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AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE SANTIAGO DO CACÉM

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FORMADORA – Isabel Maria Borges G. Contente

30 de Novembro de 2009

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Desenvolvimento da linguagem oral

  • O Conhecimento da Língua:

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Desenvolver a consciência fonológica

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  • Conceito de Consciência Fonológica; manifestações precoces;

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  • Importância do treino da Consciência Fonológica;

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  • O que os professores precisam de saber sobre a Consciência Fonológica;

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  • Oralidade e escrita: autonomia e dependências;

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  • Princípios orientadores na metodologia da iniciação à leitura e à escrita;

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  • Análise de várias actividades, apresentadas nas brochuras do PNEP, para

desenvolver a consciência fonológica.

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□ Explorar potencialidades das TIC relacionadas com o tema.

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O Conhecimento da Língua:

Consciência fonológica

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  • Capacidade dos sujeitos (crianças ou adultos) para explicitamente identificarem e manipularem as estruturas sonoras da sua língua (unidades do oral).

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Consciência Fonológica: manifestações precoces

  • (1) Num contexto em que se canta uma canção brasileira, veja-se a correcção de uma criança de 3 anos:

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Adulto (cantando): É o bicho, é o bicho, vou [ti devoɾá]…

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Criança: Não é “vou [ti devoɾá]”, é “vou [t ʃ i devoɾá]”. Isto é brasileiro!

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Consciência Fonológica: manifestações precoces

  • (2) Uso do item ‘merda’ numa situação em que a Joana brinca (sem saber que a mãe a está a observar) e fica aborrecida com algo:

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Joana: merde

Mãe: (...)

Joana: mãe, eu disse merde com ‘e’, não disse merda com ‘a’!

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Joana, 5 anos

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1. Importância do treino da Consciência Fonológica

■ Um dos passos cruciais na iniciação à leitura e à escrita consiste na promoção da reflexão sobre a oralidade e no treino da capacidade de segmentação da cadeia de fala (em frases, em palavras, em sílabas e em sons);

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  • ■ A consciência fonológica é o pilar essencial da

decifração (reconhecimento automático, rápido e

eficiente do significado das palavras);

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2. Importância do treino da Consciência Fonológica

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  • ■ O treino da consciência fonológica, no contexto pré- -escolar e no 1º Ciclo, é a estratégia de prevenção preferencial a adoptar junto da população infantil, com vista à redução do insucesso escolar (é um lugar comum lembrar aos professores que o domínio da leitura e da escrita tem implicações no sucesso escolar, em geral);

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  • ■ Vários estudos mostram que leitores com consciência

fonológica desenvolvida são normalmente bons leitores.

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�3. O que os professores precisam de saber sobre a Consciência Fonológica �

Como se desenvolve?

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  • Estudos nas 3 últimas décadas têm mostrado que a consciência silábica precede a consciência fonémica (Blevins 1997, Sim-Sim 1997, 1998).

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  • Esta ordem de desenvolvimento segue a ordem de complexidade de processamento dos 3 tipos de estruturas (Treiman & Zukowski 1991, Sim-Sim 1997, 1998):

sílaba > constituinte intrassilábico > fonema

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  • Para as crianças, como para qualquer falante, é mais fácil segmentar

pato em pa.to do que em p.a.t.o.

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Unidades Fonológicas Relevantes

  • O treino da consciência fonológica deverá seguir esta hierarquia:

PALAVRA

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SÍLABA

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CONSTITUINTES INTRASSILÁBICOS

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FONEMA

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Organização dos sons em sílabas

  • ■ Os sons não se organizam de forma aleatória dentro das sílabas. De acordo com princípios universais, o Português, permite:

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  • ■(i) zero, uma ou duas consoantes à esquerda da vogal (veja-se a primeira sílaba de cada uma das palavras _a.to, fa.to e gra.to);

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  • ■(ii) uma consoante à direita da vogal (veja-se o fim da primeira sílaba de cada uma das palavras al.to, far.to, gas.to e mus.go), raramente duas consoantes à direita da vogal (pers.pec.ti.va).

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� Estrutura da sílaba�

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Sílaba

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Ataque Rima

Núcleo Coda

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m a r

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Consciência intrassilábica: constituintes silábicos

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  • Ataque: constituinte silábico que domina uma ou duas consoantes à esquerda da vogal, podendo encontrar-se vazio.

Ex: pé;

_é;

pre.go

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Constituintes silábicos

  • Núcleo: constituinte silábico que domina a vogal da sílaba, quer esta se encontre ou não associada a uma semivogal.

Ex: pá;

pai;

pia.da

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Constituintes silábicos

  • Coda: constituinte que domina a(s) consoante(s) à direita da vogal.

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Ex: pas.ta;

mar.co

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Oralidade e escrita: autonomia e dependências

  • ■ A oralidade goza de autonomia relativamente à escrita, desempenhando um papel crucial na nossa experiência linguística, em especial na das crianças à entrada na escola.

  • ■ Esta autonomia revela-se através de aspectos, tais como:

(i) a primazia do oral sobre o escrito no nosso quotidiano;

(ii) a precedência da oralidade relativamente à escrita na história de vida de todos os indivíduos;

(iii) a existência de comunidades linguísticas que usam exclusivamente a oralidade;

(iv) a existência de indivíduos não alfabetizados em comunidades linguísticas;

(v) a escrita como registo das propriedades do oral.

