Controle do Apetite
Elaborado por Pastor Eduardo Camargo
Cap. VIII do Livro Conselhos Sobre o Regime Alimentar
O Primeiro Pecado Foi a Falta de Domínio Próprio
Perguntei a causa desta extraordinária degenerescência, e minha atenção foi chamada para o Éden. A maravilhosa Eva fora seduzida pela serpente a comer do fruto da única árvore que lhes fora ordenado por Deus não comessem, nem mesmo nele tocassem, para que não morressem.
Génesis 2:16-17
Eva tinha tudo para ser feliz. Estava cercada de toda variedade de frutos. Contudo o fruto da árvore proibida pareceu-lhe mais desejável do que os frutos de todas as outras árvores do jardim de que ela podia comer livremente. Foi intemperante em seus desejos.
Comeu, e por sua influência seu marido comeu também, e a maldição recaiu sobre ambos (Génesis 3: 6) . E por causa do pecado deles a Terra foi também amaldiçoada. E desde a queda a intemperança tem existido sob quase todas as formas. O apetite tem dominado a razão.
Os Dias de Noé e os Nossos Dias
Jesus, assentado no Monte das Oliveiras, deu a Seus discípulos instruções concernentes aos sinais que deviam preceder Sua vinda:
Mateus 24: 37-39
Este predominante pecado, a condescendência para com o apetite pervertido, inflamou as paixões dos homens nos dias de Noé, e levaram a generalizada corrupção. Violência e pecado alcançaram o Céu. Esta contaminação moral foi finalmente varrida da Terra por meio do dilúvio.
Os mesmos pecados de glutonaria e embriaguez embotaram a sensibilidade moral dos habitantes de Sodoma, a ponto de parecer que o crime fosse o prazer de homens e mulheres da ímpia cidade. Cristo assim adverte o mundo:
Lucas 17:28 -30
Comer, beber e vestir-se são levados a tais excessos que se tornam crime. Estão entre os assinalados pecados dos últimos dias, e constituem um sinal da breve volta de Cristo.
Sodoma e Gomorra
Esaú Vencido Pelo Apetite
Génesis 25: 29-34
Esaú, seduzido por um prato favorito, sacrificou sua primogenitura para satisfazer ao apetite. Satisfeito seu indulgente apetite, viu a loucura que cometera,…
Esaú teve um desejo forte, especial, por uma determinada espécie de alimento, e como estava habituado a satisfazer o eu não sentiu qualquer necessidade de fugir do prato tentador e cobiçado.
Quanto mais nele pensava, mais seu desejo era fortalecido, até que sua primogenitura, que era coisa sagrada, perdeu para ele o valor e a santidade.
O Desejo de Israel por Carne
Quando o Deus de Israel tirou o Seu povo do Egipto, privou-os de alimento cárneo em grande medida, mas deu-lhes pão do Céu e água da dura rocha. Com isto não ficaram eles satisfeitos.
Abominaram o alimento que lhes fora dado e desejaram voltar para o Egipto, onde podiam sentar-se junto às panelas de carne.
Preferiam suportar a escravidão, e até mesmo a morte, a serem privados da carne. Deus lhes satisfez o desejo, dando-lhes carne, e deixando-os comerem-na até que sua glutonaria gerou uma praga, em consequência da qual muitos morreram.
O Exemplo de Daniel
As tentações para condescender com o apetite possuem um poder que só se vence com o auxílio que Deus pode proporcionar.
Temos, porém, a promessa de que, para cada tentação, haverá um meio de escape. Por que, então, são tantos os vencidos? É porque não põem em Deus a sua confiança
Não usaria vinho, nem qualquer outro estimulante artificial; não faria coisa alguma que lhe entorpecesse a mente; e Deus lhe deu "o conhecimento e a inteligência em todas as letras e sabedoria", e também "entendimento em toda visão e sonhos". Daniel 1:17.
A experiência de Daniel e seus jovens companheiros ilustra os benefícios que podem provir de um regime abstémio, e mostra o que Deus fará em favor dos que com Ele cooperarem na purificação e enobrecimento da alma. Eram eles uma honra a Deus, e uma viva e brilhante luz na corte de Babilónia.
O Dever Cristão
É-nos, pois, imposto o dever de preservar esse corpo na melhor condição de saúde, a fim de que possamos cumprir o que Ele de nós requer.
I Coríntios 10: 31
Estamos sob obrigação a Deus, para nos consagrar sem reservas a Ele, corpo e alma, considerando todas as faculdades como dons por Ele confiados, para serem empregados em Seu serviço.
Educar o Apetite
Pessoas que têm cedido ao apetite para comer livremente carne, molhos ricamente condimentados, e várias espécies de substanciosos bolos e conservas, não se satisfazem imediatamente com um regime simples, saudável e nutritivo.
Seu paladar está tão pervertido que não têm apetite para um regime saudável de frutas, pão simples e verduras. Nem devem esperar que logo ao princípio sintam prazer em alimento tão diverso daquele com que condescenderam alimentar-se.
Se não podem desde o princípio ter prazer em alimentos simples, devem jejuar até que tenham.
Levará tempo para o paladar recuperar-se dos abusos que sofreu e voltar ao seu tom natural.
O estômago talvez nunca mais recupere saúde plena, mas o procedimento acertado na questão do regime poupará novas debilidades, e muitos ficarão mais ou menos recuperados, a menos que tenham ido muito longe no suicídio glutão.
Relação dos Hábitos com a Santificação
É impossível, a quem quer que seja, fruir a bênção da santificação enquanto for egoísta e glutão.
…devemos considerar as palavras do apóstolo, nas quais ele apela para seus irmãos, a fim de que, pelas misericórdias de Deus, apresentem seu corpo "em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus". Romanos 12:1.
Esta é a verdadeira santificação. Não é mera teoria, ou emoção, ou uma fórmula de palavras, mas um vivo e activo princípio, que penetra na vida cotidiana.
Vitória Mediante Cristo
Cristo feriu a batalha no terreno do apetite, e saiu vitorioso; e nós também podemos vencer, pelo poder dele recebido. Quem entrará pelas portas na cidade? - Não os que declaram não poder romper com a força do apetite.
Bem sei que não podemos alcançar sozinhos a vitória; e quão gratos devemos ser por termos um Salvador vivo, pronto e disposto para nos ajudar!
Uma vida nobre e pura, uma vida vitoriosa sobre o apetite e a concupiscência, é possível a todo aquele que quiser unir a sua vontade humana, fraca e vacilante, à omnipotente e inabalável vontade de Deus.