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Ética em Contratações Públicas

Vander Matoso

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O que é Ética?

Substantivo Feminino

parte da filosofia responsável pela investigação dos princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano, refletindo especialmente a respeito da essência das normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social

Filosofia

em doutrinas racionalistas e metafísicas, estudo das finalidades últimas, ideais e, em alguns casos, transcendentes, que orientam a ação humana para o máximo de harmonia, universalidade, excelência ou perfectibilidade, o que implica a superação de paixões e desejos irrefletidos

Filosofia

no empirismo, materialismo ou positivismo, estudo dos fatores concretos (afetivos, sociais etc.) que determinam a conduta humana em geral, estando tal investigação voltada para a consecução de objetivos pragmáticos e utilitários, no interesse do indivíduo e da sociedade

Derivação: por extensão de sentido

conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e moral de um indivíduo, de um grupo social ou de uma sociedade

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A Ética segundo Aristóteles

Agir de modo certo na situação adequada: virtude

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Kant

O dever de agir certo

Imperativo Categórico: as condutas devem ser passíveis de universalização.

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Stuart Mill

Utilitarismo:

o bem ao maior número possível

o mal ao menor número possível

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FRAUDE - Conceitos

“Fraude é um ato intencional praticado por um ou mais indivíduos, entre gestores, responsáveis pela governança, empregados ou terceiros, envolvendo o uso de falsidade para obter uma vantagem injusta ou ilegal”

(Norma ISA 240 do International Auditing and Assurance Standards Board)

“Fraude é qualquer ato ou omissão intencional concebido para enganar os outros, resultando em perdas para a vítima e/ou em ganho para o autor.”

(Managing the business risk of fraud: a practical guide)

“Fraude se refere ao ato intencional de omissão ou manipulação de transações, adulteração de documentos, registros e demonstrações contábeis.”

(Norma NBC T 11 das Normas Brasileiras de Contabilidade)

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CORRUPÇÃO - Conceitos

http://combateacorrupcao.mpf.mp.br/tipos-de-corrupcao

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Os termos “fraude” e “corrupção” podem expressar tanto o abuso de poder quanto o falseamento ou ocultação da verdade, com vistas a enganar terceiros, sendo ambos para obter vantagem indevida para si ou para outrem.

Fraude e Corrupção

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Conceitos – Integridade Pública

Programa de Integridade é um conjunto estruturado de medidas institucionais voltadas para a prevenção, detecção, punição e remediação de práticas de corrupção, fraudes, irregularidades e desvios éticos e de conduta. (Portaria CGU nº 57/2019)

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Dimensões do combate à corrupção

Detecção

Responsabilização

Prevenção

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Conflito de Interesses

Lei 12.813/2013: é a situação gerada pelo confronto entre o interesse público e o privado que possa comprometer o interesse coletivo ou influenciar, de maneira imprópria, o desempenho da função pública.

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Triângulo da Fraude - Conceitos

Fonte: CRESSEY, Donald R. Other people's money; a study of the social psychology of embezzlement. 1953.

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Triângulo da Fraude

A primeira aresta do triângulo da fraude é a pressão, mas em algumas representações do triângulo, essa aresta é também chamada de incentivo ou motivação. A pressão é o que motiva o crime em primeiro lugar.

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Triângulo da Fraude

A segunda aresta, oportunidade, refere-se à fraqueza do sistema, na qual o servidor tem o poder e habilidade para explorar uma situação que faz a fraude possível. A oportunidade define o método com que a fraude será cometida. O indivíduo deve vislumbrar uma forma de usar e abusar de sua posição de confiança para resolver o seu problema financeiro com uma percepção de baixo risco de ser pego.

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Triângulo da Fraude

A terceira aresta é a racionalização, que significa que o indivíduo antes de transgredir formula algum tipo de racionalização moralmente aceitável antes de se envolver em comportamentos antiéticos. A racionalização refere-se à justificação de que o comportamento antiético é algo diferente de atividade criminosa. Os transgressores se veem como pessoas comuns e honestas que são pegas em más circunstâncias.

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ORGÃOS DE CONTROLE

  1. Restrições à Competitividade
  2. Conluio entre licitantes
  3. Adesões a Atas de Registro de Preço incompatíveis com a necessidade
  4. Ausência de Estudos Técnicos Preliminares
  5. Não divisão do objeto, quando presentes a sua viabilidade técnica e econômica.
  6. Celeridade incomum do processo licitatório

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Governança pública

Compreende tudo o que uma instituição pública faz para assegurar que sua ação esteja direcionada para objetivos alinhados aos interesses da sociedade.

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  1. Redução da Oportunidade

Na esfera pública, a governança atua para limitar espaços de manipulação nos processos licitatórios:

  • Transparência: exigência de publicação de editais, resultados e contratos em portais de acesso público.
  • Controle interno e externo: órgãos como CGU, TCU, tribunais de contas estaduais/municipais e controladorias municipais monitoram os processos.
  • Digitalização de processos: uso do pregão eletrônico, blockchain e sistemas integrados (como o ComprasNet) que reduzem a possibilidade de fraudes “de bastidores”.
  • Segregação de funções: diferentes servidores para etapas de elaboração do edital, julgamento das propostas e execução contratual.

Governança pública

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2. Mitigação da Pressão

A pressão no setor público pode vir de grupos de interesse, políticos, empresas privadas ou mesmo de metas orçamentárias:

  • Planejamento orçamentário responsável, que evita “correrias de última hora” para gastar verba.
  • Carreira e remuneração digna para servidores, diminuindo vulnerabilidade a subornos.
  • Gestão de riscos: identificação antecipada de áreas críticas que podem gerar pressões políticas ou econômicas.

Governança pública

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3. Neutralização da Racionalização

No serviço público, a racionalização pode surgir em frases como: “é só uma vantagem pequena”, “a empresa é sempre a mesma, não faz mal facilitar”. A governança combate isso com:

  • Códigos de ética e integridade aplicados a servidores e fornecedores.
  • Capacitação contínua em legislação de licitações e combate à corrupção (ex.: Lei nº 14.133/2021 – Nova Lei de Licitações e Contratos).
  • Exemplo da alta administração pública (“tone at the top”), demonstrando que práticas ilícitas não são toleradas.
  • Canais de denúncia e proteção ao denunciante (compliance público).

Governança pública

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a governança pública, aplicada nas licitações, ataca diretamente os três vértices do triângulo da fraude, prevenindo desvios, garantindo maior transparência e protegendo o erário.

Governança pública

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a Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/1992, atualizada pela Lei nº 14.230/2021) dialoga diretamente com o que vimos sobre ética, governança e o triângulo da fraude, porque ela funciona como um instrumento jurídico de responsabilização de agentes públicos e terceiros que atentam contra os princípios da administração pública.

Governança pública

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  • A lei estabelece padrões mínimos de conduta ética para os agentes públicos, baseados nos princípios constitucionais (legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência).

  • Quando falamos em racionalização da fraude, muitas vezes a justificativa interna do agente cai por terra diante da lei: não importa a desculpa, qualquer ato de desonestidade pode configurar improbidade.

  • Assim, a ética atua como prevenção (consciência), enquanto a lei atua como repressão (sanção).

Ética x Improbidade Administrativa

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“Se você vai ter que conviver com você mesmo até o fim, se você vai ter que se aguentar até o fim, se você vai ser espectador de você mesmo até o fim, é melhor que se encante com o que faz.”

Clóvis de Barros Filho

OBRIGADO!

vandermatoso@ufgd.edu.br