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Exercício 1 �

  • Identifique quantos formatos fonéticos pode assumir a palavra feminino.

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Resposta

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[fɨmi’ninu]

[fmi’ninu]

[fɨm’ninu]

[fm’ninu]

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Exercício 2

  • - Quantas vogais tem o Português?

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�Resposta�

Resposta comum: 5 vogais (no sistema gráfico)

Resposta correcta: 14 vogais (no sistema oral)

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dá da lã

sé lê de sente

ri fim

dó dor do som

tu um

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Exercício 3

- Quantos sons tem cada uma das seguintes palavras?

1- linho

2- manta

3- chuva

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Resposta

Resposta comum: 5

Resposta correcta:

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1- linho = 4 sons e cinco caracteres/letras

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2- manta = 4 sons e cinco caracteres/letras

​

3- chuva = 4 sons e cinco caracteres/letra

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Exercício 4 �

  • Quais as palavras acentuadas na lista que se segue?

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  • música cegonha
  • chinelo útil
  • máscara raposa

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Resposta

Resposta comum: música, máscara, útil

Resposta correcta: todas

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Em todas, há uma sílaba proeminente relativamente às restantes sílabas da palavra: chinelo, cegonha, raposa, música, máscara e útil.

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→ Confusão entre acentuação tónica e acentuação gráfica.

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Exercício 5

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  • Faça a divisão silábica de carro e de massa.

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Resposta

Resposta comum: car-ro mas-sa

Resposta correcta: ca/rro ma/ssa

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→ Ausência de distinção entre divisão silábica e translineação.

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Conclusões

1. Diversidade do oral e uniformidade da escrita;

2. Oralidade= sistema primário

Escrita= sistema secundário;

3. Oralidade e escrita como sistemas autónomos, mas interrelacionados;

4. As respostas mais comuns dos sujeitos revelam a primazia da escrita sobre a oralidade, resultante da orientação adoptada no percurso escolar.

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Para reflectir…�

  • Em termos de metodologia de iniciação à leitura e à escrita devemos:

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  • (1) partir do som para chegar ao grafema
  • ou
  • (2) partir do grafema para chegar ao som

​

  • Justifique.�

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Resposta

unidade de partida ���

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[sõ] �

​

unidade de chegada ���

​

grafema�

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5. Princípios orientadores na metodologia da iniciação à leitura e à escrita

      • ■ Iniciar o trabalho no 1º Ciclo pela reflexão sobre as estruturas sonoras permite contribuir para a construção da distinção entre conhecimento da língua materna e conhecimento do seu registo gráfico, não anulando a consciência fonológica em potencial desenvolvimento nos primeiros anos de escolaridade.

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Sistema 1 ≠ Sistema 2

primário secundário

língua (oralidade) ortografia (representação do oral)

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5.1 Iniciação à leitura e à escrita

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  • ■ No início do 1º Ciclo, a instalação e a consolidação da consciência fonológica passa por um trabalho diário (15/20 min.) sobre as estruturas sonoras da língua, idealmente já iniciado no pré-escolar.

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  • ■ Treino da consciência fonológica → sucesso na leitura e na escrita

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■ Assume-se, actualmente, que o desenvolvimento da capacidade de proceder à análise fonémica da língua está fortemente ligado ao processo de alfabetização, alimentando-se reciprocamente:

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  • □ Consciência fonémica
  • □ Aprendizagem da leitura e da escrita
  • □ (aprendizagem do código alfabético)

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  • Devido ao facto de a análise de fonemas ocorrer abaixo do nível de atenção consciente, as crianças devem ser ensinadas a prestar atenção ao nível fonémico da fala para aprender um sistema de escrita alfabético.

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Treino da Consciência Fonológica

Hoje brinquei com os pássaros da Guilhermina (enunciado oral)

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  • segmentação em palavras: 7
  • segmentação em sílabas: 14 (pronunciando todos os sons ou 13 sílabas)
  • segmentação fonémica: 31/30
  • segmentação em grafemas: 38
  • Levantamento das dificuldades sentidas/ estratégias cognitivas utilizadas

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Simbolos Fonéticos

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Treino com os alunos: propostas de actividades

  • O trabalho sobre o sistema sonoro da língua (oralidade) deverá envolver tarefas de:

1. Treino da discriminação auditiva

2. Sensibilização às rimas

3. Treino da consciência fonológica

3.1. Consciência silábica 3.2. Consciência fonémica

Identificação Identificação

Segmentação Supressão

Reconstrução Substituição

Supressão/adição Reconstrução

Substituição Segmentação

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Bibliografia

  • FREITAS, Maria João; ALVES, Dina; COSTA, Teresa – O conhecimento da Língua: desenvolvimento da consciência fonológica. Textos de apoio para professores do 1º ciclo (brochura oficial do PNEP).
  • FREITAS, Maria João e DUARTE, Inês ‘Conhecimento fonológica’. In DUARTE, Inês – Língua Portuguesa: instrumentos de análise. Lisboa: Universidade Aberta, 2000.
  • ANDRADE, M.C. & Sequeira, T.M. (2008). A Consciência Fonológica. UAlg PPT)

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