Manualzinho de Toxina Botulínica
João Fellipe Santos Tatsch
2023
Segmentos Corporais
Temas Específicos
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Nevralgia do trigêmeo
Toxinas
Dysport®: Abobotulinumtoxina A
Botox®: Onabotulinumtoxina A
Equivalência aproximada:
Referência: Zakin, E., & Simpson, D. (2018). Evidence on botulinum toxin in selected disorders. Toxicon, 147, 134–140. doi:10.1016/j.toxicon.2018.01.019
10.1016/j.toxicon.2018.01.019
Outras Marcas: semelhantes ao Botox em dose e eficácia clínica.
Botulim tira a quase totalidade da albumina (menos alergênico)�
Prosigne (lanbotulinum): não tem albumina na composição, mas sim gelatina bovina.
Botulift
Nabota (PraBotulinum)
Innotox: coreana, ainda não regulamentada, já vem reconstituída, pronta para aplicação.
Características: halo um pouco maior (1,5cm²)�Indicações: distonia cervical e espasticidade�Armazenamento:refrigerado.
Características: halo de 1cm²�Armazenamento: refrigerado�Indicações: blefaroespasmo, espasticidade, distonia cervical e migrânea
Características: halo de 1cm²�- tem apenas a forma ativa da toxina (em tese, menos alergênico)�- Não precisa ser refrigerado, mas depois de diluída, indica-se guardar refrigerado (off-label)�Indicações: blefaroespasmo, distonia cervical e espasticidade
Não vende no Brasil. �A peculiaridade é que é a toxina B�Armazenamento: refrigerado (2-8ºC)�Indicações: distonia cervical e sialorreia
Xeomin®: incobotulinumtoxinA
Myobloc®:rimabotulinumtoxina B
1U = 1U = 2-4U = 50-100U
Botox® Xeomin® Dysport® Myobloc®
Como funciona?
Cadeia leve: é a forma ativa da toxina, liga-se a um dos complexos do sistema SNARE (no caso da tipo A, à SNAP-25), impedindo a neurotransmissão.
Cadeia pesada (demais cores): conferem a especificidade da toxina aos neurônios colinérgicos. Se for injetada apenas a cadeia leve no citoplasma, outros neurotransmissores podem ser bloqueados.
Perda do efeito:�- 3 meses: ocorre por brotamento de novas sinapses. �- 6 meses: as sinapses originais são regeneradas e as neossinapses se desfazem.
Curiosidade: �- Toxina A: efeito maior sobre os neurônios motores. �- Toxina B: efeito maior sobre os neurônios autonômicos.
Diluições
Dose Máxima
Variam conforme a situação, mas há um raciocínio geral:
Músculos grandes (MMSS e MMII): diluição maior, para que a toxina se espalhe melhor.
Dysport: 500U em 5mL = 100U/mL� Botox: 100U em 2mL = 50U/mL
Músculos pequenos ou com risco de efeitos colaterais (p.ex. pescoço): concentrações maiores, para evitar a difusão da toxina para locais indesejados.
Dysport: 500U em 2,5mL = 2U/mL� Botox: 100U em 1mL = 100U/mL
Observações: alguns estudos com até 800U de Botox e um Guideline europeu recomenda até 600U para espasticidade, porém estas aplicações não são recomendadas em bula (uso off-label).
Referências:�- WISSEL, Joerg et al. European consensus table on the use of botulinum toxin type A in adult spasticity. 2009.�- CHIU, Shannon Y. et al. High-dose botulinum toxin therapy: Safety, benefit, and endurance of efficacy. Tremor and Other Hyperkinetic Movements, v. 10, 2020.
| Botox | Dysport |
Face | 200 | 240 (aprox.) |
Pescoço | 360 | 1000 |
MMSS | 400 | 1000 |
MMII | 400 | 1500 |
Adulto (máx.) | 400 | 1500 |
Criança (máx.) | 8U/kg ou 300 | 1000 |
Cuidado! Este medicamento é pirata!
Israderm: é um composto produzido no Paraguai, sem qualquer regulamentação, que se diz de alta qualidade e produzido em Israel. É totalmente falsificado, proibido tanto no Paraguai como no Brasil.
Às vezes, ainda é encontrado para venda no mercado livre ou por “representantes” via whatsapp. Não se deixe enganar!
