AULA: CURRÍCULO ANTIRRACISTA
material produzido com a contribuição fundamental de Talitha Mota Justino
Arthur Roberto Germano Santos
Doutor em História (UFRRJ). Professor de História do Ensino Fundamental II e Médio da Prefeitura Municipal de São Paulo.
2.Conquistas políticas do Movimento Negro Brasileiro (linha do tempo)
3. O debate sobre racismo para além da questão individual
“Se não fosse a luta do Movimento Negro, nas suas mais diversas formas de expressão e de organização - com todas as tensões, os desafios e os limites -, muito do que o Brasil sabe atualmente sobe a questão racial e africana, não teria acontecido. E muito do que hoje se produz sobre a temática racial e africana, em uma perspectiva crítica e emancipatória, não teria sido construído. E nem as políticas de promoção da igualdade racial teriam sido construídas e implementadas”.
Nilma Lino Gomes
2. Linha do tempo de conquistas políticas do Movimento Negro
2. Linha do tempo de conquistas políticas do Movimento Negro
2. Linha do tempo de conquistas políticas do Movimento Negro
3. Racismo - Concepção individualista:
“é concebido como uma espécie de “patologia” ou anormalidade(...) um fenômeno ético ou psicológico de caráter individual ou coletivo, atribuído a grupos isolados (...) uma “irracionalidade” a ser combatida no campo jurídico por meio da aplicação de sanções civis – indenizações, por exemplo – ou penais. Por isso, (....) pode não admitir a existência de “racismo”, mas somente de “preconceito”, a fim de ressaltar a natureza psicológica do fenômeno em detrimento de sua natureza política”.
3. O debate sobre racismo para além da questão individual: racismo institucional
�“Significou um importante avanço teórico no estudo das relações raciais. Nessa perspectiva, o racismo não se resume a comportamentos individuais, mas é tratado como o resultado do funcionamento das instituições, que passam a atuar em uma dinâmica que confere, ainda que indiretamente, desvantagens e privilégios com base na raça”.
3. Racismo institucional
“Determinados grupos raciais se tornam hegemônicos nas instituições e utilizam mecanismos institucionais para impor seus interesses políticos e econômicos (pacto da branquitude).��(...) Isso faz com que a cultura, os padrões estéticos e as práticas de poder de um determinado grupo tornem-se o horizonte civilizatório do conjunto da sociedade”.
3. Racismo institucional
“Assim, o domínio de homens brancos em instituições públicas – o legislativo, o judiciário, o ministério público, reitorias de universidades etc. – e instituições privadas – por exemplo, diretoria de empresas – depende, em primeiro lugar, da existência de regras e padrões que direta ou indiretamente dificultem a ascensão de negros e/ou mulheres, e, em segundo lugar, da inexistência de espaços em que se discuta a desigualdade racial e de gênero, naturalizando, assim, o domínio do grupo formado �por homens brancos”.
Pessoas brancas seguem ainda representando a grande maioria (83,8%) magistrados da Justiça brasileira. De acordo com o mais recente Diagnóstico Étnico-Racial do Poder Judiciário, elaborado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), identificam-se como pessoas pretas apenas 1,7% dos magistrados e magistradas. Já o percentual de juízes que se �autointitulam pardos é um pouco maior: 12,8%.
O racismo institucional
O racismo estrutural��“O racismo é uma decorrência da própria estrutura social, ou seja, do modo “normal” com que se constituem as relações políticas, econômicas, jurídicas e até familiares, não sendo uma patologia social e nem um desarranjo institucional. O racismo é estrutural”.
O racismo estrutural��“Comportamentos individuais e processos institucionais são derivados de uma sociedade cujo racismo é regra e não exceção”.
O racismo estrutural��“É um projeto de estabelecimento da supremacia branca global na modernidade”.
TODO MUNDO TEM LUGAR DE FALA!
“O lugar que ocupamos socialmente nos faz ter experiências distintas e outras perspectivas.
O lugar social não determina uma consciência discursiva sobre esse lugar”.
Djamila Ribeiro
REFERÊNCIAS�
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CARNEIRO, Sueli. Dispositivo de racialidade: A construção do outro como não ser como fundamento do ser. São Paulo: Zahar, 2023.
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DAVIS, Angela. Mulheres, raça e classe. São Paulo: Boitempo, 2016.
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MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional versus identidade negra. 3ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2008.
OLIVEIRA, Fabiana de. Um estudo sobre a creche: o que as práticas educativas produzem e revelam sobre a questão racial?. 2004. 119 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Humanas) - Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2004.
RIBEIRO, Djamila. O que é lugar de fala. Letramento/Justificando: Belo Horizonte, 2017.