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Estuários - O Estuário do Tejo
Questões sobre aspetos fundamentais dos estuários em particular sobre o estuário do Tejo.
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LPN -LIGA PARA A PROTECÇÃO DA NATUREZA
Poema de Alexandre O´Neill
Tu que passas por mim tão indiferente
no teu correr vazio de sentido,
na memória que sobes lentamente
,do mar para a nascente,és o curso do tempo já vivido

......Não, Tejo,....
não és tu que em mim te vês,
.....– sou eu que em ti me vejo!

Por isso, à tua beira se demora
aquele que a saudade ainda trespassa,
repetindo a lição, que não decora,
de ser, aqui e agora,
só um homem a olhar para o que passa

......Não, Tejo,
.....não és tu que em mim te vês,
.....– sou eu que em ti me vejo!

Um voo desferido é uma gaivota,
não é o voo da imaginação;
gritos não são agoiros, são a lota...Vá, não faças batota,
deixa ficar as coisas onde estão.

.......Não, Tejo,.
....não és tu que em mim te vês,
.....– sou eu que em ti me vejo!

Tejo desta canção, que o teu correr
não seja o meu pretexto de saudade.
Saudade tenho sim, mas de perder,
sem as poder deter,
as águas vivas da realidade!

.....Não, Tejo,
.....não és tu que em mim te vês,
.....– sou eu que em ti me vejo!...
in "Feira Cabisbaixa" de Alexandre Herculano

O Estuário do Tejo é uma relíquia que a natureza nos forneceu. A grandiosidade do seu cenário e a sua bela paisagem inspira-nos, bem como a sua riqueza, o que potenciou uma ocupação humana bem antiga que remonta ao Paleolítico. São exemplos as estações da Base Aérea do Montijo, Cascalheira , no Alto da Pacheca, em Alcochete, as estações de Santo Antão do Tojal, em Loures e em especial, os concheiros mesolíticos de Muge constitui o maior complexo mesolítico da Europa,com um registo de mais de 300 esqueletos de há 6.000 anos, alguns em bom estado.

Na foz do Estuário do Tejo dada a excelência da sua localização implantou-se a capital do País que resultou do potencial de interação das atividades humanas(associada ao contacto terra-mar) com o amplo complexo estuarino-deltaico.

No entanto o "diálogo" entre as atividades humanas e o poder depurativo do rio e estuário, não tem sido por vezes o melhor. São vários os registos de poluição e de "atentados ambientais" como por exemplo a alteração da qualidade da qualidade da água e solos, das alterações ao regime de caudal do rio, a diminuição e extinção das espécies com influência nas teias tróficas. É assim um imperativo face às ameaças das atividades humanas e pressões não sustentáveis a defesa, conservação e valorização dos rios e sistemas estuarinos, nomeadamente o do Tejo.

Este Trabalho- Quizz inserido no âmbito do Projeto "Despertar para a Natureza", da LPN pretende ser uma ferramenta de apoio para os professores-formadores e técnicos de Educação Ambiental para que desenvolvam as diversas temáticas relacionadas com Estuário do Tejo, nas suas aulas, atividades e saídas de campo.

Para além de uma atuação de educação ambiental ligada à resolução de problemas, a visão naturalista de aproximação dos cidadãos ao Estuário do Tejo , vivenciando-o e conhecendo-o melhor, sentindo-o no nosso íntimo como "fazendo parte de nós" contribui para o proteger e valorizá-lo. É nessa filosofia de abordagem que se enquadra o projeto "Despertar para a Natureza", de aproximar cada vez mais as crianças e jovens à natureza.

Constituindo o Estuário do Tejo um Laboratório Natural de Educação Ambiental esperamos que este trabalho seja um contributo para a sua promoção, defesa e conservação.

