FECCIF25 – IV Feira Estadual de Ciência e Cultura do IFSP – Setembro / Outubro de 2025
A Feira Kantuta acontece na Praça Kantuta aos domingos desde 2002, a proposta é apresentar uma opção do serviço de turismo social para a Feira Kantuta, voltado à valorização da cultura indígena andina em São Paulo. A iniciativa promove a economia criativa através de mediações culturais conduzidas por migrantes aymaras e quechuas, que passam a apresentar para os visitantes o patrimônio imaterial e intercultural do território. As ações incluem visitas guiadas, oficinas e eventos temáticos, visando ampliar o acesso à cultura e ao direito à cidade. O projeto também busca o reconhecimento da feira como território indígena e polo cultural e turístico da cidade de São Paulo..
RESUMO
INTRODUÇÃO
OBJETIVOS
METODOLOGIA
Rolê da Kantuta: Um pedacinho da Bolívia em São Paulo
Rocio Quispe Yujra¹(aluna),
Daniel Soares da Silva2 (orientador),
Marco Antonio Teixeira da Silva3 (coorientador)
1Instituto Federal de São Paulo, São Paulo, Brasil - rocio@ifsp.edu.br
2Instituto Federal de São Paulo, São Paulo, Brasil – daniels@ifsp.edu.br
3Instituto Federal de São Paulo, São Paulo, Brasil – marcola@ifsp.edu.br
O projeto “Rolê Feira Kantuta” propõe trabalhar o turismo social de forma intercultural, reconhecendo a migração como força de transformação social na cidade de São Paulo. A presença da comunidade andina boliviana, revela territórios de resistência, espiritualidade e saber ancestrais que merecem ser valorizados. O projeto oferece aos participantes uma experiência imersiva nas tradições dos povos originários, por meio de visitas mediadas à Feira Kantuta, oficinas culturais e rodas de conversa. Convidando o visitante a conhecer suas danças, gastronomia, músicas, artesanato e também a vivenciar a cosmovisão dos povos originários migrantes, seus rituais, sua espiritualidade, que resiste no contexto urbano. Aos domingos a Praça Kantuta é local de um verdadeiro território indígena boliviano, onde se ouve a música dos "sikuris", se dança ao som dos "caporales" e se degusta a rica culinária andina “ sopa de maní”.
Aumento do número de visitantes da feira por meio do turismo social.
Incremento nos ingressos financeiros para os feirantes/expositores.�Promoção da reconstrução da identidade indígena andina presente na Praça Kantuta e promoção do território indígena aymara em São Paulo.
Redução da xenofobia promovendo a educação intercultural, a valorização da diversidade cultural e o fortalecimento da identidade de comunidades migrantes.
Fortalecer e ampliar parcerias entre as instituições e comunidade local. Participação em editais de fomento da prefeitura e outros fomentos.
O projeto tem abordagem participativa e intercultural, baseada em metodologias: educação popular, turismo social e pesquisa-ação.
Visitas mediadas: Roteiros conduzidos por membros da comunidade andina, promovendo trocas horizontais e vivências imersivas na feira.�Oficinas culturais: Atividades práticas com foco em saberes ancestrais (espiritualidade, culinária, dança, artesanato e música).
Rodas de conversa: Espaços de diálogo intercultural que estimulam a escuta ativa, o compartilhamento de experiências e a reflexão crítica sobre identidade, migração e pertencimento.�Eventos temáticos: em datas comemorativas, como forma de promover o calendário de celebrações espirituais dos povos aymara e quechua.�Acessibilidade e inclusão: Elaboração de roteiros adaptados a diferentes públicos (estudantes, idosos, pessoas com deficiência, moradores das periferias), garantindo acesso equitativo ao direito à cidade e à cultura.
Essas metodologias integram saberes acadêmicos, comunitários e ancestrais, promovendo processos formativos de vivências que fortalecem a cidadania, cultura e a valorização do patrimônio imaterial. Seguem princípios centrais do “Buen Vivir”, conceito originado das cosmovisões andinas, princípios não centrados no lucro ou na acumulação, mas no bem-estar coletivo, na reciprocidade, na solidariedade e na espiritualidade.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
REFERÊNCIAS
CONCLUSÃO
A valorização das territorialidades da migração boliviana em São Paulo, por meio de ações como as visitas guiadas, é fundamental para o reconhecimento da contribuição cultural, econômica e social dessa comunidade na cidade. Iniciativas lideradas por protagonistas como Rocio Quispe Yujra fortalecem a memória coletiva, promovem a inclusão e ampliam o acesso a experiências interculturais, reafirmando o direito à cidade para populações migrantes e indígenas.
SÃO PAULO (Município). Secretaria Municipal de Turismo. *Roteiros inovadores: programação de roteiros de turismo social*. São Paulo: SMTur, 2023. Disponível em: <https://turismo.prefeitura.sp.gov.br/roteiros-inovadores.pdf> . Acesso em: 23 jun. 2025.
RIBEIRO, Zezé Weiss. El buen vivir: saber cuidar de Pachamama. Brasil de Fato, São Paulo, 12 mar. 2025. Coluna Consciência Pachamama. Disponível em: <https://www.brasildefato.com.br/colunista/consciencia-pachamama/2025/03/12/el-buen-vivir-saber-cuidar-de-pachamama/>. Acesso em: 23 jun. 2025.
MONAH, Monique. Rolé dos Favelados - Morro da Providência. Youtube, 26 de nov. 2022. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=3ouJXEJfcEY&t=610s>. Acesso em: 19 MAI.2025.
MUSEU DA IMIGRAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO. São Paulo dos Imigrantes: Imigração Boliviana | Passeio temático + experiência gastronômica e cultural. Museu da Imigração, 2025. Disponível em: <https://museudaimigracao.org.br/eventos/presencial/sao-paulo-dos-imigrantes-imigracao-boliviana-passeio-tematico-experiencia-gastronomica-e-cultural>Acesso em: 8 ago. 2025.
Visitas guiadas na Feira Kantuta já eram oferecidas gratuitamente pela Associação Kantuta e pelo Coletivo Sí, Yo Puedo! a professores das redes municipal e federal. Propõe-se agora ampliar essa iniciativa a outros públicos, para fortalecer a divulgação e o alcance da feira.
A migração boliviana em São Paulo começou no fim dos anos 1960, com presença inicial no Bom Retiro e expansão, a partir dos anos 2000, para bairros como Brás, Pari, Canindé e Vila Maria. Hoje, é a maior comunidade imigrante da cidade, com forte presença em territórios como a Praça Kantuta e a Rua Coimbra, marcados por práticas culturais, gastronômicas e festivas que reforçam o pertencimento e a identidade migrante.
Rocio Quispe Yujra, indígena aymara e filha de fundadores da Feira Kantuta, é voluntária no Coletivo Sí, Yo Puedo! e atua em diversas iniciativas voltadas à valorização da cultura andina e ao apoio à comunidade migrante, é membra ativa da Associação Kantuta, integra o Centro Cultural Andino Amazônico e da AYNI – Articulação Andina de Indígenas Migrantes. É servidora pública do Instituto Federal de São Paulo e membra do Núcleo de Pesquisa de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas - Neabi/IFSP e do Grupo de Estudos e Pesquisas das Relações Étnico-raciais - GPretas.
No mês de agosto a convite do Museu da Imigração de São Paulo, ocorreu a edição do passeio temático “São Paulo dos Imigrantes”. O público foi guiado pelas praças e ruas
boliviano-paulistanas que foram e são espaços de resistência das comunidades migrantes indígenas andinas em São Paulo, foi guiada pelos passos e pela voz de Rocio.