FERNANDO NETO
MATRIZES
16.1
Define-se matriz do tipo m × n (lemos “m por n”) uma tabela com m ∙ n números dispostos em m linhas �e n colunas.
Os números que compõem uma matriz são chamados elementos ou termos. Para escrever uma matriz, dispõem-se os elementos entre colchetes, [ ], ou entre parênteses, ( ).
Definição de matriz
Matriz 3 × 2
Matriz 3 × 3
Matriz coluna
Matriz linha
Em uma matriz, cada elemento ocupa uma posição definida por determinada linha e determinada coluna, nessa ordem.
Um elemento genérico da matriz pode ser representado pelo símbolo aij, em que i indica a linha que o elemento ocupa �e j indica a coluna.
Genericamente, uma matriz A é representada por �A = (aij)m × n, em que 1 ≤ i ≤ m e 1 ≤ j ≤ n, com i e j ∈ ℕ.
16.2
Representação genérica de uma matriz
A =
m × n
Exercício resolvido
R1. Escrever a matriz A = (aij)2 × 3 na qual aij = i + 2j.
Uma matriz do tipo 2 × 3 é representada genericamente por:
A =
Aplicando a “lei de formação” dos elementos dessa matriz, temos:
Portanto: A =
16.3
Resolução
Exercício resolvido
R2. Escrever a matriz A = (aij)3 × 2 em que aij =
Uma matriz do tipo 3 × 2 é representada genericamente por:
A =
Quando i = j, temos aij = 10 + i, então:
Quando , temos aij = 0, então: a12 = a21 = a31 = a32 = 0
Portanto: A =
16.4
Resolução
Igualdade de matrizes
Quando duas matrizes A e B são de mesmo tipo, os elementos de mesmo índice, isto é, aqueles que ocupam a mesma posição, são denominados elementos correspondentes.
16.5
A =
B =
Exemplo
Nessas matrizes, os elementos correspondentes são:
a11 e b11
a13 e b13
a12 e b12
a21 e b21
a31 e b31
a22 e b22
a23 e b23
a33 e b33
a32 e b32
Exercício resolvido
R3. Determinar os valores de x e y que tornam as matrizes �A e B iguais.
A =
Para que as matrizes A e B sejam iguais,�devemos ter:
B =
Resolvendo o sistema pelo método da adição:
16.8
Resolução
Substituindo x por 4 em x – y = 5, temos:
4 – y = 5 ⇒ y = –1
Então:
x = 4 e y = –1
Uma matriz que tem todos os elementos iguais a zero é denominada matriz nula.
Indica-se uma matriz nula do tipo m × n por: 0m × n
a) 03 × 2 =
b) 02 × 4 =
16.9
Exemplos
Matriz nula
Toda matriz cujo número de linhas é igual ao número de colunas é chamada matriz quadrada.
Nesse caso, consideramos que a matriz com m linhas e �m colunas é do tipo m × m, ou que a matriz é de ordem m.
a) A = é uma matriz quadrada 2 × 2 ou, simplesmente,
matriz de ordem 2.
b) B = é uma matriz quadrada 3 × 3 ou matriz de
ordem 3.
16.10
Exemplos
Matriz quadrada
Diagonais de uma matriz quadrada
Toda matriz quadrada de ordem n tem duas diagonais.
Os elementos aij com i = j formam a diagonal principal da matriz; os elementos aij com i + j = n + 1 formam a diagonal secundária da matriz.
A =
diagonal secundária
diagonal principal
16.11
Exemplo
Matriz identidade
Chamamos matriz identidade a matriz quadrada em que todos os elementos da diagonal principal são iguais a 1 e os demais são iguais a zero.
Assim, em qualquer matriz identidade, temos: aij =
Indicamos uma matriz identidade de ordem n por: In
a) i3 =
b) i5 =
16.12
Exemplos
Matriz diagonal
Uma matriz é denominada matriz diagonal se é quadrada e todos os elementos que não estão na diagonal principal são nulos.
a)
b) I2 =
16.13
Exemplos
c) 04 × 4 =
Dada uma matriz A do tipo m × n, denominamos matriz transposta de A a matriz do tipo n × m cujas linhas são, ordenadamente, iguais às colunas de A.
