MESA VIGILÂNCIA PARTICIPATIVA x VIGILÂNCIA POPULAR – II
Estudo de Coorte sobre Morbimortabilidade em ex-empregados de Fábrica de Fibrocimentos no RS
Dr Maria Juliana Moura Corrêa
PhD Epidemiologia
Pesquisadora Associada Enps/Fiocruz
Parcerias Estudo: MPT 4ª região, ENSP/Fiocruz e DVST/SES-RS
SUMÁRIO
Introdução
Embora o asbesto seja reconhecido como uma exposição ocupacional carcinogênica e alguns estudos sobre mesotelioma (Pedra 2014; Algranti et al., 2015 ) ainda é necessário o investimento de estudos sobre a magnitude do problema, níveis de exposição ao asbesto e a evolução histórica do mesotelioma e os cânceres relacionado a esta exposição por região do Brasil.
Introdução
A gravidade e letalidade dessa exposição, o uso do asbesto e suas implicações à saúde são negligenciadas. Isso ocorre devido a várias dificuldades que contribuem para o desconhecimento da magnitude do problema, entre elas:
Essas informações são fundamentais para o planejamento de prioridades da vigilância à saúde de grupo de trabalhadores potencialmente expostos ao asbesto e de seus efeitos sobre a saúde.
Objetivo
Historia de Luta de banimento - RS
2001
2002
população e dos trabalhadores expostos ao amianto no RS
2007
�2017
2018
Compromisso interinstitucional com ações integradas e participativas
DIRETRIZES
1. Atividades Formadoras
2. Estudo sobre morbidade
3. Estudo sobre mortalidade
4. Estudo sobre exposição
1. Vigilância do Expostos
2. Busca Ativa – Componente ABS e Vigilância
3. Reconstrução da história de exposição
1. Criação da ABREA RS
2. Advogacy
3. Comunicação sobre os riscos do amianto
Ensino e Pesquisa
Saúde do Trabalhado do SUS
Participação Social
Etapas das ações
Estudo de Coorte sobre Morbimortabilidade em ex-empregados de Fábrica de Fibrocimentos no RS
Planejamento das fases do estudo
Métodos – Estudo Morbidade�
A investigação integra pesquisa e vigilância dos expostos ao amianto;
O mapeamento dos expostos ao amianto por área geográfica dos territórios em saúde do ESF e UBS do SUS;
Inter-relaciona os componentes: saberes e ações na produção do conhecimento sobre essa exposição, vigilância, assistência em saúde, pesquisa e intervenção.
Estratégia integrativa de ação busca qualificar a compreensão da exposição ao asbesto, pela vigilância dos efeitos à saúde e a reconstrução da história da exposição.
Etapas da busca ativa
Formação dos entrevistadores
Inserção na reuniões da APS
Supervisão de campo
Busca ativa
Expostos ao amianto por cidade da região metropolitana de Porto Alegre - RS
72%
11%
0,7%
2,5 %
Sapucaia do Sul
Esteio
Fluxo da investigação população de expostos ao amianto. Empresa Isdralit 1960-2018
2673 Expostos – Esteio /Sapucaia do Sul
Cadastro empresa (1960-2017)
G-MUS
Sistema prontuário eletrônico -Sistema Único de Saúde- SUS
SIEL
Sistema de Informações Eleitorais - Tribunal Regional Eleitoral-TRE
859 Endereços Atualizados e visitados
653 Expostos não encontrado
72 óbitos de expostos informados
132 expostos entrevistados e encaminhados Raio X
Diagrama da busca ativa dos expostos
206 Expostos entrevistados e /ou familiar
Sistema Georrefenciamento - SUS
mapeamento por área geográfica dos territórios da APS
ABORDAGEM METODOLÓGICA DE PESQUISA-AÇÃO INTEGRADA A ATENÇÃO PRIMÁRIA DE SAÚDE
Resultados morbidade:
Caracterização da população
n=132 entrevistados
Sexo
Feminino - 4%
Masculino - 96%
Raça/cor
Branco - 82%
Negra/Parda -18%
Ocupação
Auxiliar/ajudante produção –75%
Operador de máquinas/mecânico – 15%
Outros – 10%
Sintomas
47% falta de ar
33% chiado no peito
20% medicamento para asma
14% Doença respiratória
Hábitos
53% são fumantes
Doenças
Bronquite/Asma – 19,3%
Pneumonia -16,9% ; Fratura Costela -16,9%
Cirurgia toráxica -13,3%- Enfisema -12,0%
Derrame Pleural -6,0% - Câncer de faringe -1,0%
Amianto no ambiente
9% caixa dágua de amianto
71% casas c/telhado de amianto
Questionário de Sintomas Respiratórios e Exposições Inalatórias Ocupacionais - Fundacentro
Resultados:
Os resultados do trabalho de busca ativa evidenciaram:
Resultados morbidade:
Inquérito Covid-19 :
n=132 entrevistados (informações sobre 126 expostos)
Sexo
Feminino - n=2 (1,7%)
Masculino - n=118 (98,3%)
Sintomas Covid
Não - n=32 (72,7)
Sim - n=10 (23,0)
Não sei – n=2 (4,5)
Testes covid
Não n=16 (39,5)
Sim n=26 (60,5)
Óbito Covid-19
10 óbitos
Métodos – Estudo de Mortalidade
Mapeamento de óbitos são oriundos de diversas bases de dados, mediante Linkage , para constituição da coorte de trabalhadores.
