�27th Conferência da Associação Internacional de Cartografia �Rio de Janeiro 23-30 Agosto 2015
Simpósio sobre Atlas, Toponímia e
a História da Cartografia
ICA – IBGE
Rio de Janeiro 19-21 Agosto 2015
ETNOCARTOGRAFIA NA REGIÃO AMAZÔNICA Experiências na produção e uso de mapas no Acre, BR
Regina Araujo de Almeida - USP
ETNOCARTOGRAFIA NA REGIÃO AMAZÔNICA Experiências na produção e uso de mapas no Acre
1. Introdução: Os povos indígenas como cartógrafos singulares
2. Mapas “para e por” povos indígenas: O Atlas Geográfico Indígena
do Acre
2.1. Ensino e Aprendizagem de Geografia na CPI-Acre
2.2. Oficinas e Cursos para Professores e Agentes Agroflorestais Indígenas AAFI
3. Etnocartografia: os desafios do mapeamento multicultural
3.1. A Cartografia e sua relevância para as Terras e Povos Indígenas do Acre
3.2. A cibercartografia e outras iniciativas de mapeamento indígena do Acre
4. Considerações finais:
A etnocartografia nas eras da informação e da imaginação
Referências
Regina Araujo de Almeida – Geografia/USP
����1. Introdução: Os povos indígenas como cartógrafos singulares��O artigo apresenta e discute a base teórica e os conceitos sobre mapeamento indígena e participativo, trazendo diferentes visões sobre objetivos, metodologia, técnicas e resultados.��São apresentados vários exemplos e é analisado o Projeto de Etnocartografia no Acre, Brasil, seus resultados avaliados.���
Terras e povos indígenas no Brasil (2015)�(* os dados são desta época)
2. Mapas “por e para” os povos indígenas: O Atlas Geográfico Indígena do Acre
Estado do Acre, Brasil - Áreas de conservação e Terras Indígenas
O Atlas Geográfico Indígena do Acre: 28 mapas e seus �28 textos, todos criados e escritos por professores indígenas�
Acre - Invasões de Terras Indígenas - Prof. Dasu Kaxinawá. Atlas1996
Os mapas feitos pelos povos indígenas estão relacionados com a sua própria história,�num tempo e espaço sempre revistos no presente, também as suas narrativas.
Nestas terras antes de ser Brasil
“nosso povo, há muito tempo, viveu nestas terras antes de ser Brasil, antes do Acre. Todos nós éramos livres, de vida mansa, nosso trabalho
era só trabalhar na agricultura,
caçar, pescar, colher frutas e
e celebrar a vida”. Narrativa do
Atlas Geográfico Indígena, 1996.
O mapa abaixo é uma lista dos autores do Atlas!
2.1. Ensino e Aprendizagem da Geografia na CPI-Acre � ��
Mapa de Trabalho e Uso dos Recursos Naturais. AAFI Arlindo Maia. 2010
Ensino e Aprendizagem de Geografia
A Geografia tem sido importante no currículo para a educação indígena. A CPI/Acre tem uma vasta coleção de livros didáticos em português e nas línguas indígenas.
No início, os professores indígenas, durante as atividades de mapeamento, reuniam-se e decidiam criar novos símbolos para aplicar na legenda do mapa. Por exemplo, eles pintam os rios sempre de amarelo "porque suas águas não são azuis", assim dizem.
Aulas e atividades de Geografia no CPI-AC
Livro de Geografia (Gavazzi, 1996, CPI/Acre)
Desenhos feitos por professores indígenas
para aprender as direções da bússola
2.2. Oficinas e Cursos para Professores e AAFI�
Arquivo: Comissão Pró-Índio do Acre. Foto: Renato Gavazzi
Oficinas e Cursos para Professores e AAFI�
Foram realizados dois tipos de atividades de mapeamento:
�3. Etnocartografia: os desafios da cartografia multicultural� 3.1. A Cartografia e sua relevância para as Terras e Povos Indígenas no Acre �
FUNÇÕES DOS MAPAS � ponto de vista dos professores e AAFI
��� Os indígenas gostam de trabalhar com mapas, veem muitas aplicações e resultados relevantes e, cada vez mais, querem aprender e praticar cartografia. � Como disse a índia Raimunda durante a avaliação de uma atividade de cartografia: �“Muita reflexão... Os sonhos de outras pessoas são realidade. Tal como uma fotografia, enquanto olhamos para um mapa, podemos viajar na mente da outra pessoa. Cada um de nós tem um sonho!”��
�Etnocartografia e a Agenda 21: uma experiência de mapeamento de seus saberes e memórias �
Oficina de identificação e análise de problemas e necessidades das comunidades indígenas, utilizando dados geográficos, desenhos, mapas, imagens e depoimentos dos participantes. As atividades em grupo foram voltadas para mapear suas terras no passado, no presente e no futuro. (Almeida, 2005, 2007)
Fazendo mapas para a Agenda 21
Etnocartografia: os desafios da cartografia multicultural ��Cibercartografia e outras iniciativas de cartografia indígena �
Mapeamento do uso dos recursos naturais. TI Kaxinawá do Rio Jordão - I Oficina CPI/Acre, 2005.
