Proposal for inclusion of the indigenous languages of the Amazon basin as an integral part of the tangible and intangible heritage of humanity
Language and language diversity fall within at least four criteria established for the preservation of tangible heritage as defined by the World Heritage Convention of 1972:
i. Each language or set of related languages represents a masterpiece of human creative genius and cultural significance.
ii. Individual languages or sets of related languages bear unique or at least exceptional testimony to cultural tradition and to existing or vanished civilizations.
iii. Sets of related languages are representative of a culture and of human interaction with the environment, a matter of special significance when the languages have become vulnerable under the impact of irreversible, externally imposed change.
iv. Sets of related languages are directly or tangibly associated with events or living traditions, with ideas and with beliefs, and with artistic and literary works of irreplaceable universal significance.
In addition, language and language diversity satisfy at least two of the criteria established for the preservation of intangible heritage as defined by the 2003 Convention:
i. Individual languages or sets of related languages represent the practices, representations, expressions, knowledge, and skills of communities, groups, or individuals.
ii. Each language or set of related languages represents a specific cultural heritage, transmitted from generation to generation and constantly recreated by communities and groups in response to their environment, their interaction with nature, their history, and their aspirations. They provide these communities with a sense of identity and continuity while also promoting respect for cultural diversity and human creativity.
In view of these considerations, we urge the UNESCO committee to take preliminary measures to prepare and ensure the submission of proper documentation for the inclusion of the indigenous languages of the Brazilian Amazon basin as an integral part of the tangible and intangible heritage of humanity.
We recommend that in much the same way as UNESCO recognizes the value of a particular city, it also recognizes the immense value of the languages of the Amazon, and of the variation observed among them across related and unrelated families of languages, as a core part of human existence and creativity.
We stress that recognition of these oral traditions is urgent and that, of course, literate tradition is a narrow part of human history.
Much as is true of classical Greek literature and numerous other traditions, knowledge is not solely in writing but equally in the minds of men and women who pass it from generation to generation. Such knowledge is consequently fragile in the face of destructive political and economic practices.

Importantly, UNESCO recognition would help to lift or at least considerably mitigate severe current threats that place these populations in grave danger.
We hold that these languages and their variation constitute a unique cultural heritage in various domains involving botanic classification, astronomy, physics, philosophy, anthropology and psychology, as well as linguistics.
We urge Brazilian institutions to take appropriate measures to sustain local educational standards and regional societies and cultures by recognizing local languages inside educational institutions, and, most importantly today, measures to protect these highly endangered societies from concentrated economic power and its political manifestations.
Much of the diversity that can still be observed in Brazil is the result of energetic efforts of such remarkable individuals as the Villas-Bôas brothers and Darcy Ribeiro, in contrast to the destructive policies implemented in Europe and the United States. Today, more coordinated and officially sanctioned initiatives are imperative.
We would like to appeal to our colleagues to start preparing the relevant documentation that will support this candidacy for inclusion and to join to ensure that this proposal is swiftly carried forward in view of the current threats facing these populations.
We conclude this note by stressing that inclusion of these languages into the tangible and intangible heritage of humanity conforms to the recommendation of paragraph 137 on serial properties of the Operational Guidelines for the Implementation of the World Heritage Convention’s document (ref. WHC.16/01 26 October 2016), since the group of languages involved do indeed constitute a unique resource for the study of human creativity and its variety.

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A língua e a diversidade linguística abrangem pelo menos quatro dos critérios estabelecidos para a preservação do patrimônio material, conforme definido pela Convenção do Patrimônio Mundial de 1972:
i. Cada língua ou seu respectivo conjunto de línguas relacionadas representam uma obra-prima da capacidade criativa humana e do significado cultural.
ii. Línguas individuais ou conjuntos de línguas relacionadas carregam um testemunho único ou pelo menos excepcional da tradição cultural e das civilizações existentes ou desaparecidas.
iii. Conjuntos de línguas relacionadas são representativos de uma cultura e da interação humana com o meio ambiente, um assunto de especial importância quando as línguas se tornaram vulneráveis sob o impacto de mudanças irreversíveis, impostas externamente.
iv. Conjuntos de línguas relacionadas estão direta ou tangivelmente associados a eventos ou tradições vivas, com ideias e crenças, e com obras artísticas e literárias de significado universal insubstituível.
Além disso, a língua e a diversidade linguística satisfaz pelo menos dois dos critérios estabelecidos para a preservação do patrimônio intangível, conforme definido pela Convenção de 2003:
i. Línguas individuais ou conjuntos de línguas relacionadas representam as práticas, representações, expressões, conhecimentos e habilidades de comunidades, grupos ou indivíduos

