Concurso "Autor do mês" - Janeiro 2019 - Eça de Queiroz
Biografia:

José Maria de Eça de Queiroz
"A criança portuguesa é excessivamente viva, inteligente e imaginativa. Em geral, nós outros, os Portugueses, só começamos a ser idiotas - quando chegamos à idade da razão. Em pequenos temos todos uma pontinha de génio.”

Eça de Queirós, um dos nomes mais importantes da literatura portuguesa. Foi um homem socialmente empenhado e ativo - além de escritor e ensaísta, foi também jornalista, epistológrafo e chegou mesmo a ocupar alguns cargos políticos.
De nome completo José Maria de Eça de Queirós nasceu a Novembro de 1845, numa casa na Praça do Almada, em Póvoa de Varzim, no centro da cidade. Curiosamente (e escandalosamente para aquela época), foi registado como sendo filho de mãe incógnita.
O seu pai, José Maria de Almeida de Teixeira de Queirós, nascido no Brasil e vindo para Portugal com um ano de idade, provinha de uma família de magistrados perseguidos pelos seus ideais liberais que defendiam uma doutrina constitucional.
Aos 20 anos, conhece a apaixona-se por D. Carolina Augusta Pereira de Eça, uma jovem de 18 anos, oriunda de uma família de militares de alta patente que repudiaram tal pretendente para a filha. Apesar disso, os jovens amantes mantiveram uma relação às escondidas e da sua relação proibida resultaria a gravidez de D. Carolina que fugiu de casa para que o filho nascesse afastado do escândalo social.
A particularidade de ter sido batizado como ‘filho natural de José Maria de Almeida de Teixeira de Queiroz e de mãe incógnita’, não era incomum na época. Acontecia em casos similares nos registos de batismo quando a mãe da criança pertencia a estratos sociais elevados e havia a necessidade de ocultar a sua identidade por interesse da família. Foi o pai que assumiu a paternidade e a responsabilidade pelo filho.
O pequeno Eça foi assim levado para a casa da sua madrinha, em Vila do Conde, onde permaneceu até aos quatro anos. Somente ao fim de quatro anos – curiosamente, seis dias depois da morte da avó de D. Carolina, que se dizia ser a grande opositora à sua união com José de Queirós – é que o jovem casal se casou, sem grande pompa.
Ao contrário do que seria de esperar, Eça de Queirós, não foi levado a viver com os pais após o matrimónio destes. A razão disto prende-se com o facto de ele ter sido concebido antes do casamento, sendo pois encarado como uma vergonha para um jovem casal recém-casado. Em consequência disso foi levado para casa dos seus avós paternos (na chamada casa de Verdemilho) em Aradas, Aveiro, onde foi entregue aos cuidados de uma ama e onde permaneceu até aos dez anos.
Em 1855, ano em que morreu a sua avó paterna – na altura já viúva – Eça, sem avós, acaba por ir viver com os pais e os seus quatro irmãos, no Porto. (…)
Muitos defendem que esta infância desprovida de ternura ou de apoio paternal, influenciou a obra de Eça.
Em 1861, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra por imposição do pai que estudara na mesma Universidade.
O pai de Eça, formado em Direito, conseguira obter a posição de magistrado, assumindo posteriormente as funções de juiz da Relação e do Supremo Tribunal de Lisboa, presidente do Tribunal do Comércio, deputado por Aveiro, fidalgo cavaleiro da Casa Real, par do Reino e do Concelho de Sua Majestade. Foi também, curiosamente, juiz instrutor do célebre processo de Camilo Castelo Branco e viria ser mais tarde amigo do famoso escritor por partilharem o mesmo interesse pela escrita e pela poesia.
Eça, tal como o pai, apresentou desde cedo um interesse pela literatura, e no meio académico encontrou muitos outros jovens intelectuais que partilhavam o mesmo interesse.
Num ambiente boémio da cidade universitária de Coimbra estes jovens reuniam-se para trocar ideias, livros e formas para renovar a vida política e cultural portuguesa, que estava a viver uma autêntica revolução social com a introdução dos novos meios de transportes ferroviários que traziam, todos os dias, novidades do centro da Europa, influenciando esta geração para novas ideologias e valores.
Foi nesse grupo que Eça conheceu os futuros escritores e poetas, Teófilo Braga, Ramalho Ortigão, Guerra Junqueiro, Guilherme de Azevedo, Oliveira Martins, entre outros; mas sobretudo, foi aí que travou amizade com Antero de Quental, um jovem carismático a quem os membros do grupo chamavam de líder e que incentivou os restantes a seguir e a difundir as então recentes correntes ideológicas e literárias europeias: o Positivismo, o Socialismo e o Realismo-Naturalismo.
Esse grupo académico de Coimbra foi mais tarde apelidado de ‘Geração de 70’ e acabaria por deixar um marco profundo na história da literatura portuguesa. (…)
Terminada a Licenciatura em Direito na Universidade de Coimbra Eça fixou-se em Lisboa, exercendo simultaneamente as profissões de advocacia e de jornalismo.
