Na aula anterior…
Buscando seus dados
De onde vêm os dados que dão origem às reportagens?
Nesta aula vamos nos concentrar no canivete suíço do jornalista de dados brasileiro:
Talvez você já tenha se perguntado quanto ganha um governador ou quantas viagens um ministro fez em um determinado período específico. Mas você sabia que essas informações são públicas e estão disponíveis para qualquer cidadão?
Esse tipo de dado pode ser encontrado nos chamados “portais da transparência”, sites onde estão reunidas diversas informações públicas sobre dinheiro público e funcionamento do governo.
Os Poderes (executivo, legislativo e judiciário) e as esferas (federal, estadual e municipal) possuem seus próprios portais, onde disponibilizam as informações referentes aos seus exercícios.
O mais famoso deles é o Portal da Transparência do Governo Federal.
Lá, encontramos informações sobre o Poder Executivo na esfera federal (Presidente da República e ministérios).
No site estão disponíveis dados sobre orçamento anual, receitas públicas, despesas públicas, recursos transferidos, gastos por cartão de pagamento, programas de governo, benefícios aos cidadãos (ex: Auxílio Brasil), licitações, servidores públicos, viagens a serviço, imóveis funcionais, entre outros.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é o principal provedor de informações geográficas e estatísticas do Brasil.
O site reúne dados sobre a população brasileira, economia, território e demais informações oficiais do país.
É uma fonte de dados poderosa, que possibilita ao jornalista realizar levantamentos utilizando apenas as informações divulgadas, ou fazer cruzamentos com outras informações.
O que fazer quando os dados não estão disponíveis?
A Lei Federal 12.527/2011, que ficou conhecida como Lei de Acesso à Informação, ou LAI, é a mais importante legislação para garantir aos cidadãos a possibilidade de acessar informações do poder público.
Sancionada em 18 de novembro de 2011, pela então presidente Dilma Rousseff, ela “assegura aos cidadãos o direito de receber dos órgãos públicos informações de seu interesse”.
(WikiLAI, plataforma da Fiquem Sabendo).
A LAI determina que os órgãos e entidades públicas divulguem um rol mínimo de informações na internet proativamente, ou seja, sem ser preciso alguém apresentar um pedido de informação. Essa é a chamada transparência ativa (como os portais da transparência).
Mas, quando uma informação é divulgada pelo governo em resposta a um pedido de informação, ocorre a transparência passiva. Para receber estes pedidos, os órgãos públicos devem manter Serviços de Informação ao Cidadão (SIC) em meio físico e eletrônico para atender a essas demandas.
(WikiLAI, plataforma da Fiquem Sabendo).
Um exemplo de informação, que só é possível encontrar por meio de um pedido de informação, é o quantitativo de armas de fogo nas mãos de caçadores, atiradores e colecionadores (grupo conhecido como CACs).
Apesar de ser um assunto recorrente nos últimos anos, jornalistas tiveram que pedir, repetidamente à Polícia Federal ou ao Exército.
Não vamos nos aprofundar sobre como fazer um bom pedido de acesso à informação.
Para saber mais, separei alguns manuais para começar a fazer seus pedidos:
Analisando dados
Como vimos, encontrar grandes bases de dados não é uma tarefa muito difícil. Uma simples busca na internet nos ajuda e encontrar as informações que procuramos.
Mas como analisaremos essas informações?
Como cruzar dados e encontrar nossas histórias?
Existem diversas ferramentas que podemos utilizar para analisar bancos de dados. A escolha depende de diversos fatores, entre eles, a nossa familiaridade e o tamanho do arquivo que precisaremos analisar.
Uma base de dados pequena pode ser analisada utilizando programas como Excel, Google Sheets ou a sua versão gratuita, o LibreOffice Calc.
Por exemplo, se quisermos saber a situação dos imóveis funcionais da União podemos usar um destes programas…
Você já tentou abrir um arquivo grande em seu computador, mas não conseguiu?
Travar a tela ou o mouse, ter que resetar o aparelho…
Uma base de dados grande é mais desafiadora de ser analisada utilizando os programas citados. Isto acontece porque estas ferramentas possuem um limite de linhas que podem ser abertas.
Para isso, o jornalista de dados recorre a um tipo de recurso muito utilizado por cientistas e analistas de dados neste caso: a programação.
Por meio de um conjunto de regras de computação, o computador conseguirá abrir e analisar grandes bancos de dados.
Hoje, a maior parte da comunidade de jornalistas de dados utiliza três principais linguagens de programação: SQL, Python e R.
Cada uma guarda suas particularidades.
A preferência por determinada linguagem também pode ser pelo gosto pessoal. Acredite: alguns vão lidar com isso como se fosse um time de futebol.
Por exemplo, se quisermos saber onde o Cartão Corporativo do Governo Federal foi utilizado, precisaremos de algo mais robusto para começar a nossa análise.
Isto porque os dados estão divididos por meses.
Imagina ter que analisar cada um dos arquivos separadamente utilizando o Excel?
Exercício
Com o aprendizado adquirido é hora de colocar a mão na massa: vamos procurar, nas bases de dados apresentadas, nossa primeira pauta de jornalismo de dados.
Nossas tarefas:
1º: Identificar uma base de dados interessante;
2º: Analisar que informação posso tentar investigar e poderá virar uma pauta;
3º: Pensar em um gráfico que poderia acompanhar este dado.
https://bit.ly/aulajornalismodados