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FRANCISCO

SOUSA

GEOGRAFIA

ECONOMIA GLOBAL: TRANSNACIONAIS E TRABALHO

08/04/2022

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A INFLUÊNCIA DAS TRANSNACIONAIS NA ECONOMIA GLOBAL

A globalização do capital e da produção permitiu expandir e consolidar a influência das empresas transnacionais na economia global.

A expansão e a consolidação das transnacionais ocorreram principalmente após a Segunda Guerra Mundial, quando essas empresas, que geralmente atuavam nos países com maior desenvolvimento, passaram a investir em países em desenvolvimento emergente. Além de encontrar matérias-primas e mão de obra baratas e abundantes, havia uma busca por sistemas fiscais favoráveis, legislações trabalhistas e ambientais moderadas ou inexistentes, economia de impostos por meio de estratégias fiscais, mercados consumidores em potencial e energia de baixo custo.

Na atualidade, além das empresas transnacionais dos países com maior desenvolvimento, existem milhares de empresas com sede em outros países, por exemplo sul-coreanas, indianas, mexicanas e brasileiras. As empresas transnacionais concentram um poder capaz de influenciar governos nacionais e condicionar relações entre países.

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TRANSNACIONAIS: CONCORRÊNCIA E PARCERIA

Duas características atuais do processo de transnacionalização das empresas são a concorrência e, ao mesmo tempo, a cooperação entre elas, por meio da formação de trustes, holdings e cartéis.

TRUSTE é a fusão e incorporação de empresas para dominar determinada oferta de produtos ou serviços. Um exemplo é o grupo Time-Warner, gigante da área de comunicações.

HOLDING é uma empresa criada para administrar diversas empresas, formando-se um grupo. A holding possui a maioria das ações do grupo. A empresa chinesa de energia elétrica State Grid é um exemplo de holding, que, a propósito, vem se expandindo ao redor do mundo. Em 2018, por exemplo, era detentora de 12 concessionárias brasileiras de transmissão de energia, o que evidencia a ascensão chinesa no atual cenário econômico internacional.

CARTEL é uma associação ou combinação entre empresas, em geral de um mesmo segmento, para garantir o controle da produção e dos preços. Cada empresa conserva sua administração independente.

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O poder das transnacionais

Por causa de sua importância econômica, algumas transnacionais têm o poder de influenciar a economia global de acordo com os próprios interesses. Atuam também nas esferas do poder político, a ponto de interferir em ações governamentais a fim de estabelecer normas que facilitem seu desempenho. Realizam maciços investimentos tanto no país de origem como em outros países que oferecem diversas vantagens, como a disponibilidade de matéria-prima e mão de obra baratas, mercados consumidores promissores para a expansão de seus negócios, leis e fiscalização mais brandas ou ausentes, além de grandes oportunidades oferecidas pelos governos locais de redução de impostos, que favorecem a lucratividade dessas empresas.

Com base nesse cenário, as transnacionais são responsáveis por uma nova forma de produção: a fábrica global.

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A FÁBRICA GLOBAL E A NOVA DIVISÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO

Com o objetivo de aumentar os lucros, as transnacionais industriais se apoiam em uma forma descentralizada de produção, em que cada etapa pode ser desenvolvida em um país diferente, de acordo com as vantagens que o país oferece quanto aos custos de produção, a margem de lucro e a possibilidade de aumentar sua competitividade no mercado global.

Nessa cadeia produtiva, industrial, uma empresa transnacional pode, por exemplo, fabricar um componente de seu produto (computador, carro, caminhão etc.) em um país, produzir outro em um segundo país e fazer a montagem do produto final em um terceiro, mantendo, normalmente, o centro administrativo da empresa no país de origem.

Para isso, as transnacionais contam com uma eficiente estrutura de distribuição e sofisticados sistemas de transporte e de comunicação, que “encurtam” o espaço mundial e permitem a chegada de seus produtos a diferentes pontos do mundo com preços mais competitivos.

