1 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Jean-Jacques Rousseau

2 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Neste texto, distinções:

HOMEM e ANIMAL

SELVAGEM e CIVILIZADO

SUJEIÇÃO e LIBERDADE

Estado NATURAL e Estado de CONTRATO

Desigualdades NATURAIS e CONVENCIONAIS

3 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O problema do texto:

Encontrar a origem e o fundamento das desigualdades entre os homens.

  • Trata-se de saber sobre a DESIGUALDADE.
  • Não sobre a IGUALDADE.
  • Pois é a desigualdade que se verifica no estágio atual dos homens.
  • Onde e quando os homens se fizeram desiguais?

4 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O texto se divide em duas partes:

1ª Parte

A desigualdade natural: FÍSICA.

A desigualdade moral: POLÍTICA.

5 of 201

Discurso sobre a desigualdade

2ª Parte:

A liberdade no Estado Natural

A liberdade no Estado de Contrato

A propriedade

A degeneração da Igualdade

A perda gradual da Liberdade

Meandros políticos da Desigualdade

6 of 201

Discurso sobre a desigualdade

É do homem que devo falar e a questão que examino me diz que vou falar a homens pois não se propõem questões semelhantes quando se tem medo de honrar a verdade. Defenderei, pois, com confiança, a causa da humanidade perante os sábios que me convidam a fazê-lo e não ficarei descontente comigo mesmo se me tornar digno de meu assunto e de meus juízes.

7 of 201

Discurso sobre a desigualdade

DOIS TIPOS DE DESIGUALDADE

1 – Natural ou física (estabelecida pela natureza).

2 – Moral ou política (uma espécie de convenção, autorizada pelo consentimento dos homens).

8 of 201

Discurso sobre a desigualdade

A desigualdade moral

Esta consiste nos vários privilégios de que gozam alguns em prejuízo de outros, como o serem mais ricos, mais poderosos e homenageados do que estes, ou ainda por fazerem-se obedecer por eles.

9 of 201

Discurso sobre a desigualdade

A fonte da desigualdade natural

Não se pode perguntar qual a fonte da desigualdade natural, porque a resposta estaria enunciada na simples definição da palavra.

10 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Não há ligação essencial entre a desigualdade natural e a moral

“Seria perguntar se aqueles que mandam valem necessariamente mais do que os que obedecem e se a força do corpo ou do espírito, a sabedoria e a virtude sempre se encontram, nos mesmos indivíduos, na proporção do poder ou da riqueza...”

11 of 201

Discurso sobre a desigualdade

De que se trata o precisamente neste Discurso?

De assinalar, no progresso das coisas, o momento em que, sucedendo o direito à violência, submeteu-se a natureza à lei; de explicar por que encadeamento de prodígios o forte pôde resolver-se a servir ao fraco, e o povo a comprar uma tranquilidade imaginária pelo preço de uma felicidade real.

12 of 201

Discurso sobre a desigualdade

  • Os filósofos sentiram a necessidade de voltar até o estado de natureza.
  • Nenhum chegou, de verdade, até lá.
  • Alguns afirmaram estar no estado natural a noção do justo e injusto, mas sem demonstrar o como e sua utilidade.
  • Outros falam de Direito Natural e sua relação com a propriedade, mas não explicam o que entende por isso.

13 of 201

Discurso sobre a desigualdade

  • Outros propõem o direito do mais forte como Governo, sem se preocupar com os sentidos da autoridade e governo.
  • Transportaram para o estado de natureza ideias que tinham adquirido em sociedade.
  • “Falavam do homem selvagem e descreviam o homem civil”.

14 of 201

Discurso sobre a desigualdade

  • Não se duvidou nem mesmo da possibilidade do estado de natureza.
  • Testemunho da Bíblia: o homem criado já como civilizado.
  • Talvez “os homens jamais se tenham encontrado no estado puro de natureza”.

15 of 201

Discurso sobre a desigualdade

REFUTAR TODOS OS FATOS

  • As pesquisas sobre o assunto não podem ser verdades históricas, mas hipóteses.
  • Propícias mais para esclarecer a natureza das coisas que suas origens.
  • A verdade religiosa: Deus retirou o homem do estado natural assim que o criou.

16 of 201

Discurso sobre a desigualdade

  • A religião não impede a indagação sobre a natureza do homem e dos demais seres.
  • Sobre em “que se teria transformado o homem o gênero humano se fora abandonado a si mesmo”.

17 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Em que se transformou o homem abandonado?

  • A proposta do Discurso.
  • Uma linguagem que convenha a todas as nações.
  • No Liceu de Atenas, com Platão e Xenócrates como juízes e a humanidade como ouvinte.

18 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Oh! Homem, de qualquer região que sejas, quaisquer que sejam tuas opiniões, ouve-me; eis a tua história como acreditei tê-la lido não nos livros de teus semelhantes, que são mentirosos, mas na natureza que jamais mente.

19 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Tudo o que estiver nela será verdadeiro; só será falso aquilo que, sem o querer, tiver misturado de meu. Os tempos de que vou falar são muito distantes; como mudaste! É, por assim dizer, a vida de tua espécie que vou descrever de acordo com as qualidades que recebeste, e que tua educação e teus hábitos puderam falsear, mas que não puderam destruir.

20 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Há, eu sei, uma idade em que o homem individual gostaria de parar; de tua parte, procurarás a época na qual desejarias que tua espécie tivesse parado.

21 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Descontente com teu estado presente, por motivos que anunciam à tua infeliz posteridade maiores descontentamentos ainda, que sabe gostarias de retrogradar.

22 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Tal desejo deve constituir o elogio de teus primeiros antepassados, a crítica de teus contemporâneos e o temor daqueles que tiveram a infelicidade de viver depois de ti.

23 of 201

Discurso sobre a desigualdade

DÉPRAVER

  • Falsear, desviar de sua natureza verdadeira.
  • “O homem que medita é um animal depravado.”

24 of 201

Discurso sobre a desigualdade

PRIMEIRA PARTE

  • Rousseau não pretende seguir uma linha biologiscista.
  • As conjecturas naturalistas são vagas.
  • Rejeição destes postulados.
  • “Eu o suporei como o vejo hoje.”

25 of 201

Discurso sobre a desigualdade

  • Um homem despojado de dons sobrenaturais.
  • Rousseau parte da visão de um homem já inserido na natureza.
  • “Considerando-o, numa palavra, tal como deve ter saído das mãos da natureza, vejo um animal menos forte do que uns, menos ágil do que outros, mas, em conjunto, organizado de modo mais vantajoso que todos os demais.”

26 of 201

Discurso sobre a desigualdade

  • Um homem farto numa natureza farta.

A terra abandonada à fertilidade natural e coberta por florestas imensas, que o machado jamais mutilou, oferece, a cada passo, provisões e abrigos aos animais de qualquer espécie.

27 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Os homens, dispersos em seu seio, observam, imitam sua indústria e, assim, elevam-se até o instinto dos animais, com a vantagem de que, se cada espécie não possui senão o seu próprio instinto, o homem, não tendo talvez nenhum que lhe pertença exclusivamente, apropria-se de todos, igualmente se nutre da maioria dos vários alimentos que outros animais dividem entre si e, consequentemente, encontra sua subsistência mais facilmente do qualquer deles poderá conseguir.

28 of 201

Discurso sobre a desigualdade

  • Experimentados no rigor da natureza, tornam-se robustos.
  • Natureza: uma espécie de educação espartana.
  • Cada indivíduo: forte e semelhante.
  • Diferente do Estado atual, onde os filhos onerosos são eliminados.
  • Erro de Rousseau: ignora a eugenia espartana.

29 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O papel do corpo

  • O único instrumento que o selvagem conhece.
  • Empregado de diversos modos.
  • Agilidade deteriorada com o uso da indústria pelo homem contemporâneo.
  • Cf. Técnica e fragilidade.

30 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Se tivesse um machado, seu punho romperia galhos tão resistentes? Se tivesse uma funda, lançaria com a mão, com tanto vigor, uma pedra? Se possuísse uma escada, subiria a uma árvore tão ligeiramente? Se tivesse um cavalo, seria tão veloz na corrida?

31 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O homem civilizado e a técnica

Daí ao homem civilizado o tempo de reunir todas essas máquinas à sua volta; não poderá duvidar que, com isso, sobrepasse, com facilidade, o homem selvagem.

32 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Supremacia do selvagem

Se quiserdes, porém, ver um combate mais desigual ainda, deixai-os nus e desarmados uns defronte dos outros, e logo reconhecereis qual a vantagem de sempre ter todas as forças à sua disposição, de sempre estar pronto para qualquer eventualidade e de transportar-se, por assim dizer, sempre todo inteiro consigo mesmo.

33 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Hobbes

  • Para quem o homem é intrépido e belicoso.

Cumberland e Pufendorf

  • Nenhum ser é tão tímido quanto o homem no estado de natureza.
  • Sempre com medo e tentado a fugir das ameaças.

34 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Rousseau

  • Duvida desse estado do homem.
  • A natureza teria uma uniformidade, sem mudanças bruscas.
  • E os homens são congregados.
  • O homem, capaz de previsão, aprendeu a não temer a natureza.

