PELA DIGNIDADE DOS MORTOS NA CIDADE DE SÃO PAULO
Temos uma denúncia a fazer: a Prefeitura de São Paulo conseguiu obter na Justiça, em 13 de junho deste ano, autorização para cremar 1.600 corpos que estão no Cemitério da Quarta Parada, alegando que perdeu a identificação dos cadáveres, que tinham sido exumados entre os anos de 1941 e 2000.

No total, a cidade de São Paulo tem mais de 50.000 corpos nessa situação que, a partir deste precedente, correm o perigo de serem descartados como lixo. Entre eles, estão pessoas oficialmente reclamadas como desaparecidas por suas famílias ou conhecidos, e que foram enterradas como indigentes, sem que seus familiares tenham sido avisados da localização do corpo.

Isso ocorre em um momento em que a Prefeitura de São Paulo quer privatizar os 22 cemitérios públicos da cidade, as 15 agências funerárias, as 118 salas de velórios e o crematório municipal da Vila Alpina.

São famílias, amigos e conhecidos que sofrem diariamente a angústia de nunca mais saber de um ente querido desaparecido, que vivem um luto sem fim por absoluta incúria do poder público. O Ministério Público do Estado de São Paulo apurou que pessoas oficialmente reclamadas como desaparecidas, muitas vezes portando seus próprios documentos, são enterradas como indigentes, sem que os seus familiares sejam informados. É o que se chama de “redesaparecimento”.

Corpos identificados, enterrados como indigentes, recebem etiquetas escritas a caneta e são empilhados em piscinas de corpos e ossos. Resultado: as etiquetas misturam-se, a tinta borra e esses corpos perdem sua identificação em razão da falta de cuidado e do sucateamento dos serviços funerários.

Devem se encontrar entre os corpos que a Prefeitura pretende destruir as ossadas de opositores da ditadura militar que vigorou no país entre 1964 e 1985. No entanto, também nos dias de hoje vários desaparecimentos continuam ocorrendo no Estado, sem que os poderes públicos os solucionem. Esses crimes podem ocorrer com qualquer um de nossos entes queridos.

Em vez da dignidade devida a esses falecidos, de descansarem em ossários bem organizados, o que a Prefeitura pretende é incinerar histórias de vida. Os corpos humanos pertencem legalmente a suas famílias e não são lixo para ser descartado.

Rejeitamos esta cremação coletiva, que fere a dignidade humana e o sentimento cristão, e exigimos que a Prefeitura recua desta ação desumana.

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