Sergipe e suas oito Unidades de Gestão de Recursos Hidricos
Sergipe possui 8 unidades de gestão hídrica principais, classificadas entre rios federais e estaduais:
Federais: São Francisco, Vaza-Barris e Real (atravessam outros estados).
Estaduais: Sergipe, Japaratuba e Piauí (domínio inteiramente sergipano).
Litorâneas: Grupos de Bacias Costeiras 01 e 02.
Santana do São Francisco BH São Francisco
https://vilaaju.com.br/conheca-santana-de-sao-francisco-em-sergipe/
Pinhão – BH Vaza Barris
Indiaroba – BH Real
https://diariodoavoante.wordpress.com/wp-content/uploads/2013/12/indiaroba-sergipe-8.jpg
Jacarecica – BH Sergipe https://coderse.se.gov.br/governo-de-sergipe-intensifica-acoes-para-garantir-seguranca-das-barragens-sergipanas
Pirambu – BH Japaratuba https://al.se.leg.br/dia-estadual-do-rio-japaratuba-e-alerta-pela-preservacao/
Piauitinga – BH Piaui https://bemvindoasergipe.blogspot.com/
Sergipe é um Universo completo de Recursos Hídricos
INDIAROBA – BAIXO RIO REAL
“ LUGAR ONDE ATÉ O DIVINO ESPÍRITO SANTO ESCOLHEU PARA FICAR”
RIO REAL NO ESTADO DE SERGIPE
Em Sergipe, a bacia abrange os territórios de 8 municípios:
Poço Verde: Onde o rio Real faz limite geográfico inicial;
Tobias Barreto: Drenagem da cabeceira e transição agreste;
Tomar do Geru: Cortado por afluentes que alimentam o médio curso;
Itabaianinha: Importantes postos de monitoramento pluviométrico da bacia;
Riachão do Dantas: Norte da bacia, vertendo em direção ao talvegue principal;
Cristinápolis: Área de forte expressão da citricultura;
Umbaúba: Sub-bacias importantes, como a do Rio Itamirim;
Indiaroba: A foz estuarina que controla o estuário na margem sergipana.
Ecótono do semiárido.
AGRESTE, entre o sertão semiárido e a zona da mata
Poço Verde
“Conhecimento em abundância é potência pura!!! Mas, é apenas força sem controle, se não houver o envolvimento das pessoas que moram e vivem no Alto, no Médio e no Baixo Rio REal no uso deste conhecimento.”
“A VERDADEIRA GESTÃO NASCE DAS PESSOAS."
Indiaroba
Umbauba
Bacia hidrográfica e os múltiplos usos da água
Divisor de águas
entre bacias
Exultório
Bacia hidrográfica e os múltiplos usos da água
Bacia hidrográfica e os múltiplos usos da água
O Plano Estadual de Recursos Hídricos
Estado de Sergipe
Instrumento de gestão incrível, conduzido pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Ações Climáticas (SEMAC/SE).
Disponível na plataforma SERhidro,
Ferramenta indicativa para a reversão do quadro de degradação e conflito de usos na região sul e centro-sul de Sergipe.
A bacia abrange dinâmicas socioeconômicas e geográficas muito distintas — desde as cabeceiras e alto curso inseridos no polígono das secas e no domínio geológico do cristalino, até o baixo curso e estuário na planície litorânea de alta permeabilidade (domínio granular e cárstico).
Como o plano visa harmonizar o uso da água entre o abastecimento humano, a irrigação (fortíssima na região de citricultura) e a conservação ambiental, as metas e os municípios são bem integrados a essa dinâmica.
1. Principais Problemas Verificados (Diagnóstico)
1. Déficit no Balanço Hídrico e Sazonalidade Extrema:
O Rio Real apresenta um balanço hídrico deficitário em grande parte do ano.
Nas cabeceiras e no alto curso o rio possui um regime predominantemente intermitente.
A alta taxa de evaporação combinada com períodos cíclicos de estiagem severa reduz a disponibilidade de água superficial no interior da bacia.
2. Conflito pelo Uso Múltiplo da Água (Citricultura vs. Abastecimento)
Um dos pontos mais sensíveis na gestão compartilhada da bacia:
A região abriga um dos maiores polos de citricultura (produção de laranja) do país, Cristinápolis (SE).
Segundo o PERH-SE, esta demanda é grande e pressiona os mananciais superficiais e subterrâneos. O Plano aponta a necessidade de mediar a concorrência entre o uso para a agricultura irrigada e o abastecimento humano.
3. Degradação de Nascentes e Matas Ciliares
Há, segundo estudos e vistorias técnicas, comprometimento as zonas de recarga e cabeceiras:
O avanço do desmatamento para a abertura de pastagens e plantios eliminou a cobertura vegetal nativa.
A falta de cercamento de áreas de preservação permanente (APPs) promove a compactação do solo, acelera processos erosivos e causa o assoreamento dos riachos afluentes.
4. Vulnerabilidade à Poluição Difusa e falta de Esgotamento:
A qualidade da água na bacia sofre pressões tanto do ambiente rural quanto do urbano:
Contaminação Agrícola: O uso de defensivos agrícolas e fertilizantes nas proximidades dos cursos d'água representa um risco contínuo de contaminação química por escoamento superficial.
Saneamento Deficiente: Carência de sistemas de tratamento de esgoto doméstico. O lançamento de efluentes sem tratamento adequado in natura compromete as condições sanitárias dos rios de médio e baixo curso.
5. Salinidade Natural no Alto Curso
O trecho superior da bacia sofre com um problema de ordem geológica/climática. Devido às formações rochosas locais associadas às baixas precipitações do semiárido, a água das cabeceiras e de alguns aquíferos subterrâneos fraturados apresenta, naturalmente, altos índices de condutividade elétrica e salinidade (água salobra), limitando o seu uso imediato para o consumo humano e para certos tipos de culturas sem prévia dessalinização.
