Ainda no século XVI, Portugal promovia e estimulava pessoas interessadas na exploração do território colonial. As operações com o objetivo de expansão territorial, financiadas e organizadas pelo próprio governo, recebiam o nome de entradas. Já os indivíduos, também incentivados pela Coroa, interessados em expedições próprias, com recursos próprios, seja para busca de pedras preciosas, seja para captura de índios para vendê-los como escravos, entre outras motivações, ficaram conhecidos como bandeirantes.As entradas provocaram uma série de conflitos com os indígenas, levando, inclusive, à dizimação de nações inteiras. Essas expedições foram fomentadas em momentos distintos por motivos diferentes, sobretudo após o fim do ciclo do açúcar, quando Portugal necessitava buscar novos recursos. Todo metal encontrado durante as expedições deveria ser levado às Casas de Fundição, onde um quinto era retirado como imposto pago à Coroa portuguesa. Esses métodos de exploração foram cruciais para a expansão territorial do Império Português na América.Seus componentes eram divididos em esquadras, reunindo quem estivesse até uma légua de distância do capitão-mor. Essas bandeiras adentraram o território brasileiro também como alternativa de proteger o governo colonial contra ataques indígenas. No início da colonização brasileira, Portugal tinha suas atenções voltadas para o litoral e proximidades devido a cana-de-açúcar e a extração do pau-brasil. Além disso,os portugueses se sentiam desmotivados em desbravar a colônia porque suas matas eram altas e fechadas Eles tinham o ponto de partida nas cidades de São Vicente e São Paulo. Prosseguiam o percurso dos rios, entre eles o rio Tietê. As expedições eram dispostas por particulares e eram direcionadas para o Mato Grosso, Goiás e o estado de Minas Gerais, especialmente onde tinham aldeias indígenas para realizar a captura. Com o controle dos mercados africanos pelos holandeses, a mão de obra ficou escassa e sentiram a necessidade de escravizar os indígenas. Assim, os paulistas iniciaram os ataques às missões jesuítas e repetiram em 1632 aprisionando, na capitania do Espírito Santo, os índios guaranis.Com o fim da União Ibérica os bandeirantes dão suporte à exclusão dos holandeses e em 1660 se fixam na região dos Tocantins, Goiás, Mato Grosso, Piauí, Uruguai, Bolívia e Paraguai. Alguns bandeirantes de destaque foram: Antônio Raposo Tavares, Bartolomeu Bueno da Veiga, Domingo Jorge Velho, Fernão Dias Pais, Jerônimo Leitão e Manuel Borba Gato. Domingos Jorge Velho destruiu o Quilombo dos Palmares no ano de 1695. E depois de alguns anos os bandeirantes se envolveram na Guerra dos Emboabas, quando foram derrotados. Após se estabelecerem nas capitanias de Goiás, Mato Grosso e Santa Catarina com os seus descendentes, o movimento entra em ruínas acabando suas atividades. Ainda assim a imagem do bandeirante foi reestruturada de forma positiva como alternativa da elite paulista se firmar no poder político.As honrarias aos bandeirantes ganhou maior força no século XIX quando a elite da província de São Paulo tinha interesse de afirmar-se no cenário político. A economia crescente da cafeicultura prosseguia, mas a elite ainda não detinha destaque político. Nesse cenário surge a exaltação à figura dos bandeirantes, justificando uma força paulista e afirmando um heroísmo de unidade nacional. Mas o surgimento da República no ano de 1889 não alterou para um poder paulista que a elite sonhava, então continuaram enaltecendo seu passado.