Introdução video Estuário do Tejo - Trailer EPAL
Localização e enquadramento do Estuário do Tejo
Enquadramento Geomorfológico e Geológico do Estuário do Tejo
O Estuário do Tejo localiza-se na costa ocidental portuguesa da região da Estremadura e Ribatejo meridionais. Ocupa uma área de cerca de 33,9x1000 ha (Mendes et al,2012 in Rilo et al, 2014), correspondendo 43% a zonas entre-marés e estende-se desde a embocadura (Forte do Bugio) até 80 km a montante (Muge), limite da propagação da maré dinâmica. Este área de transição entre o Tejo e o oceano é suporte de uma grande diversidade biológica e paisagística justificando o seu estatuto de área protegida (Reserva Natural do Estuário do Tejo). Desenvolve-se na região mais povoada do país, constituindo a principal área metropolitana, onde a pressão demográfica, industrial e agrícola se faz mais sentir.

Geologicamente enquadra-se na unidade tectonosedimentar da Bacia Cenozóica do Baixo Tejo que corresponde a uma depressão tectónica alongada na direção NE-SW que se desenvolveu sobre o Maciço Hespérico e /ou formações mesozóicas do bordo oriental da Bacia Lusitaniana durante o Cenozóico, particularmente no período Neogénico (Miocénico). Esta bacia sedimentar consiste numa vasta zona deprimida que, ao longo do tempo, ora foi invadida pelo mar, ficando completamente submersa, ora foi percorrida por grandes rios, mantendo-se parcialmente emersa. Desta dinâmica resultou um preenchimento sedimentar espesso de sedimentos marinhos e fluviais, que hoje constituem o substrato geológico desta região de idade compreendida entre o Paleogénico e o Holocénico.

O estuário apresenta atualmente uma morfologia particular, a região mais a montante é extensa e pouco profunda, com larguras que podem atingir os 15 km, desenvolvendo-se segundo a direção NNE-SSW. O canal de embocadura tem uma largura mínima de 1,8 km, orientado ENE-WSW.
O estuário interno é caraterizado por formas de acumulação longitudinais, cortados por canais de maré e extensas zonas de espraiados, principalmente junto á margem esquerda, possibilitando o desenvolvimento de importantes áreas de sapal. Existe uma importante sedimentação vasosa nas enseadas do Barreiro, Seixal e Montijo e a presença de praias e restingas de areia ao longo da margem esquerda, entre Alcochete e Alfeite. (Andrade, Freire & Taborda, 2002).