Assim, se (a’ij)n × m é transposta de (aij)m × n, temos: a’ij = aji
Indicamos a matriz transposta de A por At.
16.14
Matriz transposta
a) A =
b) B =
então At =
então Bt =
Matriz simétrica
Uma matriz A é simétrica se é quadrada e coincide com sua transposta, isto é, se A = At.
a) A = é simétrica, pois A = At =
b) B = é simétrica, pois B = Bt =
Observe que, em uma matriz simétrica, quaisquer dois elementos simétricos em relação à diagonal principal são iguais.
diagonal principal
diagonal principal
16.15
Dada uma matriz A do tipo m × n, chama-se matriz oposta de A, e indica-se por –A, a matriz que somada com A resulta na matriz nula de mesmo tipo, ou seja: A + (–A) = 0m × n
+ =
Matriz oposta
Se A = , então –A = , pois:
16.18
Exemplo
Dadas duas matrizes de mesmo tipo, A = (aij)m × n �e B = (bij)m × n, a matriz soma A + B é a matriz �C = (cij)m × n, na qual cij = aij + bij para todo i e todo j.
Adição de matrizes
Considere as matrizes A e B: A = e B =
Para obter a matriz C = A + B, basta somar os elementos correspondentes de A e B:
C = + = =
16.17
Exemplo
Propriedades da adição de matrizes
Dadas as matrizes A, B, C e a matriz nula 0m × n, todas de mesmo tipo, valem as seguintes propriedades:
A + 0m × n = 0m × n + A = A
A + (–A) = (–A) + A = 0m × n
16.19
A diferença entre duas matrizes A e B, de mesmo tipo, �é a soma da matriz A com a oposta de B, isto é:� A – B = A + (–B).
Subtração de matrizes
Sejam: A = e B =
A – B = A + (–B) = – =
= + =
16.20
Exemplo
Resolução
Exercício resolvido
R6. Dadas as matrizes A = e B = , obter uma matriz X2 × 2 tal que A + X = B.
Representando a matriz X por: , temos:
+ = ⇒ =
Então:
16.21
Logo: X =
Também podemos determinar a matriz X usando as propriedades da adição de matrizes:
A + X = B ⇒ (–A) + A + X = (–A) + B ⇒ 02 × 2 + X = B – A ⇒
⇒ X = B – A
Assim: X = + ⇒ X =
16.21
R6.
Resolução
Exercício resolvido
Sejam a matriz A = (aij)m × n e k um número real, então k ∙ A �é uma matriz do tipo m × n obtida pela multiplicação de k por todos os elementos de A, ou seja, kA = (kaij).
Multiplicação de um número real por uma matriz
Se A = e k = 3, então:
k ∙ A = 3 ⋅ = =
16.22
Exemplo
Resolução
Exercício resolvido
R8. Determinar a matriz X na equação matricial 2X + A = X + B sabendo que: A = e B = .
Inicialmente, aplicamos as propriedades da adição à equação matricial:
2X + A = X + B
2X + (–X) + A + (–A) = X + (–X) + B + (–A)
2X – X = B – A ⇒ X = B – A
Então: X = – =
Logo: X =
16.24
Resolução
Exercício resolvido
R7. Determinar a matriz X na equação:
Aplicando a definição de igualdade, temos:
Logo: X =
16.23
Dadas as matrizes A = (aij)m × n e B = (bij)n × p, o produto de A por B é a matriz C = (cij)m × p, na qual cada elemento cij é a soma dos produtos obtidos multiplicando-se ordenadamente os elementos da linha i de A pelos elementos da coluna j de B.
Multiplicação de matrizes
16.26
iguais
O produto das matrizes A e B, indicado por A ∙ B, só é definido se o número de colunas de A é igual ao número de linhas de B. Esse produto terá o mesmo número de linhas da matriz A e o mesmo número de colunas da matriz B.
