicos.
  • Textos gregos antigos e na sabedoria oriental (ex.: Confúcio).
  • FASCÍNIO: sua absoluta generalidade.
  • Simplicidade da regra: exposição à crítica.

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A regra de ouro

Uma mão lava a outra

  • Endosso da ética da reciprocidade.
  • Encontrada em todas as sociedades humanas.
  • (cf. Marcel Mauss: antropologia do dom).
  • Entre gregos micênicos homéricos: doação e recebimento de presentes, como hospitalidade, lealdade, amizade.

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Marcel Mauss (1872-1950)

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A regra de ouro

Confúcio

  • Convidado a dar uma única palavra que servisse de guia ao longo da vida, respondeu:

Talvez a palavra reciprocidade? O que você não deseja que seja feito a si mesmo, não faça aos outros.

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Confúcio (552 a.C.-489 a.C.)

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Razões fáceis de adivinhar:

  • Lavar uma única mão, em vez de uma lavar a outra.
  • Acordo recíproco deixa as duas partes em melhor situação.
  • Há o perigo do engano: vantagem a curto prazo.
  • Construir uma ética da reciprocidade e arranjar sanções sociais contra os que não se pautam por ela: desestimular o egoísmo.
  • Ética contida na regra de ouro.

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IMPARCIALIDADE e CONSISTÊNCIA

  • A ideia que sugere que você deve dar peso igual a seus desejos ou interesses, comportar-se com parcialidade em relação a eles.
  • É mais do que a regra de ouro requer.
  • ATENÇÃO:

A regra de ouro não exige que você faça aos outros o que eles querem que seja feito, apenas que trate os outros como você quer ser tratado, então eles só serão tratados como quiserem se compartilharem seus desejos.

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  • Consistência no comportamento, não imparcialidade.
  • Exemplo: o masoquista.

A regra de ouro, por si só, não produz necessariamente conclusões morais substantivas.

  • Aspecto da consistência: achar a hipocrisia detestável.
  • Descompasso entre o que fazem e o que recomendam.
  • Exemplo: não praticar o que recomendam.
  • CONSISTÊNCIA = COERÊNCIA.

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Sacher Masoc (1836-1895)

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Ouro manchado

  • A regra de ouro não é panaceia moral.
  • Ambiguidade que permite encontrar nela o que desejam e fazer pesadas afirmações insuportáveis.
  • Mais prática que de ouro.
  • Vantagem: um antídoto útil para o tipo de miopia moral que aflige pessoas quando os próprios interesses estão em jogo.

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PENSAMENTOS

“Assim como você deseja levantar-se, ajude os outros a fazê-lo; assim como você deseja sucesso, ajude os outros a alcançá-lo.” (Confúcio, 500 a.C.).

“Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles. Esta é a lei e os profetas.” (Jesus, Sermão da montanha, 30 d.C.).

“Toda a moralidade humana está contida nestas palavras: faça os outros tão felizes quanto você mesmo gostaria de ser, e nunca os sirva de maneira inferior à que você mesmo seria servido.” (Marques de Sade, 1782).

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Marquês de Sade (1740-1814)

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DESTAQUES

  • Filósofos sobre a regra de ouro.
  • Generalidade que faz constar em quase todos os filósofos morais.
  • Intuicionismo de Samuel Clarke 🡪 regra elaborada no seu livro Princípio de equidade.

“O que quer que eu julgue sensato ou insensato que o outro faça por mim, que pelo mesmo julgamento eu declare sensato ou insensato que eu, no mesmo caso , faça por ele.”

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  • Kant: regra de ouro trivial demais para se qualificar como uma lei universal. Propõe o IMPERATIVO CATEGÓRICO:

“Aja apenas de acordo com uma máxima que você ao mesmo tempo possa desejar que se torne uma lei universal.”

  • Stuart Mill: a regra de ouro reivindicada para o utilitarismo:

“na regra de ouro de Jesus de Nazaré, lemos o completo espírito da ética da utilidade.”

  • O prescritivista R. M. Hare: “qualquer julgamento moral seja aplicado imparcialmente em todos os casos similares relevantes.”

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Samuel Clarke (1675-1729)

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Immanuel Kant (1724-1804)

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John Stuart Mill (1806-1873)

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Richard Mervyn Hare (1919-2002)

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LINHA DO TEMPO

  • 1550 a.C. – 1200 a.C.: Civilização micênica: Ética da reciprocidade.
  • 500 a.C.: Confúcio: reciprocidade e regra de ouro.
  • 30 d.C.: Sermão da montanha de Cristo.
  • 1706: Samuel Clarke: elaborou a regra de ouro em seu livro.
  • 1782: Marquês de Sade: Diálogo de um padre e um moribundo.
  • 1785: Immanuel Kant: o imperativo categórico na Metafísica dos costumes.
  • 1863: Stuart Mill: regra de ouro para o utilitarismo.
  • 1952: Richard Mervyn Hare, no livro A linguagem da moral, desenvolve a ideia da universalização.