ii. Cada língua ou conjuntos de línguas relacionadas representam um patrimônio cultural específico, transmitido de geração em geração e constantemente recriado por comunidades e grupos em resposta ao seu ambiente, sua interação com a natureza, sua história e suas aspirações. Eles proporcionam a essas comunidades um senso de identidade e de continuidade ao mesmo tempo em que promovem o respeito pela diversidade cultural e pela criatividade humana.

Diante dessas considerações, estimulamos a Comissão da UNESCO a tomar medidas preliminares para preparar e garantir a apresentação da documentação adequada para a inclusão das línguas indígenas da bacia amazônica brasileira como parte integrante do patrimônio tangível e intangível da humanidade.
Recomendamos que, da mesma forma que a UNESCO reconhece o valor de uma cidade em particular, ela também reconheça o imenso valor das línguas da Amazônia e da variação observada entre elas e famílias de línguas relacionadas e não relacionadas, como parte central da existência e criatividade humanas.
Reforçamos que o reconhecimento dessas tradições orais é urgente e que, certamente, a tradição letrada é uma parte estreita da história humana.
Assim como na literatura grega clássica e em numerosas outras tradições, o conhecimento não está unicamente escrito, mas igualmente na mente de homens e mulheres que o transmitem de geração em geração, sendo, consequentemente, frágil diante de práticas políticas e econômicas destrutivas.
É importante ressaltar que o reconhecimento da UNESCO ajudaria a elevar ou pelo menos mitigar consideravelmente as severas ameaças atuais que colocam essas populações em grave perigo.
Consideramos que essas línguas e suas variações constituem uma herança cultural única em vários domínios, envolvendo a classificação botânica, a astronomia, a física, a filosofia, a antropologia e a psicologia, bem como a linguística.
Incitamos as instituições brasileiras a tomarem as medidas apropriadas para sustentar os padrões educacionais locais e as sociedades e culturas regionais, reconhecendo as línguas locais dentro das instituições educacionais e, o mais importante hoje, as medidas para proteger essas sociedades altamente ameaçadas pelo poder econômico e suas manifestações políticas.
Grande parte da diversidade que ainda pode ser observada no Brasil é resultado de esforços enérgicos de indivíduos notórios como os irmãos Villas-Bôas e Darcy Ribeiro, em contraste com as políticas destrutivas implementadas na Europa e nos Estados Unidos. Hoje, iniciativas mais coordenadas e oficialmente sancionadas são imperativas.
Gostaríamos de apelar aos nossos colegas para que comecem a preparar a documentação pertinente que apoiará esta candidatura para inclusão das línguas indígenas da bacia amazônica brasileira como parte integrante do patrimônio tangível e intangível da humanidade e a se unir para garantir que esta proposta seja levada adiante em vista das atuais ameaças enfrentadas por essas populações.
Concluímos esta nota enfatizando que a inclusão dessas línguas no patrimônio tangível e intangível da humanidade está em conformidade com a recomendação do parágrafo 137 sobre os bens em série das Diretrizes Operacionais para a Implementação do Documento da Convenção do Patrimônio Mundial (ref. WHC.16/01 26 de outubro de 2016), uma vez que o grupo de línguas envolvidas constitui realmente um recurso único para o estudo da criatividade humana e sua variedade.

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Pierre Pica é Pesquisador Associado do Centro Nacional de Pesquisas Científicas (Paris) e Pesquisador Associado do Instituto do Cérebro, UFRN, Natal.

Noam Chomsky é Professor Laureado da Universidade do Arizona e Professor Emérito do MIT.

Valeria Chomsky é pesquisadora associada do Departamento de Lingüística da Universidade do Arizona.