Am × n ∙ Bn × p = C m × p
Exemplo
Dadas as matrizes A = e B = , vamos determinar
A ∙ B.
Como a matriz A é do tipo 2 × 3 e a matriz B é do tipo 3 × 2, existe o produto A ∙ B (pois o número de colunas da matriz A é igual ao número de linhas da matriz B). �Então: A ∙ B = C, sendo C = (cij)2 × 2
16.26
Multiplicação de matrizes
Os elementos da matriz C são obtidos do seguinte modo:
16.26
Multiplicação de matrizes
Exemplo
A ∙ B = =
Assim, temos:
C =
Logo: C =
16.26
Multiplicação de matrizes
Exemplo
Dadas as matrizes A, B e C, valem as seguintes propriedades:
Propriedades da multiplicação �de matrizes
16.27
A ∙ B = e B ∙ A =
Dadas as matrizes A = e B = , obtemos os seguintes produtos:
Observe que A ∙ B ≠ B ∙ A.
16.27
Observe a seguir que nem sempre temos A ∙ B = B ∙ A. �Logo, não vale a propriedade comutativa na multiplicação �de matrizes.
Propriedades da multiplicação �de matrizes
A ∙ B = e A ∙ C =
Dadas as matrizes A = , B = e C = , �obtemos:
Observe que A ∙ B = A ∙ C, mas B ≠ C.
Mesmo quando A é uma matriz não nula, não podemos concluir, com base em A ∙ B = A ∙ C, que B = C, isto é, não vale a lei do cancelamento. Observe o exemplo.
16.27
Propriedades da multiplicação �de matrizes
A ∙ B = , que é a matriz nula.
Dadas as matrizes A = e B = , obtemos �o produto:
Observe que A ≠ 0 e B ≠ 0.
Temos ainda que um produto de matrizes não nulas pode �ser uma matriz nula. Veja:
16.27
Propriedades da multiplicação �de matrizes
Resolução
Exercício resolvido
R10. Resolver a equação matricial: X ∙ =
Para que essa multiplicação exista, é preciso que:
2 linhas;
Observe o esquema: Xm × n ∙ =
16.28
iguais
=
Exercício resolvido
Assim:
=
Igualando as matrizes, temos os sistemas:
Resolvendo os sistemas, obtemos: a = , b = , c = e d =
Logo: X =
16.28
e
Resolução
R10.
Seja A uma matriz quadrada de ordem n. Se existir uma matriz B, quadrada de mesma ordem, tal que
A ∙ B = B ∙ A = In, então B será a matriz inversa de A, indicada por A–1.
Matriz inversa
Quando uma matriz tem inversa, dizemos que ela é invertível ou não singular.
16.29
A–1 ∙ A= =
Exemplo
A inversa da matriz A = é matriz A–1 = , pois:
A ∙ A–1 = = e
Sendo A e B matrizes quadradas, pode-se demonstrar que, se
A ∙ B = I, então B ∙ A = I.
16.29
Matriz inversa
= =
Com base na igualdade de matrizes, construímos os sistemas:
Exercício resolvido
R11. Determinar, se existir, a inversa das matrizes:
a)
a) Se existir, a matriz A–1, inversa de A, é quadrada de �ordem 2, tal que A ∙ A–1 = I2.
Seja A–1 = . Pela definição, temos:
Portanto: A–1 = =
16.30
b)
a = 3 e c = –2
b = –4 e d = 3
Resolução
=
Com base na igualdade de matrizes, construímos os sistemas:
Exercício resolvido
b) Se existir, a matriz B–1, inversa de B, é quadrada de �ordem 2, tal que B ∙ B–1 = I2.
Seja B–1 = . Pela definição, temos:
16.30
e
Resolução
R11.
Exercício resolvido
b) Resolvendo o primeiro sistema:
Portanto, não há valores de a e de c que satisfaçam ambas as equações do sistema e, portanto, que tornem as matrizesa
e iguais.
0 = –3 (falsa)
Logo, a matriz B não admite inversa.
16.30
Resolução
R11.