1 of 11

O fim da �GUERRA FRIA�

lf_nunes

Prof. LUIZ FERNANDO NUNES

2 of 11

FIM DO MUNDO BIPOLAR

Prof. Luiz FERNANDO NUNES

A década de 1970 marca o início de uma relação de pretensa aproximação entre os blocos até então antagônicos. Se antes as disputas ocorriam no campo da propaganda, no campo militar, no ideológico e no social, a eleição de Richard Nixon, gera a aproximação com o então Secretário Geral do Partido Comunista da URSS, Leonid Brejnev.

Esse período ficou conhecido como détente, ou se distensão, em português. Era uma nova era de políticas bilaterais entre os países que pretendiam colocar fim ao risco nuclear entre as potências.

Pontos principais da détente

  • 1972: Assinatura de tratados de limitação ao poderio militar atômico. Foram os tratados SALT – Strategic Arms Limitation Treaty (Tratado sobre a Limitação de Armas Estratégicas);
  • 1974: Assinado tratado que proibia o teste com bombas nucleares subterrâneas com potência acima de 150 quilotons.
  • 1979: Brejnev e Jimmy Carter assinam, em Viena, o SALT-2, que acordava a necessidade de redução de mísseis e bombardeiros dos dois países.

Retração do processo de détente

  • Intervenção da URSS no Afeganistão, em 1979, por conta da Doutrina Brejnev, plano soviético que permitia a ação militar para garantir suas fronteiras, causa uma onda de condenação no mundo, inclusive com o boicote às Olimpíadas de Moscou em 1980.

3 of 11

MUDANÇAS NOS EUA

Prof. Luiz FERNANDO NUNES

Eleição de Nixon, republicano, marca uma nova aproximação pontual entre Ocidente e Leste Europeu

  • Em 1971: EUA admitem, na ONU, a entrada da China comunista;
  • Em 1972, Nixon se encontra com Mao Tsé-Tung. Lembrar que a China já tinha divergências com a URSS. Logo, essa aproximação estadunidense deve ser interpretada a partir de um prisma estratégico;
  • 1972: Assinatura do SALT;
  • A aproximação com países socialistas não significava uma guinada à esquerda nos EUA. Tanto que, ainda em 1972, os EUA participaram ativamente da derrubada do então presidente eleito do Chile, Salvador Allende, de tendência marxista, que empreendia no país reformas que desagradavam Washington. Allende, morto, foi substituído por Pinochet, dando início ao período ditatorial no Chile.

IMPORTANTE!

4 of 11

CHILE

Prof. Luiz FERNANDO NUNES

Golpe Militar - 1973

  • Salvador Allende foi eleito presidente do Chile para governar o país a partir de 1970, mas não concluiu o mandato;
  • Uma coalizão de partidos e forças de Esquerda o levaram à vitória: a Unidade Popular – UP;
  • A eleição apertada em apenas um turno, garantiu força à oposição, de modo que o reconhecimento da eleição pelo Congresso Chileno não ocorreu sem luta (Constituição Chilena previa que, caso o vencedor das eleições não conseguisse maioria absoluta na eleição, o Congresso precisaria ratificar o nome do novo presidente. Allende teve cerca de 30 a 35% dos votos);
  • A oposição estava centrada no Partido Nacional (Direita chilena) e a Democracia Cristã (centro). Ambos tentaram impedir a posse de Allende;
  • Acordo entre UP (Esquerda) e Democracia Cristã (centro), permitiu a confirmação do nome de Allende na presidência.

Em 11 de setembro de 1973, Allende foi retirado do poder e assassinado por meio de um Golpe Militar violento, inclusive com bombardeiros aéreos ao Palácio La Moneda, sede do governo chileno.

