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CAPOEIRA NA ESCOLA: DA HISTORIA SILENCIADA À PRATICA ANTIRRACISTA CONCRETA

  • Do racismo estrutural à aula de educação física

Leonardo Gamaliel

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Se amanhã a capoeira saísse da escola, o que as crianças perderiam além do movimento?

Reflexão Inicial

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O QUE É RACISMO ESTRUTURAL?

  • Diferença entre tipos de racismo
  • Racismo individual: quando alguém pratica um ato discriminatório.
  • Racismo institucional: quando uma instituição age de forma discriminatória.
  • Racismo estrutural: quando o próprio funcionamento da sociedade produz desigualdade racial, mesmo sem intenção explícita.
  • Conceito desenvolvido por Silvio Almeida

No livro Racismo Estrutural, ele explica que o racismo é parte da organização social, econômica e política do país. Ele não é um desvio — ele é estruturante.

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O QUE É RACISMO ESTRUTURAL?

Significa que está:

  • Na formação histórica do país (escravidão, pós-abolição sem políticas de inclusão)
  • No mercado de trabalho
  • No sistema educacional
  • No sistema de justiça
  • Na distribuição de renda
  • No acesso à moradia
  • Na representação na mídia

Estatisticamente, no Brasil:

  • Pessoas negras recebem salários menores.
  • Têm menos acesso ao ensino superior.
  • São maioria nas periferias.
  • São maioria nas abordagens policiais.

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CAPOEIRA COMO PRÁTICA ANTIRRACISTA E DE VALORIZAÇÃO DA CULTURA AFRO-BRASILEIRA

  • Compreender a historia do Brasil para compreender a historia da capoeira

Esta Foto de Autor Desconhecido está licenciado em CC BY-NC-ND

  • Entender o conceito de racismo estrutural

  • O racismo à brasileira disfarça-se de cordialidade e tolerância, mas nega, invisibiliza e inferioriza sistematicamente a cultura negra

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LETRAMENTO RACIAL

  • A socióloga France Winddance Twine define letramento racial como a capacidade de reconhecer, compreender e responder criticamente às dinâmicas do racismo na sociedade.

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LETRAMENTO RACIAL

  • Por que professores de Educação Física precisam de letramento racial?

1- Porque a Educação Física trabalha com o corpo

  • E o racismo também atua sobre o corpo.
  • Historicamente, corpos negros foram:
  • Hipersexualizados
  • Associados apenas à força física
  • Desvalorizados intelectualmente
  • Estereotipados como “bons para o esporte”

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LETRAMENTO RACIAL

  • Se o professor não tem letramento racial, pode reforçar isso sem perceber.

Exemplo:

  • “Você leva jeito porque tem o biotipo.”
  • “Negro é naturalmente bom no futebol.”
  • Parece elogio.�Mas reforça estereótipo biológico.

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LETRAMENTO RACIAL

2- Porque a quadra pode ser um espaço onde o racismo também aparece

  • Diferente de outras disciplinas, na Educação Física:
  • O corpo está exposto.
  • Há comparação constante.
  • Há disputa.
  • Há apelidos.
  • Há exclusão por desempenho.
  • Sem letramento racial, o professor pode:
  • Minimizar ofensas como “brincadeira”.
  • Não perceber isolamento.
  • Não intervir corretamente.

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LETRAMENTO RACIAL

3- Porque o currículo da Educação Física é historicamente eurocentrado

  • A maior parte do que ensinamos vem da Europa ou dos EUA:
  • Esportes coletivos tradicionais
  • Ginásticas europeias
  • Modalidades olímpicas
  • Onde entram:
  • Capoeira?
  • Jogos africanos?
  • Práticas afro-brasileiras?

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LETRAMENTO RACIAL

4- Porque representatividade importa no movimento

  • Quando o aluno negro só se vê:
  • Como atleta
  • Como corpo forte
  • Como destaque físico
  • Mas não como:
  • Produtor de cultura
  • Referência histórica
  • Intelectual
  • Há uma limitação simbólica.

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PORQUE O PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA PRECISA DE LETRAMENTO RACIAL?

5- Porque neutralidade não protege ninguém

  • Muitos professores dizem:
  • “Eu trato todos iguais.”

Mas tratar todos iguais em contextos desiguais mantém desigualdade.