Corte Geológico da Bacia do Baixo Tejo
1. O que é um Estuário?
2. Porque razão os Estuários são importantes para o ambiente?
Documentário sobre a importância dos Estuários e a necessidade de proteger os seus habitats e recursos desenvolvido pelos investigadores do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra, Elsa Rodrigues e Miguel Pardal no âmbito do Projeto "FishFree: A contribution to the validation of an alternative assay for fish lethal testing".
3. A água em muitos estuários devido à mistura de água doce com água salgada nas marés recebidas é salobra. Uma seca na bacia hidrográfica ocasionará ...
Marés Selvagens - Video Estuário do Tejo
4. O Estuário do Tejo é uma zona húmida de importância internacional sendo designada como Sítio Ramsar em 1980. Em épocas de passagem migratórias o numero de aves aquáticas pode ultrapassar os...
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5. O Estado Português reconheceu a importância excecional do Estuário do Tejo em termos de património natural pela criação da Reserva Natural do Estuário do Tejo através do Decreto-Lei n.º 565/76 de 19 de julho. Qual foi a espécie adoptada como símbolo da RNET?
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RNET - Logotipo
Documentário sobre a Reserva Natural do Estuário do Tejo filmado em 1995 pela Equipa Corço.
Localização dos refúgios de preia-mar do estuário do Tejo (a) e do estuário do Guadiana. (b). in: Monitorização das populações de aves aquáticas do estuário do Tejo e do Guadiana. Relatórios do ano 2009.
"Um estuário realiza a ligação hídrica entre uma bacia hidrográfica e o mar. Constitui assim o interface entre os meios de água doce e salgada. Para além disso as condições geológicas da foz do rio possibilitam a deposição de sedimentos de origem fluvial e marinha, que servirão de substrato às comunidades de seres vivos intimamente associadas às lamas e areias que o rio e o mar, respetivamente, depositam nos leitos estuarinos" in Dias& Marques, 1999.
Hidrologia e regimes hídricos - Salinidade
No estuário do Tejo a maré é um fator muito importante, dado que o volume médio de maré (600 x 106 m3) é significativo face ao volume de água abaixo do nível inferior da maré (1.900 x 106 m3), (ICNF).O caudal médio anual do rio é de cerca de 400 m3 /s, estando sujeito a uma larga variação mensal, de 1 a 2.200 m3/s, tendo sido em situação de cheias registados valores de 14.000 m3/s (ICNF).
A intrusão salina no Estuário do Tejo faz-se sentir até Vila Franca de Xira, a 50 km da barra.
Em regime de cheia, a salinidade da água na zona Alcochete/Poço-do-Bispo é da ordem de 10 ‰, enquanto que, em regime de estiagem, com os caudais dos rios reduzidos, os seus valores podem elevar-se para 25 ‰.
Entre Vila Franca de Xira e Cacilhas alarga-se o troço o rio penetrado pela água do mar, no chamado Mar da Palha, com água salgada, entre 5 e 25 gramas por litro, com sobresalinidade na época de estiagem. As salinidades são maiores no Verão, na preia mar, na foz e nas camadas junto ao fundo.
A mistura de águas doce e salgada é lenta e incompleta embora essa mistura de água doce com grandes quantidades de água salgada que sai do estuário possa arrastar consigo os poluentes conferindo ao estuário um poder autodepurador
Uma das formas de aproveitamento do ciclo diário das marés consistiu na construção dos moinhos de maré que conseguiam bons níveis de produtividade e que abundaram desde 1313, sendo distribuída a farinha moída no complexo de moinhos de maré na margem sul até Lisboa nos barcos (varinos, fragatas, faluas).
Atualmente, apenas funciona um, situado no Seixal, não com fins económicos, mas com funções didáticas, sendo propriedade da autarquia e transformado em Núcleo do património Industrial do Ecomuseu Municipal do Seixal.
Resultado do modelo MOHID para o dia 18 de dezembro de 2003. A figura representa a salinidade e velocidades à superfície.(Maretech)
6. De acordo com o factor salinidade e o padrão de circulação das águas que condiciona a ecologia dos estuários o Estuário do Tejo é classificado como um estuário...
Padrões de circulação e mistura em estuários (extraído de Gouveia, S, 2012) - Oceanografia Química de Estuários.
Exemplo de um estuário - (extraído de Gouveia, S, 2012) - Oceanografia Química de Estuários.
Classificação dos Estuários de acordo com a amplitude de marés
Hayes (1975, in Perillo, 1995) e Nichols & Biggs (1985) define três tipos de estuários:
Microtidal – Típicos de zonas costeiras em que a amplitude média anual das marés de águas vivas não excede os 2 metros e onde há uma nítida influência da actividade das ondas. Esta categoria corresponde, em geral, aos estuários dominados pelas ondas.
Mesotidal – Correspondem ao tipo mais comum, com amplitudes de marés entre os 2 e os 4 metros, sendo a influência das marés superior à das ondas. Incluem-se nos estuários dominados por marés.
Macrotidal – Típicos de zonas costeiras dominadas por grandes amplitudes de marés (superior a 4 metros) e incluem-se também na segunda categoria de Dalrymple et al. (1992 in Perillo).
De acordo com os dados do ICNF a amplitude média de maré do Estuário do Tejo é de 2,6 m., apresentando como valor mínimo 1 m. Esses valores de amplitude de maré vão aumentando para montante sendo que, por exemplo, medições efetuadas no Terreiro do Paço registam valores de 3,2 m em maré viva e 1,5m em maré morta e em Alcochete 3,6m. e 1,5m., respetivamente.
7. De acordo com a amplitude de marés e sua influência o estuário do tejo pode-se considerar como um estuário do tipo...
Caraterização geral do Estuário do Tejo
Na atualidade, estruturalmente o Estuário do Tejo tem uma forma parecida com um "estômago" , que pode ser dividido em quatro zonas distintas (Silva, 1987 in Dias e Marques, 1999 .

