O reuso de lixo termonuclear, mais corretamente designado por reaproveitamento de resíduos nucleares de alta atividade (combustível nuclear usado nos reatores ou resíduos do seu reprocessamento), surge como uma resposta a um problema real: a acumulação de materiais altamente radioativos resultantes da produção de energia nuclear.
Estes resíduos mantêm perigosidade durante milhares de anos, o que levanta questões científicas, tecnológicas, sociais e ambientais incontornáveis.
Numa perspetiva CTSA, o reuso não é apenas uma opção técnica, mas uma decisão com implicações profundas para a sociedade atual e para as gerações futuras.
Em termos de Ciência, o reaproveitamento de resíduos nucleares de alta atividade baseia-se no conhecimento detalhado da física nuclear e da radioatividade.
Parte significativa do chamado “lixo” ainda contém isótopos capazes de libertar energia através de novas reações nucleares. A investigação científica permite identificar quais são os isótopos, avaliar a sua estabilidade e prever os riscos associados ao seu reaproveitamento.
Sem este conhecimento rigoroso, qualquer tentativa de reaproveitamento seria irresponsável. A Ciência aqui não elimina o risco, mas permite quantificá-lo e geri-lo de forma informada.
Figura 1 – Ciclo do combustível nuclear, que descreve o processo industrial completo, desde a extração de urânio até à eliminação dos resíduos radioativos
Orano. (n.d.). La Hague reprocessing plant [Photograph]. Orano Group. https://www.orano.group
Reaproveitamento de resíduos nucleares numa perspetiva CTSA
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A tecnologia traduz o conhecimento científico em soluções práticas.
Deste modo, reatores de nova geração (Geração IV) e sistemas de reprocessamento permitem reutilizar combustível nuclear usado, reduzindo a quantidade e a perigosidade dos resíduos finais. No entanto, estas tecnologias são complexas, caras e exigem elevados padrões de segurança.
Tais tecnologias focam-se em reatores rápidos, SMRs (Pequenos Reatores Modulares) e tecnologias que utilizam resíduos como combustível, reduzindo o lixo radioativo.
Tecnologias como refrigerantes a gás, chumbo ou sódio e o Sistema Dirigido por Acelerador (ADS) são centrais, prevendo-se o uso industrial alargado após 2030.
Orano. (n.d.). La Hague reprocessing plant [Photograph]. Orano Group. https://www.orano.group
Socialmente, o tema é polémico. A energia nuclear e o reaproveitamento dos seus resíduos geram desconfiança, muitas vezes justificada por experiências históricas negativas e pela perceção de risco elevado.
Ao mesmo tempo, a sociedade exige energia estável, barata e com baixas emissões de carbono. O reuso de resíduos termonucleares pode contribuir para esse objetivo, mas só será socialmente aceitável com transparência, participação pública nas decisões e informação clara sobre riscos e benefícios.
Decisões tomadas sem envolvimento da população tendem a gerar rejeição e conflito.
Figura 2.
Reaproveitamento de resíduos nucleares numa perspetiva CTSA
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Do ponto de vista ambiental, o reuso do lixo termonuclear apresenta vantagens e limites claros.
Por um lado, reduz o volume de resíduos altamente radioativos a armazenar a longo prazo e diminui a necessidade de extração de novo urânio, poupando recursos naturais. Por outro, continua a existir o problema do resíduo final, que permanece perigoso durante períodos de tempo muito superiores à escala de vida humana. O impacto ambiental não desaparece; é apenas mitigado, exigindo soluções de confinamento seguras e duradouras.
A minha posição é favorável ao reuso do lixo termonuclear, desde que a mesma assente em critérios científicos, tecnológicos e éticos rigorosos.
Reutilizar resíduos que ainda têm potencial energético é mais racional do que tratá-los imediatamente como lixo definitivo, sobretudo num contexto de transição energética e combate às alterações climáticas.
No entanto, esta opção só é aceitável com investimento sério em segurança, controlo independente e responsabilidade intergeracional. Não é uma solução milagrosa, mas pode ser parte de uma estratégia energética mais eficiente, desde que os riscos não sejam ocultados nem minimizados.
Figura 3 - Mesmo com reuso, há sempre resíduos finais perigosos que exigem confinamento seguro durante longos períodos de tempo.
U.S. Department of Energy. (n.d.). Dry cask storage for spent nuclear fuel [Photograph]. U.S. DOE. https://www.energy.gov
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Como referenciar a utilização de Inteligência Artificial (APA 7.ª edição)
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Exemplo de referência bibliográfica:
OpenAI. (2026). ChatGPT (GPT-5.2) [Large language model]. https://www.openai.com
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A presente reflexão foi elaborada com apoio de uma ferramenta de inteligência artificial generativa (ChatGPT, OpenAI), tendo sido posteriormente revista e adaptada pelo autor.
Isto é suficiente, correto e transparente. Não é preciso mais nada.
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