Nas últimas décadas a região da Praça da Estação passou a ser alvo de diversas expedições urbanísticas, patrocinadas pelo Governo em parcerias público-privadas, ou financiadas pelos próprios empreendedores que, como bandeirantes, desbravaram o território em busca de preciosidades, estimulados por lendas sobre riquezas no interior da cidade.
No início, a extração de capital na cidade foi feita nas margens, explorando as minas do desenvolvimento urbano até o momento onde houvesse lucro. Após o esgotamento do mineral no local, os garimpeiros precisaram procurar fontes em outros lugares. Mas o garimpo é uma forma de extrair riquezas pouco ambiciosa, utilizando-se, na maioria das vezes, poucos recursos, baixo investimento e ferramentas rústicas.
Satisfazer à Coroa dos grandes extratores do mercado imobiliário requeria a conquista de uma nova fronteira urbana: o hipercentro. Nos anos 2000 parte a entrada nomeada como Operação Urbana Consorciada Vale do Arrudas, financiada pelos cofres públicos e em favor dos interesses do mercado imobiliário. Os principais objetivos desta expedição, além da busca do precioso metal e mão de obra escrava nas várias atividades cotidianas, foi o combate às resistências de muitos grupos hostis a colonização urbana, e a localização e destruição de quilombos culturais formados por aqueles fugidos das lógicas neoliberais. Durante o auge do período de exploração dos megaprojetos, diversos povoamentos foram fundados nos centros urbanos. Mas, no entanto, e ainda que a história às vezes o esqueça, tratasse tão só de uma substituição de população de baixos recursos por outra de maior poder aquisitivo já que, invariavelmente, entre as consequências das megaexpedições estão as remoções de inúmeros povos indígenas que habitavam essas áreas, espalhando violência e graves problemas sociais.
Muitos são atraídos ao hipercentro pela ilusão do enriquecimento rápido, mas a exploração da cidade exige diversos investimentos, como mão-de-obra, equipamentos de mineração e a compra de terrenos. Somente aqueles que possuam capital para esses investimentos conseguiram lucrar com esse mercado. Na lógica da exploração, a riqueza arrancada pelo esforço, suor e sangue dos escravos não trará progresso, apenas desigualdade. Será possível mudar as ferramentas de exploração por outras de produção coletiva do espaço?
Ainda há minas abandonadas pelos proprietários no centro de Belo Horizonte, que esperam a valorização da região para investirem em seus imóveis. Além das possibilidades de lucro aos agentes privados envolvidos, estas minas escondem outras riquezas. São espaços de possibilidade para os grupos sociais vulnerabilizados, alternativas ao urbanismo neoliberal que mina a cidade. Após séculos, ainda hoje, inconfidências insurgentes continuam a luta pelo comum, movimentando afetos, reivindicando o direito à moradia na ocupação de territórios e constituindo o refúgio improvisado dos que procuram a liberdade.
O workshop será a última atividade do Seminário Internacional Urbanismo Biopolítico, que se propõe a dar ênfase aos temas principais das pesquisas extensionistas desenvolvidas pelo grupo, que têm como objetivos principais rastrear o conjunto de forças que constituem diversas disputas nas metrópoles contemporâneas envolvendo tanto o Urbanismo Neoliberal (produzido pelo Estado-capital) quanto o Urbanismo Biopotente (produzido pelas redes de resistências que objetivam a produção do comum). Pretende-se também que o Seminário promova a investigação sobre processos tecnopolíticos que compõem os possíveis métodos de investigação-ação que se utilizam de ferramentas variadas de pesquisa, coleta de dados, produção de conhecimento e informação, seja via mapeamento territorial e uso de plataformas digitais, seja via produção de dispositivos que proporcionem encontros cotidianos dos atores envolvidos nas resistências urbanas.
Realização:
O workshop irá acontecer nos dias 25 e 26 de novembro, no Centro Cultural CentoeQuatro, onde será feita uma exposição sobre processos de gentrificação, seguida de discussões sobre as categorias a serem utilizadas num mapeamento coletivo. Em seguida, serão trabalhadas imagens e peças gráficas para realizar uma intervenção na área do workshop.
Sobre a inscrição:
Por serem apenas 30 vagas, a inscrição será realizada por meio deste formulário caso seja necessária fazer alguma seleção. Após a confirmação da seleção, será enviado um e-mail para que possa ser realizada uma transferência bancária, no valor de $30,00 (para custeio dos materiais a serem utilizados) e então será enviado um e-mail confirmando a inscrição.
Saiba mais em:
http://seminariourbanismobiopolitico.indisciplinar.com/http://www.lefthandrotation.com/http://indisciplinar.com/http://pub.indisciplinar.com/zona-cultural