Pela suspensão das atividades não essenciais na Unicamp
Levando em consideração a grave situação que atravessamos neste momento, diante da pandemia de COVID-19, enquanto entidades e representantes estudantis é nosso dever resguardar o interesse geral dos estudantes da Unicamp.

Gostaríamos de trazer preocupações relacionadas à GR-025/2020, que institui uma série de medidas para viabilizar a conversão de matérias presenciais em matérias de ensino à distância, através de plataformas digitais. É preciso levar em consideração as limitações da medida:

1) Em meio a uma grave crise social, as condições para o desenvolvimento das atividades acadêmicas, especialmente as avaliativas, se tornam difíceis. Não é possível garantir que os estudantes que voltaram para suas casas terão acesso a um computador com internet. Em uma situação que impõe isolamento social, criar a necessidade de ir a um local com internet como cyber cafés, casas de colegas e lan houses não deve ser cogitado.

2) Mesmo os estudantes que possuem smartphones com internet móvel, sabemos que se trata de um serviço caro, limitado e com sérios problemas de infraestrutura no Brasil.

3) As preocupações dos estudantes com amigos e familiares idosos e/ou parte do grupo de risco, além de seu próprio bem estar, tornam as condições psicológicas para o desenvolvimento regular dos estudos bastante precárias.

4) Temos que levar em conta também como isso afeta as condições materiais dos estudantes e professores. É bastante provável que um parte significativa destes adoeça, o que pode gerar prejuízos sérios na realização das atividades acadêmicas. Sabemos, também, quais são os setores historicamente responsáveis pelos cuidados com a saúde familiar: as mulheres. Assim, a manutenção dessas atividades diante dessa crise irá afetar profundamente as estudantes e professoras. São elas que ficarão responsáveis por cuidar de familiares que possam vir adoecer, além das crianças que, com o fechamento das creches, ficarão em casa, majoritariamente sob cuidado das mães. Além disso, o aprofundamento da crise econômica que vivemos afeta diretamente as condições de estudo e realização de atividades acadêmicas dos estudantes mais pobres e em condições de vulnerabilidade, que se vêem diante da necessidade de buscar por outras fontes de renda e de trabalho, principalmente frente os programas de demissão voluntária de diversas empresas e da permissão do governo para redução de jornada com corte de salário.

5) Impor aos docentes que reformulem suas disciplinas para versões online em poucos dias e que sejam obrigados a lecionar de casa em um cenário de pandemia é, em grande medida, precarização do trabalho. Isso se agrava no caso das e dos docentes com filhos em casa, diante da suspensão das aulas do ensino básico e das creches.

6) O ensino à distância também representa um grave prejuízo para a qualidade do ensino, considerando a importância dos debates em sala de aula e dos vetores práticos das disciplinas. Além disso, a Unicamp não dispõe de ferramentas de tecnologias educacionais suficientes para adotar aulas à distância, e muito menos formação continuada dos docentes para atuação nessa modalidade de ensino, trazendo transtornos tanto para os docentes quanto para os estudantes.

7) Sugerimos também que a Unicamp crie e divulgue a comunidade interna e externa materiais que divulguem medidas preventivas ao contágio do COVID-19, bem como a necessidade de defesa e investimento na Universidade e pesquisa pública como saída para a grave crise social de combate ao Coronavirus.

Não devemos tratar a situação atual como uma situação de normalidade, é preciso suspender em definitivo todas as atividades não essenciais da universidade para garantir que nenhum estudante ou docente seja prejudicado. É possível a disponibilização de materiais e atividades para estudo através de plataformas online, mas não é possível viabilizar a continuidade e conclusão do semestre dessa forma, principalmente no que toca a atividades avaliativas.

Após a normalização da situação é preciso garantir a reposição de aulas de maneira adequada. Também é imperativo a ampliação de prazos de integralização e qualificação/defesa de teses e dissertações. Todos os nossos esforços devem ser dedicados a atravessar essa situação da maneira mais coletiva e solidária possível.

Entidades que assinam esta carta:
CACH - Centro Acadêmico de Ciências Humanas
CAFil - Centro Acadêmico de Filosofia
CACo - Centro Acadêmico da Computação
CAFEA - Centro Acadêmico da Faculdade de Engenharia de Alimentos
CAF - Centro Acadêmico da Física
CAIA - Centro Acadêmico do Instituto de Artes
CACAU - Centro Acadêmico do Curso de Arquitetura e Urbanismo
CAL - Centro Acadêmico do IEL
CAEM - Centro Acadêmico da Engenharia Mecânica
CAEA - Centro Acadêmico da Engenharia Agrícola
CAEFIS - Centro Acadêmico do Profis
CABS - Centro Acadêmico Bernardo Sayão (Engenharia Elétrica)

Representantes discentes que assinam esta carta:
Daniela Patrícia - Representante Discente da Graduação no Consu
Lucas Marques - Representante discente da graduação no Consu
João Luis Saraiva Moraes Abreu - Representante discente da graduação no Consu
Marcela Taborda Stolf - Representante discente da CCG
Milena Tibúrcio Cicone - Representante discente da CCG
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