A atividade parte da Residência de Pesquisa, Docência e Extensão “fazer-pensar-sentir com”, executada no âmbito do Projeto “Divulgação científica para a Educação Básica: desafios da pós-graduação em Educação”, Chamada Pública Fapesc 06/2023, Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Pós-Graduação (PDPG), Parcerias Estratégicas Nos Estados III – Edital Capes Nº 38/2022, apoiada pelo Grupo de Pesquisa Atlas – Geografias, Imagens e Educação e pelo Projeto de Extensão Bicho Geográfico).
Data: 26 e 27 de outubro
Horário: das 14h às 21h (sábado) e das 9h às 13h (domingo). As atividades do sábado e domingo não são sequenciais e podem ser cursadas de maneira isolada (somente sábado, somente domingo ou os dois dias). Não haverá possibilidade de hospedagem no Parque. Para aquele que quiserem estar nos dois dias, recomendamos organizarem-se no esquema caronas de ida e volta ou se hospedarem nas redondezas (no final do formulário há opções sugeridas). Após finalização das inscrições, disponibilizaremos um grupo de zaps para a organização das caronas.
Endereço: Centro de Visitantes do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro (PAESTA). Rodovia BR 101, Km 238 Sul, tem um viaduto próximo ao Posto Maciambú
Ministrantes: Prof.ª Dra. Susana Dias (Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo – Labjor/Unicamp), Ms. Natália Aranha e Ms. João Pedro Bovolon (Instituto de Biologia da Unicamp (Laboratório de História Natural de Anfíbios Brasileiros – LaHNAB) e grupo multiTÃO.
Ementa: Cururu, sapo-martelo, rãzinha-assobiadora, perereca-de-folhagem, perereca-de-colete, rãzinha-de-folhiço, sapinho-pingo-de-ouro... O amor pelos sapos nos levou a pesquisar e criar maneiras de coabitar com eles. Reconhecendo o risco de extinção desses animais, pensamos nos sapos como nossas espécies companheiras, buscando não pensar ou escrever somente sobre eles, mas com eles. Dessa forma, nos aprofundamos em seus modos de vida por meio de leituras científicas, laboratórios, trabalhos de campo, das artes e colaborações com autores de diferentes áreas, especialmente Donna Haraway, Anna Tsing e Silvio Ferraz. Essa imersão revelou interconexões entre formas de vida, resultando em um trajeto-pesquisa interdisciplinar que busca sensibilizar para a importância dos sapos e de outros seres silenciados. Diante do Antropoceno, não é suficiente investir em uma comunicação que faça apenas denúncias dos impactos das atividades humanas nas vidas desses animais. É preciso engajar o público num aprendizado sobre o que pode ser comunicar e escutar frente aos meios massificados de comunicação e ao habitar escravagista que marca nossos modos de relação entre humanos e não humanos (Ferdinand, 2022). Nestes encontros convidaremos o público a se deixar afetar pelos modos de vida dos sapos, como forma de levar a sério a saída de um pensamento colonial, dicotômico, que nos leva a pensar-viver-sentir desde dentro das separações entre organismos e meios, naturezas e culturas, artes e ciências. O convite será para nos sentirmos como parte de uma rede de interações multiespécies. Para experimentar essas possibilidades nos envolveremos em “mesas de trabalho com anfíbios”, criadas a partir da articulação entre as práticas dos herpetólogos do Laboratório de História Natural dos Anfíbios Brasileiros (LaHNAB), os materiais disponibilizados pela Fonoteca Neotropical Jacques Vielliard (FNJV), obras de artistas (Rosana Torralba, Silvana Sarti, Jaime Reimer, Cildo Meireles, Breno Filo e Mauro Tanaka), os estudos multiespécies (Haraway, 2021; Tsing, 2019) e as experiências do grupo de pesquisas multiTÃO: prolifer-artes sub-vertendo ciências, educações e comunicações, do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor). Essas mesas são pequenos exercícios de “fabulação especulativa” (Haraway, 2021), uma noção que nos auxiliou a compreender como ocorrem os encontros e conexões nos emaranhados multiespécies por meio da interação entre ciências, artes e comunicação. A oficina proporá relações com os sapos através da criação de aquarelas, grafismos nos corpos e fotografias, criação de instalações e livros-objeto coletivos.
Descrição das Residências de Pesquisa, Docência e Extensão “fazer-pensar-sentir com”: As residências têm como finalidade promover a troca de experiências entre pesquisadores, professores, artistas, educadores e gestores ambientais, estudantes de graduação e pós-graduação e a comunidade em geral. Os encontros acontecem nas dependências do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e mobilizam questões centrais para o pensamento ético-estético-político contemporâneo em sua feição ecológico-artístico-educativa. A cada edição, as residências reúnem convidados que habitam a interface ciência/arte/filosofia/educação/comunicação para, juntos, compartilharem seus procedimentos de trabalho e suas linhas de pensamento acerca das urgências e pungências do tempo presente. A duração é de dois dias, condensados em um fim de semana, e os participantes podem optar por dormir no local – respeitando o número de vagas entre a hospedaria e a área reservada para acampamento – ou por se deslocar aos arredores do Parque para pernoite. Para aqueles que optarem por pernoitar, será cobrado uma taxa de custo para gastos com alimentação, que incluem um jantar.
Materiais necessários: galocha ou tênis que possa sujar, capa de chuva ou sombrinha, lanterna (de preferência de cabeça), corta ventos, roupas confortáveis para caminhada noturna.
Sábado:
- Tarde: mesa de trabalho com atividades que envolvem experenciar/experimentar os sapos em diversos níveis: sons, imagens, projeções, pinturas corporais, corporalidades outras etc.
- Noite: campo com os sapos e os pesquisadores de sapos
- Horário reservado para lanche: das 18 às 19h
Domingo: roda de conversa com os pesquisadores sobre seu trabalho com os sapos e sobre a proposta das mesas de trabalho como possibilidades para a educação feita com os materiais, as pessoas, etc.
Obs.: Não há lanchonete no Parque ou arredores. O lanche da noite de sábado deve ser levado por cada participante. Sugerimos comidas leves como sanduíches, frutas, bolo, pão de queijo, salgados assados, suco etc. Também sugerimos que todos levem um lanche para o almoço de domingo, tendo em vista o horário de finalização da atividade. Forneceremos, para essas ocasiões, chá, água e café preto.