FILOSOFIA
1ª SÉRIE
HANNAH ARENDT E A BANALIDADE DO MAL
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OBJETIVO
VAMOS REFLETIR
Você já pensou sobre o que faz alguém obedecer ordens ou seguir determinada ideologia?
Nessa aula vamos conhecer a filósofa Hannah Arendt, que fez reflexões sobre essa problemática.
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HANNAH ARENDT (1906-1975)
Hannah Arendt foi uma filósofa e teórica política contemporânea. De origem judaica, nasceu em Hannover, na Alemanha e vivenciou os horrores da política de perseguição aos judeus durante o governo de Adolf Hitler. Quando a perseguição nazista aos judeus começou Arendt se exilou em Paris.
Com a ocupação da França pelos alemães, ela foi presa. Ficou alguns meses em um campo de concentração até que conseguiu fugir para os EUA, onde passou o resto da vida se definindo como apátrida (sem pátria).
Estudante, em muitos casos a vida dos filósofos influencia sua pesquisa filosófica, no caso de Hannah Arendt sua experiência com a perseguição influenciou profundamente sua obra.
A OBRA DE HANNAH ARENDT
Seu principal trabalho é As Origens do Totalitarismo, publicado em 1951, no qual busca compreender o fenômeno do totalitarismo como um problema filosófico.
Estudante, você sabe o que é o totalitarismo?
O totalitarismo é um sistema político em que o Estado tem controle absoluto sobre todos os aspectos da vida dos cidadãos, incluindo a economia, a cultura e a mídia. O governo totalitário é caracterizado pela concentração do poder nas mãos de uma única pessoa ou partido,
Nesses regimes há um controle rígido sobre a população através da repressão, da propaganda e do culto à personalidade do líder.
INTERPRETAÇÕES DO TOTALITARISMO
As principais características do totalitarismo incluem a ausência de liberdade individual e de direitos civis, a supressão de qualquer forma de dissidência política e a utilização da violência e da intimidação para manter a ordem.
Além disso, o totalitarismo busca controlar as mentes e as emoções dos cidadãos, impondo uma ideologia única e eliminando qualquer forma de pensamento crítico. Esse tipo de regime é frequentemente associado a governos autoritários e opressores, que utilizam métodos brutais para manter o poder e subjugar a população.
ATIVIDADE
05 min
Estudante, aprendemos sobre o totalitarismo, você consegue fazer uma síntese sobre o tema estudado?
Em seu caderno faça uma pequena síntese sobre o tema de até 3 linhas.
Segundo Arendt, o totalitarismo é a elevação de dois fenômenos: o medo e o terror. A fusão desses dois elementos levou a criação de um sistema extremamente burocrático em que o Estado total transformou a coletividade em um único corpo.
INTERPRETAÇÕES DO TOTALITARISMO
Arendt argumenta que o terror é uma ameaça à liberdade e à democracia, pois impede a participação política e a livre expressão, também destaca que o terror é uma forma de desumanização, pois transforma as vítimas em objetos de dominação e violência.
Congresso do Partido Nazista na cidade de Nuremberg, em 1935
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TOTALITARISMO E TERROR
Todos estão sob constante suspeita e o próprio pensamento é considerado perigoso. A filósofa aponta que o totalitarismo depende da banalização do terror, da manipulação das massas e do não criticismo frente à mensagem do poder.
Cerimônia de queima de livros na Alemanha Nazista em 1933
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Isso foi verificado principalmente na Alemanha nazista e na União Soviética stalinista com às polícias secretas, a espionagem e a perseguição. Por outro lado, o medo pode ser uma força positiva, capaz de mobilizar as pessoas para a ação política, o medo pode gerar reações de resistência e de solidariedade, já que a percepção de ameaça pode unir as pessoas em torno de um objetivo.
O PAPEL DA PROPAGANDA
Hannah Arendt identificou o desenvolvimento de técnicas de propaganda para disseminação da ideologia e manipulação das massas:
A propaganda não é apenas uma forma de comunicação que busca persuadir as pessoas a adotar determinada visão de mundo ou a apoiar determinado regime político. Ela é, sobretudo, uma forma de criar realidades fictícias que substituem a experiência direta e a verdade dos fatos.
Propaganda nazista e stalinista
Pela propaganda os regimes totalitários conseguem controlar a subjetividade das pessoas e torná-las incapazes de distinguir a verdade da mentira.
ATIVIDADE
Estudante, vimos que os regimes totalitários se utilizam de diversos recursos para mobilizar as pessoas em prol de uma determinada ideologia.
Quais recursos são geralmente utilizados? Como afeta as pessoas?
Discuta com o colega ao lado sobre essas questões.
Depois, o(a) professor(a) irá selecionar alguns de vocês para compartilharem com a turma.
05 min
UMA REFLEXÃO: A BANALIDADE DO MAL
Arendt foi a Jerusalém em 1961 para assistir o julgamento de Adolf Eichmann, que durante o governo nazista teve participação ativa no extermínio dos judeus.
Adolf Eichmann durante seu julgamento em Jerusalém. Foto: AP, NTB scanpix
A filósofa elaborou o conceito de banalidade do mal. Eichmann, um dos responsáveis pela solução final, não é olhado como um monstro, mas apenas como um funcionário zeloso que foi incapaz de resistir às ordens que recebeu. No pensamento da autora, o mal torna-se assim banal.
UMA REFLEXÃO: A BANALIDADE DO MAL
Ao analisar esse personagem, Arendt defende a ideia de que quando menos politizados e críticos forem os indivíduos, mais completamente se deixarão sujeitar às regras cujos fundamentos não buscam conhecer.
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Cartaz com mensagens racistas e xenófobas em Portugal
Assim a autora alerta para o risco de reaparecimento de movimentos totalitários, em especial com o ressurgimento de ideias xenófobas, racistas e ultraconservadoras.
ATIVIDADE
Estudante, a partir do que foi apresentado em aula sobre o pensamento de Hannah Arendt, e analisando o julgamento de Eichmann, o funcionário que se dizia inocente, reflita: Como você analisa a posição de Eichmann no julgamento? E qual seria o seu julgamento sobre ele?
05 min
RETOMADA
Nesta aula estudamos o pensamento da filósofa Hannah Arendt e sua interpretação sobre o fenômeno do totalitarismo com destaque para a relação entre totalitarismo e terror e o conceito de banalidade do mal.
REFERÊNCIAS
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática.
ARANHA, Maria Lúcia Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando – Introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna.
Professor(a), caso tenha alguma sugestão ou elogio para esta aula, acesse: