O Humanismo�ou �o nascimento da filosofia moderna
Luc Ferry
Humanismo
RESUMO
O mundo grego estoico 🡪 salvação na compreensão da ordem cósmica.
O cristianismo 🡪 salvação no amor em Deus e nova ética
Humanismo
“O mundo moderno vai nascer com o desmoronamento da cosmologia antiga e com o nascimento de uma extraordinária reavaliação das autoridades religiosas.”
Humanismo
Dois movimentos com uma mesma raiz:
Humanismo
Copérnico 🡪 Obra Sobre a revolução dos orbes celestes (1543).
Humanismo
Newton 🡪 Obra Principia mathematica (1687).
Humanismo
Descartes 🡪 Obra Princípios de filosofia (1644).
Humanismo
Galilei 🡪 Obra Diálogo sobre os Dois principais sistemas de mundo (1632).
Humanismo
Humanismo
Aniquilação dos princípios da cosmologia antiga:
Humanismo
Fragilizou os princípios religiosos
🡪 A idade da Terra.
🡪 A posição da Terra em relação ao Sol.
🡪 Data de nascimento do homem.
🡪 As espécies animais.
Humanismo
A atitude cética
Humanismo
Crise das referências
“a polidez e a civilidade, o sentido da história e o interesse pela política, os mínimos conhecimentos sobre literatura, religião, arte...”
Humanismo
Desorientação
Humanismo
Melancolia� de
Albrech Dührer
Humanismo
OS TRÊS EIXOS
THEORIA
ÉTICA
SABEDORIA
Humanismo
No plano teórico – Theoria
Como pensar o mundo?
Como compreendê-lo?
Como se situar nele?
Humanismo
Alexandre Koyré
“Destruição da ideia de cosmos[...], da destruição do mundo concebido como um todo acabado e bem ordenado, no qual a estrutura espacial encarnava a hierarquia dos valores e de perfeição... E da substituição deste por um Universo indefinido, e mesmo infinito, não comportando mais nenhuma hierarquia natural [...]”.
Humanismo
“[...] e unido pela identidade das leis que o regem em todas as suas partes assim como pela de seus componentes últimos situados todos no mesmo nível ontológico... Isso agora está esquecido, mas os espíritos da época foram literalmente perturbados pela emergência dessa nova visão de mundo, como dizem os célebres versos que John Donne escreveu em 1611, depois de ter tomado conhecimento dos princípios da revolução copernicana:”
Humanismo
A nova filosofia torna tudo incerto
O elemento do fogo está completamente extinto
O sol se perdeu, e a terra; e ninguém hoje
Pode mais nos dizer onde encontrá-la [...]
Tudo está em pedaços, toda coerência desaparecida.
Nenhuma relação justa, nada se ajusta mais.
John Donne
Humanismo
Uma nova teoria do conhecimento: uma ordem do mundo que não é mais dada, e sim construída
Humanismo
O dogma da imutabilidade celeste
A perfeição absoluta do cosmos residia no fato de que ele era eterno e imutável, que nada poderia mudá-lo.
A Ciência moderna contesta, com fatos, esta crença.
Humanismo
Aparecimento de uma supernova, 2009.
Humanismo
Superfície da Lua, 2009.
Humanismo
Sonda Atlantis, 2009.
Humanismo
Telescópio Spitzer
Humanismo
Sonda explorando Marte
Humanismo
Outras causas no âmbito da Economia e Política.
Mas no campo técnico é que ela importa mais.
A Theoria é a primeira atingida.
Muda totalmente de sentido.
KANT 🡪 a obra capital: Crítica da razão pura (1781).
Mundo não mais um cosmos, mas um caos.
Muda a forma de tentar compreendê-lo.
Humanismo
O conhecimento não pode mais assumir a forma de uma theoria no sentido próprio.
Theoria era theion orao = “eu vejo o divino”.
Mas não há mais nada de divino no mundo.
O mundo não está mais para a contemplação.
Ordem, beleza, bondade não mais a priori.
O mundo agora precisa ser “construído” pelo homem.
