Desatar Encante: por os pés no chão para sonhar
Projeto Encanteria convida Francilene Pitaguary, Nádia Luzia e Ana Aline para uma Roda de Conversa.

Dia 26 de junho de 2022
das 14h às 18h
On-line - Google Meet

Sobre a Vivência:

Do que são feitas as imagens que os nossos olhos não alcançam com a visão?
Poeira, luz, encante, imaginação, desvario?

O tempo e o sonho.
o rito ocupa um lugar primordial na metodologia. o projeto se orienta por um campo onírico já materializado em nosso cotidiano pela sabedoria e pelo conhecimento espiritual e ancestral.

 A partir da política do lugar e da experiência, o encontro entre quatro mulheres se transforma em um livro-experiência e se deixa enunciar pelas orientações: “o tempo não está correndo” e [o breu é um descanso para os nossos corpos cansados de fala sem escuta].

Em dois atos abordaremos o tempo onírico e as lições de sonho, como possibilidade de cura e de expansão das relações. o tempo aqui pensado para além de uma sucessão de agoras, mas como um encontro íntimo com a subjetividade. faremos uma prática de inventário de sonho para leitura e interpretação. afinal, não é porque o tempo não está correndo que a gente não tenha as nossas pressas.


Francilene Pitaguary:

Me conhecem como Francilene Pitaguary. sou batizada na tradição como Amãnaci Pitaguary, indígena Pitaguary originária de Pacatuba.
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sou filha de Maria Liduina da Costa Silva que é indígena, raizeira, caçadora, conselheira, mãe do povo Pitaguary e casada com Raimundo Carlos da Silva, conhecido como Pajé Barbosa, conhecido por seu domínio em plantas medicinais e tratamentos espirituais.
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tenho dois irmãos em ordem crescente: Nádia Luzia da Costa Silva - a mais velha. atua com tratamentos espirituais seguindo a tradição familiar, atua igualmente na função de professora. o mais novo é José Alex da Costa Silva atua na área de cura, é artesão e funcionário público.
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sou seguidora de pajé, artesã e estudante da licenciatura intercultural LI KUABA pela UFC.
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atuo na conciliação dos saberes tradicionais e modernos dentro do território indígena, por
diversas vezes ocupei assentos em organizações indígenas estaduais e regionais no cargo de
liderança.
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atualmente, estou internamente nos cuidados do sagrado feminino, sou escritora e dedico o meu
tempo, em sua maior parte, no cuidado das doenças espirituais e materiais, usando o conhecimento
da encantaria da mata.
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por onde ando, levo os ensinamentos que aprendi com meu pai, minha
mãe, meus mais velhos e ancestrais tendo por isso diversos afilhados em todo o estado.

Nádia Luzia:

sou Nádia Luzia da Costa Silva, sou pitaguary da aldeia Munguba, sou filha do pajé, a mais velha, do pajé Barbosa.

na minha aldeia represento a juventude e as mulheres, faço parte da comissão de professores, pois sou professora da escola Itaara, nossa escola indígena que traz o nome indígena que significa em português - pedra da luz.

estou me formando em pedagogia, em uma licenciatura intercultural indígena - LI KUABA/UFC que significa "lugar do saber".

dentro da minha aldeia sou xamã, cuidadora das mulheres sagradas do nosso povo.

faço parte também do segmento de pajé, curandeiras, parteiras e benzedeiras. cuido dessa parte juntamente com meu pai e outras pessoas.

Ana Aline:

apresentar é recortar um pedaço da história. é mutável.
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me chamo Ana Aline, nasci e me criei no sertão do inhamuns. o que é mais encrustado na minha sensibilidade é de lá (escuta, reciprocidade, lida com o tempo e tantas coisas mais)
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filha de Ana Lúcia Soares e José Gomes, irmã de Alinael e Ana Alice. os Anas que acompanham muitas da minha família, inclusive minha irmã, são referentes à Sant’Ana, padroeira do município.
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embora Ana, sou mesmo é filha de Iemanjá e Omolú.
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percorri muitos caminhos, mas todos carregavam um horizonte: um mundo mais justo, com mais equidade e no qual nossas vidas não tivessem o tempo todo ameaçadas.
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[falta muito! mas nós estamos aqui e temos nos reconhecido! sabemos continuar!]
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defender os territórios da expropriação me fez lutar por acesso à justiça. defender a vida e seus modos distintos me trouxe até aqui. tudo o que faço carrega a premissa de que não ando e nem estou só.



www.nucleoexperimentaldebuto.com

O Projeto Encanteria do Núcleo Experimental de Butô é contemplado pelo EDITAL DE APOIO A PROJETOS CULTURAIS DESCENTRALIZADOS DE MÚLTIPLAS LINGUAGENS da Secretaria Municipal de Cultura da Cidade de São Paulo
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