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Repare que essa realidade é bastante diferente daquela do século XIX até meados do século XX, quando os países industriais, principalmente as potências europeias e os Estados Unidos, exportavam manufaturados para os países de economia primária da América Latina, Ásia e África, que, por sua vez, exportavam produtos agrícolas e minerais para os países industriais. Na fábrica global, a cadeia produtiva descentralizada e as inovações tecnológicas intensificaram os fluxos comerciais e modificaram o mercado de trabalho, exigindo mão de obra qualificada e criando novas formas de desemprego. Entenda a seguir como isso acontece.

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O AUMENTO DO DESEMPREGO NA ECONOMIA GLOBAL

Existem muitas causas para o desemprego, mas, na atual fase da globalização, a inserção das inovações tecnológicas nos processos produtivos tem contribuído para aumentar o problema. A esse tipo de desemprego dá-se o nome de tecnológico ou estrutural, derivado, em grande parte, da substituição da mão de obra pela mecanização, pela automação e pela informatização do processo produtivo. Embora mais presente nos países desenvolvidos, o desemprego tecnológico também atinge os demais países.

Entretanto, é importante compreender que não é somente a introdução de tecnologias nas cadeias produtivas a responsável pelo desemprego estrutural, mas sim a lógica do capital que, por meio de novas técnicas de produção, visa economizar com o pagamento de mão de obra e obter mais lucros.

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Às dificuldades impostas pelo desemprego estrutural somam-se, ainda, as do desemprego conjuntural ou cíclico, que diz respeito à dispensa de mão de obra durante uma crise econômica — período em que as demissões são temporárias e os empregos são retomados quando a crise é superada. Esse é o caso do Brasil que, além do desemprego estrutural, passou a ter também forte desemprego conjuntural a partir de 2014, em razão da crise política e econômica.

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O DESEMPREGO ESTRUTURAL

O desemprego estrutural é resultante da modernização das estruturas produtivas e de trabalho, que ocorre com a mecanização e a automação nos processos de produção e com o aprimoramento dos processos de trabalho.

Como vimos, o uso de máquinas e robôs nas linhas de produção tornou dispensável o emprego de muitas pessoas, na medida em que poucos funcionários podem operar várias máquinas ao mesmo tempo. Como consequência, postos de trabalho deixaram de existir.

O desenvolvimento e a utilização de serviços de autoatendimento, como terminais bancários e bombas de combustíveis,

também contribuem para diminuir o número de empregos, uma vez que os próprios consumidores têm condições de executar parte do trabalho. Todos esses fatores caracterizam o chamado desemprego estrutural.

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CRISES ECONÔMICAS E GLOBALIZAÇÃO

Com a crescente integração e dependência entre os países, caso ocorra uma recessão econômica em um país ou em um grupo de países, principalmente as grandes potências políticas e econômicas, como os Estados Unidos e a União Europeia, o mundo inteiro pode sofrer as consequências.

Um exemplo é a crise financeira iniciada em 2008, nos Estados Unidos. Famílias empobrecidas não conseguiam mais pagar o financiamento de imóveis, o que levou à redução dos valores dos títulos de alguns bancos estadunidenses. Como consequência, esses bancos foram à falência. Houve também a redução dos investimentos, associada à insegurança de investidores, o que desacelerou a economia internacional, em um processo que se refletiu fortemente na Europa e ainda mais em outros países de economia mais fraca. No Reino Unido, por exemplo, um grande número de imóveis foi posto à venda em consequência da crise iniciada nos Estados Unidos.

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CRISES ECONÔMICAS E

GLOBALIZAÇÃO

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O DESEMPREGO CONJUNTURAL

O desemprego conjuntural é provocado por uma situação temporária. Quando um país enfrenta dificuldades econômicas, podem ocorrer queda da produção industrial e agrícola e diminuição das vendas no comércio e na prestação de serviços. O resultado é a eliminação de muitos postos de trabalho e o aumento do desemprego.

Os postos de trabalho perdidos durante um período econômico desfavorável tendem a ser recuperados com o fim da crise. Quando a economia volta a crescer, as vendas e a produção aumentam e as empresas contratam novamente. Alguns postos de trabalho, porém, não voltam a existir.