Humanismo
“Será necessário que o próprio ser humano, no caso, o sábio, por assim dizer, de fora, introduza a ordem nesse universo que, à primeira vista, não oferece nenhuma.”
Humanismo
Nova tarefa da Ciência moderna TRABALHO e construção de LEIS.
Dar um sentido ao Universo desencantado.
Não mais um espetáculo passivo, mas uma atividade do espírito.
Exemplo:
O princípio da causalidade
Humanismo
Princípio da causalidade
O pensamento é um agir, um trabalho que consiste em ligar fenômenos naturais entre si de modo a que eles se encadeiem e se expliquem uns pelos outros.
Humanismo
Um caso concreto
Claude Bernard: médico e biólogo do século XIX.
Obra Introdução à Medicina Experimental.
Detalhes de uma descoberta 🡪 a função glicogênica do fígado.
O açúcar no sangue dos coelhos.
Origem?
Dos alimentos ou do organismo?
Se do organismo, por qual órgão?
Humanismo
Separação dos coelhos em grupos:
1 – Ingerentes de alimentos doces.
2 – Ingerentes de alimentos sem doce.
3 – Em dieta.
Análise do sangue de todos.
Conclusão do exame: açúcar em todos.
A glicose era produzida pelo organismo.
Humanismo
O que significa o novo método?
A Ciência é um trabalho, uma atividade que consiste em ligar fenômenos entre si, em associar um efeito a uma causa.
Humanismo
KANT
A Ciência vai se definir como um trabalho de associação 🡪 SÍNTESE.
Sin-tese = pôr junto, dispor junto, ligar.
Humanismo
KANT
Juízos sintéticos a priori
Juízos sintéticos a posteriori
Humanismo
II – Uma revolução ética paralela à da teoria:
se o modelo a ser imitado não é mais dado, como era a natureza dos Antigos, agora é preciso inventá-lo...
Humanismo
KANT 🡪 consequências consideráveis no plano moral.
Humanismo
Todas as questões filosóficas devem ser retomadas e construídas
O pensamento moderno vai colocar o homem no lugar e na posição do cosmos e da divindade.
ANTROPOCENTRISMO
Humanismo
A doutrina da salvação, da moral e da reconstrução da teoria serão colocadas sobre a ideia de
HUMANIDADE
Humanismo
Cabe ao homem, pelo esforço de seu pensamento, introduzir sentido e coerência num mundo que parece a priori não possuir nenhum sentido.
Humanismo
Exemplo: A Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1789.
A filosofia moderna é um HUMANISMO.
Humanismo
Homem
≠
Animal
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Questão pertinente e não menor:
“porque é sempre comparando um ser ao que lhe está mais próximo que melhor se pode delimitar sua ‘diferença específica’, o que propriamente o caracteriza.”
Michelet: os animais seriam como “nossos irmãos inferiores”.
Humanismo
“é justamente essa diferença, essa especificidade radical que deve ser trazida à luz...”
Humanismo
A importância de ROUSSEAU
A diferença entre animalidade e humanidade: o nascimento da ética humanista.
O texto: Discurso sobre os fundamentos e a origem da Desigualdade entre os Homens (1755).
Humanismo
Os dois critérios para distinguir homem de animal:
1º - a inteligência.
2º - a sensibilidade.
Humanismo
ARISTÓTELES
O homem é um animal racional.
Foco na inteligência.
DESCARTES
O homem possui razão e sensibilidade.
O homem é máquina.
Corpos autômatos.
Os dois critérios para distinguir homem de animal:
1º - a inteligência.
2º - a sensibilidade.
Humanismo
ROUSSEAU
O homem possui inteligência, sensibilidade e faculdade de se comunicar.
Possibilita um pensamento inédito da salvação “acósmica” e não-ateia”.
A Etologia testemunha casos de inteligência e afetividade em alguns animais.
Rousseau rejeita as teses de Descartes e as teses antigas sobre o privilégio racional no homem.
Humanismo
O critério da distinção reside na:
LIBERDADE
PERFECTIBILIDADE
Humanismo
PERFECTIBILIDADE: “a faculdade de se aperfeiçoar ao longo da vida”.
O animal é perfeito “de imediato”, desde o nascimento.
