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As Parábolas do Reino

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Uma grande diversidade e abundância de parábolas sobre o Reino de Deus

Destacamos 3 grupos:

  • O Reino é comparado a um BANQUETE
  • O Reino ESTÁ PRESENTE no mundo, na história, na vida
  • O Reino (o Evangelho) é o MAIOR BEM e TESOURO

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Desde já poderíamos dizer que a expressão ‘Reino de Deus’ ou ‘Reino dos Céus’ são equivalentes e apontam, essencialmente, nestas direcções:

  • A vida eterna em Deus, o céu, onde Deus reina plenamente
  • A presença de Deus na história humana, a irrupção do poder de Deus na vida do mundo
  • A sua visibilidade e concretização na vida e pessoa de Jesus e do seu Evangelho
  • Um reino de justiça, paz e amor a construir na terra

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Parábola do Banquete

«Ouvindo isto, um dos convidados disse-lhe: “Feliz o que comer no banquete do Reino de Deus!”. Ele respondeu-lhe: Certo homem ia dar um grande banquete e fez muitos convites. À hora do banquete, mandou o seu servo dizer aos convidados: 'Vinde, já está tudo pronto.' Mas todos, unanimemente, começaram a esquivar-se. O primeiro disse: 'Comprei um terreno e preciso de ir vê-lo; peço-te que me dispenses.' Outro disse: 'Comprei cinco juntas de bois e tenho de ir experimentá-las; peço-te que me dispenses.' E outro disse: 'Casei-me e, por isso, não posso ir.’ O servo regressou e comunicou isto ao seu senhor. Então, o dono da casa, irritado, disse ao servo: 'Sai imediatamente às praças e às ruas da cidade e traz para aqui os pobres, os estropiados, os cegos e os coxos.'O servo voltou e disse-lhe: 'Senhor, está feito o que determinaste, e ainda há lugar.' 23*E o senhor disse ao servo: 'Sai pelos caminhos e azinhagas e obriga-os a entrar, para que a minha casa fique cheia.' Pois digo-vos que nenhum daqueles que foram convidados provará do meu banquete.»

(Luc. 14,15-24)

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Na versão do evangelho de São Mateus, o Reino é comparado a um banquete preparado por um rei para as bodas do seu filho:

«O Reino do Céu é comparável a um rei que preparou um banquete nupcial para o seu filho» (Mt. 22,2)

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Um BANQUETE sugere festa, alegria, abundância, excesso!

Ao comparar o Reino de Deus a um ‘banquete’, Jesus quer afiançar-nos que a vontade de Deus para a nossa existência e a realidade da vida eterna são festa, fraternidade universal e alegria sem fim!

E a isso TODOS são convidados!

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Parábolas da Presença do Reino em nós: trigo e joio, grão de mostarda, fermento

«Jesus propôs-lhes outras parábolas:

O Reino do Céu é comparável a um homem que semeou boa semente no seu campo. Ora, enquanto os seus homens dormiam, veio o inimigo, semeou joio no meio do trigo e afastou-se. Quando a haste cresceu e deu fruto, apareceu também o joio. Os servos do dono da casa foram ter com ele e disseram-lhe: 'Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio?' 'Foi algum inimigo meu que fez isto' - respondeu ele. Disseram-lhe os servos: 'Queres que vamos arrancá-lo?' Ele respondeu: 'Não, para que não suceda que, ao apanhardes o joio, arranqueis o trigo ao mesmo tempo. Deixai um e outro crescer juntos, até à ceifa; e, na altura da ceifa, direi aos ceifeiros: Apanhai o joio e atai-o em feixes para ser queimado; e recolhei o trigo no meu celeiro.'��O Reino do Céu é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. É a mais pequena de todas as sementes; mas, depois de crescer, torna-se a maior planta do horto e transforma-se numa árvore, a ponto de virem as aves do céu abrigar-se nos seus ramos.��O Reino do Céu é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até que tudo fique fermentado.» (Mt.13)

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Estas parábolas sugerem e convidam à confiança e à esperança, já que o Reino (a presença poderosa e amiga de Deus) habita o coração do mundo e da história, habita todos e cada um – no meio das vicissitudes da vida – e é presença que vai crescendo e se vai desenvolvendo, e nunca é estéril: «A palavra que sai da minha boca não volta sem ter produzido o seu efeito, sem ter cumprido a minha vontade, sem ter realizado a sua missão» (Is. 55,11)

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Mesmo que invisível, mesmo parecendo ausente, Deus não abandona:

«O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou» (Mc 4,26-29).

