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FECCIF25 – IV Feira Estadual de Ciência e Cultura do IFSP – Setembro / Outubro de 2025

 

Presente durante toda a história humana, a imigração afeta a sociedade em vários aspectos, social, econômico, cultural, entre outros. Os imigrantes têm um grande impacto na cidade de São Paulo, fazem parte do seu cotidiano e contribuem para a manutenção do espaço urbano. Individualmente estão sujeitos a ambientes nocivos, por isso, comunidades são construídas através de laços que surgem, em sua maioria, de um território de origem em comum. Assim, nos habituamos a conviver com pessoas de variados países em uma sociedade heterogênea. Essa pesquisa procura analisar as mudanças que ocorreram nos fluxos migratórios e traçar o perfil do imigrante presente na cidade de São Paulo. Isso será feito por meio de estudos bibliográficos, apuração dos dados disponíveis em órgãos públicos e pesquisa etnográfica com grupos de imigrantes residentes na capital paulista. Ao fim do projeto, espera-se informar-se sobre a realidade vivida pelos imigrantes e disseminar os resultados com a comunidade.

RESUMO

INTRODUÇÃO

OBJETIVOS

METODOLOGIA

Fluxos migratórios na cidade de São Paulo:

análise e perfil da migração no meio urbano

Isabela Souza Mandu,

Altair Aparecido de Oliveira Filho (orientador)

Instituto Federal de São Paulo, São Paulo, Brasil – isabela.mandu@aluno.ifsp.br

Instituto Federal de São Paulo, São Paulo, Brasil – altair.filho@ifsp.edu.br

O processo de imigração ocorre quando um indivíduo sai de seu local de origem em direção a outro território do qual não é cidadão, e este já possui uma sociedade organizada que expressa autoridade e administra o local. Os motivos que levam uma pessoa a se deslocar de seu país de origem podem ser diversos, guerras, desastres ambientais, busca por refúgio político ou condições de vida melhores. Esses indivíduos procuram se inserir em uma nova realidade, entretanto, sua integração na sociedade normalmente é de forma lenta e nem sempre se encontra um ambiente receptivo, ElHajji (2017) diz que a figura do estrangeiro, atualizada na presença do migrante, tem esse potencial subversivo de provocar no observador estranheza e estranhamento;  o que pode dificultar a criação de conexões socioculturais e econômicas. Dessa forma, a organização comunitária se torna indispensável para ascensão social e evolução dos indivíduos (ElHajji, 2017). Os resultados dessa participação tem efeitos sobre o cotidiano urbano, que é alterado quando novos agentes são inseridos dentro do contexto sociocultural e econômico da cidade. O CRAI (Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes) informou que foram realizados 11.631 atendimentos em 2024, sendo sua maioria na região do Centro e na Zona Leste. A capital paulista recebe uma parcela considerável da população imigrante, pessoas que vivem e trabalham na região contribuindo para a economia local, e impactam seu cotidiano, participando de modo ativo nos espaços em que ocupam e modificando seu entorno, a pessoa imigrante mesmo sofrendo múltiplos tipos de discriminações, têm a capacidade de trazer uma perspectiva original e singular sobre os espaços públicos existentes para o povo que carrega uma visão já solidificada da cidade.

Essa pesquisa tem como objetivo analisar as mudanças que ocorreram nos fluxos migratórios existentes desde o século XX e traçar o perfil do imigrante que está presente na cidade de São Paulo atualmente.