O animal é por um instinto infalível, comum à sua espécie.
Ele é privado da liberdade e da capacidade de se aperfeiçoar.
Humanismo
“O homem vai se definir ao mesmo tempo por sua liberdade, por sua capacidade de se libertar do programa do instinto natural, por sua faculdade de ter uma história cuja evolução é, a priori, indefinida.”
Humanismo
Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens:
“Em cada animal não vejo senão uma máquina engenhosa, à qual a natureza ofereceu sentidos para recompor-se por si mesma, e para defender-se, até certo ponto, de tudo o que tende a destruí-la ou [...]
Humanismo
“Percebo exatamente as mesmas coisas na máquina humana, com a diferença de que a natureza faz tudo nas ações do animal, enquanto o homem concorre para as suas, na qualidade de agente livre. Um escolhe ou rejeita por instinto, e o outro, por um ato de liberdade: o que faz com que o animal não se afaste da regra que lhe é prescrita, mesmo quando lhe fosse vantajoso fazê-lo, e que o homem se afaste frequentemente [...]’
Humanismo
“Assim é que um pombo morreria de fome perto de uma vasilha repleta das melhores carnes, e um gato, diante de uma porção de frutos ou grãos, embora tanto um quanto o outro pudesse perfeitamente se nutrir com o alimento que desdenha, se ousasse experimentá-lo.”
Humanismo
“É assim que os homens dissolutos se entregam a excessos que lhes provocam febre e morte porque o espírito deprava os sentidos, e a vontade fala ainda quando a natureza se cala...”
Humanismo
“Mas, mesmo que as dificuldades que cercam todas essas questões permitissem a discussão sobre essa diferença entre o homem e o animal, há outra qualidade muito específica que os distingue, e sobre a qual não pode haver contestação: é a faculdade de se aperfeiçoar, faculdade que, com a ajuda de circunstâncias, desenvolve sucessivamente todas as outras e reside em nós, tanto na espécie quanto no indivíduo.”
Humanismo
Enquanto um animal é, ao fim de alguns meses, o que será durante toda a sua vida, e sua espécie, ao fim de mil anos, o que era no princípio desses mil anos. Por que o homem está sujeito a se tornar imbecil? Não é absolutamente porque retorna assim a seu estado primitivo, e o animal, que nada adquiriu e nada tem a perder, permanece sempre com seu instinto, e o homem, perdendo com a velhice e outros acidentes tudo o que sua perfectibilidade lhe havia feito adquirir, torna a cair mais baixo do que o próprio animal?
Humanismo
O pombo e o gato
Humanismo
O ser humano
“A vontade fala ainda quando a natureza se cala”.
Humanismo
Humanismo
Exemplo: a democracia X a lógica da seleção natural para garantir a proteção dos mais fracos.
Humanismo
O caráter antinatural da liberdade humana
O fenômeno do mal
Só o ser humano é capaz de se mostrar diabólico.
Humanismo
A agressividade dos animais
Humanismo
A agressividade humana
O mal radical 🡪 não consiste simplesmente em “fazer maldade”, mas de fazer uso do mal como projeto.
Maldade: o próprio demoníaco em nós.
CRUELDADE
Humanismo
O demoníaco parece ser específico do homem.
Prova: não existe nada no mundo animal, no universo natural, portanto, que se aparente à tortura.
Alexis Philonenko, historiador da filosofia 🡪 o museu da tortura em Gand, Bélgica.
Vitrine dos instrumentos de tortura.
Humanismo
Humanismo
A tortura gratuita está em excesso a toda lógica natural.
O sadismo: um prazer natural?
O gozo mediante o sofrimento do outro.
Questão: por que tanto prazer gratuito em transgredir o interdito; por que esse excesso no mal, mesmo que ele seja inútil?
Humanismo
Marquês de Sade (1740-1814)
Humanismo
Sacher-Masoch (1836-1895)
Humanismo
Humanismo
Humanismo
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TRÊS CONSEQUÊNCIAS
Portadores de História
Portadores de igual dignidade
Portadores de inquietação moral
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PRIMEIRA CONSEQUÊNCIA
Humanismo
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SEGUNDA CONSEQUÊNCIA
Sartre: O existencialismo é um humanismo.