Indicações
Contraindicações
Complicações
Absolutas: alergia, gestação ou infecção local
Relativas:
Do procedimento: Dor, hematoma ou infecção local
Da toxina: �- Alergia�- Formação de anticorpos�- Paresia temporária de músculos locais distantes�- Hipotrofia muscular (se injetado continuamente)
Localmente:�- Pode haver disfagia se aplicado próximo a músculos da deglutição�- No pescoço, pode haver perfuração inadvertida de áreas nobres (i.e. artérias ou veias calibrosas)
Escala de Espasticidade de Ashworth
1
1+
2
3 - limitação de amplitude
4 - Sem amplitude
Avaliação Inicial - História
Referências (segue abaixo do slide):
Diagnóstico de base: a sensibilidade à toxina botulínica quanto à espasticidade varia conforme a doença de base.
Avaliação Inicial - História
- Interferência nas atividades de vida diárias: o paciente usa o membro para algo? Se não, pode haver contraturas ou deformidades?
- Alimentação: a toxina pode interferir na deglutição? �- Em acamados: observar posicionamento no leito, higiene, troca de fraldas e roupas. �- Cadeirantes: corrigir o posicionamento na cadeira pode dar maior estabilidade, facilitar a troca de roupas, higiene e a transferência de um leito para outro.�- Marcha: � - A espasticidade ou distonia ajuda na marcha do paciente?� - Que tipo de suporte externo ou meio auxiliar de locomoção está indicado?� - Sempre filmar o paciente andando, pois há alterações que são dinâmicas e se manifestam apenas durante o movimento.
Avaliação Inicial - Exame Físico
Reto Femoral: manobra de Ely�- Com o paciente em decúbito ventral, pedir para ele fletir passivamente o joelho.�- Após, realizar a flexão passiva do membro, tentando encostar o calcâneo na nádega.
Interpretação: se o paciente não conseguir encostar o calcanhar no glúteo ou realizar uma pequena flexão no quadril ao realizá-lo, há contratura do reto femoral.
Gastrocnêmios/Solear: Manobra de Silfverskiöld (ou Silverskold) com a flexão do joelho, os gastrocnêmios relaxam, daí é possível avaliar se há espasticidade isoladamente do solear.
Iliopsoas: Teste de Thomas �- Deitado, com joelho estendido: serve para avaliar se há contratura do iliopsoas.�
Alterado (encurtamento do iliopsoas)
Membros Inferiores - Clique nos músculos
Membros Inferiores - Quadris
Adutores do Quadril
Origem:
Inserção:
Ação:
Técnica:
Cuidados:
Membros Inferiores - Quadris
Outros - farei em detalhes depois
Ileopsoas: palpar artéria femoral, afastar 3-4cm lateral e 2cm abaixo do ligamento inguinal. A agulha deve ser posicionada em direção à asa do íleo.
Membros Inferiores - Quadris
Adutores do Quadril
Técnica: aplica-se palpando os tendões desses músculos e inserindo a seringa em 45º (profundidade de 2-3cm). Como são vários músculos, se faz um “leque”, distribuindo a dose em 3 pontos.
Visão Posterior
Músculos:
Membros Inferiores - Quadris
Reto femoral
Origem: espinha ilíaca ântero-inferior e curvatura do acetábulo
Inserção: borda proximal da patela até a tuberosidade da tíbia.
Ação: �- Extensão do joelho, flexão do quadril �- Rotação anterior da pelve (se as pernas ficarem fixas)
Técnica:�- Aplicar no ponto médio da coxa.
Membros Inferiores - tornozelo
Solear
Origem: fíbula e tíbia
Inserção: calcâneo
Ação: flexão plantar
Técnica: palpar o tendão de aquiles e inserir a agulha abaixo da cabeça dos gastrocnêmios, em uma linha paralela ao tendão.
Cuidados: se a toxina for inserida no ponto médio (e não paralelo ao tendão de Aquiles), somente a parte tendinosa é que será aplicada, sem que haja efeito da toxina.
Membros Inferiores - Tornozelo
Tibial Posterior
Origem: ⅔ superiores da fíbula, membrana interóssea e sup. posterior da tíbia.
Inserção: osso navicular, cuneiforme medial e 2º-4º metatarsos.
