1 of 24

AULA: CURRÍCULO ANTIRRACISTA

material produzido com a contribuição fundamental de Talitha Mota Justino

Arthur Roberto Germano Santos

Doutor em História (UFRRJ). Professor de História do Ensino Fundamental II e Médio da Prefeitura Municipal de São Paulo.

2 of 24

  1. O Movimento Negro Brasileiro como ator político e educador

2.Conquistas políticas do Movimento Negro Brasileiro (linha do tempo)

3. O debate sobre racismo para além da questão individual

3 of 24

“Se não fosse a luta do Movimento Negro, nas suas mais diversas formas de expressão e de organização - com todas as tensões, os desafios e os limites -, muito do que o Brasil sabe atualmente sobe a questão racial e africana, não teria acontecido. E muito do que hoje se produz sobre a temática racial e africana, em uma perspectiva crítica e emancipatória, não teria sido construído. E nem as políticas de promoção da igualdade racial teriam sido construídas e implementadas”.

Nilma Lino Gomes

  1. O movimento negro como ator político e educador

4 of 24

  1. O movimento negro como ator político e educador

5 of 24

2. Linha do tempo de conquistas políticas do Movimento Negro

6 of 24

2. Linha do tempo de conquistas políticas do Movimento Negro

7 of 24

2. Linha do tempo de conquistas políticas do Movimento Negro

8 of 24

3. Racismo - Concepção individualista:

“é concebido como uma espécie de “patologia” ou anormalidade(...) um fenômeno ético ou psicológico de caráter individual ou coletivo, atribuído a grupos isolados (...) uma “irracionalidade” a ser combatida no campo jurídico por meio da aplicação de sanções civis – indenizações, por exemplo – ou penais. Por isso, (....) pode não admitir a existência de “racismo”, mas somente de “preconceito”, a fim de ressaltar a natureza psicológica do fenômeno em detrimento de sua natureza política”.

9 of 24

3. O debate sobre racismo para além da questão individual: racismo institucional

“Significou um importante avanço teórico no estudo das relações raciais. Nessa perspectiva, o racismo não se resume a comportamentos individuais, mas é tratado como o resultado do funcionamento das instituições, que passam a atuar em uma dinâmica que confere, ainda que indiretamente, desvantagens e privilégios com base na raça”.

10 of 24

3. Racismo institucional

“Determinados grupos raciais se tornam hegemônicos nas instituições e utilizam mecanismos institucionais para impor seus interesses políticos e econômicos (pacto da branquitude).��(...) Isso faz com que a cultura, os padrões estéticos e as práticas de poder de um determinado grupo tornem-se o horizonte civilizatório do conjunto da sociedade”.

11 of 24

3. Racismo institucional

“Assim, o domínio de homens brancos em instituições públicas – o legislativo, o judiciário, o ministério público, reitorias de universidades etc. – e instituições privadas – por exemplo, diretoria de empresas – depende, em primeiro lugar, da existência de regras e padrões que direta ou indiretamente dificultem a ascensão de negros e/ou mulheres, e, em segundo lugar, da inexistência de espaços em que se discuta a desigualdade racial e de gênero, naturalizando, assim, o domínio do grupo formado �por homens brancos”.

12 of 24

13 of 24

Pessoas brancas seguem ainda representando a grande maioria (83,8%) magistrados da Justiça brasileira. De acordo com o mais recente Diagnóstico Étnico-Racial do Poder Judiciário, elaborado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), identificam-se como pessoas pretas apenas 1,7% dos magistrados e magistradas. Já o percentual de juízes que se �autointitulam pardos é um pouco maior: 12,8%.

14 of 24

15 of 24

16 of 24

17 of 24

18 of 24

O racismo institucional

19 of 24

20 of 24

O racismo estrutural��“O racismo é uma decorrência da própria estrutura social, ou seja, do modo “normal” com que se constituem as relações políticas, econômicas, jurídicas e até familiares, não sendo uma patologia social e nem um desarranjo institucional. O racismo é estrutural”.

21 of 24

O racismo estrutural��“Comportamentos individuais e processos institucionais são derivados de uma sociedade cujo racismo é regra e não exceção”.

22 of 24

O racismo estrutural��“É um projeto de estabelecimento da supremacia branca global na modernidade”.

23 of 24

TODO MUNDO TEM LUGAR DE FALA!

“O lugar que ocupamos socialmente nos faz ter experiências distintas e outras perspectivas.

O lugar social não determina uma consciência discursiva sobre esse lugar”.

Djamila Ribeiro

24 of 24

REFERÊNCIAS�

ABRAMOWICZ, Anete; OLIVEIRA, Fabiana. Infância, raça e paparicação. Educação em Revista, Belo Horizonte, v. 26, n. 2, p. 209-226, ago. 2010.��ALMEIDA, Silvo. Racismo estrutural. São Paulo: Pólen, 2019.

BENTO, Cida. Pacto da branquitude. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.

BORGES, Juliana. Encarceramento em massa. São Paulo: Pólen, 2019.

CARNEIRO, Sueli. Dispositivo de racialidade: A construção do outro como não ser como fundamento do ser. São Paulo: Zahar, 2023.

CRENSHAW, Kimberlé. Documento para o encontro de especialistas em aspectos da discriminação racial relativos ao gênero. Revista Estudos Feministas, 2002, 10(1), 171–188.

DAVIS, Angela. Mulheres, raça e classe. São Paulo: Boitempo, 2016.

GOMES, Nilma Lino. O movimento negro educador. Saberes construídos na luta por emancipação. Petrópolis, RJ: vozes, 2017.

HOOKS, bell. Olhares negros: raça e representação. São Paulo: Elefante, 2019.

KIPNIS, Beatriz. Questão racial: as demandas do movimento negro e políticas públicas da história recente. Fundação FHC, 2020.

MILLS, Charles W. O contrato racial: Edição comemorativa de 25 anos. Rio de Janeiro: Zahar, 2023.

MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil: identidade nacional versus identidade negra. 3ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2008.

OLIVEIRA, Fabiana de. Um estudo sobre a creche: o que as práticas educativas produzem e revelam sobre a questão racial?. 2004. 119 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Humanas) - Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2004.

RIBEIRO, Djamila. O que é lugar de fala. Letramento/Justificando: Belo Horizonte, 2017.