A zona mais a montante tem uma morfologia deltaica que se estende desde Vila Franca de Xira até à linha de Alcochete/Sacavém. Nessa zona devido à diminuição da velocidade da vazante, depositam-se sedimentos finos, aluviões modernos que formam ilhotas ou mouchões (Póvoa, Alhandra, Lombo do Tejo), esteiros e grandes espraiados de maré. Essa zona tem uma profundidade média bastante baixa não atingindo os 5 metros. É a zona de nursery mais importante do estuário e engloba a quase totalidade da RNET- Reserva Natural do Estuário do Tejo.

A geomorfologia desta zona prolonga-se, com aumento gradual das profundidades para a zona conhecida por Mar-da-Palha, que se estende até ao Cais do Sodré, onde o estuário se alarga bruscamente e de forma dissimétrica que atinge os dez km de largura e que apresenta uma profundidade média da ordem dos dez metros em consequência de uma subsidência, iniciada há cerca de 1,6 Ma e ainda ativa. As zonas mais profundas revelam uma extraordinária capacidade de armazenamento. A margem esquerda é muito recortada caracterizada por diversas baías e restingas.

A terceira zona do estuário corresponde a um canal estreito e profundo "Gargalo do Tejo" com orientação sensivelmente E-W e que representa a atual abertura do Tejo ao mar, abertura essa facilitada por um sistema de falhas subparalelas à referida orientação "Falha do Gargalo do Tejo", com direção ENE-WSW, de 2 km de largura e uma profundidade máxima de 32 metros , podendo atingir os 46 metros (Costa, 1999) devido aos enormes volumes de maré que a atravessam duas vezes por dia. Essa zona do "Gargalo" constrangida que antecede a foz do rio que se estende da linha Praça do Comércio/Cacilhas à Torre de Belém apresenta caraterísticas já predominantemente marinhas.Delimitado a norte pelos calcários do Cretácico e a sul pelas rochas detríticas (areias, argilitos, arenitos) do Miocénico, nas suas margens localizam-se as cidades de Lisboa e de Almada.

Esse acidente tectónico provável está disposto ao longo do troço vestibular do rio Tejo, e foi postulado por Ribeiro et al. (1986, 1990) num modelo proposto para a estrutura tectónica da região de Arrábida – Sintra. Trata-se, de uma estrutura escassamente evidenciada à superfície.

Finalmente a zona terminal onde o estuário dá lugar às águas marinhas, quase exclusivamente arenosa que forma como que uma boca, que pode ser delimitada até à linha Bugio/S. Julião.

Estuário do Tejo
Foto aérea Estuário do Tejo
Uma história do Tejo
Atualmente, a morfologia do estuário é bem diferente, apresentando uma forma irregular e recortes caprichosos, evidenciando uma evolução complexa. A sua atual abertura ao mar, como hoje se nos apresentam sucederam um pré-Tejo no Pliocénico (5 a 2 milhões de anos) com caraterísticas muito diferentes.

O Pré-Tejo terá sido um sistema fluvial de múltiplos canais anastomosados, um sistema deltaico de águas pouco profundas e pantanosas os quais migravam ou divagavam de um extremo ao outro na vasta planície aluvial, abandonando canais e abrindo outros, retomando mais tarde os primeiros, e assim sucessivamente, constituindo uma saída ramificada em nada semelhante à actual, limitada a Sul, pela Serra da Arrábida e, a Norte, pelas terras altas de Lisboa (Azevedo, 1987).