Ação: flexão plantar e inversão do pé
Técnica: �- Paciente em decúbito ventral�- Inserir logo abaixo da cabeça medial do gastrocnêmio e posterior à margem medial da tíbia (indo em direção à fíbula).�- Profundidade: 2-4cm, não pode ser muito superficial, para não aplicar no flexor longo dos dedos. Pode ser necessária agulha de líquor.
Membros Inferiores - pés
Flexor longo dos dedos
Origem: superfície posterior da tíbia
Inserção: falanges distais do 2º e 5º dedos
Ação: flexão dos dedos, flexão plantar e inversão do tornozelo.
Técnica: no meio da tíbia, discretamente (1-2cm) posterior e em sua face medial. Profundidade: 1,5-3cm
Cuidados: se for inserido muito superficial, somente o solear (2) vai ser penetrado. Se for muito lateral ou muito profundamente, será o tibial posterior (3) que será aplicado.
dorsal
lateral
Flexor longo dos dedos
Tibial posterior
Gast. medial
Gast. lateral
Solear
Membros Inferiores
Quadrado Plantar
Origem: calcâneo
Inserção: tendão do flexor longo dos dedos
Ação: auxilia a flexão dos dedos do pé (dá o aspecto encavalado quando espástico)
Técnica: na superfície plantar, no ponto médio entre o 2º pododáctilo e o calcâneo. 1cm de profundidade.
Membros Superiores - Clique nos músculos
Ombro e Cotovelo
Punho e Mão
Membros Superiores - ombro
Músculo
Origem:
Inserção:
Ação:
Técnica:
Cuidados:
Membros Superiores - ombro
Redondo maior
Origem: ângulo inferior da escápula (borda lateral)
Inserção: tubérculo menor do úmero
Ação: rotação interna do ombro
Técnica: aplicar na borda lateral da escápula, 3-5cm superior ao ângulo inferior. A palpação do redondo maior nem sempre é possível, pois ele é muito próximo (e por vezes fundido) ao latíssimo do dorso).
Membros Superiores - cotovelo
Músculo
Origem:
Inserção:
Ação:
Técnica:
Cuidados:
Membros Superiores - cotovelo
Braquiorradial
Origem: logo acima do epicôndilo lateral do úmero
Inserção: próximo ao processo estiloide do rádio
Ação: flexiona o cotovelo e leva o antebraço a uma posição neutra (prona ou supina).
Técnica: 2-3 cm distal à prega do cotovelo, bem superficial.
Membros Superiores - cotovelo
Pronador Redondo
Origem: úmero e ulna
Inserção: rádio (aprox. ponto médio)
Ação: pronação (1º) flexão do cotovelo (2º)
Técnica: colocar o dedo indicador na prega do antebraço e o médio no epicôndilo da ulna. O músculo fica entre os dois dedos, medial ao tendão do bíceps e logo abaixo da veia intermédia do cotovelo. Local: 1-2cm distal à prega do cotovelo e medial ao tendão do bíceps.
Membros Superiores - Punho
Músculo
Origem:
Inserção:
Ação:
Técnica:
Cuidados:
Membros Superiores - Punho
Pronador Quadrado
Origem/inserção: extremidade distal do rádio e ulna
Ação: pronação do punho
Técnica: no dorso da mão, 5-6cm proximal ao punho, insere-se a agulha 90º, passa-se a membrana interóssea.
Cuidados: pela abordagem dorsal, nenhuma estrutura nobre é acometida.
Membros Superiores - Punhos
Palmar Longo
Origem: epicôndilo medial do úmero
Inserção: aponeurose palmar
Ação: flexor do punho
Palpação: o tendão é facilmente visível quando se pede para unir o 1º e 5º dedos. Após, palpar a extremidade medial do úmero.
Técnica: A injeção é realizada no terço proximal, bem superficial, para não chegar no flexor superficial dos dedos.
Membros Superiores - mãos
Flexor curto do Polegar
Origem: retináculo dos flexores e osso trapezoide
Inserção: falange proximal do polegar
Ação: flexão do polegar
Técnica:
Membros Superiores - mãos
Flexor Longo do Polegar
Origem: superfície anterior do rádio, membrana interóssea e processo coroide da ulna
Inserção: falange distal do polegar
Ação: flexão da falange distal do polegar
Técnica: exatamente no meio do antebraço, profundidade de 1-2cm. Tomar cuidado com a artéria radial
Membros Superiores - Mãos
Flexor Profundo dos Dedos
Origem: ulna e membrana interóssea
Inserção: falanges distais dos dedos 2-5
Ação: flexão dos dedos
Técnica: aplicar a 4cm do cotovelo, na face ulnar, profundamente (3-4cm), passando por cima da ulna.