  • Letramento racial ajuda o professor a:
  • Identificar desigualdades
  • Mediar conflitos corretamente
  • Ampliar repertório cultural
  • Construir ambiente seguro

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LEI 10.639/03

  • A Lei nº 10.639/03 torna obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana em todas as escolas de Ensino Fundamental e Médio, públicas e privadas.
  • Ela foi criada para:
  • combater o racismo na educação
  • valorizar a contribuição do povo negro
  • corrigir a invisibilidade histórica da cultura afro-brasileira

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CAPOEIRA NA ESCOLA

Escola ≠ treinamento esportivo

Formação integral da criança

Corpo como forma de aprender

Movimento com intencionalidade

Roda como espaço educativo

Respeito e convivência

Cooperação acima da competição

Cultura afro-brasileira

Identidade e pertencimento

Professor como educador

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SUGESTÕES DE ATIVIDADES AFRO-CULTURAIS

Amawolé é uma cantiga tradicional de origem africana, especialmente associada à região da República Democrática do Congo. Ela é cantada em línguas africanas como o Lingala e faz parte da tradição oral e musical infantil africana, sendo usada por crianças em brincadeiras e circulações de roda, além de atividades coletivas em escolas ou grupos culturais de lá.

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SUGESTÕES DE ATIVIDADES AFRO-CULTURAIS

Amawole

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SUGESTÕES DE ATIVIDADES AFRO-CULTURAIS

Amina Tole

As brincadeiras de mão associadas a essa canção envolvem as crianças formando um círculo (ronde) e, enquanto cantam, realizam uma série de movimentos coordenados com as mãos, batendo nas mãos umas das outras de forma ritmada. Esses movimentos podem incluir bater palmas, tocar as mãos dos vizinhos ou realizar outros gestos sincronizados.

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SUGESTÕES DE ATIVIDADES AFRO-CULTURAIS

Amina Tolé

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SUGESTÕES DE ATIVIDADES AFRO-CULTURAIS

Si mama kaa é uma cantiga e brincadeira tradicional de origem africana, transmitida pela oralidade e muito usada em contextos educativos.

Não possui letra fixa nem tradução literal única

O sentido da música aparece no ritmo, no corpo e na coletividade

Funciona no formato de canto, resposta e movimento

Palavras como “ruka” são comandos corporais, geralmente associados ao pular

Estimula coordenação motora, atenção, escuta e cooperação

Valoriza a cultura africana e afro-brasileira

Dialoga diretamente com a capoeira, onde canto e corpo caminham juntos

Pode ser usada para trabalhar BNCC, Lei 10.639/03, convivência e respeito

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SUGESTÕES DE ATIVIDADES AFRO-CULTURAIS

Si Mama Kaa

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SUGESTÕES DE ATIVIDADES AFRO-CULTURAIS

O Zimbolé é uma cantiga-brincadeira de matriz africana baseada no ritmo, na repetição e no uso do corpo como instrumento de aprendizagem. Não possui tradução literal nem registro fechado de um único país africano, pois faz parte de saberes transmitidos oral e corporalmente, comuns em culturas africanas, especialmente de matriz bantu. No Brasil, o Zimbolé foi ressignificado pela diáspora africana e hoje é utilizado no ambiente escolar como prática corporal cultural, alinhada à BNCC e à Lei nº 10.639/03, promovendo aprendizagem motora, rítmica e valorização da cultura afro-brasileira.

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SUGESTÕES DE ATIVIDADES AFRO-CULTURAIS

Zimbolé

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SUGESTÕES DE ATIVIDADES AFRO-CULTURAIS

A brincadeira Yapo é considerada de matriz africana não por existir hoje na África com esse nome específico, mas porque segue princípios culturais africanos de ensino e aprendizagem. Ela se baseia no canto coletivo, na repetição, no ritmo e na transmissão oral, elementos amplamente presentes em práticas infantis africanas. A palavra “Yapo” não possui tradução literal consolidada, funcionando como palavra sonora, comum em cantigas de tradição oral. Mesmo quando recriadas no Brasil, essas brincadeiras mantêm fundamentos africanos e fazem parte da herança cultural da diáspora negra, sendo reconhecidas como práticas educativas legítimas pela antropologia e pela pedagogia.

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SUGESTÕES DE ATIVIDADES AFRO-CULTURAIS

Yapo

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SUGESTÕES DE ATIVIDADES AFRO-CULTURAIS

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Pega-barbante

Essa atividade dialoga diretamente com a brincadeira africana conhecida como pega-rabo, presente em diferentes culturas do continente africano, onde o objetivo é proteger o próprio corpo e capturar simbolicamente o “rabo” do outro.

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Se amanhã a capoeira saísse da escola, o que as crianças perderiam além do movimento?

Reflexão Final

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ENCERRAMENTO

  • Ensinar capoeira na escola é assumir um compromisso que vai além do movimento. Exige estudo, planejamento, pensamento crítico e responsabilidade pedagógica. Cada brincadeira, cantiga e prática carrega história, cultura e disputa de sentidos. Quando nossa atuação é pautada no conhecimento e respaldada pela legislação, garantimos uma educação integral, consciente e respeitosa. Como professores, nosso papel na escola é também educar para o antirracismo, formar sujeitos críticos e valorizar saberes historicamente silenciados

“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.”

Nelson Mandela