Se o homem é livre, então não existe uma “natureza humana”, “essência de homem”, definição de humanidade que precederia e determinaria sua existência.
Humanismo
“A existência precede a essência”.
Humanismo
“Já que não há natureza humana, já que nenhum programa natural ou social pode prendê-lo totalmente, o ser humano, homem e mulher, é livre, indefinidamente perfectível, e não é absolutamente programado pelas pretensas determinações ligadas à raça ou ao sexo.”
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O homem:
um ser “em situação”.
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TERCEIRA CONSEQUÊNCIA
Porque é livre, o homem é um ser moral.
Não fosse livre, o homem não seria culpável.
Animais e coisas não são culpáveis.
Só o homem é culpável.
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Kant: Rousseau é o “Newton do mundo moral”.
Com sua ideia sobre liberdade humana ele foi o que Newton se tornara para a Física moderna.
O pai fundador da moral moderna.
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A HERANÇA DE ROUSSEAU
Uma definição do homem como “animal desnaturado”.
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Vercors 🡪 Os animais desnaturados 🡪 romance.
Enredo:
1950, uma equipe de cientistas britânicos vai para Nova Guiné em busca do “elo perdido”, do intermediário entre o homem e o animal. Buscam por fóssil de um macaco. Topam com uma aldeia de Tropis: quadrúmanos. Vivem como trogloditas, mas enterram seus mortos. Esse fato alumbra a equipe. Possuem um embrião de linguagem.
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Vercors – pseudônimo de Jean Bruller, escritor francês (1902-1991).
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KANT (1724-1804)
A mais importante moral laica
dos dois últimos séculos.
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A moral kantiana e os fundamentos da ideia republicana:
A “boa vontade”
A ação desinteressada
A universalidade dos valores
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A ideia de que a virtude reside na ação ao mesmo tempo desinteressada e orientada não para o interesse particular e egoísta, mas para o bem comum e “universal”.
=
Não vale apenas para mim, mas também para os outros.
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Os dois pilares da Crítica da razão prática:
DESINTERESSE
UNIVERSALIDADE
Definidores da Moral Moderna
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Desinteresse
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Enquanto minha natureza tende à satisfação dos interesses pessoais, tenho também a possibilidade de escapar de seu imperativo.
Eu posso lutar contra meu egoísmo.
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Moral antinatural e antiaristocrática.
Capacidade supostamente igual para todos os homens.
Marco: o valor ético do desinteresse se impõe com tal evidência, que não nos damos mais trabalho de pensar nele.
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Exemplos de interesse e desinteresse
A pessoa bajuladora
O taxista que me conduz
A carona
O mutirão
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Segunda dedução ética fundamental:
insistência no ideal do bem comum, na universalidade das ações morais entendidas como a superação dos exclusivos interesses particulares.
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Liberdade:
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Morais modernas do DEVER
Liberdade
Virtude da ação desinteressada
Preocupação com o interesse geral
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KANT 🡪 a definição moderna da moralidade vai se expressar daí em diante sob a forma de ordens indiscutíveis:
imperativos categóricos.
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Dado que a natureza não é mais modelo e contra ela precisamos lutar, a realização do bem não é mais evidente. Daí seu caráter imperativo.
Humanismo
Se fôssemos naturalmente bons, naturalmente orientados para o bem, não haveria necessidade de recorrer a ordens imperativas.
Humanismo
Não temos nenhuma dificuldade em saber o que seria necessário fazer para agir bem, mas nos concedemos sempre exceções, simplesmente porque nos preferimos aos outros.
Humanismo
Intenção desinteressada e universalidade do fim escolhido se reúnem na definição do homem como “perfectibilidade”.
Liberdade é capacidade de agir além dos imperativos do interesse privado.
Distância que faz caminhar rumo ao universal.
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MERITOCRACIA
Ética repousada inteiramente na ideia do mérito.
Dada a dificuldade em seguir os mandamentos da moral, apesar de reconhecê-los, há mérito em agir bem, em preferir o interesse geral ao particular, o bem comum ao egoísmo.