Membros Superiores - Mãos
Outros (farei em detalhes depois)
Flexor superficial dos dedos: logo atrás da transição miotendínea dos flexores do carpo.
Flexor longo do polegar: entre o terço distal e médio do rádio, imediatamente medial a este osso.
Pescoço - Clique nos Músculos
Pescoço
Músculo
Origem:
Inserção:
Ação:
Técnica:
Cuidados:
Pescoço
Elevador da escápula
Origem: processos transversos de C1-C4
Inserção: ângulo superior da escápula (borda medial)
Técnica: realizar técnica palpatória (descrita adiante). Profundidade 3-4cm (suficiente para passar o trapézio, se necessário)
Pescoço
Elevador da escápula - Ações
Rotação lateral
Flexão lateral
Extensão
Elevação da escápula
Se Unilateral
Se Bilateral
Pescoço
Trapézio Descendente
Elevador da escápula
Esternocleidomastoideo
Palpação:
Elevador da Escápula
Pescoço
Esplênio da Cabeça (o nº1)
Origem: C7
Inserção: processo mastoide, atrás do esternocleidomastoideo.
Pescoço
Esplênio da Cabeça
Bilateral:� extensão da cabeça
Unilateral: �- Rotação ipsilateral (principal)
- Discreta flexão ipsilateral
- Discreta extensão da cabeça
Ações:
Pescoço
Trapézio Descendente
Esplênio da Cabeça
Abordagem Lateral:
Esplênio da Cabeça
Pescoço
Esplênio da Cabeça
Abordagem Posterior:
Pescoço
Esplênio da Cabeça
Técnica: posterior à inserção do esternocleidomastóideo. Profundidade: 2-3cm ( o suficiente para passar o trapézio).
Cuidados: superficialmente pode-se penetrar apenas o trapézio. Profundamente, pode-se penetrar o semiespinhal da cabeça. O problema principal é que o semiespinhal da cabeça e o esplênio fazem ações opostas.
Pescoço
Semiespinhal da Cabeça
Pescoço
Semiespinhal Cervical
C7 3cm lateral 1,5cm
Músculos do Pescoço
Palpação:
Cabeça - Clique nos Músculos
Cabeça
Oblíquo inferior (o nº4)
Origem: processo transverso de C1
Inserção: processo espinhoso de C2
Ação: conforme figuras
Extensão (bilateral)
rotação lateral (unilateral)
Flexão lateral da cabeça (secundária)
Técnica: inserir 1 cm lateral do processo transverso de C2, com 4cm de profundidade
Face
We injected 60 MU of BTX A
in each of both masseter muscles, as well as 10 MU of BTX in
the submentalis muscle because
of presence of a mild spasm in
this muscle
The dose of BTX-A injected into the medial pterygoid muscles was chosen based on our centre’s experience of favourable safety and efficacy profile. Group A were administered 30U BTX-A (or 0.6 mL NS) in a single site in each masseter muscle (total dose 60U).
Distonia do Escrivão
Glândulas Salivares
Bloqueios
Referência:
Fernandes L, et al. Pract Neurol 2021;21:30–35. doi:10.1136/practneurol-2020-002612
Quando indicar?
Como iniciar?
Quais cefaleias?
Bloqueios
Referência:
Fernandes L, et al. Pract Neurol 2021;21:30–35. doi:10.1136/practneurol-2020-002612
Nervos Occipitais Maior e Menor
Material
- Dexametasona 8mg/2mL - 2mL
- Lidocaína 2% - 2mL
Total: 4mL p/ occipital maior e 2mL p/ occipital menor.
Agulha: tamanho 25
Seringa: 5 ou 10 mL
Em literatura:
- Ideal seria com bupivacaína (maior meia-vida), porém não é disponível fora do centro cirúrgico.
- Corticoide deve ser feito apenas no nervo occipital maior.
Bloqueios
Referência:
Fernandes L, et al. Pract Neurol 2021;21:30–35. doi:10.1136/practneurol-2020-002612
Nervos Occipitais Maior e Menor
Técnica palpatória:
1) Palpar a proeminência occipital (inion)�
2) Traçar uma linha com o processo mastoide
�3) Dividir esta medida em 3 partes.