Para além do preenchimento de aluviões (areias e seixos) provenientes dos relevos quartzíticos, do interior do País (Beira Baixa e Alto Alentejo) e de Espanha, encontra-se, na região da Lagoa de Albufeira, uma outra, exemplificada por acarreios transversais (oriundos de N e NW), marcados pela presença de rochas características da Serra de Sintra, a que se misturam outros de basalto e de sílex da região de Lisboa. (Galopim, 2012)

Estes calhaus, incluídos numa matriz areno-argilosa, são a prova irrefutável do transporte directo, para aqui, de materiais detríticos oriundos da margem norte da actual saída do rio, ou seja, do dito gargalo do Tejo. Provam ainda que esta saída é posterior aos terrenos da região central de Península de Setúbal situados num largo corredor rebaixado entre Almada e a linha de alturas Espichel-Arrábida, terrenos cuja idade, um a dois milhões de anos, baliza este último episódio da história do grande rio (Galopim, 2012).

Cronostratigrafia dos principais acontecimentos ocorridos na parte terminal da bacia do Baixo Tejo. Adaptado de Pais (1998).
8. Observando as margens do estuário verificam-se diferenças na topografia. Tal se deve a
Carta geológica simplificada da região do Vale do Baixo Tejo (Adapt. de Van der Schriek et al., 2007a)
Evolução Geológica da Bacia do Baixo Tejo (período Neogénico, época Miocénico (andar Langhiano), Pliocénico e atualmente.(Fonte: C.M. Almada)
9. Um dos testemunhos dessa história geológica encontra-se no concelho de Sesimbra na região de Porto do Concelho, à beira da estrada N378, de Lisboa para Sesimbra. Qual a evidência demonstrada?
Afloramento situado em Porto do Concelho, na vizinhança da Lagoa de Albufeira. (Galopim, 2012).
Afloramento situado em Porto do Concelho, na vizinhança da Lagoa de Albufeira. (Galopim, 2012).
10. O equilíbrio dos estuários está associado à manutenção das suas cadeias tróficas e dos ciclos dos nutrientes. Qual dos seguintes níveis não será considerado produtividade primária num ecossistema estuarino?
Principais Habitats do Estuário
Considerando como principais tipos de habitat os bancos de vasa (vasa e vasa arenosa), praias rochosas, sapais, salinas e as ostreiras. Os sapais são zonas húmidas salgadas que estão entre as áreas mais produtivas do planeta sendo importantes para o equilíbrio ambiental do estuário. A área de sapal do estuário do Tejo é considerada a maior área contínua e com maior significado em Portugal. A vegetação é constituída por espécies herbáceas e/ou arbustivas e sujeita a inundações periódicas.
Sapal - um dos ecossistemas mais produtivos.
Entrevista de Manuel Lima à Sic, explicando o que é um Sapal e qual a importância de se preservar o Sapal de Corroios.
11. Os solos dos sapais apresentam uma textura e constituição mineralógica constituída essencialmente por...
12. A vegetação das margens dos sapais externos (mais próximos da foz) são essencialmente constituídas por espécies... *
Foto - Spartina maritima (Foto- Miguel Porto)
Foto - Spartina maritima (Foto- Miguel Porto)
13.Os rasos de maré e os sapais são ambientes de grande importância ecológica uma vez que:
14. Sendo os sapais ambientes de transição, as condições ecológicas variam drasticamente entre o ambiente marinho e o tipicamente terrestre. O coberto vegetal pioneiro do baixo sapal é dominado pela
15. Os rasos de maré podem ser encontrados em linhas de costa com diferentes morfologias que apresentem duas condições básicas (Klein, 1985, in: Gao, 2009): abastecimento de sedimentos finos e hidrodinamismo baixo. Qual das seguintes opções traduz os seus registos sedimentares?
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16. Pelo menos desde os tempos de D. Afonso III, as salinas desempenharam um importante papel no estuário do Tejo. Ainda que artificial constitui um biótopo importante para a conservação da natureza porque...
5 points
FAUNA
Apesar da alta produtividade, os estuários tem uma diversidade reduzida em comparação com outros ambientes marinhos, pois a água salobra é um desafio para a fisiologia dos organismos. Assim, os estuários apresentam um número reduzido de espécies com elevada densidade e biomassa.
17. Os animais que conseguem suportar grande variação na salinidade são designados por ....
18. Os grupos de invertebrados do estuário do Tejo mais abundantes são...
Poliquetas