35 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Supremacia humana

Acrescentemos que, segundo parece, nenhum animal guerreia naturalmente com o homem, a não ser no caso de sua própria defesa ou de uma fome extrema, nem lhe testemunha essas antipatias violentas, que parecem anunciar ser uma espécie destinada pela natureza a servir de pasto a outra.

36 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Despreocupação dos selvagens

  • Pouca preocupação dos negros e selvagens com os animais ferozes.
  • Os caraíbas da Venezuela.
  • A nudez, a mata e os perigos debaldes.
  • Jamais se ouviu falar, no entanto, que alguns deles tenham sido devorados pelos animais”.

37 of 201

Discurso sobre a desigualdade

As enfermidades naturais

  • A infância, a velhice e as doenças.
  • Infância e velhice 🡪 comum a todos os animais.
  • Doenças 🡪 a vida em sociedade.
  • A mãe humana e seu filho.
  • A mãe animal e seus filhotes.

38 of 201

Discurso sobre a desigualdade

A velhice do homem

  • Ausência de certas doenças como a gota e reumatismos.
  • O idoso selvagem terminaria sua vida sem sobressaltos.

39 of 201

Discurso sobre a desigualdade

A medicina

  • Robusta na medida em que os homens são mais frágeis.
  • Onde a arte médica é menos desenvolvida, a vida do homem é mais longeva.
  • E como poderia acontecer, se nós nos causamos males mais numerosos do que os remédios que a medicina pode nos fornecer?”.

40 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Os excessos do homem civilizados

  • Desigualdade na maneira de viver.
  • Regimes alimentares.
  • Paixões desregradas.
  • As vigílias.
  • Fadigas.
  • Tristezas.
  • Tormentos da alma.

41 of 201

Discurso sobre a desigualdade

A maioria dos nossos males é obra nossa

“Teríamos evitado quase todos se tivéssemos conservado a maneira simples, uniforme e solitária de viver prescrita pela natureza.”

42 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O homem depravado

“Se ela nos destinou a sermos sãos, ouso quase assegurar que o estado de reflexão é um estado contrário à natureza e que o homem que medita é um animal depravado.”

43 of 201

Discurso sobre a desigualdade

As doenças do homem civilizado

“Quando se pensa na constituição dos selvagens, pelo menos daqueles que não estragamos com nossos licores fortes, quando se sabe que eles não conhecem outras doenças senão as feridas e a velhice, fica-se bastante inclinado a crer que com facilidade s faria a história das doenças humanas seguindo a das sociedade civis.”

44 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Suficiência salutar dos selvagens

“Com tão poucas fontes de males, o homem, no estado de natureza, não sente, pois, necessidade de remédios e, menos ainda, de médicos...”

45 of 201

Discurso sobre a desigualdade

A natureza terápica dos animais

  • Reparação natural dos ferimentos.
  • O homem natural com as mesmas possibilidades.
  • Situação vantajosa do homem selvagem.

46 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Ainda a suficiência salutar do homem selvagem

“Finalmente, por mais útil que possa ser entre nós a medicina bem administrada, será sempre certo que o selvagem doente, abandonado a si mesmo, nada espera senão da natureza e, em compensação, nada deve temer senão o seu mal, o que frequentemente torna sua situação preferível à nossa.”

47 of 201

Discurso sobre a desigualdade

A domesticação

Evitemos, pois, confundir o homem selvagem com os homens que temos diante dos olhos.”

  • A domesticação fragiliza todo e qualquer animal.

todos os nossos cuidados para tratar bem e alimentar esses animais só conseguem degenerá-los.”

48 of 201

Discurso sobre a desigualdade

A mesma fragilização ocorre com o homem

Acontece o mesmo com o próprio homem. Tornando-se sociável e escravo, torna-se fraco, medroso e subserviente, e sua maneira de viver, frouxa e afeminada, acaba por debilitar ao mesmo tempo sua força e sua coragem.

49 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Prelúdio de uma ética planetária

Acrescentemos que, entre a condição selvagem e a doméstica, a diferença de homem para homem deverá ser ainda maior do que a existente de animal para animal, pois sendo o animal e o homem tratados igualmente pela natureza, todas as comodidades que o homem a si mesmo oferece, mas não aos animais, são outras tantas causas particulares que fazem com que mais perceptivelmente degenere.

50 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O selvagem grosseiro e pouco delicado

  • Tato e gosto rudes.
  • Vista, audição e olfato aguçados.