OBS: na figura, a superfície é curva, por isso não é uma linha reta.
Bloqueios
Referência:
Fernandes L, et al. Pract Neurol 2021;21:30–35. doi:10.1136/practneurol-2020-002612
Nervo Occipital Maior
Cuidado:
Técnica
A artéria occipital maior passa próximo a este nervo, geralmente lateralmente.
�Por isso, ao se puncionar, sempre deve-se aspirar a agulha antes de injetar o anestésico. ��A punção inadvertida pode ser corrigida com compressão local.
Bloqueios
Referência:
Fernandes L, et al. Pract Neurol 2021;21:30–35. doi:10.1136/practneurol-2020-002612
Nervo Occipital Menor
Cuidado:
Técnica:
Alguns pacientes têm tontura, náusea, lacrimejamento ocular, tanto pela ansiedade quanto pelo efeito vasovagal. Nesses casos, recomenda-se realizar o procedimento com o paciente em decúbito lateral, para que, em caso de síncope ou tontura, ele permaneça confortável.
Bloqueios - Trigêmeo
Anatomia do Nervo Trigêmeo
Ramo oftálmico
Ramo maxilar
Nervo trigêmeo
Gânglio trigeminal
Ramo mandibular
Ramo motor
Ramos sensitivos
Bloqueios - Trigêmeo
Ramo oftálmico
Olho: Informações Básicas
Referência:
Voirol, J. R., & Vilensky, J. A. (2014). The normal and variant clinical anatomy of the sensory supply of the orbit. Clinical Anatomy, 27(2), 169-175.
Ao passar pela fissura orbital superior e pelo seio cavernoso, o trigêmeo faz várias conexões com os demais nervos cranianos. Por este motivo, os pacientes que têm neurites isoladas do II, III, IV ou VI nervos também podem sentir dor; mesmo que, em sua origem, estes nervos só levem informações motoras.
Informações Básicas sobre Órbita
Frontal
Elevador da Pálpebra
Ramo do III nervo
Nervo óptico
Anel tendíneo comum (Ânulo de Zinn)
Ramo do III nervo
Tróclea
N. Supraorbital
N. Infratroclear
N. Supratroclear
Bloqueios - Ramo Oftálmico (V1)
Referência:
Voirol, J. R., & Vilensky, J. A. (2014). The normal and variant clinical anatomy of the sensory supply of the orbit. Clinical Anatomy, 27(2), 169-175.
Demais ramos cortados
N. Supraorbital
N. Supratroclear
Dor frontal medial
Dor frontal e/ou temporal
N. Infratroclear
Dor próxima ao nariz
Dor retrorbital
Bloqueios - Ramo Oftálmico (V1)
Referência:
Fernandes L, et al. Pract Neurol 2021;21:30–35. doi:10.1136/practneurol-2020-002612
Supraorbital
Técnica
Aplicação
forame supraorbital
nervo supraorbital
Bloqueios - Ramo Oftálmico (V1)
Referência:
Fernandes L, et al. Pract Neurol 2021;21:30–35. doi:10.1136/practneurol-2020-002612
Supratroclear
Técnica
Aplicação
forame supraorbital
nervo supratroclear
Bloqueios - Ramo Oftálmico (V1)
Referência:
Santos Lasaosa S, Cuadrado Pérez ML, Guerrero Peral AL, Huerta Villanueva M, Porta-Etessam J, Pozo-Rosich P,
et al. Guía consenso sobre técnicas de infiltración anestésica de nervios pericraneales. Neurología. 2017;32:316—330
Infratroclear
Técnica
Bloqueios
Ramo Maxilar (V2)
Bloqueios - Ramo Maxilar (V2)
Referências:
Alexander CE, Dua A. Sphenopalatine Ganglion Block. [Updated 2022 May 1]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2022 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK557751/��Robbins, M.S., Robertson, C.E., Kaplan, E., Ailani, J., Charleston, L., IV, Kuruvilla, D., Blumenfeld, A., Berliner, R., Rosen, N.L., Duarte, R., Vidwan, J., Halker, R.B., Gill, N. and Ashkenazi, A. (2016), The Sphenopalatine Ganglion: Anatomy, Pathophysiology, and Therapeutic Targeting in Headache. Headache: The Journal of Head and Face Pain, 56: 240-258. https://doi.org/10.1111/head.12729
Gânglio esfenopalatino (também conhecido como pterigopalatino)
Inervação:
Sensitiva: ramo mandibular do n. trigêmeo (membranas nasais, palato mole e partes da faringe).�
Autonômica: �- Fibras simpáticas pré-ganglionares oriundas dos segmentos torácicos superiores da medula, que correm o gânglio cervical superior.�
- Fibras parassimpáticas: oriundas do núcleo salivatório superior (ponte). Geram funções secretomotoras para as mucosas nasal, oral, nasal, faríngea, glândulas lacrimais e dá ramos para os vasos sanguíneos meníngeos e cerebrais.