5 of 11

CHILE

Prof. Luiz FERNANDO NUNES

Derrubada de Allende marca o início da Ditadura Militar no Chile (Dez. de 1974 – Mar. de 1990)

    • Implantação de um modelo econômico neoliberal no Chile que eliminou serviços públicos, direitos sociais, congelamento de salários, quebra do sistema de aposentadorias etc.
      • Repressão impiedosa e cruel contra forças populares. Entre os mais perseguidos estavam os sindicatos, os partidos políticos de oposição ao Regime.

Mais quais eram as ações do governo Allende no Chile que atrapalhavam os planos dos opositores?

      • Os opositores políticos de Allende estavam ligados à burguesia chilena e ao projeto de dominação �latino-americano por políticas estadunidenses;
        • Allende tentou colocar em prática políticas anticapitalistas, buscando no operariado a sua base �de apoio – a Via Chilena ao Socialismo: A chegada ao socialismo seria possível sem a �quebra institucional, sem luta armada, sem processos revolucionários violentos. A via �eleitoral era possível com mobilização popular de suporte. Herdeira dos conceitos de �Gramsci, que pensava a conquista da hegemonia em sociedades onde a repressão não �era, ainda, violenta;
      • O apoio político a Allende se concentrava no Partido Comunista Chileno e no Partido �Socialista.

Pinochet

Allende

6 of 11

TRECHOS DO ÚLTIMO DISCURSO DE ALLENDE

Prof. Luiz FERNANDO NUNES

"Seguramente, esta será a última oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas da �Rádio Magallanes. Minhas palavras não têm amargura, mas decepção. Que sejam elas um castigo moral para quem traiu seu �juramento: soldados do Chile, comandantes-em-chefe titulares, o almirante Merino, que se autodesignou comandante da �Armada, e o senhor Mendoza, general rastejante que ainda ontem manifestara sua fidelidade e lealdade ao Governo, e que �também se autodenominou diretor geral dos carabineros.

Diante destes fatos só me cabe dizer aos trabalhadores: Não vou renunciar! Colocado numa encruzilhada histórica, �pagarei com minha vida a lealdade ao povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que entregamos à �consciência digna de milhares e milhares de chilenos, não poderá ser ceifada definitivamente. [Eles] têm a força, poderão �nos avassalar, mas não se detém os processos sociais nem com o crime nem com a força. A história é nossa e a fazem os �povos. [...]

Dirijo-me a vocês, sobretudo à mulher simples de nossa terra, à camponesa que nos acreditou, à mãe que soube de nossa �preocupação com as crianças. Dirijo-me aos profissionais da Pátria, aos profissionais patriotas que continuaram trabalhando �contra a sedição auspiciada pelas associações profissionais, associações classistas que também defenderam os lucros de uma �sociedade capitalista. Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e deram sua alegria e seu espírito de luta. Dirijo-me ao �homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, porque em nosso país o fascismo está �há tempos presente; nos atentados terroristas, explodindo as pontes, cortando as vias férreas, destruindo os oleodutos e os gasodutos, �frente ao silêncio daqueles que tinham a obrigação de agir. Estavam comprometidos.

A historia os julgará. Seguramente a Rádio Magallanes será calada e o metal tranquilo de minha voz não chegará mais a vocês. Não importa. Vocês continuarão a ouvi-la. Sempre estarei junto a vocês. Pelo menos minha lembrança será a de um homem digno que foi leal à Pátria. O povo deve defender-se, mas não se sacrificar. O povo não deve se deixar arrasar nem tranquilizar, mas tampouco pode humilhar-se. Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e seu destino. Superarão outros homens este momento cinzento e amargo em que a traição pretende impor-se. Saibam que, antes do que se pensa, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

Viva o Chile! Viva o povo! Viva os trabalhadores! Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a perfídia, a covardia e a traição."

7 of 11

RETOMANDO NIXON...