Definição da Latência pelo montagem dos períodos de exposição. O “tempo desde a primeira exposição” e “duração da exposição” como “a soma dos períodos de trabalho individuais” até a ultima exposição.
Duração da exposição, portanto corresponde à duração total do emprego na fábrica.
Definição do período de exposição - “ano da primeira exposição’’, corresponde ao ano civil em que o trabalhador foi contratado pela 1ª vez para trabalhar na empresa.
Métodos – Estudo de Mortalidade
Figura 1. Fluxo das informações de óbito e os sistemas de registro
1960
1985
2002
2013
2018
2020
ISDRALIT Início atividades Fibrocimento 1970
50 trabalhadores
CADASTRO DE TRABALHADORES DA EMPRESA - 1960 a 2018
BASE DE DADOS ACUMULADO DE ÓBITOS (SIM, RAIS, SUIB, SINDIREGIS, ABREA RS) n=732
Dados do CRC-Sindiregis
(72 trabalhadores, óbitos (n=7)
DO= 1985-2013
Relatórios Anuais de Indicadores Sociais RAIS- SUIB
(n=2.619 trabalhadores)
Óbitos (n=62)
1987 -2018
Sistema de informações sobre Mortalidade - SIM DATASUS RS
(n=3.202 trabalhadores)
Óbitos (n=662)
2002-2018
ABREA RS Expostos n=2
2020
(estado)
(estado)
(nacional)
Figura 1. Linha cronológica de óbitos em trabalhadores expostos ao amianto em empresa de fibrocimento por base de dados
Total=711 óbitos
(pós-análise)
Variáveis dependentes para estimar tempo exposição - Epidemiologia em Saúde do Trabalhador
Inicio do Contrato
Início do Estudo
Final do Estudo
Óbito
Mudança de setor
Duração da exposição
Duração do emprego
Tempo Desde a Primeira Exposição (TSPE, latência)
Risco por período (follow-up)
(Pessoa -ano)
TSPE
Início da Produção
Final do Contrato
relação exposição-desfecho
Mortalidade
Total de óbitos (até 05-2022) - 771
Neoplasias malignas – ( C00.9- C34.9) - 172 casos
Câncer de Pleura (C38.3) – 1 caso
Mesotelioma Maligno ( C45.0; C45.9) – 2 casos
Doenças Aparelho Respiratório (J11.8-J98.8) -110 casos
Doenças do aparelho circulatório (I05.9-I87.1) – 167 casos
Doenças do aparelho digestivo (K259- K92.2) – 42 casos
Perspectivas/Desafios
O principal desafio dos estudos de exposição ao amianto no Brasil é superar as lacunas das insuficiências das bases de dados, bem como do acesso aos dados e informações relevantes para essa vigilância.
A perspectiva de contribuir com estudos epidemiológicos ou de vigilância só é possível com a participação ativa dos trabalhadores e integração entre as instituições responsáveis pela defesa da Saúde dos Trabalhadores: - Instituição de ensino e pesquisa, Ministério Público do Trabalho e Ministério da Saúde/Cerest.
Equipe do Estudo de Coorte RS
Obrigada!
Equipe do trabalho de campo do projeto