p/ glândula lacrimal
Bloqueios - Ramo Maxilar (V2)
Referência:
Alexander CE, Dua A. Sphenopalatine Ganglion Block. [Updated 2022 May 1]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2022 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK557751/
Gânglio esfenopalatino (também conhecido como pterigopalatino)
Evidências:
Bloqueio por gotejamento:
Doença: | Nível: |
Cefaleia em Salvas | 2B |
Neuralgia do trigêmeo (V2) | |
Migrânea | |
Hemicrania contínua | 4C |
Cefaleia pós-punção | |
Outras divisões da neuralgia do trigêmeo |
Bloqueios - Ramo Maxilar (V2)
Referência:
Kim, N.E.; Kim, J.E.; Lee, S.Y.; Gil, H.Y.; Min, S.K.; Park, B.; Kim, S.I.; Cho, R.Y.; Koh, J.C.; Choi, Y.H.; Kim, J.H.; Park, S.J.; Choi, J.B. Comparison of Temperature and Pain Changes between the Drip and Topical Methods of Administering the Transnasal Sphenopalatine Ganglion Block. J. Pers. Med. 2022, 12, 830. https://doi.org/10.3390/jpm12050830
Gânglio esfenopalatino (também conhecido como pterigopalatino)
Swab:
Gotejamento
Vantagem teórica:
Vantagem teórica:
1) Embeber um swab em lidocaína sem vasoconstritor
�2) Medir a distância da narina à articulação temporo-mandibular, para se ter uma estimativa de até onde a haste deve ir.
�3) Com o paciente em posição supina, introduzir a haste até o fim (como num teste de Covid) e deixar por 5min. Em tese, pode-se deixar por até 30min.
1)Com a parte plástica de um jelco tamanho 16, encaixar em uma seringa de com 2mL de lidocaína sem vasoconstritor e introduzir pela narina em direção à nasofaringe.
2) Manter o paciente em posição supina
3) Pressionar o êmbolo lentamente, gotejando por 10min, facilitando a dispersão e absorção da medicação.
Bloqueio predominante da área parassimpática.
Seria tecnicamente mais efetivo para migrânea e dor pós-punção.
Bloqueio predominante da área simpática (pelo gotejamento à parede posterior da orofaringe e bloqueio das fibras do gânglio cervical superior
Seria mais efetivo para herpes zoster
Bloqueios - Ramo Mandibular (V3)
Ramo Mandibular
Bloqueios - Ramo Mandibular (V3)
Referência:
Fernandes L, et al. Pract Neurol 2021;21:30–35. doi:10.1136/practneurol-2020-002612
N. Auriculotemporal
Dor temporal e na articulação temporomandibular
Bloqueios - Ramo Mandibular (V3)
Referência:
Fernandes L, et al. Pract Neurol 2021;21:30–35. doi:10.1136/practneurol-2020-002612
Auriculotemporal
Cuidado:
A artéria temporal tem íntima relação com este nervo.
O nervo facial passa na parte inferior, próximo ao lóbulo da orelha.
Bloqueios - Ramo Mandibular (V3)
Referência:
Fernandes L, et al. Pract Neurol 2021;21:30–35. doi:10.1136/practneurol-2020-002612
Auriculotemporal
Técnica
Aplicação
Bloqueios para outros tipos de dor
Referências:
Quando indicar?
Como iniciar?
Cefaleia
Profilaxia de Migrânea Crônica
Referência: Blumenfeld AM, Silberstein SD, Dodick DW, Aurora SK, Brin MF, Binder WJ. Insights into the Functional Anatomy Behind the PREEMPT Injection Paradigm: Guidance on Achieving Optimal Outcomes. Headache. 2017 May;57(5):766-777. doi: 10.1111/head.13074. Epub 2017 Apr 6. PMID: 28387038; PMCID: PMC5434948.