51 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O homem moral e metafísico

  • A distinção peculiar do homem em ralação aos outros animais:

A liberdade

A perfectibilidade

52 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Em cada animal vejo somente uma máquina engenhosa a que a natureza conferiu sentidos para recompor-se por si mesma e para defender-se, até certo ponto, de tudo quanto tende a destruí-la ou estragá-la. Percebo as mesmas coisas na máquina humana, com a diferença de tudo fazer sozinha a natureza nas operações do animal, enquanto o homem executa as suas como agente livre.

53 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Um escolhe ou rejeita por instinto, e outro, por um ato de liberdade, razão porque o animal não pode desviar-se da regra que lhe é prescrita, mesmo quando lhe fora vantajoso fazê-lo, e o homem, em seu prejuízo, frequentemente se afasta dela.

54 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O pombo

O gato

O homem

55 of 201

Discurso sobre a desigualdade

As ideias do homem e dos animais

Todo animal tem ideias, posto que tem sentidos; chega mesmo a combinar suas ideias até certo ponto e o homem, a esse respeito, só se diferencia da besta pela intensidade.

56 of 201

Discurso sobre a desigualdade

A natureza manda em todos os animais, e a besta obedece. O homem sofre a mesma influência, mas considera-se livre para concordar ou resistir, e é sobretudo na consciência dessa liberdade que se mostra a espiritualidade de sua alma, pois a física de certo modo explica o mecanismo dos sentidos e a formação das ideias, mas no poder de querer, ou antes, de escolher e no sentimento desse poder só se encontram atos puramente espirituais que de modo algum serão explicados pelas leis da mecânica.

57 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Outra característica fundamental

  • A perfectibilidade.
  • Presente tanto na espécie humana quanto no indivíduo humano.
  • O animal é o que será por toda sua vida.
  • O homem pode melhorar e regredir.

58 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Por que só o homem é suscetível de tornar-se imbecil?

  • O animal permanece em seu instinto.
  • O homem regride e atinge a decrepitude.
  • Sofrimento no corpo e no espírito.

59 of 201

Discurso sobre a desigualdade

A condição do homem primitivo

O homem selvagem, abandonado pela natueza unicamente ao instinto, ou ainda, talvez, compensado do que lhe falta por faculdade capazes de a princípio supri-lo e depois elevá-lo muito acima disso, começará, pois, pelas funções puramente animais.

60 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Os sentidos

Perceber e sentir será seu primeiro estado, que terá em comum com todos os outros animais; querer e não querer, desejar e temer, serão as primeiras e quase únicas operações de sua alma, até que novas circunstâncias nela determinem novos desenvolvimentos.

61 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Paixão e Razão

Apesar do que dizem os moralistas, o entendimento humano muito deve às paixões, que, segundo uma opinião geral, lhe devem também muito. É pela sua atividade que nossa razão se aperfeiçoa; só procuramos conhecer porque desejamos usufruir e é impossível conceder por que aquele, que não tem desejos ou temores, dar-se-ia a pena de raciocinar.

62 of 201

Discurso sobre a desigualdade

As paixões e o conhecimento

As paixões, por sua vez, encontram sua origem em nossas necessidades e seu progresso em nossos conhecimentos, pois só se pode desejar ou temer as coisas segundo as ideias que delas se possa fazer ou pelo simples impulso da natureza; ...

63 of 201

Discurso sobre a desigualdade

As paixões e o conhecimento do selvagem

O homem selvagem, privado de toda espécie de luzes, só experimenta as paixões desta última espécie, não ultrapassando, pois, seus desejos a suas necessidades físicas.

64 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Os únicos bens que conhece no universo são a alimentação, uma fêmea e o repouso; os únicos males que teme, a dor e a fome.

65 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O conhecimento da morte

Digo a dor e não a morte, pois jamais o animal saberá o que é morrer, sendo o conhecimento da morte e de seus terrores uma das primeiras aquisições feitas pelo homem ao distanciar-se da condição animal.

66 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O progresso humano = perfectibilidade

  • Motivado pelas necessidades.
  • O grau de necessidade determina a dimensão do progresso.
  • O homem selvagem estaria na vantagem de pouco ter de providenciar.

67 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Mas, sem recorrer aos testemunhos incertos da história, quem não verá que tudo parece afastar do homem selvagem a tentação e os meios de deixar de ser selvagem? Sua imaginação nada lhe descreve, o coração nada lhe pede.

68 of 201

Discurso sobre a desigualdade

A previdência do selvagem

  • A natureza pródiga e dadivosa.
  • “Não possui espírito para espantar-se e não é nele que se deve procurar a filosofia de que o homem tem necessidade para observar por uma vez o que sempre viu.”
  • Alma entregue unicamente ao sentimento de existir.

69 of 201

Discurso sobre a desigualdade

A previdência e o trabalho do selvagem

  • Uma longa história até esse homem se comprometer com o trabalho.
  • “o ódio mortal que todos têm por um trabalho contínuo”.
  • Por que trabalharia o selvagem?