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Parábolas do Reino como o maior Bem e Tesouro

«O Reino do Céu é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem encontra. Volta a escondê-lo e, cheio de alegria, vai, vende tudo o que possui e compra o campo. �O Reino do Céu é também semelhante a um negociante que busca boas pérolas. Tendo encontrado uma pérola de grande valor, vende tudo quanto possui e compra a pérola.» (Mt.13,44s)

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Estas parábolas certamente significam que, para o discípulo de Jesus, os valores do Evangelho são o que há de mais importante; que a pessoa de Jesus é única e só Ele é a nossa luz, «o caminho, a verdade e a vida» (Jo. 14,6).

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Por isso mesmo, disse Jesus:

«Procurai primeiro o Reino de Deus e a Sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo»

(Mt 6, 33)

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Tudo isto nos conduz a considerar a religião cristã como uma religião de futuro e amiga do ser humano!

De facto, as Parábolas do Reino, assim como todas as outras, revelam um Deus de festa e alegria, um Deus de justiça, paz e responsabilidade social, um Deus presente, próximo e amigo do ser humano.

Neste sentido, o cristianismo supera toda a crítica da modernidade à religião, e pode ser considerado como «a religião de saída da religião» (M.Gauchet) e como «a religião do futuro da religião» (J.P.Willaime).

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O cristianismo, ao ser a religião da saída da religião, torna-se a religião do futuro da religião. Integra na sua autocompreensão não só o carácter laico e pluralista da sociedade, mas também o princípio fundamental da liberdade do indivíduo e da sua autonomia. O cristianismo é então uma oferta de sentido, aponta para Deus e para o próximo, tem exigências éticas, mas sem impor normas. Inscreve-se numa sociedade de debate que procura ajustar constantemente as suas normas às evoluções da vida.

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Eis porque, embora não querendo comparações inúteis com outras religiões nem, muito menos, um espírito de superioridade face a elas, o cristianismo pode orgulhar-se de estar na vanguarda na luta por um mundo mais justo e humano, através das 3 grandes notas que hoje inspiram o pensamento e acção da Igreja, ao menos nos seus documentos programáticos: solidariedade, inculturação, diálogo inter-religioso. Poderá haver algo de mais avançado ou ‘progressista’ do que isto? São estes os valores do REINO !

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Veja-se esta tripla perspectiva na Redemptoris Missio, do Papa J.Paulo II (1990) , e na Exortação Apostólica Verbum Domini, do Papa Bento XVI (2010):

  • «Encarnar o Evangelho nas culturas dos povos» (RM 52-54), «O diálogo com os irmãos de outras religiões» (RM 55-57), «Promover o desenvolvimento, educando as consciências» (RM 58-59);
  • Terceira Parte da Verbum Domini: «Palavra de Deus e compromisso no mundo» (VD 99-108), «Palavra de Deus e culturas» (VD 109-116), «Palavra de Deus e diálogo interreligioso» (VD 117-120).

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E hoje, por isso, apesar de parecer o contrário, a oferta evangelizadora da Igreja tem uma grande oportunidade

- É CERTO QUE O CRISTIANISMO AINDA NÃO RECUPEROU DO AFASTAMENTO DA CULTURA E DA SOCIEDADE MODERNA.

- ATÉ HÁ QUEM FALE EM ‘EXCULTURAÇÃO’ DO CRISTIANISMO (Danièle Hervieu-Léger e A.Fossion)

- MAS A VERDADE É QUE A MODERNIDADE E O MITO DO PROGRESSO NÃO TROUXERAM A PROMETIDA FELICIDADE!

- ENTÃO, VIVEMOS HOJE ‘UMA NOVA OPORTUNIDADE’ PARA O EVANGELHO (C.THEOBALD), UM KAIROS !

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O Reino de Deus é utopia, não no sentido de algo irrealizável, mas de algo de sonho possível a construir ! E daí a importante oferta do Evangelho à nossa cultura:

«a Igreja está chamada a dar uma alma à sociedade moderna (...) E esta alma deve infundi-la não desde cima ou de fora, mas passando ao interior, fazendo-se próxima do homem de hoje. Impõe-se portanto a presença activa e a participação intensa na vida do Homem»

J.Paulo II, Discurso no Simpósio das Conferências Episcopais

da Europa, 11 de Outubro de 1985