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Curso de Reiki Ancestral Mümbaê
Horário do evento: Previsão Maio de 2025
Endereço do evento: Rua Liberdade, n 97, Bairro Boqueirão - Passo Fundo/RS
Ligue para (49) 9 9977-3294 ou envie um e-mail para estudiomorfeu@gmail.com
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Sabedorias Cósmicas e Terrenas para o Novo Tempo.

"Mümbaê – O Chamado da Rede Viva"

por Sônia Mara de Souza
Guardião e Canalizadora do Reiki Ancestral Mümbaê


Prefácio - A Arte de Costurar o Invisível

Da Tarrafa à Teia da Alma


Eu cresci observando meu pai retornar das pescarias — não como quem voltava com peixes, mas como quem trazia consigo o próprio rio dentro dos olhos. Ele chegava em silêncio, o rosto bronzeado pelo tempo exposto ao sol dentro do caico. Ele abria uma bolsa velha de milho onde guardava suas redes de pesca. Não havia pressa naquele processo, nem urgência. Havia apenas presença.

As redes, grandes e pesadas, vinham sempre feridas pela travessia: emaranhadas, rasgadas, desfiadas em pontos quase imperceptíveis. E ele, em um gesto quase cerimonial, as estendia no pátio de casa como quem abre um manto sagrado.
O rádio tocava Teixeirinha ao fundo, e a canção dava ritmo ao silêncio do costurador, do reconstrutor.

Com uma agulha torta entre os dedos e um fio de náilon firme, meu pai se sentava diante daquelas tramas vulneráveis.
E costurava.
Remendava.
Restaurava.

Ali eu aprendi, sem palavras, a potência do gesto simples e sagrado.
A geometria da rede só voltaria a funcionar se fosse respeitada em seu desenho original — e ele sabia disso. O sucesso da próxima pescaria dependia da minuciosa devoção silenciosa daquele momento.

Eu aprendi a costurar redes com meu pai. Mas com o tempo as redes de pesca ficaram para traz.

Assim como Pedro, larguei as redes físicas para seguir um outro chamado. Mas jamais deixei de “costurar”.

Hoje, minhas mãos não trabalham com náilon — trabalham com memória.
Minhas redes não são feitas para o mar — mas para o campo sutil da alma humana.

Agora, costuro linhas invisíveis de dor e fragmentos esquecidos de identidade.
Remendo os rasgos deixados por traumas silenciosos.
Restaurações que não se veem, mas que transformam completamente a forma como o ser se percebe no mundo.

Cada sessão de cura é como estender uma nova rede sobre a Terra.
Cada pessoa que chega, traz consigo nós, fios soltos, bordas partidas.
E o terapeuta Mümbaê — esse novo pescador espiritual — não entrega respostas. Entrega presença.

A Geometria do Reparador

O terapeuta, assim como o meu pai, precisa conhecer a geometria da rede.
Não pode puxar demais, nem apertar de menos.
Cada toque precisa honrar o que já foi — mas também criar espaço para o que ainda virá.

Essa é a sabedoria do costureiro de campos.
Ele não muda o outro — ele apenas cria as condições para que o outro se lembre de quem é.

Assim como as linhas da tarrafa formavam hexágonos e nós,
as linhas da alma formam traumas e talentos, dobras e possibilidades.
E quando costuramos com amor, a rede volta a respirar.

E quando a rede respira… a vida volta a fluir.

A Nova Rede Está Sendo Tecida

Este livro é também uma rede.
Uma rede escrita. Uma rede cantada. Uma rede feita de letras, silêncio e lembrança.

Ele é sua oferenda à Terra.
Mas é também uma ferramenta de reparo coletivo.
Cada leitor que o abre, está dizendo:
"Eu também desejo costurar."

E assim, de ponto em ponto, gesto por gesto,
vamos reconstruindo a grande malha da humanidade
não com pressa.
Mas com presença.


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