FLUP Pensa - Ciclo de Narrativas Curtas
Ciclo de Narrativas Curtas - Marcelo Yuka
Por intermédio do Ciclo de Narrativas Curtas, processo de formação de novos autores da Festa Literária das Periferias - FLUP, já lançamos sete elogiadas coletâneas de contos e revelamos talentos emergentes da literatura brasileira como Ana Paula Lisboa e Geovani Martins.

Os dois últimos lançamentos, as coletâneas "90 anos de Malandragem" e "Conta Forte, Conta Alto", homenagearam os mestres do samba Bezerra da Silva e Martinho da Vila. Escolhemos os contos em processos de formação inspirados pelas músicas e pelo conceito de "carioquice", o viver no Rio e o ser carioca, tão presente na obra dos dois bambas.

Em 2019 o Ciclo de Narrativas Curtas homenageia um dos mais fiéis narradores da cidade do Rio de Janeiro e do que é a carioquice: As músicas de Marcelo Yuka vão nos guiar na construção de uma coletânea de contos de novos autores, que será publicada em 2020.

Os candidatos terão que trabalhar a partir de 25 composições de Marcelo Yuka, usando-as como base para construir as suas histórias. Para ajudar nessa tarefa teremos a ajuda de Alexandre Faria, Cristiane Costa e Miguel Jost, importantes referências da literatura brasileira e especialistas em desenvolver histórias, formando a banca que vai orientar os participantes no processo e auxiliar na seleção dos contos que serão impressos na publicação.

Começamos o processo no dia 14 de maio, em uma grande aula inaugural no Museu de Arte do Rio - MAR, com figuras que conviveram e fizeram parte da história de Marcelo Yuka: Fred Coelho (professor e pesquisador de música brasileira), Giovana Hallack (jornalista e produtora), José Junior (fundador do AfroReggae), Leonardo Lichote (jornalista), MC Leonardo (relíquia do Funk carioca e criador da Associação dos Amigos e Profissionais do Funk - APAFUNK), Letícia Sabatella (atriz), Marcos Lobato (O Rappa), Numa Ciro (poeta e professora) e DJ TR (referência do movimento hip-hop

Por que Marcelo Yuka?
"Paz sem voz
não é paz
é medo!"

Se a solar obra de Martinho da Vila passeia por um Rio de Janeiro nostálgico da velha guarda, as letras de Marcelo Yuka refletem com clareza como é o "viver o Rio" atual. Não tá fácil ser carioca, e ainda mais difícil é para jovens negros moradores das periferias, como Yuka foi.

Narrador do Rio como pouquíssimos, Yuka falava das miudezas cotidianas para narrar uma cidade maior. No Rio todo dia é dia de feira, com a banquinha que vende ervas que curam/ acalmam/ aliviam/ temperam. Aqui todo camburão tem um pouco de navio negreiro. O suburbano som das crianças brincando nas ruas como se fosse um quintal. A cerveja gelada na esquina, como se espantasse o mal.

Yuka foi vítima da cidade, no dia 09 de novembro do ano 2000, quando foi baleado 9 vezes ao tentar impedir um assalto. Sobreviveu, mas ficou paraplégico. A cadeira de rodas não o impediu de continuar sua trajetória de arte e ativismo, até a sua precoce morte, em 18 de janeiro de 2019.

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