As poliquetas são vermes multi-segmentados que vivem nos ambientes oceânicos, desde elevadas profundidades até a estuários pouco profundos, praias rochosas, e até mesmo nadando livremente em águas abertas. São animais estritamente aquáticos, constituindo o grupo mais diverso e abundante do Grupo incluído nos anelídeos. São animais extremamente importantes não só pelo seu papel nas teias tróficas dos mares, estuários e lagoas costeiras como também constituem-se como bioindicadores pelas suas respostas aos diferentes tipos de poluição.
19. A minhoca poliqueta Diopatra neapolitana mais conhecida por "casulo" é um dos organismos mais representativos do estuário estando na base da alimentação de muitos peixes, aves limícolas e muito procurada como isco para a pesca. É também indicadora da qualidade ecológica dos sedimentos e das águas..
4 points
Foto: Adília Pires
Foto: Adília Pires
20. A poliqueta Capitella capitata é frequentemente encontrada em
MOLUSCOS
O grupo dos moluscos é um dos mais importantes e diversificados ocorre praticamente em todos os habitats. No caso dos bivalves as espécies mais importantes são a Lambujinha (Scrobularia plana), o berbigão - (Cerastoderma edule), Mexilhão (Mytillus galloprivincialis) e a ostra portuguesa outrora muito importante que era objeto de exportação, sobretudo para França. As ostras desapareceram praticamente do Tejo devido ao aparecimento de lesões branquiais provocada por uma bactéria e pela utilização do Tributil de Estanho (TBT), um componente das tintas dos cascos dos navios para impedir a fixação de organismos aquáticos. Relativamente aos gastrópodes a espécie mais comum no estuário, especialmente nas águas salobras é a Hydrobia ulvae.(Costa, M. 1999).
Hydrobia ulvae
Búzio - Nessarius reticulata
21. A ostra portuguesa, com nome científico de Crassostrea angulata, teve grande importância comercial até ao início da década de 70. Os estuários dos rios Tejo e Sado eram então os maiores bancos naturais desta espécie na Europa. Para além da sua importância comercial porque razão as ostras são ecologicamente importantes?
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Ostra portuguesa - Crassostrea angulata
Crustáceos Decápodes
No Estuário do Tejo existem atualmente quatro espécies de camarões e sete espécies de caranguejos. O camarão mouro (Crangon crangon) - (foto abaixo) embora com baixo valor comercial é muito importante na teia trófica pois constitui a base da alimentação da maioria dos peixes (robalo, faneca,o ruivo, o charroco, etc). Utiliza o estuário como viveiro, com migrações alimentares e reprodutoras. Outra espécie importante na teia trófica é o Caranguejo-verde (Carcinus maenas), típicamente estuarina com grande densidade no estuário. Espécies como o camarão-branco legítimo (Palaemon serratus), Camarão-branco (Palaemon longirostris) são também abundantes apresentando valor comercial.
Camarão- mouro (Crangon crangon)
Estuário do Tejo um laboratório de Educação ambiental, de beleza paisagística, de biodiversidade, de valor científico, de relação estreita com o Homem que urge proteger.
Os estuários e sapais estuarinos são zonas húmidas que, devido à sua localização privilegiada e características únicas de riqueza natural, nomeadamente a abundância de recursos pesqueiros e a elevada produtividade como é o caso do Estuário do Tejo, atraíram desde há muito populações que se fixaram nas suas margens, constituindo pólos de desenvolvimento e concentração de actividades humanas, sofrendo o impacte negativo da acção antrópica, principalmente durante o século XX.Do Mar-da-Palha os primeiros habitantes de Lisboa tiravam o sustento da riqueza em peixe e em moluscos e semeavam cereais nas férteis terras de basalto do Monsanto. Nas margens deste “Mar” localizam-se os grandes empreendimentos industriais e efetuam-se a maioria das travessias por barco entre as duas margens.
A origem da Poluição no Tejo
Ameaças
Para além das inúmeras pressões humanas, das indústrias poluidoras, do impacto da agricultura e dos esgotos domésticos, da diminuição do caudal em cenário de alterações climáticas a o aumento do nível médio das águas as margens estuarinas serão dos ambientes mais afetados pela subida do Nível Médio do Mar(NMM) particularmente as