Trabalho da EMBRAPA
Reflexo no Baixo Curso: Toda essa soma de fatores diminui a força com que o Rio Real chega ao seu trecho estuarino no litoral. Com o fluxo de água doce enfraquecido, a cunha salina (água do mar) avança com mais facilidade rio adentro, alterando temporariamente o equilíbrio ecológico dos manguezais de Indiaroba e Mangue Seco.
2. Principais Metas a Serem Alcançadas
1. Metas de Regularização de Demandas e Controle de Conflitos
O grande problema é a pressão da irrigação sobre os corpos hídricos perenes e intermitentes.
Então :
Implementação do Cadastro Nacional de Usuários de Recursos Hídricos (CNARH):
Cadastrar os os usuários, para eliminar captações clandestinas;
Otimização de Sistemas de Irrigação:
Substituir a irrigação de baixa eficiência por sistemas de microaspersão ou gotejamento;
Alocação Negociada de Água:
Estabelecer termos de compromisso de transição e regras operacionais de restrição em períodos de estiagem severa, condicionando as vazões outorgadas à manutenção estrita da vazão ecológica (Q_90%) necessária para reter o avanço da cunha salina no estuário de Indiaroba.
2. Principais Metas a Serem Alcançadas
2. Metas de Qualidade da Água e Saneamento Ambiental
Mitigar a carga de poluição difusa agrícola e efluentes urbanos, apçicando as diretrizes dos Planos Regionais de Saneamento Básico (PRSB):
Ampliação da Coleta e Tratamento de Esgoto:
Elevar os índices de tratamento de efluentes domésticos para reduzir o aporte de carga orgânica in natura nos tributários do Real;
Controle de Poluição Difusa :
Desenvolver programas de extensão rural voltados às boas práticas agrícolas, estabelecendo zonas de amortecimento livres de defensivos químicos nas proximidades das drenagens.
2. Principais Metas a Serem Alcançadas
3. Metas de Conservação Ambiental e Recuperação de Zonas de Recarga
Recuperação e Isolamento de Áreas de Preservação Permanente (APPs):
Meta progressiva de cercamento de nascentes e matas ciliares degradadas no alto curso (região do ecótono semiárido em Poço Verde e Tobias Barreto);
Indução à Recarga Artificial e Manejo de Solo:
Disseminar práticas de conservação de solos (barragens subterrâneas, terraceamento e curvas de nível) nas vertentes agricultadas do Agreste para maximizar a infiltração de água das chuvas nas franjas dos aquíferos e mitigar o escoamento superficial erosivo.
2. Principais Metas a Serem Alcançadas
4. Metas de Fortalecimento Institucional e Integração Interestadual
Como o rio Real possui águas de domínio da União por fazer divisa de estados, a governança integrada é a chave para o cumprimento de qualquer meta física:
Plena Operacionalização do Comitê de Bacia:
Fortalecer a representação participativa do comitê do lado sergipano e sua articulação direta com o comitê baiano e com a ANA;
Compartilhamento de Dados de Monitoramento (SEMARH-SE e INEMA-BA):
Unificar a rede de monitoramento hidrometeorológico e de qualidade da água ao longo de toda a calha do rio Real, estabelecendo uma base cartográfica e de outorgas integrada.
2. Principais Metas a Serem Alcançadas
O Objetivo Final (Cenário de Prognóstico Desejável):
O horizonte pretendido pelo PERH-SE é converter o atual cenário de vulnerabilidade hídrica em uma dinâmica controlada, onde se estabeleça a garantia do abastecimento humano e a preservação do ecossistema estuarino e dos manguezais.
Ai surge a pergunta –
Mas, é possível?
Entre tantas histórias de sucesso:
1- A criação das Regras Operativas para os reservatórios de geração de energia elétrica do Paranapanema;
2 - A mudança da vazão de referência das Bacias da vertente do Paranapanema Paulista;
Mas, é possível?
3. Pactuações de Crise e Alocação Negociada (Bacia do Rio São Francisco)
O gerenciamento da severa crise hídrica na Bacia do Rio São Francisco (especialmente entre 2013 e 2018) é considerado um marco de mediação.
A Ação: O Comitê da Bacia (CBHSF), em conjunto com a ANA, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e o setor produtivo, coordenou a redução gradual e pactuada das vazões defluentes dos reservatórios de Sobradinho e Xingó para patamares históricos (abaixo de 550 m^3/s).
O Sucesso: Evitou-se o colapso do abastecimento humano em dezenas de cidades ribeirinhas e preservou-se a captação para os perímetros de irrigação de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), equilibrando a geração de energia com a segurança hídrica regional.
Mas, é possível?
4. Programa Produtor de Água e o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA)
Iniciado pela ANA e amplamente encampado por comitês de bacia e municípios, o programa inverteu a lógica tradicional da fiscalização punitiva.
A Ação: Foca no aporte de recursos financeiros (PSA) para produtores rurais que adotam práticas de conservação de água e solo em suas propriedades (como proteção de nascentes, terraceamento e cercamento de matas ciliares).
O Sucesso: O caso do município de Extrema (MG), no âmbito do projeto Conservador das Águas (essencial para o Sistema Cantareira), tornou-se referência mundial ao demonstrar o aumento real da qualidade e da regularidade da vazão dos mananciais através do engajamento voluntário do homem do campo.
PARTICIPE!
DO COMITÊ
DO CONSELHO ESTADUAL
Mas, é possível?
Sim, é possível
PARTICIPE!