REPÚDIO À INVASÃO DA REUNIÃO DO CONSELHO UNIVERSITÁRIO

REPÚDIO À INVASÃO DA REUNIÃO DO CONSELHO UNIVERSITÁRIO
Pela recuperação de valores de convivência acadêmica

Nós, docentes da Universidade de São Paulo, vimos a público manifestar nosso integral repúdio aos fatos lamentáveis ocorridos em 14/04/2015, quando a sessão do Conselho Universitário da USP foi invadida por um conjunto de pessoas que se intitulavam alunos e funcionários e que protestavam sobre o ingresso por quotas na USP.

A referida sessão do Conselho Universitário da USP teria como objetivo discutir as formas de deliberação para a reforma do estatuto da Universidade. Na ocasião, três esboços de redação que haviam sido previamente elaborados seriam discutidos, sendo que dois deles possibilitavam que a deliberação da reforma não fosse limitada especificamente no âmbito daquele Conselho. Assim, a temática da reunião em nada se relacionava naquele momento com a discussão sobre ingresso por quotas na Universidade.

Discussões salutares só podem avançar com ações não-violentas e democráticas. Independentemente das divergências que tenhamos sobre o melhor caminho a ser tomado pela Universidade, é imperativo que defendamos o espaço da discussão, do diálogo e do convencimento pela palavra. A implosão desse espaço constitui uma ameaça à própria existência da Universidade. Não podemos tolerar a ação de minorias que pretendem encarnar o interesse coletivo e que justificam a sua violência em nome desse mesmo interesse.

Deste modo, torna-se indispensável que repudiemos estes atos de violência e intimidação; trata-se de atitude truculenta de alguns grupos que certamente não representam a maioria do nosso corpo discente ou de funcionários e que de modo algum ajudam na construção da Universidade que desejamos.

As ações lamentáveis corridas em 14/04/2015 levam as pessoas a colocar em dúvida a capacidade da comunidade em participar de um debate democrático, dando força àqueles que defendem a manutenção das decisões de forma mais centralizada.

Consideramos que as diferenças de opinião são saudáveis e construtivas; elas podem e devem ser debatidas desde que se respeitem as formas e os espaços adequados, com uma genuína disposição ao diálogo e ao respeito, indispensáveis para que se possa construir uma Universidade mais plural e democrática.

Defendemos de forma intransigente os princípios da democracia representativa, que incluem o respeito às diferenças de opinião e o respeito às decisões dos órgãos colegiados, mesmo quando delas discordarmos. Pensamos que tais princípios devem reger a vida universitária em geral, e especialmente nos momentos de turbulência tais como a USP passa. Erram os que pensam que defender a USP possa se dar com intolerância, truculência e dogmatismos de quaisquer matizes. Igualmente, não contribuem para a Democracia e com a USP os que presenciam ou tomam conhecimento deste fato e se calam.

A posição deste grupo de professores é a mesma de Voltaire, importante escritor e filósofo francês: "Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las". Desde que sem violência.

Documento redigido com base em troca de mensagens na lista de discussão da representação dos professores associados no Conselho Universitário da USP.

Caso queira assinar esse termo coloque os seus dados abaixo.

Para ver a lista dos apoiadores
(ordem alfabética), veja a planilha em: https://docs.google.com/spreadsheets/d/1u9R52bdpqikJBGZJfWE6o4fav8Zh0Xd2tXvRdI2gjUw/edit?usp=sharing
(essa planilha é atualizada ao menos duas vezes ao dia).

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