Prof. Luiz FERNANDO NUNES

O caso Watergate

  • Em 1972: membros do Partido Republicano de Nixon, foram flagrados tentando �colocar escutas para espionar os Democratas no Edifício Watergate;
  • A denúncia ocorreu por meio do jornal Washington Post;
  • Comprovada a participação da alta cúpula do governo, Nixon renunciou ao �mandato presidencial;
  • Assumiu o governo, o vice-presidente Gerald Ford (de 1974-1976), que concedeu�perdão pleno e absoluto à Nixon em 1975;
  • Ford viveu um período de desmoralização do Partido Republicano por conta �das ações internacionais, como a guerra do Vietnã, e a Crise do Petróleo, que �abalou a economia mundial;

  • Jimmy Carter, do Partido Democrata, foi eleito presidente (1977-1980): Assinatura do SALT-2 de políticas de Direitos Humanos, que influenciou os processo de retomada à democracia em ditaduras latino-americanas;

  • Carter se candidata à reeleição, mas perde para o Republicano Ronald Reagan, que fica por dois mandatos na presidência dos EUA

Gerald Ford

Jimmy Carter

Ronald Reagan

  • Durante o governo Reagan, a URSS via seus antigos apoiadores de fronteira se rebelarem. O caso clássico ocorreu na Polônia, a partir da organização do sindicato Solidariedade, sob liderança de Lech Wałęsa, que criticava a URSS por conta de suas ações repressoras. Reagan viu uma possibilidade de ganhar terreno e retomou os investimentos em arma mentos – Programa Guerra nas Estrelas: criação de um escudo protetor dos EUA através de mísseis;
  • Nos anos finais de governo, retomou negociações com a URSS;
  • O vice-presidente George Bush foi eleito (1989-1993);
  • Bill Clinton é eleito por dois mandatos (1993-2001). Caso Mônica Levinsky;
  • George W. Bush eleito por dois mandatos (2001-2009);
  • Barack Obama (2009-2017).

8 of 11

URSS entre 1964 e 1991

Prof. Luiz FERNANDO NUNES

Após a morte de Stalin, Nikita Kruschev ficou no poder até 1964, quando assumiu Leonid Brejnev

  • Governo marcado por um centralismo político-administrativo e um autoritarismo em relação às discordâncias internas e das áreas de influência soviética;
  • Aumento da burocracia estatal, o que leva à estagnação econômica na potência

Primavera de Praga (1968)

  • A Tchecoslováquia era governada por Alexander Dubcek, que buscava introduzis no país um “socialismo de �faceta humana”, dando grande incentivo às criações intelectuais e artísticas. Esse reformismo tcheco entrou �em colisão com centralismo de Brejnev;
  • Em agosto de 1968, tropas do Pacto de Varsóvia, entram na Tchecoslováquia e prendem Dubcek e partidários que, mais tarde, seriam expulsos do Partido Comunista. Foi substituído no país por Gustav Husák, conseguindo a URSS manter o domínio do país.

Fim do governo Brejnev

  • Eventos como a Primavera de Praga geraram críticas internas e externas ao centralismo e à burocracia soviética;
  • Alguns países da Europa Ocidental começaram a pontuar que não seria mais necessário um Partido Comunista para se chegar ao Socialismo, de modo que criaram a corrente do Eurocomunismo;
  • Na Polônia, o Solidariedade pleiteava um “socialismo democrático” o que, mais tarde, garantiu ao líder Lech Wałęsa o Prêmio Nobel da Paz, em 1983;
  • Na economia, o ritmo da produção industrial quanto da agrícola, caiu muito;
  • As exportações, antes de maquinário, focaram, quase que exclusivamente, em petróleo o gás;
  • Brejnev morreu em 1982, sendo substituído por Iúri Andropov (1982-1984) e Konstantin Tchernenko (1984-1985), da velha guarda do Partido Comunista. À morte de Tchernenko, chegou ao poder Mikhail Gorbatchev.

O ano de 1968 deve ser entendido como uma época de intensa mobilização no mundo

9 of 11

O GOVERNO GORBATCHEV

Prof. Luiz FERNANDO NUNES

Profundas mudanças políticas e econômicas na URSS

“O socialismo da perestroika é um socialismo de uma sociedade com economia eficaz, ciência, tecnologias e culturas avançadas”.