Um ano depois de sair da Universidade funda o periódico ‘O Distrito de Évora’, no qual inicia a sua experiência jornalística como diretor e redator. (…)
Nos finais de 1885 Eça adoece gravemente e entra em profunda convalescença. Com o intuito de melhorar através de um melhor clima volta, por tempo indeterminado, a Portugal. É nesse período que estabelece uma relação amorosa com D. Maria Emília de Castro, uma senhora fidalga, irmã do Conde de Resende, seu amigo. Acabam ambos por casar-se no ano seguinte numa cerimónia muito sui generis pois Eça tinha então 40 anos e ela 29. Da sua relação resultaram quatro filhos.
Em 1888, tendo tido conhecimento do facto de que o Consulado de Paris iria vagar e com ansia de sair de Inglaterra, Eça escreve ao amigo Oliveira Martins, político de renome, pedindo-lhe para que seja escolhido para ocupar o lugar. Muda-se então, nesse mesmo ano, para Paris, com a mulher.
É também nesse mesmo ano que é publicado o romance ‘Os Maias’, considerado como a sua obra-prima. Tinha então Eça, 43 anos. (…)
A segunda metade do século XIX foi a época dourada do romance, sobretudo de um novo tipo de romance associado ao triunfo social da burguesia. Por toda a Europa os escritores passaram a descrever com espírito crítico e realista a nova sociedade capitalista movida pelo poder e pelo dinheiro, retratando facetas que deram, pela primeira vez, uma perspetiva ampla e real da psique humana sem os aforismos exagerados do Romantismo.
Eça de Queirós foi, sem dúvida, o nome mais representativo desse tipo de romance em Portugal. Como autor destacou-se pela originalidade e riqueza do seu estilo e da sua linguagem, nomeadamente pelo afastamento do estilo clássico, escrevendo de maneira mais simples, através de frases mais curtas, impactantes e com diferentes combinações de palavras menos rebuscadas.
Dono de uma língua feroz e de um humor cáustico, foi também um observador atento da sociedade do século XIX e, com a força das palavras, lutou contra aquilo que considerava ser “a ferrugem nacional” estabelecendo assim uma visão crítica da sociedade portuguesa.
Beneficiou por viver durante anos fora do país, o que lhe conferiu uma capacidade de análise da sociedade que não teria se a visse somente por dentro. No entanto, após criticar o que estava mal no país acabou, posteriormente, por encontrar esses mesmos defeitos no estrangeiro e deu por si a apelar a sentimentos nacionais no final da sua vida.
Devido a estas contrariedades temáticas nas suas obras a sua produção literária é comumente dividida em três fases.
Numa primeira fase, encontramos um jovem autor ainda preso aos ideais românticos e ainda sem uma definição literária própria. São exemplos desta fase, as obras “O mistério da Estrada de Sintra” e as “Prosas Bárbaras”.
Numa segunda fase, encontramos o seu período mais prolífero em que se dá a consolidação das características realistas e nas quais se monta um amplo painel da sociedade portuguesa, retratando-a sob vários aspetos, criticando principalmente a decadência dos valores morais, a burguesia e o clero. São exemplos desta fase os romances “O Crime do Padre Amaro”, “O Primo Basílio” e “Os Maias”, entre outros.
Já numa terceira fase, Eça debruça-se sobre os valores tradicionais da vida portuguesa, com a existência humana e a vida campestre. São dessa fase as obras “A ilustre casa de Ramires” e “A cidade e as Serras”.
Apesar das contrariedades existentes nas diferentes fases da produção literária do autor, o facto é que a literatura e o romance em Portugal sofreram uma importantíssima renovação com Eça de Queirós, daí o culto entusiástico que ainda hoje é prestado ao genial romancista.
Foi o grande renovador do estilo literário português e que, para além disso soube emprestar maleabilidade, harmonia e riqueza rítmicas até então desconhecidas; não é pois exagero dizer-se que a escrita de Eça de Queirós modernizou a literatura portuguesa.
As suas obras já foram traduzidas para quase vinte línguas e os seus livros continuam a ser ainda hoje publicados, cem anos depois da sua morte, com a mesma pertinência e beleza estilística que tinham aquando da sua primeira publicação.

Nome *
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Ano e turma *
Your answer
1. Eça de Queiroz nasceu em: *
2. Licenciou-se em:
3. As suas obras literárias estão traduzidas em mais de 20 línguas e duas das mais conhecidas são: *
4. Este autor enamorou-se e contraiu matrimónio com: *
5. A sua carreira literária está marcada por: *
6. Três das personagens criadas por Eça (Luísa, Jorge e Sebastião), fazem parte do enredo de que obra? *
7. Além de escritor, Eça de Queiroz foi: *
8. Uma das citações, abaixo transcritas, não é do autor: *
9. Em que cidade Eça se inspirou para escrever a sua obra O Crime do Padre Amaro? *
10. Este escritor teve o auxílio de um colega na redação da obra “O Mistério da Estrada de Sintra”: *
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