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01. Até o fim de 2007, quase 2 milhões de pessoas perderam suas casas e outros 4 milhões corriam o risco de ser despejadas. Os valores das casas despencaram em quase todos os EUA e muitas famílias acabaram devendo mais por suas casas do que o próprio valor do imóvel. Isso desencadeou uma espiral de execuções hipotecárias que diminuiu ainda mais os valores das casas. Em Cleveland, foi como se um “Katrina financeiro” atingisse a cidade. Casas abandonadas, com tábuas em janelas e portas, dominaram a paisagem nos bairros pobres, principalmente negros. Na Califórnia, também se enfileiraram casas abandonadas.

Fonte: HARVEY, D. O enigma do capital. São Paulo: Boitempo, 2011.

Inicialmente restrita, a crise descrita no texto atingiu proporções globais, devido ao(à)

A) superprodução de bens de consumo.

B) colapso industrial de países asiáticos.

C) interdependência do sistema econômico.

D) isolamento político dos países desenvolvidos.

E) austeridade fiscal dos países em desenvolvimento.

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Assinale a alternativa que NÃO se refere a uma característica presente nas empresas multinacionais ou transnacionais:

A) mobilidade territorial internacional.

B) busca por redução nos custos de produção.

C) emprego de mão de obra qualificada e cara.

D) instalação de sedes, geralmente, em cidades globais.

02. O principal critério para a instalação de uma filial de transnacional é a disponibilidade de matéria-prima que o local oferece, doação de terreno, isenção de impostos, legislação ambiental pouco rígida, energia e mercado consumidor em expansão. Sendo assim, países em desenvolvimento como o Brasil, Argentina, México, Índia e África do Sul foram os principais destinos escolhidos.

Fonte: https://www.preparaenem.com/geografia/transnacionais.htm

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03.

A competição entre as principais companhias de países emergentes com atuação internacional e as multinacionais tradicionais está cada vez mais acirrada, aponta a pesquisa Global Challengers 2013, do Boston Consulting Group. […]

Com 13 companhias como Petrobras, BRF, Embraer, Weg, Natura, JBS, Marcopolo, Votorantim, Gerdau, Camargo Corrêa e Odebrecht na lista, o Brasil ficou atrás apenas de Índia (20) e China (30). […]

Batizadas de desafiantes globais, essas companhias emergentes gastaram em 2011 US$ 1,7 trilhão em bens e serviços e investiram US$ 330 bilhões em despesas de capital. O grupo também se destacou pela geração de 1,4 milhão de empregos entre 2006 e 2011.

(Adaptado de: DURÃO, M. Brasil tem 13 empresas em lista de emergentes globais. Revista Exame, 18/01/2013. Disponível em: http://exame.abril.com.br. Acesso em: 12/09/2014).

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O aumento do número de empresas globais oriundas de países emergentes justifica-se:

A) pela expansão dos mercados consumidores internos desses países.

B) pelo apelo crescente do BRICS entre os principais blocos econômicos.

C) pela organização setorial dos mercados produtivos estrangeiros.

D) pela recente crise econômica, que afetou somente as nações desenvolvidas.

E) pelo crescente papel econômico desses países no mercado financeiro mundial.

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A partir da observação da distribuição das multinacionais no espaço terrestre, pode-se afirmar que

A) o continente americano apresenta uma distribuição equilibrada de localização das sedes das 500 maiores empresas multinacionais.

B) a estratégia utilizada para localização das sedes é a redução das desigualdades mundiais.

C) as sedes das empresas multinacionais concentram-se nos países desenvolvidos do chamado Norte.

D) as empresas multinacionais estão presentes homogeneamente em todos os hemisférios.

E) a maior presença ocorre nos países da África do Sul, Japão, Índia e Brasil, que compõem o BRICS.

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 05. (UNCISAL)

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A tirinha faz referência a uma realidade típica da globalização, representada pelo(a):

A) disputa por novos mercados.

B) emprego de novas tecnologias.

C) aumento do consumo de massa.

D) transnacionalização da produção.

E) interdependência entre os países.

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