70 of 201

Discurso sobre a desigualdade

E como poderia cada um resolver-se a passar sua vida num trabalho penoso, cujo prêmio tem tanto mais certeza de não recolher quanto de ser-lhe muitíssimo necessário?

71 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O pensamento selvagem

quando supuséssemos em seu espírito o quanto de inteligência e de luzes que deveria ter e que, na realidade, só se encontra nele a lentidão e estupidez, que utilidade a espécie tiraria de toda metafísica impossível de ser comunicada e destinada a perecer com o indivíduo que a tivesse inventado?

72 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Que progresso poderia conhecer o gênero humano esparso nas florestas entre os animais? E até que ponto poderiam aperfeiçoar-se e esclarecerem-se mutuamente homens que, não tendo domicílio fixo nem necessidade uns dos outros, se encontrariam talvez, somente duas vezes na vida, sem se conhecer e sem se falar?

73 of 201

Discurso sobre a desigualdade

A origem das línguas – a comunicação

  • Como a linguagem tornou-se necessária?
  • “A vida errante e vagabunda que não da tempo a que nenhum idioma adquira consistência.”
  • Como a linguagem se formou?
  • Mistérios permanentes.

74 of 201

Discurso sobre a desigualdade

“Se o homens tiveram necessidade da palavra para aprender a pensar, tiveram muito mais necessidade ainda de saber pensar para encontrar a arte da palavra...”

  • Concepção da língua como instrumento.

75 of 201

Discurso sobre a desigualdade

A primeira língua

A primeira língua do homem, a língua mais universal, a mais enérgica e a única de que necessitou antes de precisar-se persuadir homens reunidos, é o grito da natureza.

76 of 201

Discurso sobre a desigualdade

  • A língua instintiva.
  • A busca de sinais mais complexos.
  • A linguagem gestual.
  • A articulação da voz.
  • A língua é uma instituição convencional: precisa do consentimento comum.

77 of 201

Discurso sobre a desigualdade

  • A posse da palavra
  • A cada palavra, o sentido de uma frase inteira.
  • Depois uma sintaxe mais elaborada.
  • Primeiro o singular, depois o genérico.
  • O homem ainda incapaz de abstrações.
  • Um arsenal de palavras só viria depois.
  • Visto que palavras são instrumentos do pensamento.

78 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Atualização do esquema de Platão

  • “Toda ideia geral é puramente intelectual e, por pouco que a imaginação nela se imiscua, a ideia logo se torna particular.”
  • A árvore e a ideia da árvore.
  • “Os seres puramente abstratos são assim vistos ou só se concebem pelo discurso.”

79 of 201

Discurso sobre a desigualdade

  • “Os primeiros substantivos nunca puderam ser senão nomes próprios.”
  • Os homens primitivos eram incapazes da metafísica.
  • Partiam primeiramente de substantivos físicos.
  • Por causa da empiria?

80 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O homem em sociedade

O isolamento da natureza

Vê-se, pelo menos, o pouco cuidado que teve a natureza ao reunir os homens por meio de necessidades mútuas e ao facilitar-lhes o uso da palavra, como preparou mal sua sociabilidade e como pôs pouco de si mesma em tudo que fizeram para estabelecer os seus laços.

81 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O mito do homem natural bom e feliz

  • O selvagem não é um miserável.

Ora, desejaria que me explicassem qual poderia ser o gênero de miséria de um ser livre cujo coração está em paz e o corpo com saúde. Pergunto qual das duas – a vida civil ou a natural – é mais suscetível de tornar-se insuportável àqueles que a fruem.”

82 of 201

Discurso sobre a desigualdade

A miséria generalizada na sociedade

À nossa volta, vemos quase somente pessoas que se lamentam de sua existência, inúmeras até que dela se privam assim que podem, e o conjunto das leis divinas e humanas mal basta para deter essa desordem.”

83 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Pergunto se algum dia se ouviu dizer que um selvagem em liberdade pensou em lamentar-se da vida e em querer morrer. Que se julgue, pois, com menos orgulho, de que lado está a verdadeira miséria. Pelo contrário, nada seria tão miserável quanto um selvagem ofuscado por luzes, atormentado por paixões e raciocinando sobre um estado diferente do seu.

84 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O selvagem e o civilizado

O homem encontrava unicamente no instinto todo o necessário para viver no estado de natureza; numa razão cultivada só encontra aquilo de que necessita para viver em sociedade.

