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Discussão de Casos Clínicos

Radiologia do Abdome

Stefanie Basilio Medeiros

R3 de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Escola Paulista de Medicina

Coordenação: Giuseppe D'Ippolito e Daniel Bekhor

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https://conferenciaweb.rnp.br/conference/rooms/ddi-abdomen/invite

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Caso Clínico

Identificação: sexo feminin, 67 anos.

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AP: HAS, doença hemorroidária, ex-tabagista.

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HPMA: Paciente com quadro de OAC em aortoilíacas bilateral, submetida em agosto/2024 à derivação aorto-bifemoral, apresentando posteriormente múltiplas internações.

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- Evoluiu em março/2025 com febre não aferida, dor em FIE e edema de MIE, procurou o PS onde realizaou tomografia sendo visualizada densificação periprotese (Leuco 10.100 // PCR 97).

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- Retorna ao PS em maio/2025 devido febre 38°C, dor bdominal e 2 episódios de hematoquezia, realizando nova tomografia, com diagnóstico de infecção de sítio cirúrgico profundo e colite reacional inicial. Recebeu alta com antibioticoterapia domiciliar (Leuco 15.000 // Hb 8,4 // Plaq 341mil// PCR 140).

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- Retorna em consulta ambulatorial 04/02/2026 informando internação externa em janeiro devido quadro de febre de 40° e astenia, sendo diagnosticada com pneumonia + anemia microcrocitica hipocrômica (queda de Hb para 6,8), referindo ter mantido quadro de enterorragia ao longo dos meses e períodos intermitentes de febre (Leuco 10.400 // Hb 8,9 // Plaq 407 mil// PCR 58).

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29/05/2025

27/01/2026

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As infecções periprótese tem pico de incidência quando?

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  1. Precoce (2-4 meses)
  2. Tardia (>4 meses)
  3. Não apresenta pico de incidência

29/05/2025

27/01/2026

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As infecções periprótese tem pico de incidência quando?

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  1. Precoce (2-4 meses)
  2. Tardia (>4 meses)
  3. Não apresenta pico de incidência

29/05/2025

27/01/2026

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Caso Clínico

- Internada para investigação do caso, recebendo o diagnóstico de infecção periprotética de origem endógena, provavelmente relacionada a episódio prévio de diverticulite. Indicado explante, que foi realizado em 11/02/2026.

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→ Realizado explante do ramo esquerdo. Ramo direito com aderencia, impossibilitando sua retirada (Cultura do explante - Streptococcus anginosus), com alta no dia 27/02/2026, com melhora clínica.

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- 13/03/2026 Reinternada por novo quadro de dor abdominal e piora do estado geral, sendo reabordada no dia 18/03.

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→ Realizada drenagem da coleção, tentativa de explante de prótese e enterorrafia de lesão puntiforme de alça de delgado, ocorrida devido grande aderencia.

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ICS: Klebsiella spp Multi-R

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05/02/2026

25/03/2026

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Infecção tardia peri prótese

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Infecção tardia peri prótese

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  • Tempo para infecção tardia de enxerto aortobifemoral (enxerto vascular extracavitário - porção femoral do enxerto)
    • após 2-4 meses da cirurgia.
    • apresentam-se de forma mais indolente, com menor frequência de sinais sistêmicos de sepse.

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  • Enxerto aórtico intra-abdominal
    • meses a anos após a colocação do enxerto, sem achados físicos óbvios
    • dor abdominal, febre, sepse ou sangramento gastrointestinal por erosão do duodeno

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  • A mediana de tempo para ocorrência de infecção em enxertor aórticos é maior (363 dias) comparada a enxertor periféricos (56 dias).

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Infecção tardia peri prótese

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  • A maioria das infecções de prótese aortoilíacas são tardias (85%), com intervalo mediado de 14 meses até o diagnóstico.
  • As infecções de enxertos aórticos apresentam-se significativamente mais tarde do que infecções de enxertos periféricos.

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Frequência de infecção

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  • Enxerto aórtico: 0,3 - 3%
  • Enxerto intracavitário: 1-5%
    • Se tem extensão da protese para a região inguinal - risco aumenta para 6%

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  • Fatores de risco:
    • risco 3,6x maior se cirurgia de emergência
    • risco 5,1x maior se infecção de ferida operatória
    • risco 4,2x maior se bacteremia durante hospitalização

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  • Complicação grave: erosão do enxerto para o duodeno ou cólon: 1-2% → fístula aortoentérica
    • alta mortalidade em 30 dias (28%)
    • reinfecção após tratamento cirúrgico (12%)

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Fatores de risco

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  • Pode ser dividida em fatores relacionados ao paciente, ao procedimento e ao pós operatório:

Ligados ao paciente Ligados ao procedimento

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Abcesso x fístula aortoduodenal

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Característica

Abcesso Periprótese

Fístula Aortoduodenal

Sangramento GI

Incomum

Presente em ~70% dos casos

Febre

Frequente (>70%)

Presente

Dor abdominal/lombar

Presente

Presente, associado a sangramento

Sepse

Comum

Presente

Sintomas mais clássicos

Febre + dor

Sangramento GI + dor + febre

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Abcesso x fístula aortoduodenal

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Característica

Abcesso Periprótese

Fístula Aortoduodenal

Gás ectópico periprótese

Altamente sugestivo de infecção

Presente, associado a comunicação intestinal

Líquido periprótese

Presente com densificação de gordura

Presente

Espessamento focal da parede intestinal

Ausente

Presente

Extravasamento de contraste para o intestino

Ausente

Patognomônico (raramente visualizado)

  • Achados específicos para fístula aortoentérica:

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    • indiretos (mais comuns): perda dos planos de gordura, focos ectópicos de gás e espessamento da parede intestinal adjacente.
    • Esofagogastroduodenoscopia: pode demonstrar erosão ou trombo na 3ª ou 4ª porção do duodeno.

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REFERÊNCIAS

  1. Luo J, Tang W, Wang M, Xiao Y, Tan M, Jiang C. Case series of aortoenteric fistulas: a rare cause of gastrointestinal bleeding. BMC Gastroenterol. 2021 Feb 2;21(1):49. doi: 10.1186/s12876-021-01629-4. PMID: 33530944; PMCID: PMC7856786.
  2. https://www.facs.org/media/o1gazfwy/2021_ms_gisemanual_final_01_22.pdf
  3. Duarte A, Gouveia E Melo R, Mendes Pedro D, Martins B, Sobrinho G, Fernandes E Fernandes R, Santos CM, Mendes Pedro L. Predictive Factors for Aortic Graft Infection: A Case-Control Study. Ann Vasc Surg. 2022 Nov;87:402-410. doi: 10.1016/j.avsg.2022.05.015. Epub 2022 Jun 27. PMID: 35772668.
  4. Stockschläder L, Margaryan D, Omran S, Schomaker M, Greiner A, Trampuz A. Characteristics and Outcome of Vascular Graft Infections: A Risk Factor and Survival Analysis. Open Forum Infect Dis. 2024 May 13;11(6):ofae271. doi: 10.1093/ofid/ofae271. PMID: 38868303; PMCID: PMC11167665.

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OBRIGADA!

stefanie.basilio@unifesp.br