Universidade Estadual de São Paulo
Escola de Engenharia de Lorena
Prof. Arnaldo Márcio Ramalho Prata
Separação e purificação de bioprodutos
As etapas do processo fermentativo até o final da fermentação são denominadas linha ascendente ou “upstream” e as etapas de recuperação do produto e tratamento de resíduos é chamada linha descendente ou “downstream”
Esquema geral do processo fermentativo
Preparo do meio
Preparo de inóculo
(microrganismo)
Linha descendente
Processos à jusante
“downstream”
Processos à montante
“upstream”
Linha ascendente
Ar
Esterilização
Fermentação
propriamente dita
(BIORREATOR)
Recuperação do produto
Tratamentos de resíduos
Produto
Definição: Separação do produto do meio fermentado, colocando-o na forma mais pura possível para a aplicação a que se destina.
Conc. P
tempo
Definição: Separação do produto do meio fermentado, colocando-o na forma mais pura possível para a aplicação a que se destina.
SEPARAÇÃO E PURIFICAÇÃO DE BIOPRODUTOS
Insumos químicos e biomoléculas
Álcoois Polímeros
Ácidos orgânicos Vitaminas
Solventes Aminoácidos
Antibióticos Enzimas
Hormônios Poliésteres
Serão abordados os procedimentos envolvidos na recuperação de bioprodutos do tipo insumos químicos e biomoléculas e microrganismos, exemplificados a seguir:
Exemplos de enzimas
Protease de Bacillus Glicose oxidase
Amilase de Bacillus Invertase
Glicoamilase Lisozima
Glicose-isomerase Penicilina acilase
Renina microbiana Lactase
β-amilase Lipase
Amilase fúngica Xilanase
Microrganismos
É importante observar a escala de aplicação dos diversos métodos de separação e purificação de produtos biotecnológicos:
SEPARAÇÃO E PURIFICAÇÃO DE BIOPRODUTOS�
Recuperação de bioprodutos
Meio de cultivo com células
Clarificação
(Separação das células/meio)
Células
(produtos intracelulares)
Rompimento de células
Remoção de fragmentos de células
Fração sólida
Sobrenadante
Separação/Concentração de moléculas
Purificação
Tratamentos finais
Sobrenadante
(produtos extracelulares)
Processamento Ascendente
Separação e purificação de bioprodutos
Operações envolvidas no processo de recuperação de bioprodutos
Clarificação
Separação das células suspensas de um meio fermentado
A operação unitária adequada depende da faixa de dimensão da partícula a ser removida:
Operações unitárias viáveis em escala industrial:
Clarificação
Separação das células suspensas no meio fermentado
Filtração
Clarificação
Filtração Convencional
Aplica-se à clarificação de grandes volumes de suspensões diluídas de células, produtos extracelulares e situações que não necessitam de assepsia.
Princípio de separação Filtração: tamanho da partícula
(também forma e compressibilidade do material)
1. Rotatório (mais adequado para meios biológicos, pois não é afetado pela compressibilidade da torta)
2. De pressão
3. Folha (disco) horizontal
Clarificação
Filtração Convencional
Filtro Rotativo a Vácuo (FRV)
Esquema de um Filtro de Pressão
Fatores que influenciam a velocidade de filtração
- permeabilidade de leito (K)
- área de filtração (A)
- viscosidade do líquido (μ)
- espessura do leito (L)
- resistência do leito de filtração (L/K)
- compressibilidade da torta (S)
- concentração celular do líquido (X)
- diferença de pressão através do leito (ΔP)
- const. relacionada a tamanho e forma das células (α’)
O tempo (t) necessário para a filtração de um volume V de suspensão contendo células sujeitas à compres-sibilidade, sob uma determinada pressão e através de uma área A é dado por:
2 . ΔP(1-S) A2
μ . α’ . X V2
Obs.: - S varia de 0 a 1,0
- Tortas de células microbianas podem ter S de até 0,8
- Para tortas rígidas, S = 0
t =
Observações
Para se manter uma determinada velocidade de filtração ou minimizar a redução da velocidade pelo aumento da torta de filtração, pode-se aumentar o ΔP durante a filtração
A ampliação de escala do processo de filtração é feita com base nas características do meio, ou seja, viscosidade (μ), características das células (α’) e concentração celular (X).
2 . ΔP(1-S) A2
μ . α’ . X V2
t =
A centrifugação de meios fermentados é uma tecnologia já consolidada. Suas vantagens sobre o processo de filtração são:
Centrifugação
Clarificação
Processamento do produto em condições assépticas;
Processamento de microrganismos perigosos em sistema fechado;
Inexistência de custos com auxiliares de filtração, membranas e produtos químicos.
Limpeza e operação completamente automatizadas;
Clarificação
Centrifugação
Princípio de separação: diferença de densidade
Método que acelera o processo de sedimentação por ação de um campo gravita-cional centrífugo
tempo
Baseia-se na diferença de densidade entre a célula e o meio líquido. É influenciada pela viscosidade do meio líquido, pela força motriz e pelo diâmetro da partícula
Alguns tipos de centrífuga
a) Tubular; b) Câmara; c) Disco; d) Rolo
Clarificação
Centrifuga tubular
- Podem operar sob refrigeração
- Fator de acel. 13.000 a 17.000 x g
- Capacidade limitada de volume
Clarificação
Centrifuga tubular
Aplica-se a suspensões de no máximo 30 g/L de células
Centrífuga tubular de alta velocidade
Clarificação
Centrífuga de disco
Clarificação
Centrífuga de disco
Aplica-se em suspensões de no máximo 250 g/L de células
https://www.youtube.com/watch?v=dxTT_bP6IwI
Centrífuga de rolo (decanter)
Fatores de aceleração das centrífugas mais comuns
Ultracentrífugas 105 – 106 x g
Centrífugas tubulares 13000 – 17000 x g
Centrífugas de câmara 6000 - 11000 x g
Centrífugas de disco 5000 - 15000 x g
Centrífugas de rolo 1500 – 4500 x g
Critério de ampliação: Fator de aceleração.tempo => ξ. t
Se uma separação satisfatória é atingida com 3000xg durante 5 minutos, o mesmo resultado pode ser alcançado com 1500xg e 10 minutos, em escala industrial.
Obs.: Ultracentrífugas operam descontinuamente e normalmente têm baixa capacidade de processamento
O fluxo volumétrico de alimentação para uma centrífuga pode ser determinado pela expressão:
Q = d2 .Δρ . g. ξ. A
18 η
Onde:
Q é o fluxo volumétrico de alimentação
Δρ é a diferença de densidade (dens. Sólido – dens. do líquido)
g é a aceleração da gravidade
d é o diâmetro da partícula
ξ é o fator de aceleração
A é o equivalente de área do rotor
η é a viscosidade dinâmica do líquido