85 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Um estado de amoralidade primordial

Parece, a princípio, que os homens nesse estado de natureza, não havendo entre si qualquer espécie de relação moral ou deveres comuns, não poderiam ser nem bons nem maus ou possuir vícios e virtudes, a menos que, tomando essas palavras num sentido físico, se considerem como vícios do indivíduo as qualidades capazes de prejudicar sua própria conservação, e virtudes aquelas capazes de em seu favor contribuir, caso em que se poderia chamar de mais virtuosos àqueles que menos resistissem aos impulsos simples da natureza.

86 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Uma antropologia comparativa

Sem nos afastarmos do senso comum, é oportuno suspender o julgamento que poderíamos fazer de uma tal situação e desconfiar de nossos preconceitos até que, de balança na mão, se tenha examinado se há mais virtudes do que vícios entre os homens civilizados.”

87 of 201

Discurso sobre a desigualdade

“Ou se suas virtudes são mais proveitosas do que funestos seus vícios; ou se o progresso de seus conhecimentos constitui compensação suficiente dos males que se causam mutuamente à medida que se instruem sobre o bem que deveriam dispensar-se.”

88 of 201

Discurso sobre a desigualdade

“Ou se não estariam, na melhor das hipóteses, numa situação mais feliz não tendo nem mal a temer nem bem a esperar de ninguém, ao invés de ter-se submetido a uma dependência universal e obrigar-se a receber tudo daqueles que nada se obrigam a lhe dar.”

89 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Contra Hobbes

  • Não tendo ideia da bondade, concebe o homem como naturalmente mau.
  • O homem corrupto, porque não conhece a virtude.
  • Que só faz o bem quando obrigado.
  • Um ser que se imagina dono do mundo.

90 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Contra Hobbes

  • Hobbes teria desvirtuado o mundo natural do selvagem em suas conclusões.
  • O estado natural é aquele onde os cuidados com a conservação era o menos prejudicial e, portanto, mais propício à paz que o mundo civilizado.

91 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Contra Hobbes

  • Hobbes teria invertido os papéis.
  • Colocou no mundo natural aquilo que é inerente ao mundo civilizado.
  • A impiedade e agressividade são obra da sociedade, o que exige a existência de leis.

92 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Contra Hobbes

  • Hobbes afirma: “O mal é uma criança robusta”.
  • Rousseau questiona: “O selvagem é uma criança robusta?”
  • A concordar com Hobbes, o homem seria intratável e violento, independentemente de ser fraco ou forte e dependente.

93 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Contra Hobbes

  • Para Rousseau, é contraditório afirmar o selvagem como robusto e dependente.
  • “O homem é fraco quando dependente e, antes de ser robusto, se emancipa.”
  • Para Rousseau, o não-conhecimento permitia ao selvagem não se tornar um depravado.

94 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Os selvagens não são maus precisamente porque não sabem o que é ser bons, pois não é nem o desenvolvimento das luzes, nem o freio da lei, mas a tranquilidade das paixões e a ignorância do vício que os impede de proceder mal: serviu muito mais a estes a ignorância dos vícios do que àqueles o conhecimento da virtude. (apud: São Justino).

95 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Contra Hobbes

  • Outro princípio não percebido.
  • “A repugnância inata de ver sofrer seu semelhante, o ardor que consagra ao seu bem-estar.”
  • “A piedade, disposição conveniente aos fracos e sujeitos a tantos males como o somos.”

96 of 201

Discurso sobre a desigualdade

A piedade entre os animais

  • Para Rousseau, a piedade é verificada inclusive entre animais.

Exemplos:

A repugnância dos cavalos em pisar num ser vivo.

A inquietação diante de um ser morto de sua espécie.

Animais que sepultam seus semelhantes.

97 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O rebanho de bois destinado ao matadouro.

Mandeville (1733) em Fábula das abelhas: um homem que testemunha, patético e aprisionado, a ferocidade do mundo exterior, diante da cena de uma fera que toma violentamente uma criança dos braços de sua mãe, a fim de devorá-la.

98 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Convicções de Rousseau

  • A piedade é anterior à reflexão.
  • Piedade que a depravação tem dificuldade de destruir completamente.
  • A catarse nos espetáculos: a emoção e o choro por causa da infelicidade alheia.

99 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Exemplos de tiranos que se emocionavam:

  • Silas: sensível aos males que não causara.
  • Alexandre de Fers: furtivo ao teatro, para não ser visto chorando o drama de Andrômaca e Príamo, mas, ao mesmo tempo, impassível diante de vítimas que ele fazia degolar.

100 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Mollissima corda

Humano generi dare se natura

Fafetur,

Quae lacrymas dedit.

