DOBRADINHA é um projeto de circulação artística que articula três criações interligadas — os espetáculos Boca Seca, Asteroide AP612 e a residência artística Boca Seca [Casa Vazia] — formando um corpo expandido de investigação sobre presença, vazio, existência e modos de habitar o mundo.
Realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC/DF), o projeto parte de Brasília e segue em circulação nacional, com etapas em Alta Floresta (MT) e Recife (PE), encerrando sua trajetória dentro da programação do Festival Janeiro de Grandes Espetáculos, em janeiro de 2026. Esta chamada integra a primeira etapa dessa circulação.
As três obras dialogam entre si como diferentes camadas de uma mesma pesquisa artística. Boca Seca é o ponto de partida: um espetáculo que investiga estados de aridez, esgotamento e persistência do corpo. Casa Vazia surge como desdobramento dessa pesquisa, transformando a arquitetura coreográfica do espetáculo em um dispositivo aberto de criação, transmissão e reinvenção. Asteroide AP612, por sua vez, expande esse campo de investigação para uma dimensão fabular e política, refletindo sobre poder, isolamento e centralidade a partir de um imaginário cósmico.
O QUE É O [CASA VAZIA]
Casa Vazia é um dispositivo de pesquisa em dança e performance que propõe revisitar a arquitetura coreográfica do espetáculo Boca Seca como uma estrutura viva, aberta e continuamente reabitável.
A metáfora da “casa vazia” orienta todo o processo: preservar a estrutura essencial — a partitura, os princípios coreográficos, os eixos de sustentação da obra — e permitir que tudo o mais seja atravessado por novos corpos, tempos, afetos e contextos. Trata-se de investigar o que permanece essencialmente coreográfico em uma obra quando ela se desloca no tempo, no espaço e nas relações que a constituem.
O dispositivo opera por meio de práticas somáticas, improvisação, composição instantânea, relação corpo–objeto (com especial atenção ao papel como material de pesquisa), escuta coletiva e atenção constante aos contextos onde a prática acontece. A pesquisa compreende o corpo como espaço político, sensível e relacional, onde criação, convivência e negociação caminham juntas.
SOBRE A RESIDÊNCIA BOCA SECA [CASA VAZIA]
A residência [Casa Vazia] é o principal formato de ativação desse dispositivo. Ela se configura como um espaço de investigação coletiva, no qual a arquitetura coreográfica de Boca Seca é colocada em circulação, sendo reapropriada, tensionada e transformada a partir do encontro com outros corpos e territórios.
Em novembro de 2025, o projeto realizou um ciclo de residências artísticas internacionais na Europa, passando por Lisboa (Portugal) e por Madrid, Barcelona e Mieres (Espanha). Nessas etapas, o dispositivo foi experimentado em contextos institucionais e urbanos, envolvendo práticas em estúdio, encontros investigativos em espaços públicos, trocas com artistas locais e partilhas de processo em formatos diversos. Esse percurso aprofundou a compreensão do Casa Vazia como um organismo vivo, capaz de se adaptar às condições específicas de cada território sem perder sua coerência metodológica e conceitual.
A residência (que já passou por Brasília/DF e Alta Floresta/MT), se insere como continuidade direta desse percurso, trazendo para o contexto local as ferramentas, perguntas e dispositivos amadurecidos ao longo da circulação europeia. Ao longo do processo, os participantes são convidados a habitar a “casa” a partir de suas próprias experiências, produzindo deslocamentos, camadas e atualizações da pesquisa.
A residência culmina em uma mostra de resultado, entendida como abertura de processo e partilha pública de um estado da investigação — não como obra fechada, mas como gesto de diálogo, escuta e reflexão coletiva sobre os caminhos percorridos.