Identificação de rios e igarapés. TI Kampa do Rio
Amônea. Oficina de Etnomapeamento, 2004.
Todas as pessoas têm direito a ser usuários e criadores de mapas, o que significa dar igualdade de oportunidades às pessoas para obterem informações através de mapas e imagens cartográficas, facilitar a utilização de mapas e cartografia para as minorias e grupos com necessidades especiais..
Isto implica a adaptação da linguagem cartográfica de diferentes formas, como o formato tátil, as inovações tecnológicas ou mesmo novos métodos de abordagem da cartografia, como a cartografia participativa e a cartografia social direcionada para as populações indígenas (Almeida, R. 2014)
Oficina de Etnocartografia em Terras Indígenas � - Estado do Acre -
Arquivo: Comissão Pró-Índio do Acre. Foto: Renato Gavazzi
Projeto: Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas �� Oficinas de mapeamento com povos indígenas �� Mapas temáticos, dados e desenhos cartográficos utilizados em atividades de etnocartografia �� Etnomapeamento - Uma experiência autoral no Acre�Comissão Pró-Índio do Acre - CPI/AC �
Etnocartografia como ferramenta de gestão territorial e ambiental para �as Terras Indígenas e seu entorno��
Etnomapeamento: Uma experiência de autoria no Acre, Brasil
Comissão Pró-Índio do Acre – CPI/AC
Imagens e informações de Renato Gavazzi - CPI/AC
(Gavazzi, 2012)�
Seminário Internacional
Mapeamento participativo como instrumento de gestão territorial e ambiental de Terras Indígenas na Amazônia
Rio Branco-AC, 16 de Novembro de 2010
Comissão Pró-Índio do Acre
Mais informações com:
Renato Gavazzi (coordenador do projeto): regazzi31@yahoo.com.br
Frank (geógrafo da CPI): frank@cpiacre.org.br,
Malu (coordenadora da CPI): malu@cpiacre.org.br
Comissão Pró-Índio do Acre
Programa de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas
Estrada Transacreana, km 08, Caixa Postal 61
Rio Branco, Acre – Brasil - CEP 69900000
Fone: (68) 3225-1952 / 9982-4906 / 9975-2325 / 9975-1138
Planos de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas �no Acre foram elaborados, discutidos e organizados na CPI/AC �e durante oficinas de etnomapeamento
Arquivo: Comissão Pró-Índio do Acre. Foto: Renato Gavazzi
Foram realizadas 12 oficinas em 6 terras indígenas com cerca de 600
participantes, incluindo líderes, professores, agentes agroflorestais
presidentes de associações, mulheres e outros membros da comunidade. Foram elaborados cerca de 102 mapas , alguns traduzidos para a língua nativa e devolvidos às comunidades.
Foram produzidos de 6 a 8 mapas temáticos para cada terra indígena do projeto, abrangendo diversos temas, tais como:
Atividades de mapeamento participativo como processos de construção permanente que estimulam e respondem às dinâmicas culturais e ambientais na gestão territorial e ambiental de Terras Indígenas no Acre. �
Alguns resultados das Oficinas de Etnocartografia
AAFIs em atividades de mapeamento - Aldeia Três Fazendas (TI Kaxinawá do Rio Jordão) trabalhando com imagens de satélite, identificando áreas de uso da terra, Set/2009.
Arquivo: Comissão Pró-Índio do Acre.
4. Considerações finais: A Etnocartografia nas eras da informação e imaginação �
Proposta de Enquadramento da Etnocartografia: � suas dimensões e perspectivas (Almeida, 1996, 2005, 2014)
4. Considerações finais: A etnocartografia nas eras da informação e imaginação �
... À luz dessas considerações, talvez devêssemos reconhecer que todos os mapas, e de fato todas as representações, podem ser relacionados com a experiência e que, em vez de classificá-los em termos de exatidão ou cientificidade, deveríamos considerar apenas a sua "funcionalidade" - até que ponto sucesso em atingir os objetivos para os quais foram desenhados - e qual o seu âmbito de aplicação.
Maps as Territories, Science in an Atlas. University of Chicago Press.
Obrigada pela atenção!��reginaaa@usp.br
�Referências