First signatures/Primeiras assinaturas :
Almeida, Mauro, (Departemento de Antropologia Social, Universidade Estadual de Campinas)
Amaral, Luis, (Spanish & Portuguese Studies, Amherst University)
Battro, Antonio, (Academia Nacional de Educacão, Buenos Aires)
Bertolotti, Virginia (Departamento de Medios y Lenguajes, Universidad de la República, Montevideo)
Bowern, Claire, ( Departement of linguistics, Yale University)
Broadwell, George Aaron, (Departement of Anthropology & Department of linguistics, University at Albany)
Carneiro da Cunha, Manuela, (Department of Anthropology, University of Chicago)
Changeux, Jean-Pierre, (Institut Pasteur & Collège de France, Paris)
Corbera Mori, Angel, (Departamento de Linguística, Universidade Estadual de Campinas)
Dehaene, Stanislas, (Laboratoire de Recherche en Neuro-éducation & Collège de France, Paris)
De Lima Silva Wilson, (Department of linguistics, Tucson University)
Descola Philippe, (Collège de France & Laboratoire d’Anthropologie sociale, Paris)
Epps, Patience, (Department of linguistics, University of Texas, Austin)
Fausto, Carlos, (Museu Nacional – PPGAS, Universidade Federal do Rio de Janeiro)
Ferreira, Mariana, (Medical Anthropology, San Francisco State University)
Franchetto, Bruna, (Associação Brasileira de Antropologia -ABA)
Gomes, Mercio Pereira, (Departmento de Antropologia, Universidade Federal de Rio Janeiro)
Gros, François, (Collège de France & Académie des Sciences, Paris)
Hildebrandt Kristine, (Endangered Language Fund (President))
Kaczer, Laura (Department of Neuroscience, Universidad de Buenos Aires)
Kingston, John, (Department of linguistics, Amherst University)
Lima, Suzi, (Department of linguistics & Department of Spanish and Portuguese, University of Toronto)
Maia, Marcus, (Departamento de Linguística, Universidade Federal de Rio Janeiro)
Maiche, Alejandro, (Cognitive Psychology, Universidade de la Republica, Montevideo)
Macaulay, Monica, (Endangered Language Fund (Vice-President))
Menuzzi, Sergio, (Departemento de Linguas Classicas e Vernaculas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
Moreira, Fernanda, (Funai, Brasilia)
Moreira, Ildeu (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência - SBPC)
Moro, Andrea, (IUSS & Pontifical Academy of Fine Arts & Letters)
Muysken, Pieter , (Department of linguistics Radboud Universiteit, Nijmegen)
Neves, Eduardo, (Department of Archeology, Universidade de São Paulo)
Oliveira Jr, Miguel, (Associação Brasileira de Linguística -ABRALIN)
Pena, Marcela, (Escuela de Psicologia, Pontifical Catholic University of Chile)
Peyraube, Alain, (Centre de Recherches Linguistiques sur l’Asie Orientale EHESS, Paris)
Picanço, Gessiane, (Universidade Federal do Para, Belem)
Ribeiro, Sidarta, (Instituto do Cérebro, Natal)
Rizzi, Luigi, (Deparment of linguistics, University of Geneva & University of Siena)
Roeper, Tom, (Department of linguistics, Amherst University)
Rooryck, Johan, (French linguistics, Leiden University)
Salanova, Anders, Pablo (Departement of linguistics, University of Ottawa)
Sandalo, Filomena, (Departamento de Linguística, Universidade Estadual de Campinas)
Sauerland, Uli. (Leibniz-Centre General Linguistics, ZAS, Berlin)
Scherrer, Klaus, (Institut Jacques Monod, Paris)
Sevilla, Yamila (Instituto de lingüística, Facultad de Filosofía y Letras, Universidad de Buenos Aires)
Storto, Luciana, (Departamento de Linguística, Universidade de São Paulo)
Tonda, Alberto, (Institut National de la Recherche Agronomique, Thiverval-Grignon)
Torres, Mauricio, (Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares, Universidade Federal do Para, Belem)
Valle Lisboa, Juan (Centro de Investigación Básica en Psicología, University of The Republic, Montevideo)
Valle, Raoni, (Programa de Antropologia e Arqueologia, Universidade Federal do Oeste do Para, Santarém)
Veenstra, Tonjes (Leibniz-Centre General Linguistics, ZAS, Berlin)
Weissheimer, Janaina (Departemento de Línguas e Literatura, Universidade Federal de Rio Grande do Norte, Natal)
Whalen, Douglas, (Endangered Language Fund (Chair & Board of Directors))

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