Abaixo-Assinado por um Porto que se lembre de Gisberta Salce Júnior
Pedido de atribuição do nome Gisberta Salce Júnior a um arruamento da cidade do Porto, a endereçar à Comissão de Toponímia da Câmara Municipal do Porto.
A Carta
Há 15 anos, no dia 22 de fevereiro de 2006, Gisberta Salce Júnior, mulher trans de 45 anos, brasileira, profissional do sexo e seropositiva, foi brutalmente assassinada, após dias de agressões. Este crime de ódio foi e continua a ser um exemplo da violência, discriminação e desigualdade enfrentada pela comunidade trans.

Como consequência deste revoltante ato de violência, dá-se, nesse mesmo verão, início à marcha LGBTI+ no Porto. Gisberta tornou-se um símbolo da luta pelos direitos humanos, pela dignidade e autodeterminação, que ainda se encontra muito longe de ser conquistada.

Esta carta, assinada por todas as pessoas que querem ver mudança na cidade do Porto, promove junto da Câmara Municipal do Porto, nomeadamente junto da Comissão de Toponímia, na figura da sua Presidente Isabel Ponce Leão, Vice-Presidente Luis Oliveira Dias e restantes vogais, a proposta de atribuição do nome Gisberta Salce Júnior a um arruamento da cidade.

Este pedido tem vindo a ser feito pela população, ao longo dos anos, pelas mais diversas formas, sendo recorrentemente ignorado pela Comissão de Toponímia.

Fizemo-lo em 2010, aquando do projeto artístico “Viver a Rua”, desenvolvido pelo NEC - Núcleo de Experimentação Coreográfica, inserido no FITEI, em que era pedido à população que criasse uma lista de 10 nomes a entregar à Comissão para que esta escolhesse um a atribuir a um novo arruamento. O nome de Gisberta aparecia em primeiro lugar na lista, mas não foi suficiente para o selecionarem.

Fizemo-lo novamente em 2020, aquando da apresentação do espetáculo “Todos os Dias Me Sujo de Coisas Eternas”, apresentado no programa Cultura em Expansão, do qual resultou um abaixo-assinado com este mesmo pedido que agora aqui fazemos, que foi enviado à Comissão de Toponímia, e sobre o qual nunca obtivemos resposta.

Este é o ano em que a cidade assinala os 15 anos deste brutal acontecimento. Consideramos que a atribuição do nome de Gisberta Salce Júnior a um arruamento da cidade seria uma forma de a cidade não deixar esquecer este acontecimento. Pelo contrário, seria uma forma de o assumir. Não apenas como homenagem e memória de uma mulher a quem a cidade falhou. Mas, também, como compromisso para o futuro.

A violência de que a Gisberta foi alvo continua presente nas ruas do Porto e, de resto, por todo o país. 15 anos depois, a comunidade trans continua largamente exposta à mesma marginalização, preconceito e violência que entregam às ruas todas as pessoas que a cidade é incapaz de proteger e abrigar com a mesma dignidade a que todo o ser humano tem direito.

Está na hora da cidade do Porto reconhecer a sua identidade, a sua importância e assumir o papel de agente de mudança, tornando a cidade um local seguro e inclusivo para todas as pessoas que nela vivem, trabalham, caminham e desfrutam – em especial para as pessoas que, ainda hoje, permitimos que continuem a ser as mais marginalizadas e esquecidas.


Notas:

1) A carta está aberta a subscrições até julho de 2021, mês em que será entregue oficialmente à Comissão de Toponímia.
As assinaturas serão atualizadas regularmente no fim do documento (na mensagem de confirmação) por ordem alfabética.

2) As subscrições de coletivos podem ser remetidas diretamente para o o e-mail mopmarchaporto@gmail.com.
Gostaria de subscrever ao abaixo-assinado? *
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Indique-nos o nome que consta do seu CC. Esta identificação será utilizada juntamente com o número de CC pedido na pergunta seguinte para a entrega do abaixo-assinado na Comissão de Toponímia.
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