No plano externo, Gorbatchev propôs a desativação de todo o armamento nuclear soviético até o ano 2000.

Em 1987, assina com os EUA um acordo para desativação de mísseis de médio e curto alcance na Europa e na Ásia

PERESTOIKA (reestruturação): Abertura econômica

GLASNOST (transparência): Reestruturação política

A partir de 1990, as forças militares são reorganizadas, o que garante fim ao Pacto de Varsóvia um ano depois.

No plano interno, o Partido Comunista perdeu o monopólio do poder com a instalação do multipartidarismo e das eleições diretas já para o pleito de 1994.

As quinze repúblicas que formavam a URSS, desenvolveram, cada uma a sua maneira, processos que visavam a independência, quase todas a partir da ideia de um nacionalismo interno crescente.

Em agosto de 1991, líderes conservadores afastaram Gorbatchev em um Golpe que buscava reverter todas as mudanças produzidas pelo líder. Boris Yeltsin, líder político, convocou uma greve geral, conseguindo o apoio de civis e militares para derrotas os golpistas. Gorbatchev renuncia ao cargo de Secretário Geral do Partido Comunista, mantendo-se presidente da URSS, cargo já enfraquecido.

Em 1991, Estônia, Lituânia e Letônia declaram independência. Gorbatchev reconheceu a soberania dos países, que foram admitidos na ONU.

No Acordo de Minsk, foi declarado o fim da URSS e a formação da Comunidade de Estados Independentes (CEI).

Gorbatchev renunciou ao cargo de presidente em seguida.

10 of 11

AS MUDANÇAS NO LESTE EUROPEU

Prof. Luiz FERNANDO NUNES

�O Partido Comunista vira Partido Socialista sob nova orientação política e ideológica. Multipartidarismo passa a valer em 1989. Forte onda de privatizações atinge o país com maciça entrada de capitais estrangeiros para a realidade daquele país.

Agitações políticas do Solidariedade e o primeiro país do leste europeu a ser governado por uma maioria não comunista.

Todor Jivkov renunciou depois de 35 anos no poder. Em 1991, uma união de forças democráticas elege um governo não comunista.

Renúncia de Milos Jakes e o pluripartidarismo. Alesander Dubcek passa a governar país iniciando um processo de privatização da economia do país.

Manifestações populares foram reprimidas no país pelo governo. Os ânimos se acirraram e, em dezembro de 1989, o diretor do país Nicolae Ceausescu e sua esposa foram executados

Erick Honecker foi derrubado em 1989, quando cai o muro de Berlim, tendo início a unificação da Alemanha.

�Último país a se livrar da influência ditatorial com a queda de Enver Hocha. O Partido Democrata consegue maioria nas eleições de 1992.

Estoura a guerra civil no país, uma vez que o Partido Comunista é derrotado nas eleições em muitas localidades, mas vence na Sérvia e em Montenegro, mantendo o controle do país. Isso estimulou lutas de caráter étnico em busca de independência na região.

HUNGRIA

POLÔNIA

BULGÁRIA

TCHECOSLOVÁQUIA

ROMÊNIA

ALEMANHA ORIENTAL

ALBÂNIA

IUGOSLÁVIA

11 of 11

O FIM DA HISTÓRIA?

Prof. Luiz FERNANDO NUNES

Em 1989, Francis Fukuyama publicava seu famoso artigo “O fim da história?” na revista The National Interest. Argumentava que a difusão mundial das democracias liberais e do livre capitalismo de mercado possivelmente sinalizavam o fim da evolução sociocultural da humanidade.

Terminado o “socialismo real” e, consequentemente, o fim dos investimentos da URSS em seus membros, os países independentes sofreram com crises econômicas e políticas.

A alta inflação era recorrente nas economias daqueles países. A economia russa retraiu com uma queda considerável do PIB.