MANIFESTO DAS FRENTES ESTADUAIS PELO DESENCARCERAMENTO PELA VIDA E DIGNIDADE DA POPULAÇÃO DA REGIÃO NORTE
As Frentes Estaduais Pelo Desencarceramento vêm a público manifestar apoio e solidariedade à população da região Norte do Brasil, que sofre com a calamidade do sistema de saúde diante do aumento descontrolado de casos e mortes decorrentes da COVID-19. Nas primeiras semanas de janeiro de 2021, a mídia divulgou a negligência e o descaso causados pelos governos estadual e federal em lidar com a pandemia, a princípio em Manaus.
O que temos visto é uma gestão da pandemia em prol da morte e do caos, e não de vida e da saúde. Milhares de vidas negras e indígenas foram perdidas no Brasil em decorrência da criminosa gestão da crise sanitária e social que fez com que trabalhadoras e trabalhadores brasileiros precisassem escolher entre morrer de fome ou de COVID-19. Isso intensificou o extermínio histórico de vidas de homens e mulheres trabalhadores e trabalhadoras da linha de frente da saúde, quilombolas, ribeirinhos, homens e mulheres em cárcere, moradores das periferias brasileiras.
É um projeto político de morte àquelas pessoas que sofrem com a imposição da indignidade humana. Vidas matáveis, mão de obra barata e precária, ou seja, a população que, de fato, sustenta o país. É genocídio!
No estado do Amazonas, são mais de 6.000 mortes causadas por um conjunto de ações e omissões de autoridades estatais diante dos efeitos previsíveis da pandemia. São 6.000 histórias e, também, de famílias sem amparo.
Os dados oficiais não dão conta de retratar a realidade. Familiares de pessoas presas e daquelas com complicações pela covid-19 são obrigados a cumprirem com o papel que deveria ser do Estado, além de serem responsáveis também pelo sustento e pela preservação da vida, quando podem. São os familiares que se desdobram por informações, que sobre-humanamente transformam a dor em luta e resistência. Em razão do colapso nos hospitais e unidades de saúde, muitos doentes não são internados, aumentando o número de mortes em domicílio, sem atendimento médico, sem leitos, e retornam para seus lares contando exclusivamente com a assistência dos seus entes.
Continuam sendo as familiares de pessoas presas que alertam para a continuidade das câmaras de morte nos presídios do estado. O que está acontecendo com as pessoas presas e sob custódia do Estado? Não há informações oficiais, não há dados, mas sabemos do agravamento de práticas de torturas, de adoecimento, falta de comida e água, corpos definhando, além de mortes não explicadas. Se não há oxigênio para a população do lado de cá dos muros, o que está acontecendo do lado de lá? Precisamos destas respostas!
Escrevemos esse manifesto um dia após a primeira pessoa ter sido vacinada no Brasil, Mônica Calazans, mulher, negra, enfermeira e periférica. Infelizmente, o histórico social e racial do Brasil nos alerta de que demorará para que a vacina chegue ao restante da população negra e indígena, então, seguimos em luta pelos nossos, por um plano amplo e nacional de vacinação.
Pela pressão contra o governo genocida e pela resistência em favor da vida dos que têm na pele um alvo, as Frentes se manifestam e se mobilizam pelo reconhecimento da centralidade do Norte nesta grave questão.

Apoie a Campanha: Sem Norte, Sem Vida!

Frente Estadual pelo Desencarceramento do Amazonas
Frente Estadual pelo Desencarceramento de São Paulo
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