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Ética meritocrática de inspiração democrática.
Oposta em tudo às concepções aristocráticas da virtude.
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Razões:
Humanismo
Moral aristocrática e Moral meritocrática
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Fora de nós:
O terremoto de Lisboa de 1755, com milhares de mortos.
Na época, interrogaram os filósofos: essa hostilidade da natureza serviria como modelo?
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Em nós:
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Como refazer um mundo coerente entre humanos, sem recorrer para isso à natureza?
Exclusivamente na vontade dos homens, desde que eles aceitem se restringir a si mesmos, estabelecer seus limites, compreendendo que a liberdade de cada um deve, às vezes, terminar onde começa a liberdade do outro.
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Reino dos fins
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O homem se torna o centro do universo, o ser por excelência digno de respeito absoluto.
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Revolução extraordinária na época:
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Moral antiga 🡪 É a natureza que estabelece os fins do homem e à ética.
Hans Jonas 🡪 “os fins moram na natureza”.
A prática da virtude exige exercício 🡪 como no exercício de um talento.
A justa medida 🡪 mediania.
O ser monstruoso 🡪 dos extremos.
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Aristóteles
A virtude do olho torna o olho e a sua função igualmente perfeitos, pois é pela virtude do olho que a visão se completa em nós como deve.
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Na visão aristocrática, o virtuoso não é aquele que merece, que atinge a perfeição graças a esforços consentidos, mas aquele que funciona bem segundo a natureza e a finalidade que lhe é própria.
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Antigos 🡪 uma atualização bem-sucedida das disposições naturais de um ser.
Modernos 🡪 uma luta da liberdade contra a naturalidade em nós.
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No plano político:
Três marcas características:
Igualdade formal
Individualismo
Valorização da ideia de trabalho
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IGUALDADE
Todos os homens se equivalem.
A democracia se impõe.
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INDIVIDUALISMO
Não se tem mais o direito de sacrificar os indivíduos para proteger o Todo, pois o Todo é a soma dos indivíduos que não podem ser tratados como meios.
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TRABALHO
O trabalho se torna próprio do homem.
Aquele que não trabalha não é um homem pobre, mas um pobre homem.
Ele deve construir o mundo, torná-lo melhor por sua vontade.
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EDUCAÇÃO
O trabalho é o veículo essencial da realização de si.
Não há educação sem trabalho.
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O “COGITO” de DESCARTES
ou
a primeira origem da filosofia moderna
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René Descartes (1596-1650)
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COGITO ERGO SUM
“Penso; logo, existo”
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A noção de SUJEITO
Obras:
Discurso do Método (1637)
Meditações metafísicas (1641)
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Três ideias fundamentais
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PRIMEIRA IDEIA
CERTEZA torna-se o novo critério da verdade.
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SEGUNDA IDEIA
Rejeição absoluta de todos os preconceitos e de todas as crenças herdadas das tradições e do passado.
Sujeito livre e autônomo.
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TERCEIRA IDEIA
Invenção do espírito crítico.
Liberdade de pensamento.
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III – Da interrogação moral à questão da salvação: o ponto em que essas duas esferas jamais poderiam se confundir.
Humanismo
Emergência de morais leigas
Ética insuficiente
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Emergência de uma
ESPIRITUALIDADE MODERNA:
como pensar a salvação se o mundo não é mais uma ordem harmoniosa e Deus está morto?
Humanismo
DUAS GRANDES LINHAS:
1 – Religiões de salvação terrestre:
CIENTIFICISMO
PATRIOTISMO
COMUNISMO
Humanismo
Religiões de substituições, espiritualidades sem Deus, ideologias ateístas radicais.
Humanismo
NIETZSCHE
Revolução, pátria e ciência: com estes três ídolos foi possível salvar a fé.
Humanismo
2 – Sacralização da HUMANIDADE:
Secularização ou humanização do mundo.
KANT: pensamento alargado.
Mais HUMANIDADE.
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Referência Bibliográfica:
FERRY, Luc. Aprender a viver. Filosofia para os novos tempos. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012, p.115-173.