áreas intertidais. A resiliência destes ambientes à subida do NMM está relacionada com a capacidade destes manterem uma taxa de sedimentação que permita que as suas superfícies acrecionem a uma taxa igual ou superior à subida do NMM. Se isso acontecer, as áreas intertidais poder-se-ão manter. No entanto, se a taxa de subida do NMM for superior à taxa de sedimentação, estes ambientes podem ficar submersos e ser substituídos por ambientes intertidais inferiores. A perda destes ambientes tem consequências graves, uma vez que estes têm uma grande importância económica e ecológica e funcionam como uma primeira barreira à inundação e erosão de áreas terrestres marginais (Silva, T. 2013)
22. Existem espécies invasoras no Estuário do Tejo introduzidas acidentalmente através das águas do balastro dos navios. Qual das seguintes espécies de crustáceo é considerada uma espécie invasora competindo com as espécies indígenas?
Siluro capturado no Tejo
Peixes
Não é só a grandiosidade e excelência da localização do estuário do Tejo que permitiu atrair o estabelecimento de populações ao longo da história nas suas margens especialmente junto à foz desde o designado por Mar da Palha que, por sua vez , contacta com o mar por um estreito gargalo, entre Cacilhas e a Cova do Vapor- mas também a sua riqueza em pesca que constituía uma base exportadora própria e, aparentemente, inesgotável. Até o poeta Virgilio (70-19 A.C) mencionava "que aqui, até o vento embrenhava as águas" dada a sua riqueza em peixe. As grandes potencialidades económicas, porém são fortemente prejudicadas pela pressão humana, pela poluição e alteração dos caudais do rio provocando a redução significativa da sua riqueza biológica. Algumas espécies desapareceram completamente como é o caso do esturjão e outras têm vindo a reduzir o seu stock. Embora a grande quantidade de peixes que passam pelo rio, são raros os peixes que ali habitam em permanência pois a maioria efetua posturas no mar face a ser uma zona de transição sujeita a influência de marés e correntes implicando adaptações para que os peixes possam aí viver permanentemente.
23. As espécies de peixes residentes no Estuário do Tejo estão sujeitas a grande stress ambiental, com fortes alterações de salinidade, temperatura e correntes. São exemplo de mecanismos para que isso aconteça ...
24.São exemplos de espécies de peixes que utilizam o estuário como viveiro (nursery) o (a)
25. Os peixes migradores anádromos como por exemplo o Sável, a Savelha e a Lampreia, qualquer delas em decréscimo no estuário do Tejo são espécies que
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Reportagem sobre a poluição no Tejo
26. A enguia europeia prefere colonizar os rios e estuários e reproduz-se apenas no Mar dos Sargaços, de fevereiro a Julho a uma profundidade de 100 a 200 metros. O seu stock encontra-se em franca regressão desde a década de 1980, estando classificada como EM PERIGO pelo Livro Vermelho dos Vertebrados (Cabral et al., 2005) devido a...
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Ciclo de Vida da Enguia Europeia (Anguilla anguilla) in: Enguias da Ria de Aveiro - um ex-libris a preservar (2014)
Ciclo de Vida da Enguia Europeia (Anguilla anguilla) in: Enguias da Ria de Aveiro - um ex-libris a preservar (2014)
AVES AQUÁTICAS
Considerado uma das dez zonas húmidas mais importantes integrando a rota migratória do Atlântico Leste, das aves invernantes como também das espécies migradoras que vêm do Sul como é o caso, entre outros, dos flamingos, dos perna-longa e de alguns passeriformes como os rouxinóis dos caniços. Durante a época de invernada ultrapassa largamente as 20000 aves aquáticas o que a determina como zona húmida de importância internacional critério da Convenção de Berna de 19 de julho de 1979, transportado para a legislação nacional a 23 de julho de 1981.
27. No estuário do Tejo destaca-se pela sua presença e beleza o colhereiro Platalea leucorodia que ocorre como invernante ou durante as migrações. É uma espécie ameaçada a nível europeu. A população invernante apresenta o estatuto “Quase Ameaçado” em Portugal. É considerada uma espécie limícola porque...
Foto: Colhereiro - Platalea leucorodia
Foto: Colhereiro - Platalea leucorodia
28. As aves limícolas no estuário do Tejo são muito abundantes chegando a acolher cerca de 54% dos efetivos daquele grupo a nível nacional. As espécies que ocorrem num mesmo sítio..
29. São exemplo de espécies ameaçadas nidificantes no estuário...
30.O Pernilongo (Himantopus himantopus) é uma ave limícola no Estuário do Tejo e as suas crias são nidifugas porque...
Trabalho efetuado no âmbito do Projeto da LPN - Despertar para a Natureza por Jorge Fernandes
Referências bibliográficas:

Borja, A.; Franco, J.; Pérez, V. (2000). A Marine Biotic Index to Establish the Ecological Quality of Soft-Bottom Benthos Within European Estuarine and Coastal Environments. Marine Pollution Bulletin. 40(12), 1100-1114.
Costa, M. (1999) - O Estuário do Tejo -Ed. Cotovia, Lisboa.
Dias, A., Marques, J. (1999). Estuários.Estuário do Tejo: o seu Valor e um Pouco da sua História. Reserva Natural do Estuário do Tejo, Alcochete.
Neves, F. (2010) - Dynamics and Hidrology of the Tagus Estuary: Results form in situ observations. tese de Doutoramento em Ciências Geográficas e da Geoinformação (Oceanografia). Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências de Lisboa.
Silva, T. (2013) - Sedimentologia e morfodinâmica de sapais do estuário do Tejo em cenários de alteração climática - tese de Mestrado inédita. Universidade de Lisboa, Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências de Lisboa.
Freire, P.; Andrade, C.; Taborda, R. (s.d) - Caraterização das Praias Estuarinas do Tejo. Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos.
ICN - Plano Sectorial da Rede Natura - 1130 - Estuários.
MARETECH (s.d) - Projeto Estuário do Tejo.
Santos, C. (2010) - Reconstrução das Condições Paleoambientais e Paleoclimáticas no estuário do Tejo durante o Holocénico (~12000 anos)- tese de Mestrado inédita. Universidade do Porto, Tese em Ciências do Mar - Recursos Marinhos ,Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.

Nota:
O formato de software disponível para este trabalho não possibilita a introdução da letra em formato itálico e sublinhar. Por essa razão, a nomenclatura das designações das espécies dos seres vivos não está de acordo com a correta nomenclatura.
Autor(es)
Trabalho efetuado no âmbito do Projeto da LPN - Despertar para a Natureza por Jorge Manuel Fernandes - LPN. Fevereiro, 2018.
LPN - LIGA PARA A PROTECÇÃO DA NATUREZA
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