Informações da residência:
Datas: 28, 29 e 30/01/2026 – SESC Casa Amarela
Horários: das 13h às 18h + mostra de processo com bate-papo no último dia
Carga horária total: 20 horas
Vagas: 5
Ajuda de custo: R$ 100,00 por dia
As pessoas selecionadas para a residência deverão ter disponibilidade para participar de todas as datas e horários previstos.
OFICINA
Boca Seca [Casa Vazia] – Dispositivos de Criação
A oficina Boca Seca [Casa Vazia] – Dispositivos de Criação compartilha os principais dispositivos metodológicos e conceituais desenvolvidos ao longo da pesquisa Casa Vazia, funcionando como uma introdução prática ao universo do projeto e às suas estratégias de criação em dança e performance.
Partindo da arquitetura coreográfica do espetáculo Boca Seca, a oficina propõe investigar como uma obra pode ser continuamente reativada, transformada e reabitada a partir do encontro com novos corpos, contextos e modos de atenção. O foco não está na reprodução de material coreográfico, mas na ativação de princípios, estruturas e estados de presença que sustentam a pesquisa.
Através de práticas somáticas, exercícios de improvisação, composição instantânea e propostas de relação corpo–objeto (com especial atenção ao uso do papel como material de investigação), os participantes serão convidados a experimentar modos de habitar uma arquitetura coreográfica em constante transformação. A oficina explora questões como presença, escuta, relação, materialidade, espacialidade e tomada de decisão no tempo real, compreendendo o corpo como um campo sensível, político e relacional.
Destinada a artistas, estudantes e pesquisadorxs das artes da cena, a oficina não exige experiência prévia específica, apenas disponibilidade para o trabalho corporal, investigativo e coletivo. O encontro se configura como um espaço de experimentação, troca e compartilhamento de ferramentas, ampliando o acesso às metodologias desenvolvidas no contexto da circulação internacional do projeto.
Informações da oficina:
Data: 27/01/2026 (terça-feira)
Horário: 16h às 20h
Local: SESC Casa Amarela
Duração: 4 horas
Vagas: 20
Atividade gratuita
CRONOGRAMA DE INSCRIÇÕES
Abertura das inscrições: 19/01/2026
Encerramento das inscrições: 22/01/2026
Divulgação do resultado: 23/01/2026, até às 18h
SOBRE OS ARTISTAS FACILITADORES
Dagô R.
Artista e pesquisador em artes cênicas e visuais. Mestre em Criação Artística pela Université Grenoble Alpes (França) e graduado em Artes Visuais pela Universidade de Brasília. Sua prática articula performance, artes visuais e política, com forte dimensão experimental e internacional. É criador de obras apresentadas no Brasil e no exterior e atua na concepção, direção e dramaturgia dos projetos Boca Seca, Casa Vazia e Asteroide AP612.
Déborah Alessandra
Atriz, bailarina, performer, coreógrafa e diretora, graduada em Artes Cênicas pela Universidade de Brasília. Integrou a Anti Status Quo Cia. de Dança e desenvolve pesquisas que atravessam corpo, identidade e política. Seu trabalho circula por festivais nacionais e internacionais, transitando entre palco, rua, galeria, audiovisual e plataformas digitais.
Cris Cantarino
Artista da cena, produtor cultural e terapeuta corporal. Bacharel em Interpretação Teatral pela Universidade de Brasília e pós-graduado em Práticas Somáticas e Dança pelo Instituto Federal de Brasília. Atua desde 2009 em teatro, dança e produção cultural, articulando criação artística, espiritualidade e gestão cultural, com foco em diversidade, interculturalidade e inovação.
Este projeto é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal.
Se a sua inscrição for referente à residência: confirma sua participação em TODAS as atividades, incluindo Mostra Pública seguida de Bate-papo, a ser realizada no SESC Casa Amarela, dia 30/01, às 18h?
Datas:
• 28 a 30/01/2026, das 13h às 18h + Mostra Pública seguida de Bate-papo – SESC Casa Amarela
Carga horária total: 20 horas