O processo imigratório no Brasil, passou a ocorrer de maneira sistemática, no século XIX, ainda no período monárquico e recebendo grande incentivo do Estado. Com os fluxos migratórios do Estado de São Paulo não são diferentes, em sua maioria passando a receber população de origem européia e asiática, este novo contingente teve grande protagonismo na construção econômica e cultural da região. Entre 827 e 1939 chegaram mais de 2,5 milhões de pessoas de 70 nacionalidades diferentes, sendo as principais Itália, Portugal, Espanha, Japão e Alemanha (Gomes,2012). Esses imigrantes se aglutinavam em bairros operários e nas moradias mais baratas como os cortiços, como o Brás, Pari, Bexiga, Lapa, Barra Funda e Mooca (Gomes, 2012). Utilizando o Sistema de Registro Nacional Migratório (SISMIGRA), é possível encontrar dados a partir de 2000, identificando que do ano 2000 até o ano de 2024 foram contabilizados 743.019 imigrantes que possuíam o Registro Nacional do Imigrante (RNM) no estado de São Paulo. A capital paulista recebeu 489.219 desses imigrantes, sendo 135.273 bolivianos, 33.237 chineses, 26.198 haitianos e 21.600 peruanos. O Painel de Dados de Atendimento do CRAI possui dados que correspondem aos atendimentos realizados entre agosto de 2020 e dezembro de 2024, período em que foram realizados 39.589 atendimentos, sendo em sua maioria na região do centro nos bairros do Brás, Sé e Bela Vista, e uma grande parte na região leste. Encontra-se mudanças e semelhanças nas dinâmicas migratórias que ocorreram no século XX e no século XXI, como os bairros para onde esse contingente se direciona na cidade que tradicionalmente são ocupados por imigrantes no centro da capital ou para a periferia na zona leste, mas possuindo contornos trazidos por outras nacionalidades que ocupam esses espaços. Regiões antes ocupadas por italianos, portugueses e espanhóis passou a abrigar latino-americanos como bolivianos, peruanos e paraguaios a partir do final da primeira década do século XXI (Baeninger, Demétrio, Domeniconi, 2019).

RESULTADOS E DISCUSSÕES

REFERÊNCIAS

CONCLUSÃO

É possível concluir que a cidade de São Paulo recebeu imigrantes de maneira constante desde o século XIX, contudo, o perfil desses imigrantes sofreu alterações, criando novos fluxos e ligações transnacionais, sobretudo entre países em desenvolvimento, representando um novo modelo de migração internacional em São Paulo, que constrói espaços que modificam a cultura e o comércio local, ainda que permaneçam dentro dos mesmo bairros da cidade.

BAENINGER, Rosana; DEMETRIO, Natália Belmonte; DOMENICONI, Jóice. Espaços das Migrações Transnacionais: perfil sociodemográfico de imigrantes da África para o Brasil no século XXI. REMHU: Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana, 2019.

CRAI - Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes. Painel de Atendimentos do CRAI - 2020 a 2024. São Paulo, SP Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania.

ELHAJJI, Mohammed. Migrantes, uma minoria transacional em busca de cidadania universal. Interin, 2017.

DE CASTRO GOMES, Sueli. No rastro do café chegaram nossos avós: uma revisão dos estudos sobre a imigração na República.

Observatório das Migrações em São Paulo. Banco Interativo - Imigrantes Internacionais Registrados no Brasil (com Registro Nacional Migratório - RNM). Campinas, SP: Observatório das Migrações em São Paulo - NEPO/UNICAMP. Dados para download: anual e 31/01/2025 para 2024.

IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA . Censo Brasileiro de 2022: Pessoas de 5 anos ou mais de idade que não residiam no Brasil 5 anos antes da data de referência, por sexo, segundo o país de residência 5 anos antes da data de referência. Sistema IBGE de Recuperação Automática - SIDRA. Rio de Janeiro, 2025.

Foi realizada uma pesquisa bibliográfica sobre o processo de migração que ocorreu para a cidade de São Paulo a partir do início do século XX, então utilizou-se dados disponíveis no Observatório das Migrações em São Paulo, um projeto da Universidade Estadual de Campinas que reúne dados do Sistema de Registro Nacional Migratório (SISMIGRA), e o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para identificar o números de imigrantes, país de origem e data de entrada no Brasil. Por fim o Painel de Dados de Atendimento do Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes (CRAI), um equipamento da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania que oferece atendimento para população imigrante da cidade de São Paulo foi utilizado para localizar onde esses imigrantes se encontram na cidade.