CARTA ABERTA AO GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL, EM DEFESA DA VIDA E CONTRA O RETORNO ÀS AULAS E ATIVIDADES PRESENCIAIS!
De Diretores(as) de Escolas Públicas do DF em reunião com o Sinpro-DF

NESTE CONTEXTO DE AUMENTO DE MORTES POR COVID-19, DIRETORES(AS) DE ESCOLAS PÚBLICAS SÃO CONTRA A VOLTA ÀS AULAS E ATIVIDADES PRESENCIAIS!

Sr. Governador Ibaneis Rocha,

Ao cumprimentá-lo, solicitamos que o Senhor nos escute, pois somos os(as) responsáveis, na ponta, por fazer com que a escola funcione neste momento, e os(as) conhecedores(as) das reais condições em que se encontram. Assim, avaliamos que para uma retomada das aulas de forma presencial, em meio ao avanço dos casos desta pandemia, precisamos considerar o controle da pandemia, conforme recomendações das autoridades sanitárias. Além disso, somos nós que estamos em contato diário com nossas comunidades e com os(as) profissionais da Educação de nossas escolas.

Desde o início da suspensão das atividades educacionais presenciais, estamos na linha de frente na implementação das propostas e alternativas apresentadas por seu governo, como as plataformas digitais, e não nos negamos e nem nos negaremos a construir alternativas para viabilizar este ano letivo. Ademais, lidamos diretamente com os medos, angústias, incertezas, desesperos de todos(as), e podemos, com plena segurança, afirmar que a grande maioria da comunidade escolar não quer a volta às aulas neste momento em que vivenciamos uma crescente na curva de contaminação e de mortes provocadas pelo Coronavírus. São vidas em jogo, e a vida de nossos(as) profissionais, de nossos(as) estudantes e de suas famílias importam! E muito!

Neste sentido, reiteramos e defendemos que o distanciamento social, recomendado pelas autoridades em saúde para conter o avanço da contaminação da Covid-19, a nível nacional e mundial, apresenta-se como principal meio de proteção e segurança da população em relação à contaminação por Coronavírus. Consideramos, também, que foi o responsável pela mudança do calendário escolar de milhares de estudantes em todo o Brasil e no Distrito Federal.

Diante disso, a proposta do seu governo de retorno às aulas, no pico de contaminação, vai contra todas as medidas de prevenção da transmissão do Coronavírus. De acordo com os dados oficiais, até o dia 29 de julho de 2020, o DF contabiliza mais 100 mil contaminados e já ultrapassa mais de 1,3 mil óbitos.

Ressaltamos ainda que temos, na rede pública de ensino, cerca de meio milhão de estudantes matriculados(as) e mais de 50 mil profissionais que atuam na escola, se tornando um quantitativo que, por si só, aponta para um quadro assustador e potencial de contaminação. Por isso, sabemos que é o momento para o Distrito Federal fortalecer as medidas de isolamento social e não de sua flexibilização, o que pode resultar em um dano irreparável a toda nossa população.

Não é por capricho que a Comunidade Escolar é contra a volta às aulas presenciais neste momento, mas sim, por não querer chorar a morte de seus(as) filhos(as) ou entes queridos. O medo e a incerteza rondam a todos(as).

Não podemos considerar a volta como se estivéssemos em “normalidade”, elevando o risco de levar milhares de pessoas a se contaminarem pela Covid-19, que, até o momento, não possui nenhum medicamento e/ou vacina, tratamento específico ou prevenção, muito menos uma política nacional coordenada e de investimentos em todos os níveis de Atenção Primária à Saúde (FIO CRUZ; ENSP, 20/07/2020), em especial ao Sistema Único de Saúde (SUS). Também nos reportamos aos dados da pesquisa da FGV que afirma que, caso as escolas reabram a partir de agosto, teremos milhares de crianças mortas até o final do ano. Restando-nos, portanto, investir em medidas como o distanciamento e o isolamento social.

Ainda é notório destacar que a Rede Pública de Saúde do DF apresenta estrutura precária e limitada. Faltam insumos básicos e a rede hospitalar já apresenta colapso, o que deixa claro suas insuficientes condições em atender toda a população em pleno pico de contaminação comunitária. Sabemos que a escolha por preservar e proteger VIDAS é, sem dúvida, um ato de coragem e grandeza. O retorno às aulas e atividades presenciais, neste momento, é assinar um termo de responsabilidade por uma catástrofe imensurável e irreversível.

Senhor Governador, registramos aqui e destacamos que além da Comunidade Escolar do Distrito Federal, várias entidades do DF têm se posicionado contra o retorno às aulas, dentre elas o Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente (CDCA) e o Conselho de Saúde, que aprovaram resoluções contra o retorno das aulas e atividades presenciais na Rede Pública do Distrito Federal.

Senhor Governador, diante de tudo isso, reiteramos nosso apelo para que o bom senso prevaleça e que seja suspenso esse cronograma de retorno às aulas e atividades presencias, que nos indica um contexto de morte. Nossa principal tarefa neste momento é lutar pelo direito à VIDA, à Saúde e à Educação!

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