(A natureza, dando-lhe lágrimas, reconhece que deu, ao gênero humano, corações muito ternos)

Juvenal

101 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Mandeville

  • “Os homens jamais passariam de uns monstros se a natureza não lhes tivesse conferido a piedade para apoio da razão.”
  • Da piedade, e só dela, decorrem as demais virtudes.

102 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Que são a generosidade, a clemência, a humanidade, senão a piedade aplicada aos fracos, aos culpados ou à espécie humana em geral?

103 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Amizade e bem-querer

Até a bem-querência e a amizade são, bem entendidas, produções de uma piedade constante fixadas num objeto especial, pois desejar que alguém não sofra não será desejar que seja feliz?

104 of 201

Discurso sobre a desigualdade

A comiseração

A ser verdadeiro que a comiseração não passa de um sentimento que nos coloca no lugar daquele que sofre, sentimento obscuro e vivo no homem selvagem, desenvolvido mas fraco no homem civil, que importará tal ideia para a verdade do que digo, senão para dar-lhe mais força?

105 of 201

Discurso sobre a desigualdade

A comiseração, com efeito, mostrar-se-á tanto mais enérgica quanto mais intimamente se identificar o animal espectador com o animal sofredor.

106 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Ora, é evidente que essa identificação deveu ser infinitamente mais íntima no estado de natureza do que no estado de raciocínio.

107 of 201

Discurso sobre a desigualdade

É a razão que engendra o amor-próprio e a reflexão o fortifica; faz o homem voltar-se sobre si mesmo; separa-o de quanto o perturba e aflige. É a filosofia que o isola; por sua causa, diz ele, em segredo, ao ver um homem sofrendo: “Perece, se queres; quanto a mim, estou seguro”.

108 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Engajamentos distintos

“Nada, além dos perigos da sociedade inteira, atrapalha o sono tranquilo do filósofo e o arranca do leito. Podem impunemente degolar um seu semelhante sob sua janela, ele só terá de levar as mãos às orelhas e ponderar um pouco consigo mesmo para impedir a natureza, que nele se revolta, de identificar-se com aquele que se assassina.”

109 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O homem selvagem de modo algum possui esse talento admirável e, por falta de sabedoria e de razão, vemo-lo cada dia entregar-se temerariamente ao primeiro sentimento de humanidade.

110 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Nos motins, nas arruaças, a populaça se reúne, o homem prudente se distancia; a canalha, as mulheres no mercado, é que separam os contendores e impendem as pessoas de bem de se degolarem mutuamente.

111 of 201

Discurso sobre a desigualdade

A piedade

  • Concorre para a conservação mútua de toda espécie.
  • Promove instintivamente o socorro de que sofre.
  • Ocupa o lugar das leis no estado natural.
  • Com a vantagem da não-inclinação à transgressão.

112 of 201

Discurso sobre a desigualdade

  • Ela impede a injustiça com o fraco.
  • Supera a justiça raciocinada (Faze a outrem o que desejas que façam a ti).
  • Pela justiça da bondade natural (Alcança teu bem com o menor mal possível para outrem).

113 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Precedência da virtude

“Ainda que possa ser o próprio de Sócrates e dos espíritos de sua têmpera adquirirem a virtude pela razão, há muito tempo o gênero humano não existiria mais, se sua conservação só dependesse dos que pertencem a esse grupo.”

114 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O mercado

  • Fonte das vaidades, das considerações, estimas e desprezos, da propriedade.
  • O homem natural está apartado desses males.

115 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Outro fator mais perigoso: o amor

  • A paixão ardente e impetuosa que torna um sexo dependente de outro.
  • O que pode um homem apaixonado?
  • “Quanto mais violentas são as paixões, mais necessárias as leis para contê-las.”

116 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Crise no estado civil

“Mas, se as desordens e crimes, que essas paixões cotidianamente causam entre nós, já mostram à saciedade a insuficiência das leis nesse particular, além disso seria útil examinar se tais desordens não nasceram com as próprias leis, pois, nesse caso, mesmo que fossem as leis capazes de reprimir as desordens, o menos que se poderia exigir é que sustentassem um mal que não existiria sem elas.”

117 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O amor moral e o amor físico

  • O amor físico é o desejo geral de atração de um sexo pelo outro.
  • O amor moral é o que determina o desejo e o fixa num só objeto, num grau maior de energia.
  • O moral, no amor, é um sentimento artificial.
  • Noções de mérito e beleza.

118 of 201

Discurso sobre a desigualdade

  • Méritos que o selvagem é incapaz de ter.
  • Seu coração não é capaz de admiração.
  • Qualquer mulher lhe convém.
  • Assim limitados, ausentam-se os males advindos do amor.
  • A imaginação prejudicial inerente ao amor não os atinge.

