Bioacústica em tempos de coronavírus
A situação em que estamos vivendo com o novo coronavírus pode limitar muitas atividades científicas, e já que não podemos nos deslocar de nossas casas, não há maneira de coletar dados em estudos de campo. E por isso precisamos efetivamente pensar em maneiras de amenizar a perda de produção científica em áreas não diretamente relacionadas a epidemiologia e saúde pública, as quais, esperançosamente, devem avançar de forma relevante nos próximos meses. Todas recomendações oficiais de nossos governantes e autoridades nos impelem a interromper interações pessoais e nos isolarmos em nossas casas. Com isso, é evidente que haverá uma desaceleração econômica e laboral. Nesse contexto, a população tenderá a reduzir substancialmente suas atividades em áreas urbanas, o que leva, por exemplo, a redução do uso de automóveis e a queima de combustíveis fósseis. Dados de satélites da Nasa tem apontado uma redução significativa de emissões de carbono na China, a qual deve ter diminuído em pelo menos 100 milhões de toneladas após as novas políticas de contenção de transmissão do patógeno. Aparentemente a redução nas concentrações de poluentes foi parcialmente devida à interrupção de atividades em fábricas, que foram temporariamente fechadas. Outra situação particularmente peculiar foi a melhora nas condições de turbidez da água nos canais de Veneza, na Itália. A água torna a ser cristalina como um aparente reflexo da diminuição de despejo de esgoto oriundo do turismo na cidade.
Indiretamente falando, todas as políticas de restrição que estão sendo adotadas, na maioria dos casos, estão reduzindo a produção de certos poluentes, principalmente em centros urbanos. Além da poluição atmosférica e de corpos de água, um reflexo esperado desse lockdown também afetará a produção de poluição sonora. Cidades desertas certamente serão mais silenciosas, principalmente porque haverá redução no tráfego e paralisação de atividades de construção em vias públicas. Se levarmos em conta que a poluição sonora, assim como outros tipos de poluentes produzidos pela população urbana afetam a biodiversidade, podemos gerar a predição de que esse novo cenário de nossa sociedade permitirá que a biodiversidade mais sensível às ações antropogênicas possa recolonizar ou aumentar a frequência de suas atividades em algumas partes das cidades. Sendo assim, podemos esperar redução de ruído antrópico e aumento em biofonias em nossas cidades. Pensando nisso, a Fonotropica (coleção digital de sons da natureza da UFBA) está propondo uma iniciativa de ciência cidadã para tentar responder a seguinte questão: “Ouviremos melhor a biodiversidade de nossas janelas nesses dias de reclusão? ”
Nosso time de pesquisadores está interessado em saber como ficará a paisagem acústica durante o período de isolamento populacional. Ou seja, seria possível um aumento na complexidade acústica da paisagem urbana devido à um possível aumento da biodiversidade sonoramente ativa?
Para responder essa questão pedimos a você, caro cidadão ambientalista, que nos ajude a registrar os sons direto de vossas janelas e monitorar a atividade da biodiversidade durante esse período de reclusão a partir de suas casas.
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