Diluição: Botox - 100 U/2mL (5U por 0,1mL)
Dose total: de 155 a 195 U
“Follow the pain”: Se houver um ponto localizado de dor predominante, injeções adicionais
de um ou ambos os lados podem ser administradas em até 3 grupos musculares específicos (occipital,
temporal, e trapézio), até a dose máxima de cada região.
Cefaleia
Profilaxia de Migrânea Crônica
Referência: Blumenfeld AM, Silberstein SD, Dodick DW, Aurora SK, Brin MF, Binder WJ. Insights into the Functional Anatomy Behind the PREEMPT Injection Paradigm: Guidance on Achieving Optimal Outcomes. Headache. 2017 May;57(5):766-777. doi: 10.1111/head.13074. Epub 2017 Apr 6. PMID: 28387038; PMCID: PMC5434948.
Esquema simplificado:
Esquema estendido:
Cabeça:
- Frontais: 4 pontos - 20U
- Corrugadores: 2 pontos - 10U
- Prócero: 1 ponto - 5U
- Occipitais: 6 locais - 30U
- Temporais: 8 locais - 40U�
Pescoço:
- Trapézio: 6 pontos - 50U
- Cervical paraespinhal 4 locais -20 U
31 locais, com 5 U de Botox em cada ponto.
Total: 105 U
Total: 70 U
Conforme princípio “follow the pain”, pode-se adicionar outros 2 pontos em cada trapézio, 1 ponto em cada temporal e 1 ponto em cada occipital
8 locais, totalizando 195 U.
Cefaleia
Profilaxia de Migrânea Crônica
Referência: Blumenfeld AM, Silberstein SD, Dodick DW, Aurora SK, Brin MF, Binder WJ. Insights into the Functional Anatomy Behind the PREEMPT Injection Paradigm: Guidance on Achieving Optimal Outcomes. Headache. 2017 May;57(5):766-777. doi: 10.1111/head.13074. Epub 2017 Apr 6. PMID: 28387038; PMCID: PMC5434948.
Cuidados na Avaliação Inicial:
Normal
No paciente normal, as injeções podem ser realizadas conforme o protocolo, sem outros cuidados relevantes.
Porém, o paciente pode ter alterações e assimetrias na face que gerarão resultados estéticos indesejáveis, prejudicando o tratamento, pois ele não vai querer continuar as aplicações.
Cefaleia
Profilaxia de Migrânea Crônica
Referência: Blumenfeld AM, Silberstein SD, Dodick DW, Aurora SK, Brin MF, Binder WJ. Insights into the Functional Anatomy Behind the PREEMPT Injection Paradigm: Guidance on Achieving Optimal Outcomes. Headache. 2017 May;57(5):766-777. doi: 10.1111/head.13074. Epub 2017 Apr 6. PMID: 28387038; PMCID: PMC5434948.
Cuidados na Avaliação Inicial:
Ptose palpebral com compensação pela ativação do músculo frontal
Nos casos de ptose, é muito importante avaliar de que modo o paciente está usando o restante da musculatura da face para compensar esta alteração.
No caso ao lado, a aplicação no músculo frontal pode gerar ptose, especialmente se for aplicada muito abaixo e muito lateralmente. A aplicação pode ser realizada, mas com cuidados:
Cefaleia
Profilaxia de Migrânea Crônica
Referência: Blumenfeld AM, Silberstein SD, Dodick DW, Aurora SK, Brin MF, Binder WJ. Insights into the Functional Anatomy Behind the PREEMPT Injection Paradigm: Guidance on Achieving Optimal Outcomes. Headache. 2017 May;57(5):766-777. doi: 10.1111/head.13074. Epub 2017 Apr 6. PMID: 28387038; PMCID: PMC5434948.
Cuidados na Avaliação Inicial:
Ptose palpebral por queda da sobrancelha�(geralmente simétrica, pelo envelhecimento)
A queda da sobrancelha pode ocorrer naturalmente com o envelhecimento. Neste caso, deve-se tomar os mesmos cuidados do slide anterior.
Caso o paciente tenha excesso de tecido adiposo nas sobrancelhas, encaminhá-lo para blefaroplastia, que também pode ajudar na elevação da pálpebra.