119 of 201

Discurso sobre a desigualdade

  • O amor funesto é moral social.
  • Os caraíbas calmos no amor.
  • Menos sujeitos a ciúmes.
  • A raridade de fêmeas entre os animais não serve de parâmetro de leitura sobre os homens selvagens.

120 of 201

Discurso sobre a desigualdade

Resumo das preocupações de Rousseau

“Estendi-me desse modo sobre a suposição dessa condição primitiva porque, devendo destruir antigos erros e preconceitos inveterados, achei que deveria pulverizá-los até a raiz e mostrar, no quadro do verdadeiro estado de natureza, como a desigualdade, mesmo natural, está longe de ter nesse estado tanta realidade e influência quanto pretendem nossos escritores.”

121 of 201

Discurso sobre a desigualdade

A desigualdade

  • Fruto dos hábitos que os homens adotam em sociedade.
  • A Educação nessa empresa.
  • A diferença entre homens no estado natural é menor que entre homens no estado civil.
  • Aumento da desigualdade natural por meio da desigualdade institucional.

122 of 201

Discurso sobre a desigualdade

A opressão, o que é ela?

  • Uns dominam com violência; outros, com os caprichos.
  • Como se daria isso entre os selvagens?
  • Como eles compreenderiam a servidão e a dominação?
  • É fácil aceitar a pilhagem, mas como verificar a capacidade de fazer obedecer?

123 of 201

Discurso sobre a desigualdade

“E quais poderão ser as cadeias da dependência entre homens que nada possuem?”

“Se me expulsam de uma árvore, sou livre de ir a uma outra; se me perseguem num certo lugar, que me impedirá de ir para outro?”

124 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O trabalho da exploração

“Se encontrar um homem com força bem superior à minha e, além disso, o bastante depravado, preguiçoso e feroz para obrigar-me a prover a sua subsistência enquanto nada fizer, será preciso que ele se resolva a não me perder de vista um só instante e ter-me amarrado com muito cuidado enquanto dormir, temendo que eu escape ou que o mate, isto é, será obrigado a expor-se voluntariamente a um trabalho muito maior do que deseja evitar e do que dá a mim mesmo.”

125 of 201

Discurso sobre a desigualdade

A condição da submissão

“É impossível subjugar um homem sem antes tê-lo colocado na situação de não viver sem o outro, situação essa que, por não existir no estado de natureza, nele deixa cada um livre do jugo e torna inútil a lei do mais forte.”

126 of 201

Discurso sobre a desigualdade

SEGUNDA PARTE

A propriedade

A desigualdade construída

A necessidade de conservação

A transformação do estado natural

O homem industrioso

A perversão gradual

A origem das leis

As dimensões do mal

A liberdade conveniada

127 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O verdadeiro fundador da sociedade vivil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer isto é meu e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não pouparia ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado a seus semelhantes: “Defendei-vos de ouvir esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos e que a terra não pertence a ninguém!”

p. 265

128 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

129 of 201

Discurso sobre a desigualdade

130 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

131 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

132 of 201

Discurso sobre a desigualdade

133 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

134 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

135 of 201

Discurso sobre a desigualdade

136 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

137 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

138 of 201

Discurso sobre a desigualdade

139 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

140 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

141 of 201

Discurso sobre a desigualdade

142 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

143 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

144 of 201

Discurso sobre a desigualdade

145 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

146 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

147 of 201

Discurso sobre a desigualdade

148 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

149 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

150 of 201

Discurso sobre a desigualdade

151 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

152 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

153 of 201

Discurso sobre a desigualdade

154 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

155 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

156 of 201

Discurso sobre a desigualdade

157 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

158 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

159 of 201

Discurso sobre a desigualdade

160 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

161 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

162 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

163 of 201

Discurso sobre a desigualdade

164 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

165 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

166 of 201

Discurso sobre a desigualdade

167 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

168 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

169 of 201

Discurso sobre a desigualdade

170 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

171 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

172 of 201

Discurso sobre a desigualdade

173 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

174 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

175 of 201

Discurso sobre a desigualdade

176 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

177 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

178 of 201

Discurso sobre a desigualdade

179 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

180 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

181 of 201

Discurso sobre a desigualdade

182 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

183 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

184 of 201

Discurso sobre a desigualdade

185 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

186 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

187 of 201

Discurso sobre a desigualdade

188 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

189 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

190 of 201

Discurso sobre a desigualdade

191 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

192 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

193 of 201

Discurso sobre a desigualdade

194 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

195 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

196 of 201

Discurso sobre a desigualdade

197 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

198 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

199 of 201

Discurso sobre a desigualdade

200 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O

201 of 201

Discurso sobre a desigualdade

O