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EPIDEMIAS:�intervenções médico-políticas

José Carlos de Freitas

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Epidemias: intervenções médico-políticas

A RAZÃO sob as sendas da ORDEM.

A noção de ORDEM é arquetípica, com origem na RELIGIÃO.

Nas religiões cosmogônicas:

DISCÓRDIA

HARMONIA

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Mitologia grega

URANO

CRONOS

ZEUS

A firmação da ordem cósmica pelo controle dos poderes excessivos das entidades cósmicas.

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As DOENÇAS

  • no eterno movimento das forças agregadoras e desagregadoras da ordem.
  • dentro da ordem, a crise.

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Mitologias

Grega 🡪 PANDORA

Judaico-cristã 🡪 EVA

Africana 🡪 OMOLU

A presença necessária do CAOS e da ORDEM.

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SAÚDE e DOENÇA

  • Pares antitéticos e coexistentes.
  • Georges Canguilhem:

Saúde é um estado.

Doença é crise.

Doença é o único dado a ser objetificado.

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HANS-GEORG GADAMER

“O verdadeiro mistério está no caráter oculto da saúde. Ela não se declara a si mesma.”

“Mas o que é, então, de fato, a saúde, esse algo misterioso, o qual todos nós conhecemos e do qual de alguma forma, precisamente por ser tão maravilhoso estar com saúde, não conhecemos nada?”

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CANGUILHEM: ocultabilidade da saúde e objetificação da doença

“O que é público, publicado, é, com frequência, a doença. O doente pede ajuda, chama a atenção; ele é dependente. O homem sadio que se adapta silenciosamente às suas tarefas, que vive sua verdade de existência na liberdade relativa de suas escolhas, está presente na sociedade que o ignora. A saúde não é somente a vida no silêncio dos órgãos, é também a vida na discrição das relações sociais.”

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DOENÇA prestativa a METÁFORAS:

Do campo da Saúde às desordens sociais.

Terapias como ataques bélicos e militares.

Susan Sontag 🡪 A doença como metáfora.

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MARCO: Michel Foucault (1926-1984)

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A PESTE e A LEPRA

A cidade pestilenta.

O pestilamento dos leprosos.

Sonhos políticos distintos.

LEPROSO 🡪 exclusão.

PESTILENTO 🡪 internamento.

Controle disciplinar perfeito.

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JEREMY BENTHAM: O panopticon

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AS EPIDEMIAS NA HISTÓRIA

  • Peste de Justiniano (541 e 542).
  • Peste Negra (1246-1353).
  • Peste Negra (1792; 1850-1959).

Bactéria Yersinia Pestis, causadora de três pestes:

Bubônica, Septicêmica, Pneumônica.

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Michel Foucault:

LEPRA

LOUCURA

PESTE

Poder Disciplinar

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OUTRAS EPIDEMIAS

Varíola 🡪 5 milhões de indígenas.

Malária 🡪 350 a 500 milhões de casos.

Tuberculose 🡪 1 morte a cada grupo de 7 infectados.

Cólera 🡪 comércio marítimo e lugares sem saneamento.

Febre Amarela 🡪 muitas mortes no neocolonialismo do XIX.

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OUTRAS EPIDEMIAS

Tifo Endêmico 🡪 febre do campo, febre da guerra 🡪 10 milhões de vítimas.

Poliomielite 🡪 erradicada no fim do século XX.

Gripe Espanhola ou Influenza 🡪 1918, com 100 milhões de vítimas.

SIDA ou AIDS 🡪 desde 1981, 25 milhões de vítimas.

Ebola 🡪 1976 a 2016, 11 mil mortes.

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Nomes

SURTO: região específica.

EPIDEMIA: várias regiões.

ENDEMIA: sazonal.

PANDEMIA: planeta.

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Novas epidemias:

ebola, a febre chikungunya, a dengue, a gripe aviária, a obesidade, o diabetes, o trânsito e até o suicídio.

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MEDIDAS POLÍTICAS DE BARREIRAS SANITÁRIAS

  • Treino em 29 de agosto de 2014, no Aeroporto Tom Jobim, reunindo Fiocruz, Secretaria Estadual de Saúde, Polícia Federal, Corpo de Bombeiros, Infraero, Anvisa, TAM Linhas Aéreas e Concessionária RIO Galeão.

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CONTROLE PELA VIGILÂNCIA

Se há doença, há doente: o mal e o sujeito.

O controle sobre um supõe o controle também sobre o outro.

Se a doença prolifera, necessita de contenção.

O drama do controle é que, em suas várias investidas, é unilateral.

Sempre parte da posição do médico em detrimento da vontade do paciente, como outrora o foi o Juramento de Hipócrates.

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Caso típico

A REVOLTA DA VACINA, 1904.

A Lei nº 1.261/1904

Vacina obrigatória

Vigilância panóptica

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Oswaldo Cruz (1872-1917)

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MONUMENTO DE ARBITRARIEDADE:

Medidas médico-políticas

Controle total sobre a população

Inspiradora do Cartão de Vacina

Obrigatoriedade do Registro de Nascimento

Posse em emprego público

Previsão de punições.

O médico ridicularizado pela imprensa.

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DEMOCRACIA

A medicina, aliada à administração política governamental, não reconhece democracia em suas intervenções.

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Michel Foucault

AS GRANDES FUNÇÕES DA MEDICINA NA SOCIEDADE

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Manter, reconduzir, apoiar todas as diferenças, todas as segregações, todas as exclusões que pode haver em questão de idade e de meio: a medicina operária não é a medicina burguesa, a medicina das crianças não deve ser a dos adultos etc.

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Vigiar a multiplicidade humana volúvel.

Limpeza e garantia da ordem.

Substituir a religião e reconverter o pecado em doença, principalmente as que resultam de excessos (obesidade, diabetes, violência no trânsito, alcoolismo, drogas, DSTs).

Edita disciplinamento e sua justificativa.

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1975

  • Governo Geisel 🡪 Sistema Nacional de Saúde – SNS.

1987

  • Criação do Desenvolvimento de Sistemas Unificados de Saúde nos Estados – SUDS.

1988

  • Criação do Sistema Único de Saúde – SUS.

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DIÁLOGO INOPORTUNO E CONTRAPRODUCENTE

A truculência do médico e do governo, tendo por fim o bem do povo, não poderia ser concebida como mal. Uma acusação contra uma intervenção médica, cuja finalidade é claramente a preservação e com sucesso da vida ou o declínio de uma epidemia mortífera, não é convincente.

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DESCRIÇÕES LITERÁRIAS DA PESTE

Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago.

As intermitências da morte, de José Saramago.

A peste, de Albert Camus.

O diário do ano da praga, de Daniel Defoe.

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História da medicina, de Anne Rooney.

Dissertação: O congresso nacional e as emergências sanitárias: a resposta do poder legislativo às necessidades da saúde, UnB, 2013, de Luiz Carlos Pelizari Romero.

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O termo VÍRUS

  • Botânico Martimus Beihering, 1895.
  • Indício de combate.
  • Virulência, matança e letalidade.
  • Susan Sontag: “A ordem é a preocupação mais antiga da filosofia política e, se é plausível comparar a pólis a um organismo vivo, é também plausível comparar a desordem política a uma doença.”

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MAQUIAVEL

Porque os romanos nestes casos fizeram o que todo príncipe prudente deve fazer: não só remediar o presente, mas prever os casos futuros e preveni-los com toda a perícia, de forma que se lhes possa facilmente levar corretivo, e não deixar que se aproximem os acontecimentos, pois deste modo o remédio não chega a tempo, tendo-se tornado incurável a moléstia. Da tísica dizem os médicos que, a princípio, é fácil de curar e difícil de conhecer, mas com o correr dos tempos, se não foi reconhecida e medicada, torna-se fácil de conhecer e difícil de curar. Assim se dá com as coisas do Estado: conhecendo-se os males com antecedência, o que não é dado senão aos homens prudentes, rapidamente são curados: mas quando, por terem ignorado, se têm deixado aumentar, a ponto de serem conhecidos de todos, não haverá mais remédio àqueles males.

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FREUD

A sujeira de qualquer tipo nos parece inconciliável com a civilização; estendemos para o corpo humano a exigência de limpeza [...]. Não nos surpreendemos se alguém coloca o uso do sabão como medida direta do grau de civilização. O mesmo sucede com a ordem, que, tal como a limpeza, está ligada inteiramente à obra humana. Mas, enquanto não podemos esperar que predomine a limpeza na natureza, a ordem, pelo contrário, nós copiamos dela.

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Conto

FATIA DE VIDA

Monteiro Lobato

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Os grandes crimes, frequentemente, partem de grandes ideias. Poucas grandes ideias se mostram completamente inocentes quando seus inspirados seguidores tentam transformar a palavra em realidade – mas algumas quase nunca podem ser abraçadas sem que os dentes se descubram e os punhais se agucem. Entre esses tipos de ideia, ocupa posição privilegiada a da visão da pureza.