Cefaleia
Profilaxia de Migrânea Crônica
Referência: Blumenfeld AM, Silberstein SD, Dodick DW, Aurora SK, Brin MF, Binder WJ. Insights into the Functional Anatomy Behind the PREEMPT Injection Paradigm: Guidance on Achieving Optimal Outcomes. Headache. 2017 May;57(5):766-777. doi: 10.1111/head.13074. Epub 2017 Apr 6. PMID: 28387038; PMCID: PMC5434948.
Corrugador do supercílio
Prócero
Função: puxar a sobrancelha para a linha média e para baixo.
Técnica: aplicar no ventre medial do músculo, 90º. 1 ponto em cada músculo.
Função: puxar a parte medial da sobrancelha para baixo.
Técnica: aplicar no ventre medial do músculo, 90º. Ponto único, 5U.
Corrugador
Prócero
Cefaleia
Profilaxia de Migrânea Crônica
Referência: Blumenfeld AM, Silberstein SD, Dodick DW, Aurora SK, Brin MF, Binder WJ. Insights into the Functional Anatomy Behind the PREEMPT Injection Paradigm: Guidance on Achieving Optimal Outcomes. Headache. 2017 May;57(5):766-777. doi: 10.1111/head.13074. Epub 2017 Apr 6. PMID: 28387038; PMCID: PMC5434948.
Frontal
Função: elevar as sobrancelhas
Técnica:
⅓ superior da testa
Rima orbital
Canto lateral
Limbo
Canto medial
Frontal
Linha capilar
Forame supraorbital
Rima orbital
Linha do Limbo
Linha média pupilar
Cefaleia
Profilaxia de Migrânea Crônica
Referência: Blumenfeld AM, Silberstein SD, Dodick DW, Aurora SK, Brin MF, Binder WJ. Insights into the Functional Anatomy Behind the PREEMPT Injection Paradigm: Guidance on Achieving Optimal Outcomes. Headache. 2017 May;57(5):766-777. doi: 10.1111/head.13074. Epub 2017 Apr 6. PMID: 28387038; PMCID: PMC5434948.
Temporal
Função: retrair a mandíbula (fibras horizontais) e fechar a boca/apertar os dentes (fibras verticais)
Técnica: 4 pontos de cada lado, a 45º
Tragus
Linha do Tragus
Topo da Hélice
Cefaleia
Profilaxia de Migrânea Crônica
Referência: Blumenfeld AM, Silberstein SD, Dodick DW, Aurora SK, Brin MF, Binder WJ. Insights into the Functional Anatomy Behind the PREEMPT Injection Paradigm: Guidance on Achieving Optimal Outcomes. Headache. 2017 May;57(5):766-777. doi: 10.1111/head.13074. Epub 2017 Apr 6. PMID: 28387038; PMCID: PMC5434948.
Occipital
Função: puxar o escalpe para trás (age junto com o frontal)
Técnica: 3 pontos de cada lado, a 45º, subdérmico
Ínion
Crista nucal
Processo Mastoide
Cefaleia
Profilaxia de Migrânea Crônica
Referência: Blumenfeld AM, Silberstein SD, Dodick DW, Aurora SK, Brin MF, Binder WJ. Insights into the Functional Anatomy Behind the PREEMPT Injection Paradigm: Guidance on Achieving Optimal Outcomes. Headache. 2017 May;57(5):766-777. doi: 10.1111/head.13074. Epub 2017 Apr 6. PMID: 28387038; PMCID: PMC5434948.
Grupo muscular cervical
Função: rotação e extensão do pescoço.
Técnica: 3 pontos de cada lado, a 45º, intramuscular.
Manter dentro da área do cabelo.
Linha nucal
Cefaleia
Profilaxia de Migrânea Crônica
Referência: Blumenfeld AM, Silberstein SD, Dodick DW, Aurora SK, Brin MF, Binder WJ. Insights into the Functional Anatomy Behind the PREEMPT Injection Paradigm: Guidance on Achieving Optimal Outcomes. Headache. 2017 May;57(5):766-777. doi: 10.1111/head.13074. Epub 2017 Apr 6. PMID: 28387038; PMCID: PMC5434948.
Trapézios
Função: elevação do ombro, estabilização do pescoço.
Técnica: 3 pontos de cada lado, a 45º, subdérmico.
Bloqueios
Referência:
Avaliação Inicial
Dor
Nevralgia do Trigêmeo